Redação Pragmatismo
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Juristas 07/Jul/2015 às 12:35
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Juiz e advogado abandonam "juridiquês" e adotam poesia

Advogado contesta ação na Justiça em 18 versos e Juiz também usa a poesia para emitir decisão. De acordo com o advogado, a intenção foi mostrar que é possível fazer um documento formal sem necessidade de usar o chamado "juridiquês"

Juiz advogado juridiquês verso poesia

O advogado Carlos Antonio do Nascimento, 49 anos, entrou com uma petição em verso no dia 6 de novembro de 2013, em um processo que tramita na 4ª Vara Cível de Palmas e o juiz Zacarias Leonardo, 50 anos, que decidiu a ação no dia 11 de junho deste ano, respondeu em prosa e verso. O fato foi divulgado nesta segunda-feira (6), pelo Tribunal de Justiça do Tocantins.

O caso trata sobre a disputa judicial de cobrança de seguro, entre um motociclista que mora em Palmas e que ficou inválido de forma permanente após sofrer um acidente no município de Pugmil. A seguradora ajuizou uma ação conhecida como exceção de competência, defendendo que a cobrança ajuizada pelo motociclista não poderia tramitar na Comarca de Palmas e, sim, na de Paraíso do Tocantins, que abrange Pugmil.

Já o advogado defendeu a escolha legal do motociclista em cobrar o seguro em Palmas, cidade onde mora, pedindo ao juiz que rejeitasse a ação da seguradora.

A contestação de Nascimento foi feita através de uma estrofe, com 18 versos, que segue abaixo:

“O autor sobre o evento sete (07) vem falar
Que lesado foi ao acidentar
Por isso, procurou onde a demanda ajuizar
Preferiu o domicílio do réu sem vacilar
Sendo competência territorial pôde optar
Seja, onde há sucursal ou onde morar
Isso é jurisprudencial não precisa reafirmar
Ademais, o réu sabe que deve pagar,
Aqui ou em outro lugar
Porém, para modificar, não basta alegar
Prejuízo tem que demonstrar
Sobre esse intento não conseguiu provar.
Portanto, o autor para finalizar
Pede para o doutor, a presente rejeitar
Essa é a contestação,
Parece de canastrão
Mas, sem atrevimento.
Pede, suplica o deferimento”

“Não sou poeta, apenas quis valorizar a língua portuguesa e mostrar que é possível redigir um documento legal, que respeite a parte envolvida, sem o rigor da linguagem jurídica”, diz o advogado.

O juiz Leonardo Zacarias, negou a procedência da ação da empresa. Ao informar sua decisão, para a surpresa do advogado, ele também escreveu de forma poética, misturando prosa e poesia.

Abaixo, a parte da decisão que foi escrita em poesia:

“Em versos e jurisprudências responde o excepto;
Não pode ser acolhida a exceção; acertado pontua;
O juízo competente é do domicílio do autor ou do local do fato;
Esqueceu-se a excipiente não ser escolha sua.
A lei contemplou o domicilio do autor ou o local do acidente;
Assim é mais fácil para a vítima do sinistro pensou o legislador;
Em sua casa, com sua gente ou onde se feriu o requerente;
Pareceu mais propício buscar lenitivo e reparo à sua dor;
Mas, onde mora o requerente? Perquire o judicante;
Mora em Palmas e se feriu quando no interior se encontrava;
Em seu parágrafo único o artigo cem (100) soluciona o embate;
O foro do domicílio do autor era escolha que bastava.
A contestação não parece de canastrão;
Pelo contrário, sem respaldo legal e sem assento;
Parece, isto sim, a exceção, uma medida de protelação;
Coisa de instituição financeira querendo ganhar tempo.
De fato a jurisprudência é de remanso;
Por outro lado a legislação é de meridiana clareza;
Enquanto o requerente espera ansioso o desfecho;
Navega tranquila a seguradora sob o benefício da destreza,
É preciso colocar na espera um ponto final;
Por isso, sem mais delongas, porque não sou poeta;
Firmo de logo a competência do juízo da capital;
É aqui que se deve resolver o quanto o caso afeta”

VEJA TAMBÉM: Advogado escreve receita de pamonha para provar que juiz não lê os autos

informações de G1 e TO247

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Comentários

  1. Junipero Postado em 07/Jul/2015 às 13:56

    Ueba! se a moda pega teremos os bardos e menestréis de volta?

  2. Salomon Postado em 07/Jul/2015 às 14:10

    A leitura dos versos mostra que o juridiquês está presente. Os termos técnicos foram preservados. Aliás, o direito é uma linguagem científica. Uma linguagem técnica. Quem tentar abandonar o juridiquês deixa de ser operador do direito e passa a jornalista ou escritor. O que é dispensável, em verdade, é o rebuscamento barroco de certos profissionais.

    • Rodrigo Postado em 07/Jul/2015 às 14:42

      (Outro Rodrigo) Ia comentar o mesmo.

  3. Eduardo de Paula Barreto Postado em 07/Jul/2015 às 14:42

    . A PRECE DE AÉCIO Deus, quando eu era menino Bastava um único pedido E o Senhor me atendia Me dava bicicletas Coloridas canetas E tudo o que eu queria. Às vezes eu nem pedia E do nada aparecia Uma porção de presentes Eram roupas da moda Relógios chiques de corda E viagens aos States. Ganhava motorista particular Que dirigindo um Jaguar Me levava à escola todo dia Tudo era tão diferente Eu fazia uma prece inocente E o milagre acontecia. Pedi faculdade, ganhei a PUC Pedi fama, fiquei ilustre Pedi poder, virei Deputado Pedi um Estado, virei Governador Pedi o Senado, virei Senador Pedi o Brasil, fiquei chateado. Ó meu bom Deus O que foi que aconteceu Com o Senhor meu Pai? Parece que Se esqueceu Desse filhinho Seu Aqui de Minas Gerais! Senhor eu pedi tão somente Para ser o Presidente Desse meu Brasil Mas o Senhor atendeu A Dilma enquanto eu Fiquei a ver navios. E quando fui à Venezuela Bater as minhas panelas Contei com a Sua ajuda Mas voltei escorraçado No Brasil todo humilhado Nunca fizeram isso com Lula. Já que o Senhor não ouve As preces que toda noite Eu encaminho aí pra cima Vou esperar o Natal chegar E pedirei para o Noel me dar O impeachment da Dilma. Se ele atender às minhas súplicas E me tornar Presidente da República Assim que houver eleições nos céus Eu serei o Seu adversário E num golpe interplanetário Serei empossado deus. Eduardo de Paula Barreto 07/07/2015 .

  4. Junipero Postado em 07/Jul/2015 às 16:09

    Também fiz um. Não é muito bom, vocês leiam e tentem descobrir de quem estou falando. (Um novo jogo?) Meu sorriso que não consigo disfarçar Até caibras no rosto, sou tão esperto! Ao ver meu shopping para gastar Um bilhão em reais em concreto Não me chateio com reclamação O povo está longe, sem nada e sujo A aí dos menores se maldizerem Baixo mais a maioridade, acho justo! Uma bancada de Deus me apoia Com o altíssimo do meu lado Quem vai contra? Só pode ser ateu ou efeminado Negro, pobre ou mal assalariado. Certas suplicas finjo bem em ouvir Igualdade, minorias, saúde e educação É para presidente que tem que pedir Transporte para mim, só mesmo de avião! Todos tem inveja da benfeitoria Que o bom Deus fez na minha vida Isso não teria acontecido Se tivessem pago, do dizimo, a divida

    • Edna Postado em 07/Jul/2015 às 16:31

      Ahahaah! Fantástico! Os comentários são MUITO melhores do que a notícia, que também foi primorosa.

    • Philippe Postado em 07/Jul/2015 às 17:25

      Excelente, só não entendi o final.

      • Philippe Postado em 07/Jul/2015 às 23:30

        O final do poema do junispero

  5. Ariadne Postado em 07/Jul/2015 às 16:10

    Eduardo Cunha?

  6. Junipero Postado em 07/Jul/2015 às 21:36

    De fato a ultima frase usa de outro estilo de português. Mas o fato é deixar sub entendido a militância tendenciosa da bancada, já com vista nos ganhos dos templos. Visando ainda um contingente eleitoreiro que literalmente "paga" para votar.

    • Philippe Postado em 07/Jul/2015 às 23:31

      Entendi agora

  7. João Paulo Postado em 08/Jul/2015 às 05:02

    Quanta bobagem ... Além disso, advogado e magistrado estão errados ao intitular a peça do excepto como contestação.

  8. Hélio Postado em 08/Jul/2015 às 16:22

    Ninguém vai mais mandar nenhum poema, rs?