Redação Pragmatismo
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Meio Ambiente 19/Jun/2015 às 15:22
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Papa Francisco critica "consumismo descartável" dos países desenvolvidos

Papa pede ação rápida para salvar planeta e critica consumismo. Na primeira encíclica papal dedicada ao meio ambiente, Francisco defende fim da "cultura do consumo descartável" e chama aquecimento global de um dos principais desafios da humanidade

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(Imagem: ALESSANDRO BIANCHI/AFP/Getty Images)

O papa Francisco apresentou nesta quinta-feira 18 a primeira encíclica dedicada ao meio ambiente, na qual exige dos líderes globais uma ação rápida para salvar o planeta da destruição e defende uma mudança no que chamou de “cultura do consumo descartável” dos países desenvolvidos.

Na encíclica Laudato si – Sobre o cuidado da casa comum, Francisco defende “ações decisivas, aqui e agora,” para interromper a degradação ambiental e o aquecimento global e apoia explicitamente os cientistas que afirmam que o planeta está se aquecendo principalmente por causa da ação humana.

Ele afirma que se baseia “nos resultados da melhor investigação científica disponível” e chama o aquecimento global de “um dos principais desafios que a humanidade enfrenta em nossos dias”, destacando que os países pobres são os mais afetados.

“A humanidade é chamada a reconhecer a necessidade de mudanças de estilo de vida, produção e consumo, a fim de combater este aquecimento ou, pelo menos, as causas humanas que o produzem ou agravam”, afirma.

Francisco defende que os países ricos devem sacrificar parte do seu crescimento e assim liberar recursos necessários aos países mais pobres. “Chegou a hora de aceitar crescer menos em algumas partes do mundo, disponibilizando recursos para outras partes poderem crescer de forma saudável”, escreveu o papa.

Ele apela às potências mundiais para salvarem o planeta, considerando que o consumismo ameaça destruir a Terra – transformada num “depósito de porcarias” – e denunciando o egoísmo econômico e social das nações mais ricas. “Hoje, tudo o que é frágil, como o ambiente, está indefeso em relação aos interesses do mercado divinizado, transformado em regra absoluta.”

No texto, Francisco critica um sistema econômico que aposta na mecanização para reduzir custos de produção e faz com que “o ser humano se vire contra si próprio”, defendendo que o valor do trabalho tem que ser respeitado numa “ecologia integral”.

Ele rejeita o argumento de que a tecnologia vai resolver todos os problemas ambientais (e que) a fome e a pobreza serão eliminadas simplesmente pelo crescimento do mercado. “Uma vez mais, temos de rejeitar uma concepção mágica de mercado, que sugere que problemas possam ser resolvidos simplesmente por meio de um aumento nos lucros de empresas ou indivíduos.”

O papa estabelece uma relação íntima entre os pobres e a fragilidade do planeta. “A convicção de que tudo está estreitamente interligado no mundo, a crítica do paradigma que deriva da tecnologia, a busca de outras maneiras de entender a economia e o progresso, o valor próprio de cada criatura, o sentido humano da ecologia, a grave responsabilidade da política, a cultura do descartável e a proposta de um novo estilo de vida são os eixos desta encíclica, inspirada na sensibilidade ecológica de Francisco de Assis”, lê-se no 16.º parágrafo do documento papal.

O papa também aborda diretamente alguns dos principais tópicos ambientais. Ele defende que o consumo de combustíveis fósseis seja banido o mais depressa possível em favor das energias renováveis. Essa mudança, porém, não será possível sem que os países mais ricos aceitem ajudar os mais pobres, escreve.

Francisco alerta para o perigo de dar o controle da água às multinacionais, manifestando-se contra a privatização do que chama de direito humano básico. “Enquanto se deteriora constantemente a qualidade da água disponível, em alguns lugares avança a tendência para privatizar este recurso escasso, convertido numa mercadoria que se regula pelas leis do mercado”, critica.

O líder da Igreja Católica refere-se ainda aos “pulmões do planeta”, repletos de biodiversidade, como a Amazônia, a bacia hidrográfica do Congo e outros grandes rios ou os glaciares, todos eles lugares importantes para “todo o planeta e para o futuro da humanidade”.

Francisco propõe ainda que se comece uma “discussão científica e social responsável e ampla” sobre o desenvolvimento e a utilização dos organismos geneticamente modificados para alimentação ou medicina.

“Embora não haja provas definitivas sobre eventuais malefícios dos cereais transgênicos para os seres humanos e estes tenham provocado um crescimento econômico que ajudou a resolver problemas, há dificuldades importantes” sobre o uso destes organismos que não podem ser esquecidas, alerta.

Segundo ele, o uso de transgênicos levou a que haja “concentração de terras produtivas nas mãos de poucos e o progressivo desaparecimento de pequenos produtores, que, tendo perdido as suas terras, tiveram que se retirar” da agricultura.

O papa também critica o uso excessivo das redes sociais. “A verdadeira sabedoria, produto da reflexão, do diálogo e do encontro generoso entre as pessoas, não se consegue com uma mera acumulação de dados que acabam em saturação e embaçamento, numa espécie de poluição mental”, escreve.

O pronunciamento papal mais controverso em meio século já despertou a ira de setores conservadores, incluindo vários candidatos presidenciais republicanos dos Estados Unidos, que criticaram Francisco por se aprofundar em questões científicas e políticas. O apelo papal, porém, ganhou amplos elogios de cientistas, das Nações Unidas e de ativistas ambientais.

Deutsche Welle

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Comentários

  1. Rodrigo Postado em 19/Jun/2015 às 15:53

    (Outro Rodrigo) Não bastasse o líder de uma religião atentar para questões já tão em destaque, ele foi ainda muito mais feliz por ter dado destaque também à postura individual. Devemos, todos, pensar com cuidado na nossa cultura de descarte e consumismo, na reprovação ao que, em contrariedade a tanto, o mercado nos oferece. E, ainda, pensar com cuidado em nossa postura individual, a exemplo de algo tão simples, mas de tamanha importância, como o Papa bem lembrou: apague a luz! Apague a luz, separe o lixo, demore menos no banho e tantos outros comportamentos que podemos adotar para fazermos nossa parte, além de devidamente cobrarmos o cumprimento da parcela que cabe aos demais.

  2. Eduardo Ribeiro Postado em 19/Jun/2015 às 16:03

    Tamo junto, Papa comunista. Não a toa é o melhor, mais sábio e mais carismático Papa da história. Não sei como o PSDB ainda não pediu a recontagem dos votos da eleição papal e o confisco daquela fumacinha branca lá...

    • Pedro Accioli Postado em 19/Jun/2015 às 17:02

      Hahahahahah! Boaaaa!!! Mas falando sério! Este papa é fora de série, me faz ter vontade de frequentar as missas na igreja católica novamente com afinco desde a minha juventude! Sem piada!

    • poliana Postado em 19/Jun/2015 às 18:10

      kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk...boa eduardo. adorei sua colocação.

  3. silva Postado em 19/Jun/2015 às 17:05

    PP, tem um áudio do Boechat no rádio, respondendo os ataques do malafaia, genial! Mandou ele procurar rola por duas vezes.

    • Denisbaldo Postado em 19/Jun/2015 às 17:10

      Muito bom! https://www.youtube.com/watch?v=IP0CLLJIe9o

  4. Marcelo Postado em 19/Jun/2015 às 18:16

    QUE tal o Papa vender só 10% do patrimônio bilionário da Igreja católica e doar aos pobres!! Nem pensar né!rs

  5. Márcio Postado em 20/Jun/2015 às 11:13

    Só falta os EUA acusá-lo de terrorista.

  6. Line Postado em 20/Jun/2015 às 14:44

    Os países subdesenvolvidos são ainda piores no consumo e no desperdício.

    • eu daqui Postado em 23/Jun/2015 às 08:57

      Certo. E são piores na hipocrisia também. E no viralatismo, que é o pior de tudo: quem não é capaz de se gostar nada é capaz de respeitar.