Redação Pragmatismo
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Índios 30/Jul/2015 às 00:06
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Indígenas sofrem racismo em ônibus e são largados no meio da estrada

Por conta do preconceito de uma mulher que não queria viajar ao lado dos indígenas, quatro Kayapós que saíam do Encontro de Culturas Tradicionais na Chapada dos Veadeiros foram obrigados a descer do ônibus que os levaria de volta para Palmas (TO) e acabaram largados no meio da rodovia; organização do evento estuda processar a passageira e a companhia responsável

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(Imagem: Alan Oju)

Ivan Longo, Revista Fórum

Indígenas da tribo Kayapó, que vivem em Tucumã, no interior do Pará, foram alvo de um episódio de racismo e preconceito no início desta semana. Desde o último dia 17, eles estavam em Goiás participando do 15º Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros e voltariam para a sua aldeia no último domingo (26), mas tiveram que adiar a viagem por conta da discriminação.

Com as passagens compradas, 18 indígenas embarcariam em Brasília, em um ônibus que faria o trecho até Palmas (TO), o ideal para que chegassem a Tucumã. Do total, 14 deles se instalaram na parte superior do ônibus e outros quatro ficaram na parte de baixo. De acordo com Isaac Kayapó, líder da tribo, uma mulher que estava em uma poltrona da parte inferior do veículo se incomodou com a presença deles. “Nós que pagamos! Ou vocês descem ou eu chamo a polícia”, teria dito a passageira.

Isaac conta que, apesar da indignação pelo preconceito que estavam sofrendo, os índios optaram por não dar importância à discussão e, acuados, os quatro desceram do ônibus e foram largados no meio da rodovia. “Ela disse um monte de coisa horríveis, mas não queríamos brigar”, disse.

O motorista interveio e perguntou se as partes queriam que ele chamasse a polícia. Mesmo com os indígenas cedendo ao preconceito da passageira, no entanto, o condutor simplesmente deu a partida e seguiu viagem sem prestar qualquer tipo de assistência.

Os quatro indígenas expulsos foram acolhidos por uma van da organização do Encontro e voltaram em um ônibus no dia seguinte, com novas passagens compradas. A coordenação do evento estuda agora acionar o Ministério Público e entrar com um processo contra a passageira e a empresa de ônibus por discriminação.

“É um preconceito que se vincula a um desconhecimento sobre esses indígenas e se vincula também a um momento que estamos vivendo de muito radicalismo dentro da sociedade e essas pessoas às vezes saem do armário. Elas não falavam, e hoje elas acham que podem falar e exercitar seu racismo cotidianamente”, observou Tiago Garcia, assessor da secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, que é uma das organizadoras do Encontro. “Ela cometeu um crime e merece ser punida por isso”, completou.

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Comentários

  1. sena Postado em 30/Jul/2015 às 07:40

    Essa história está meio estranha, ou essa passageira e o motorista precisam de um hospício.

    • Eduardo Ribeiro Postado em 30/Jul/2015 às 12:14

      Não é caso de hospício não. É caso de ambos levarem um processo e se possível uma surra bem dada pra deixarem de ser tão sem carater.

    • domenico Postado em 31/Jul/2015 às 10:10

      O mesmo hospicio que merecem os que agrediram o Mantega duas vezes em espaços publicos.

    • Leandro Postado em 31/Jul/2015 às 15:55

      Infelizmente já vi casos bem piores com ciganos... você não tem ideia do quanto algumas minorias no Brasil sofrem. =\

      • eu daqui Postado em 03/Aug/2015 às 15:39

        E EU ´JÁ VI INUMERAS VEZES CIGANOS, PRINCIPALMENTE OS HOMENS, FAZEREM BEM PIOR ATÉ MEMSO CONTRA SEUS PARES. A proposito, descendo de ciganos pelo lado paterno que aqui chegaram fugindo do nazismo comendo rato e baratas durante a viagem num porão de navio -> hoje são todos doutores sem precisar de cotas, nem de politica sociocoitadistas nem de aparecer aqui no pp.

    • Newton Postado em 03/Aug/2015 às 11:34

      Também achei. Como é possível alguém coma a passagem comprada ser expulsa do ônibus?

  2. Marcos Vinicius Postado em 30/Jul/2015 às 08:39

    Não é questão de meramente "levantar bandeira". Você queria o quê? Eles nem ao menos brigaram com a passageira (se brigassem teriam razão) no momento do ocorrido, não podem nem contarem o que se passou com eles? Ah, me poupe!

  3. Deisi Postado em 30/Jul/2015 às 09:21

    Os indígenas são mais civilizados que essa dona arrogante, saíram pacificamente, cada dia me convenço mais, tão grande é a da hipocrisia do povo brasileiro, muitos tem desculpas na ponta da língua, para esconderem seu racismo e preconceitos enrustidos. Tenho vários amigos gays, já namorei uma negra, minha empregada é negra, "mas" é como se fosse uma pessoa da família, tenho vários amigos negros que frequentam minha casa. Não sou racista! Quanta arrogância! Está viajando de ônibus e acha que não pode, estar no mesmo espaço com seres de outro planeta. Que ponto chegamos! Existem coxinhas de todas as classes, só muda o endereço. A pobreza pior é do espirito. Lamentável!

  4. Deisi Postado em 30/Jul/2015 às 09:52

    Esse episódio, me fez lembrar da professora no aeroporto, que usou redes sociais para aflorar seu lado coxinha. Que aeroporto estava se transformando em rodoviária,só porque um senhor estava de regata e bermuda. Se danou! O cara era procurador da justiça! Pensou que era pobre, que graças ao governo do PT, hoje viaja de avião. Dançou! Processo nela!

  5. carol Postado em 30/Jul/2015 às 10:41

    Nossa, minha irmã já foi nesse encontro de culturas, se não me engano é em alto paraiso-GO, cidade linda, já fui!!!! mas não sabia que o povo tinha esse preconceito ridículooooo!!!!!!

  6. Terezinha Santos Postado em 30/Jul/2015 às 13:49

    Olá boa tarde! Não consigo visualizar o anterior . Quando tentei enviar, apareceu uma mensagem de erro. Por isso fiz nova tentativa. Obrigada. Desculpas! Terezinha

  7. Erasmus Postado em 31/Jul/2015 às 10:00

    É lamentável alguém agir com extrema estupidez. Cabe sim, processar a empresa e principalmente a "mulher" que cometeu tais agressões.

  8. marc Postado em 31/Jul/2015 às 11:51

    Um ignorante destas consegue sobreviver como no brasil, no mínimo devido ao benefício vindo da própria discriminação, pq alguém q não percebe nem a importância dos descendentes dos verdadeiros brasileiros, merece sim alguma punição de preferência exemplar.

  9. Grace Diniz Postado em 31/Jul/2015 às 20:47

    Essa mulher tinha que receber, na hora, ordem de prisão, por qualquer cidadão decente que estivesse presente. O motorista do ônibus também. Aliás todos que foram coniventes são cúmplices. Cadeia neles! Isso não aconteceria na minha presença, não mesmo...

  10. Roberto Pedroso Postado em 01/Aug/2015 às 01:12

    https://www.youtube.com/watch?v=f4Qhqvp8or4

  11. Luiz Parussolo Postado em 02/Aug/2015 às 14:25

    O brasileiro tem de aprender e decorar sua origem genética vinda da Europa Meridional, conhecidos como os porcos da Europa, salvo raríssimas regiões específicas de cada país e alguns nem regiões são consideradas e em vista disso é o país dependente e ordinário por praticamente 95% não possuir capacidade racional vivendo de decorar conhecimentos alheios sem desenvolver e 70% ou mais, mesmo com cursos superiores analfabetos (alienados), IPEA. Se não fossem os militares talvez a maciça maioria estaria viajando a cavalo e em carroças e utilizando sabugos e folhas para higiene nas necessidades e as mulheres paninhos nos incômodos. Os períodos anteriores ao Regime mostram, bem como o período desde o mandato Sarney, onde embora sustentam evolução regredimos à década de 1950, provado por um estudo nacional (Fiesp) e outro internacional. Destruímos todo o desenvolvimento conseguido até 1984, principalmente o industrial. Possuo origem nativa parcialmente, portanto verdadeiro dono do território brasileiro que os invasores até hoje continuam hóspedes e predadores e nem uma nação soberana e independente conseguiram e o que existe é briga entre famílias por disputa de território onde os brancos, rhesus definhados pelas origens, impõe-se sobre as outras famílias da mesma espécie pela brutalidade e pelo domínio do espaço econômico e social por ser o privilegiado na escolha pelas grandes nações que sustentam e sugam o território e as atividades nacionais. Desde os poderes e instituições somos semi selvagens aos olhos do mundo e isto não mudou porque não tem como mudar.

  12. Newton Postado em 03/Aug/2015 às 11:31

    Não entendi como alguém com a passagem comprada pôde ser expulso do ônibus.