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Racismo não 30/Jul/2015 às 17:19
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Ginasta Ângelo Assumpção, vítima de racismo, quebra silêncio após blindagem da CBG

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O ginasta Ângelo Assumpção (diivulgação)

Mais de dois meses depois de ser alvo de ato racista de seus companheiros de seleção , o ginasta Ângelo Assumpção falou abertamente sobre o caso e disse que ainda luta contra as cicatrizes. Em entrevista ao jornal O Globo, o atleta contou que sua relação com um dos envolvidos, Arthur Nory, ficou abalada e que a Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) controlou sua reação logo após o ocorrido.

“Era uma situação que eu não estava acostumado a lidar. Poderia dizer alguma coisa de momento. Então, preferiram me blindar. Eles (a CBG) não queriam que eu falasse”, contou o ginasta, que na época se pronunciou apenas por entrevistas por e-mail que, segundo o jornal, passavam pelas mãos de profissionais da confederação. A entidade não se pronunciou sobre as novas declarações de Ângelo.

Na época, a CBG aplicou uma suspensão de 30 dias nos três ginastas envolvidos: Fellipe Arakawa, Henrique Flores e Arthur Nory. Em imagens compartilhadas pelo Snapchat, os seguintes comentários eram feitos na frente de Ângelo: “se o celular funciona é branco. Se estraga, é de que cor? O saquinho do supermercado é branco. E do lixo é preto”. Em novo vídeo, o trio disse que se tratava de uma brincadeira e pediu desculpas pelo episódio.

Apesar de ter participado do vídeo com pedidos de desculpas, Ângelo Assumpção disse que sua relação com Arthur Nory, de quem era bastante próximo, foi seriamente afetada. Eles ainda treinam juntos, mas a amizade ficou comprometida.

“O relacionamento com os atletas ainda está mexido. Principalmente, com quem causou tudo isso, que foi o Arthur Nory. Ele era meu amigo há mais de 10 anos, sempre soube que não poderia ter me exposto daquela maneira. O vídeo que ele (Arthur) fez foi a gota d’água. Depois, ainda achou tudo normal. Não aceitei por completo a desculpa dele. O convívio continua, somos companheiros de clube e de seleção, mas a amizade não é a mesma”, desabafou.

“Com Fellipe e Henrique, não fiquei tão magoado. Nos conhecemos há cinco anos e sei que foi um caso isolado. Mas com o Arthur, eu sei que não foi bem assim. Ele sempre passou dos limites, me pedia desculpas, mas nunca mostrou uma mudança de atitude. Sempre voltou a fazer as mesmas brincadeiras”, completou, segundo o jornal.

Mesmo com toda a mágoa, Ângelo Assumpção preferiu não abrir processo contra os envolvidos na Justiça Comum. Recuperando-se de dores na perna, o ginasta tenta deixar de lado toda a polêmica para disputar o Mundial em outubro.

Terra Magazine

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Comentários

  1. poliana Postado em 30/Jul/2015 às 19:05

    é muito absurdo (ou seria desumano?)! o menino é vítima de racismo, humilhado publicamente, e a merda da CGB ainda abafa o caso e monitora qq tipo depoimento da vítima sobre o caso, q só pôde se pronunciar POR EMAIL!?só se tornam ainda mais coniventes com esses episódios de racismo. querem abafar pq? o menino é o culpado pelo racismo sofrido? os agressores sofreram alguma punição SEVERA? q atitudevergonhosa da CGB!!!

  2. luiz a s monjelo Postado em 31/Jul/2015 às 11:29

    parece que quem foi punido foi ele então!!! caberia um processo por assedio moral contra os dirigentes também...e indenização... para começar a corrigir esse preconceito idiota...

  3. Eduardo Ribeiro Postado em 31/Jul/2015 às 11:34

    Os dirigentes e a confederação deram aula de como não agir numa situação do genero. E ainda temos que ficar felizes por não ter sobrado nenhuma punição ao Angelo. Parabens aos envolvidos.

    • marc Postado em 31/Jul/2015 às 12:03

      Aula de racismo, corporativismo e politicagem barata, CGB os brasileiros não racistas não querem medalhas de racistas filhas da puta não, não queremos esse racista aí o tal do Arthur Nory nesta seleção, ele não representa o brasil e qqr coisa q ganhe não nos representa.

  4. Leonardo Postado em 01/Aug/2015 às 07:45

    O Brasil chegou em um nível de violência, que vemos em pouquíssimos países, e geralmente, são locais onde se tem uma guerra instaurada, e isso não é legal. Mas acho que, como pena, para esses moleques, mal educados, poderiam leva-los à uma prisão, e deixa-los 30 minutos com um "saco de lixo". Essas atitudes são perpetuadas pela ignorância.

  5. B. Ferreira Postado em 03/Aug/2015 às 10:45

    Bom, e por mais que os casos de racismo no esporte venham à tona, por mais que tudo isso ganhe notoriedade, ainda exitem cartolas em confederações que blindam a vitíma diante da aberração que é o racismo. Essa mazela é vista na sociedade com frequência, lutar contra a discriminação, seja ela qual for, é necessário em qualquer segmento social. Enquanto fecharmos os olhos ou taparmos as bocas, nada será mudado.

  6. Daniel Rosa Postado em 18/Aug/2016 às 19:14

    O grande problema é exatamente esse "preferir não abrir processo na justiça comum". Isso dá margem para que outros casos ocorram com outras pessoas, em outras ocasiões.