Redação Pragmatismo
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Mulheres violadas 19/Jun/2015 às 16:52
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Professor universitário faz apologia ao estupro após acreditar em notícia falsa

Professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Joaquim Sucena Lannes acreditou em publicação de site satírico e aproveitou para destilar ódio na internet: "que sejam estupradas filha, esposa e outras mulheres que tenham parentesco com o juiz". O docente tentou se justificar, mas acabou apagando o texto posteriormente

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O professor e chefe do departamento e comunicação da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Joaquim Sucena Lannes (Pragmatismo Político)

O professor e chefe do departamento e comunicação da Universidade Federal de Viçosa (UFV) Joaquim Sucena Lannes, publicou no seu perfil do Facebook uma mensagem interpretada como apologia ao estupro de esposa e filhas de juiz, na segunda (15). O comentário estava acompanhado de uma notícia falsa, de título: “Juiz solta ladrão e é assaltado por ele na saída do Fórum.”

O link da notícia vinha acompanhado do comentário: “Bem feito. Tomara que futuramente este marginal entre na casa do juiz estupre a mulher dele, a filha e outras mulheres da família dele. Aí quem sabe ele possa ver quem merece ficar solto e quem merece ficar preso. Bem feito.”

Joaquim Sucena tentou se justificar. O docente afirma que não teve intenção de estimular estupro e que sua opinião deve ser respeitada, assim como respeita outras opiniões. No entanto, declarou que excluiu de sua rede social aqueles que criticaram sua postagem. Após a repercussão, ele apagou os posts.

Segundo uma estudante do quinto período de comunicação social da UFV, que prefere não se identificar, este não é um caso isolado e o professor já teria feito outras declarações polêmicas tanto por meio das redes sociais, quanto em sala de aula. “Temos várias denúncias de falas preconceituosas feitas por ele. Eu mesma presenciei quando ele disse não ter nenhum problema com homossexualidade, desde que não ocorresse em sala de aula. Ele disse em tom de brincadeira, mas é opressivo, ainda mais por termos homossexuais em nossa turma”, considera a jovem.

Um jornalista e ex-aluno do professor na UFV, que não quer ter o nome divulgado, também condena a conduta de Lannes. “As postagens do professor no Facebook apenas ilustram práticas condenáveis dele em ambiente acadêmico. Práticas que há muito tempo revoltam os estudantes e que envolvem assédio moral, discursos preconceituosos, machistas e homofóbicos. Não bastassem as situações vexatórias, o professor é fechado ao diálogo e se orgulha de transformar a sala de aula em um espaço ditatorial”.

A historiadora Conceição Oliveira aponta para a irresponsabilidade de um acadêmico da área de Comunicação que não consegue distinguir notícias falsas de verdadeiras.

“Um professor que é chefe do Departamento de Comunicação Social não se dá ao trabalho de investigar se a notícia que circula e que ele reproduz em seu perfil é verdadeira ou falsa. Isso diz muito sobre um certo tipo de jornalismo em que parece que o fato não tem relevância. Mais que a gravidade de um comentário que incita a violência, “o olho por olho, dente por dente“, chama a atenção a ausência de um saber basal de qualquer um que trabalha com comunicação mas, especialmente, um saber que é condição mínima para se chefiar um departamento de Comunicação numa universidade federal: rigor com os fatos, apuração jornalística antes de publicar qualquer notícia”, publicou Conceição em seu blog.

Na tarde da última quarta-feira (17), organizações de jovens protocolaram denúncia no conselho do Centro de Ciências Humanas da UFV, onde o professor ministra aulas. Também o denunciarão por incitação ao estupro na delegacia de Viçosa.

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Comentários

  1. Line Postado em 19/Jun/2015 às 18:34

    A notícia foi falsa, mas mesmo que fosse verdadeira, ele colocou as mulheres (que não tinham nada a ver com a situação) da família do juiz fictício no meio e desejou que fossem violentadas. Ele disse isso creditando que se tratava de pessoas reais. Um cara desse se auto declara um "cidadão de bem". Depois disse que apologia a violência e ao estupro que ele fez era apenas uma opinião. Incitação ao crime agora é opinião para esse professor. E ainda não tolera críticas, pois excluiu quem não concordou com a sua apologia ao crime. Como foi dito, não é um caso isolado. Que sujeito podre.

  2. Andre Nelson Postado em 19/Jun/2015 às 23:52

    Olha o naipe dos teachers do nosso Brasil. Sem generalizar, mas, nesta categoria era pra nunca aparecer numa situação dessas, um professor universitário. Estamos todos cheios de ódio, aí tem uns filhos do capeta que vivem de proliferar mentiras, e os incautos repassam essa lama venenosa.

    • rafael Postado em 20/Jun/2015 às 00:26

      "Olha o naipe dos teachers do nosso Brasil. Sem generalizar..." você generalizou.

  3. Professora Postado em 20/Jun/2015 às 10:48

    é!!!! generalizou, e toda a generalização é"burra" . sou professora universitária e abomino a posição do "colega". não me estendo, mas poderia fazer uma longa analise de seu posicionamento reacionário, mas não vale a pena!!!

  4. Luan Bernardi Postado em 21/Jun/2015 às 12:32

    É uma pena que alunos e ex-alunos não tenham coragem de opinar abertamente, preferindo ocultarem-se no anonimato. Dá um ar de descrédito à matéria.

    • Tatiana Postado em 21/Jun/2015 às 13:34

      acredito q isso sera feito na delegacia, eu tb n me exporia assim p um simples jornal, vai q não dá em nada e esse cara resolve fazer uma retaliaçao, um estupro, por exemplo

  5. walmi Postado em 21/Jun/2015 às 13:35

    independente da notícia ser falsa,só por propagar seu discurso de ódio,fazendo apologia ao estupro,já deveria ser responsabilizado e processado,não é esta a conduta que se espera de um professor,o mínimo q deveria ter feito era apurar se a notícia era verdadeira e nem assim lhe daria o direito de incitar a pratica de crime,foi no mínimo irresponsável e deveria responder na justiça por suas declarações de ódio.

  6. Julio Postado em 21/Jun/2015 às 13:42

    Minha pergunta é como nao só uma pessoa assim consegue um diploma, como ainda vai lecionar para outras pessoas. ou seja é um multiplicador de ódio. Não a toa o diploma no Brasil é algo que dá pra comprar em qq uniesquina

  7. André Anlub Postado em 21/Jun/2015 às 14:24

    Ler essa matéria me remete ao início do ódio vigente atual, e penso: o brasileiro da classe média/média-alta, em sua grande maioria, é de tamanho egoísmo que não está preparado psicologicamente para repartir o pão.

  8. Marc Postado em 21/Jun/2015 às 14:46

    E oq acontecerá com ele, nada, infelismente, mas furem o pneu do carro dele por mim !

  9. Bruno Postado em 21/Jun/2015 às 16:15

    Apesar de extremamente infeliz, a declaração, juridicamente, não configura o crime de apologia a crime. Critiquemos, mas façamo-lo corretamente.

  10. Dr. André Araújo Postado em 22/Jun/2015 às 10:10

    Que absurdo o comentário que esse cara postou, ô loco! A notícia era falsa, mas não seria de admirar se fosse verdadeira. Ocorre que se o tal professor tivesse o mínimo de conhecimento jurídico, saberia que o Juiz apenas cumpre a lei ao soltar um indiciado/acusado/condenado que cumpre os requisitos para ser solto. Quer culpar alguém, culpe o congresso nacional, pois precisamos de uma reforma nos códigos penal e processual penal urgentemente (mas não creio que irá acontecer). De toda forma, é chocante um cara fazer uma declaração dessas.

  11. eu daqui Postado em 23/Jun/2015 às 08:59

    INTERNET NESTE PAÍS ESTÁ UM ANTRO DE ESCULHAMBAÇÃO IRRESPONSÁVEL !!!!!

  12. Doug Postado em 30/Jun/2015 às 19:28

    Essa é a opinião de quem defende pena de morte, de quem quer a redução da maioridade penal. Normal hoje em dia...