Redação Pragmatismo
Compartilhar
Saúde 17/Jun/2015 às 17:51
6
Comentários

“Mundo pode aprender com experiência do SUS”, diz publicação internacional

The New England Journal of Medicine, um dos semanários mais respeitados do mundo na área de pesquisa em saúde, considera que o mundo precisa tomar como exemplo a experiência brasileira de ampliação do acesso da população à assistência médica pelo SUS

SUS brasil saúde exemplo medicina
Em artigo, New England Journal of Medicine elogia o SUS (divulgação)

“O mundo pode aprender algumas lições com a experiência brasileira”. A avaliação foi publicada pelo The New England Journal of Medicine, um dos mais importantes semanários na área de pesquisa em saúde do mundo. Segundo um artigo do secular semanário, escrito por dois especialistas, o Brasil promoveu a ampliação do acesso da população à assistência médica pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e inovou ao aperfeiçoar uma abordagem de atendimento voltada para a saúde básica nas comunidades.

Assinado por James Macinko, Phd em Saúde e Política Social, e Matthew James Harris, médico especializado em saúde pública, o artigo traça um panorama detalhado da história do SUS, desde suas origens no Ceará, na década de 90, até a estruturação em território nacional do Estratégia Saúde da Família (ESF).

O texto considera “notável” a evolução do ESF, observando que, em 1998, havia cerca de dois mil grupos com 60 mil agentes de saúde para atender sete milhões de pessoas no País. Em 2014, aponta o artigo, 29 mil equipes já incorporavam 265 mil agentes comunitários, com o adicional de 30 mil agentes de saúde bucal, para atender 120 milhões de brasileiros.

“Talvez o mais importante componente do Estratégia Saúde da Família seja o uso extensivo e eficaz dos agentes comunitários de saúde. Cada agente cuida de cerca de 150 famílias em uma área micro-geograficamente definida pelo eixo de atuação – geralmente a mesma onde o agente vive”, elogiam os autores.

O artigo ainda afirma que o programa foi projetado para executar vários aspectos da assistência pela saúde básica e reflete as melhores práticas de atendimento. Além disso, chama a atenção para o fato de que a expansão do programa e o foco nas comunidades mais carentes reduziu as desigualdades no acesso à saúde pela população.

Planejamento

Para Macinko e Harris, apesar de o Brasil enfrentar dificuldades para aumentar o financiamento da saúde pública, “o mundo pode aprender algumas lições com a experiência brasileira”. Segundo os dois pesquisadores, o atendimento básico a comunidades funciona se feito de maneira adequada. “Isso exige um planejamento sólido, visão de longo prazo, compromisso político e financiamento”.

O artigo aborda a história de dois pacientes que foram atendidos com sucesso pelo SUS, dentro do programa Estratégia Saúde da Família. O primeiro é o de uma jovem grávida, que recebeu visitas regulares de agentes de saúde durante o pré-natal e acompanhamento após o parto. Outro caso relata o atendimento de um homem que sofreu um infarto do miocárdio e foi submetido a um bem sucedido tratamento que incluiu o uso de medicamentos e mudanças de hábitos alimentares.

200 anos de avanços

The New England Journal of Medicine foi criado em Boston há mais de dois séculos, em 1812. De lá para cá, promoveu pesquisas e acompanhou os mais importantes avanços da medicina mundial. Entre suas principais contribuições, estão o registro da primeira demonstração pública do uso de anestesia com éter, em 1846, e uma descrição completa do processo de ruptura de disco da coluna vertebral, em 1934.

O semanário também documentou os primeiros tratamentos bem sucedidos de leucemia infantil em 1948 e o aparecimento da AIDS e as sucessivas formas de tratamento aplicadas. A revista cultiva hoje mais de meio milhão de leitores semanais em 177 países.

Portal Brasil

Acompanhe Pragmatismo Político no Twitter e no Facebook

Recomendados para você

Comentários

  1. Ricardo Postado em 23/Jun/2015 às 12:42

    O que se discute aqui é o conceito: acesso universal à saúde (NÃO CONTRIBUTIVO, como era na época do INAMPS). Acho que pouca coisa pode ser tão ambiciosa. Claro que uma coisa desse tamanho traz problemas da mesma magnitude - sobretudo considerando um país pobre com população de cerca de 200mi. Só para provocar: os EUA não conseguiram garantir acesso universal...

    • Vânia Postado em 23/Jun/2016 às 14:58

      Mas nós estamos avançando mesmo que lentamente; o sistema é viável. Sou usuária do SUS e percebo as melhorias que o sistema vem apresentando. O que irá torná-lo inviável é a retirada de recursos pelos governantes.

  2. Luiz Parussolo Postado em 23/Jun/2015 às 16:12

    O SUS é um antro de corrupções; estudantes de medicina com cursos não completos em faculdades de fundo de quintal são médicos do SUS; castradores de porcas realizam cirurgias; 75% dos diplomados como médicos no Brasil não fazem residência; hospitais, santas casas, postos de saúde não possuem tecnologia e nem quem opera; não possuem UTI e a higiene é precária; a medicação são genérico e similares cuja formulação trás riscos e morte a médio e longo prazo; morrem sem socorro e por omissões mais que galinhas em epidemias, mas morrem objetos pobres e nojentos para os nossos pederastas das teorias e da linguagem que tomaram esse miserável país, incluindo jornalistas e empresas midiáticas. Porém, é uma das infinitas criações em que quase tudo foi destruído, principalmente o parque industrial e o sistema produtivo agropecuário, o Regime Militar e os militares. Caso contrário nunca existiria porque empiristas e psicopatas não argumentam e nem abstraem por falta de essência, isto é espírito, e vivem da imaginação e dos fenômenos dos sentidos. Jornalistas, derivados do direito, economistas, sociólogos, contadores, administradores, picaretas, corretores, especuladores, artistas bregas, capitalistas, cientistas políticos etc. E todos esses entes em evolução com 30% de genoma de homem sabedoria, ainda sem espírito conseguiram preservar os alicerces já carcomidos pleo cupim da imoralidade e da degradação do ente brasileiro e o encerado colorido que fantasia a realidade a chegar convencer os países habitados por criaturas muito mais evoluídas realmente é um reconhecimento inusitado e de ser comemorado. Torcendo para os que são do outro lado do mundo não resolvam vestir-se dos trajes de nossos trabalhadores braçais e conseguirem identidades falsas e entrarem nas filas de atendimentos, principalmente emergência.

    • JULIANA Postado em 26/Jun/2015 às 11:34

      SOU MÉDICA DO SUS HÁ 7ANOS, QUANDO ME FORMEI PELA UFPR. ATÉ HOJE, SÓ TRABALHEI COM MÉDICOS COMPETENTES FORMADOS EM BOAS UNIVERSIDADES, ALIÁS, EM GERAL, O MÉDICO DO SUS PRECISA SER APROVADO EM EXAMES E TEM SEU TRABALHO MONITORADO. AO CONTRÁRIO DE MÉDICOS DE CONSULTÓRIO QUE FAZEM O QUE BEM ENTENDEM, SEM TER QUE SEGUIR NENHUM PROTOCOLO. FAZEMOS NOSSO TRABALHO MUITO BEM FEITO, FAZEMOS CURSOS DE CAPACITAÇÃO. O PROBLEMA É QUE PESSOAS COMO VOCÊ DEVERIAM PAGAR PELOS SERVIÇOS PRESTADOS PELO SUS, PORQUE SABEM DAR VALOR A UM TRABALHO QUE É RECONHECIDO NO MUNDO INTEIRO. SINTO MUITO PELA SUA PREPOTÊNCIA A ARROGÂNCIA, QUANDO, TENHO CERTEZA, DE QUE NÃO SABE NEM FALAR INGLÊS, NEM TÃO POUCO CONHECE O SISTEMA DE SAÚDE DE OUTROS PAÍSES. POR GENTILEZA, ANTES DE FALAR TANTAS BOBAGENS VAI ESTUDAR COMO EU ESTUDEI E AINDA ESTUDO PARA DESEMPENHAR MEU TRABALHO COMO COMPETÊNCIA. E, DE PREFERÊNCIA, PEGUE SUAS COISAS E VAI MORAR EM OUTRO PAÍS. APOSTO QUE EM MENOS DE 6MESES ESTÁ DE VOLTA DANDO VALOR AO SEU PAÍS DE ORIGEM. FALA SÉRIO.

      • Vânia Postado em 23/Jun/2016 às 15:00

        Perfeito, Juliana!!

  3. Vânia Postado em 23/Jun/2016 às 14:55

    Creio que esse evento não pode ser tomado como representativo ou referência para o sistema. Seria mais ilustrativo uma simples observação de uma família durante um determinado período de tempo, por exemplo. Distorções ou irregularidades ocorrem em qualquer sistema e devem ser corrigidos (esse evento com o Hulk foi uma vergonha). Se tomarmos a dívida que o sistema privado tem com o SUS, veremos que há distorções igualmente vergonhosas. Enfim,acredito que o SUS deve continuar a evoluir, é um direito.