Redação Pragmatismo
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Dilma Rousseff 13/Aug/2015 às 15:17
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Dilma cita cantor Lenine e diz que ‘jamais cogitará’ a renúncia

Em entrevista, Dilma afirma que não cogita renunciar. “Posso ter cometido vários erros, mas não esses que eles [adversários] falam”

Dilma marcha das margaridas
Dilma Rousseff na Marcha das Margaridas 2015 (reprodução)

A presidenta Dilma Rousseff intensificou nesta quarta-feira (12) a estratégia de defender seu mandato, diante das ameaças de impeachment, e disse em entrevista ao jornalista Kennedy Alencar, do SBT, que “jamais” pensa em renunciar.

Depois de participar, em Brasília, da 5ª Marcha das Margaridas, evento que congrega mulheres do campo, Dilma lembrou que está no cargo “legitimamente”, por meio do voto popular, e que reagirá às investidas da oposição.

Na entrevista à TV (assista ao vídeo abaixo), Dilma diz que há em curso no país uma onda de intolerância, mas principalmente por parte da elite, e um “clima” de golpe supostamente orquestrado por setores políticos.

“Vejo uma tentativa bastante incipiente e muito artificial de criar um clima desse tipo”, declarou a petista, que mais foi recebida na marcha, em um estádio em Brasília, aos gritos de “Fora, Cunha”, referência ao presidente da Câmara, o novo oposicionista Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e “Não vai ter golpe”.

Embora negue recorrentemente, Cunha tem preparado o terreno para facilitar um processo de impeachment contra a presidente. O presidente da Câmara já desengavetou mais de 10 processo contra Dilma.

No evento, Dilma fez o discurso de encerramento e citou trecho da música do cantor e compositor Lenine para demonstrar que está firme no cargo. “Ergo o meu copo e celebro os bons momentos da vida / E nos maus tempos da lida / Eu invejo, mas não quebro”, disse a presidenta, também citando frase de político Carlos Lacerda (1914-1977) à época do golpe urdido contra o ex-presidente Getúlio Vargas (1882-1954).

“O senhor Getúlio Vargas não deve ser candidato à Presidência. Candidato, não deve ser eleito. Eleito, não deve tomar posse. Empossado, devemos recorrer à revolução para impedi-lo de governar”, repetiu Dilma, em reconstrução histórica para afirmar que “sistematicamente houve tentativa de golpe contra todos os presidentes”.

As aparições cada vez mais constantes de Dilma fazem parte da estratégia do governo para se contrapor às manifestações do próximo domingo (16), quando estão marcados protestos por todo o Brasil em que um dos motes é justamente o impeachment presidencial. Como registra reportagem veiculada no site do jornal O Estado de S. Paulo, a petista ensaiou um reconhecimento por seus erros à frente do país, mas tergiversou:

“Não acho que errei, não. Acho que sou completa, inteiramente humana. Posso ter cometido vários erros, mas o erros não são esses que eles [adversários] falam”, argumentou a presidenta, que tem contado com o acordo costurado pelo vice-presidente da República, Michel Temer, junto ao Senado. Ao contrário da “pauta-bomba” ativada na Câmara, Dilma contará com a discussão de proposições mais populares patrocinada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que elaborou a “Agenda Brasil” para combater a crise econômica.

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Comentários

  1. Leandro Postado em 13/Aug/2015 às 15:23

    Eu envergo mas não quebro.

    • felipe Postado em 13/Aug/2015 às 15:38

      Pois é....rsrs

  2. Eduardo Ribeiro Postado em 13/Aug/2015 às 15:43

    "Dilmãe pode até ir ao fundo/de um poço de dor profundo/mas volta depois sorrindo/é que Dilmãe é tal qual a vara/bamba de bambu-taquara/Dilmãe enverga mas não quebra"...

  3. Salomon Postado em 13/Aug/2015 às 16:23

    Lacerda era a força reacionária, hostil à autonomia do Brasil. Uma vez que o poder estatal pertence ao povo, usurpação só há quando alguém (Aócio) ou alguns (coxinhas) o retiram do povo. Tem-se assim, na democracia consolidada pelo PT, o índice de profundidade do golpe tal qual o cantareira e o volume morto.