Redação Pragmatismo
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FHC 11/Jun/2015 às 17:31
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Por que a mídia não se chocou quando a Camargo Corrêa doou a FHC?

Camargo Corrêa também doou a Instituto FHC. Construtora foi uma das empresas brasileiras e estrangeiras que doaram R$ 7 milhões ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para a criação do instituto que leva seu nome. Mídia tradicional não se escandalizou

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A construtora Camargo Corrêa foi uma das 12 empresas brasileiras e estrangeiras que doaram R$ 7 milhões ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para a criação do instituto que leva seu nome. Esse dinheiro foi arrecadado pessoalmente por FHC num jantar no Palácio da Alvorada – pago com dinheiro público – em novembro de 2002, quando ele ainda exercia o cargo de presidente da República.

Além de receber dinheiro de bancos, empreiteiras e de outras empresas, o Instituto FHC recebeu, em 2006, R$ 500 mil da Sabesp, uma empresa pública controlada pelo governo do PSDB de São Paulo (confira aqui).

A fundação do tucano também utiliza a Lei Rouanet para captar doações a seus projetos, com abatimento no imposto de renda, e conseguiu aprovar um limite de R$ 10 milhões em 2006. Ou seja: o Tesouro brasileiro também banca o Instituto FHC.

Atualmente, o principal “parceiro” do instituto tucano é a Fundação Brava – criada pelo empresário Beto Sicupira, com sede em Delaware, um paraíso fiscal nos EUA. Outro patrocinador frequente das palestras de FHC é o Banco Itaú. A Telefónica de Espanha, que abocanhou o filé da privatização do sistema Telebrás, patrocina o Museu das Telecomunicações do Instituto.

O jantar em que FHC passou o chapéu entre empresários amigos foi descrito em detalhes pela revista Época. Além de Luiz Nascimento, da Camargo Corrêa, participaram Jorge Gerdau (Grupo Gerdau), David Feffer (Suzano), Emílio Odebrecht (Odebrecht) e Pedro Piva (Klabin), entre outros empresário (confira a cópia em cache, pois o link original para a matéria foi retirado do ar.

Noite de gala

Sem se escandalizar com o jantar de arrecadação ocorrido em pleno Palácio da Alvorada, Época retratou o evento como uma “noite de gala”. Leia, abaixo, um trecho da reportagem de Gerson Camarotti:

Foi uma noite de gala. Na segunda-feira, o presidente Fernando Henrique Cardoso reuniu 12 dos maiores empresários do país para um jantar no Palácio da Alvorada, regado a vinho francês Château Pavie, de Saint Émilion (US$ 150 a garrafa, nos restaurantes de Brasília). Durante as quase três horas em que saborearam o cardápio preparado pela chef Roberta Sudbrack – ravióli de aspargos, seguido de foie gras, perdiz acompanhada de penne e alcachofra e rabanada de frutas vermelhas -, FHC aproveitou para passar o chapéu. Após uma rápida discussão sobre valores, os 12 comensais do presidente se comprometeram a fazer uma doação conjunta de R$ 7 milhões à ONG que Fernando Henrique Cardoso passará a presidir assim que deixar o Planalto em janeiro e levará seu nome: Instituto Fernando Henrique Cardoso (IFHC).

O dinheiro fará parte de um fundo que financiará palestras, cursos, viagens ao Exterior do futuro ex-presidente e servirá também para trazer ao Brasil convidados estrangeiros ilustres. O instituto seguirá o modelo da ONG criada pelo ex-presidente americano Bill Clinton. Os empresários foram selecionados pelo velho e leal amigo, Jovelino Mineiro, sócio dos filhos do presidente na fazenda de Buritis, em Minas Gerais, e boa parte deles termina a era FHC melhor do que começou.

Brasil 247

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Comentários

  1. Eduardo Postado em 11/Jun/2015 às 22:15

    porque o Brasil não tem regulação dela, meia dúzia levam as prensas para onde querem, não interessa se é verdade ou não o que interessa são os interesses de alguns...eu não leio a OIA a FOIA o grobo pois sei que o foco deles é embaçado aos olhos de quem sabe os dois lados da história....

  2. Luís Fernando Postado em 11/Jun/2015 às 23:50

    Difícil saber qual dos dois partidos é o pior: PT ou PSDB.

  3. mauricio de souza matos Postado em 12/Jun/2015 às 08:22

    Quando sera que a imprensa nacional vai trabalhar com etica e retidao? Havera um dia em que ela ira se cansar de acobertar os malfeitos do PSDB e do DEM? Vamos aguardar!

  4. mauricio de souza matos Postado em 12/Jun/2015 às 08:22

    Quando sera que a imprensa nacional vai trabalhar com etica e retidao? Havera um dia em que ela ira se cansar de acobertar os malfeitos do PSDB e do DEM? Vamos aguardar!

  5. Eduardo Ribeiro Postado em 12/Jun/2015 às 09:49

    "Podemos tirar se achar melhor"

  6. felipe Postado em 12/Jun/2015 às 11:21

    essa é a pergunta de 1 milhão de dólares....rs

  7. Fabrício Postado em 12/Jun/2015 às 12:03

    Pergunte para o Milton Pascowich.

  8. Marcelo Marques Costa Postado em 12/Jun/2015 às 17:17

    Porque ela também não se chocou quando houve a doação de 7 milhões da Camargo Corrêa para o iFHC. Por isso o título da matéria é uma pergunta sobre o comportamento da imprensa, e não sobre a doação da empreiteira.

  9. Sergio Carneiro Postado em 13/Jun/2015 às 05:22

    Por que a mídia não se chocou quando a Camargo Corrêa doou a FHC? Nunca, na história da corrupção brasileira, tantos roubaram tanto e em tão pouco tempo.