Redação Pragmatismo
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Preconceito social 24/Jun/2015 às 10:00
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“Mãe, onde dormem as pessoas marrons?”

“Mãe, onde dormem as pessoas marrons?”. A pergunta de uma criança denuncia a vida entre muros do condomínio chamado Brasil

Eliane Brum*, El País

Uma amiga me conta, na volta de uma viagem a Paris com a família. “Só quando estava lá é que percebi que minha filha estava, literalmente, andando na rua pela primeira vez”. A menina tem quatro anos. Classe média. Mora em São Paulo, num condomínio fechado. Do condomínio, vai de carro para a escola privada. Da escola privada volta para casa. No fim de semana, fica dentro do seu condomínio ou vai para outros condomínios, de casas ou prédios, cercados por muros ou grades, com guaritas e porteiros. Ou vai a shoppings, onde chega pelo estacionamento, de onde sai pelo estacionamento. Desloca-se apenas de carro, bem presa na cadeirinha, protegida atrás de janelas fechadas, vidros escurecidos com insulfilm. De muro em muro, a criança passou os primeiros quatro anos de vida sem pisar na rua, a não ser por breves e arriscados instantes. E apenas quando a rua não pôde ser evitada. E apenas como percurso rápido, temeroso, entre um muro e outro.

A cidade é uma paisagem do outro lado do vidro, uma paisagem que ela espia mas não toca. O fora, o lado exterior, é uma ameaça. O outro é aquele com quem ela não pode conviver, tanto que não deve nem enxergá-la. Até mesmo contatos visuais devem ser evitados, encontros de olhares também são perigosos. Qualquer permeabilidade entre o dentro e o fora, entre a rua e o muro, seja na casa, na escola, no shopping ou no carro, ela já aprendeu a decodificar como intrusão. O outro é o intruso, aquele que, se entrar, vai tirar dela alguma coisa. Se a tocar, vai contaminá-la. Se a enxergar, vai ameaçá-la.

A rua, o espaço público, é onde ela não pode estar. E por quê? Porque lá está o outro, o diferente. E ela só pode estar segura entre seus iguais, no lado de dentro dos muros.

Minha amiga chocou-se, de repente desconhecida de si mesma. Tinha passado os primeiros quatro anos da vida da filha preocupada em descobrir qual era a casa mais protegida que poderiam comprar juntando as economias dela e do marido, a casa dentro de muros, mas com espaço de convivência, com um “playground” em que as crianças de dentro, as crianças “certas”, se encontram. Em seguida, preocupada em escolher uma escola que garantiria mais habilidades competitivas quando a menina chegasse à vida adulta e que também fosse uma escola protegida, na qual a filha ficasse segura no lado de dentro. Não tinha sequer percebido que estava criando uma criança com horror a todos aqueles que estavam do lado de fora dos muros e com pavor de pisar na rua.

Outra mãe, esta de um menino, ficou sem respostas diante de duas perguntas sequencias do filho pequeno: “Por que ela é marrom?”, o menino perguntou, referindo-se à empregada. E, logo em seguida: “Onde dormem as pessoas marrons?”, já que as “pessoas marrons” deixavam os muros ao final do dia, tanto na casa dela quanto na casa dos amiguinhos, mas ele não sabia para onde iam. Outro condomínio?

Podem parecer acontecimentos banais para alguns, afinal, os tempos são assim. Podem parecer histórias de terror, para outros, afinal, os tempos são assim. Para mim as crianças denunciam a brutalidade do país que criamos para elas, fazendo as perguntas que os adultos preferem não fazer a si mesmos. Não sabemos que pessoas serão estas que crescem entre muros e que aprendem a escanear o outro, o diferente, como ameaça.

Mais preocupados devemos ficar quando a resposta da Câmara dos Deputados à violência se encaminha para a redução da maioridade penal, de 18 para 16 anos, nos crimes considerados mais graves. O que estão tentando fazer, estes que manipulam o medo? Querem garantir que esses outros, adolescentes que não tiveram educação nem saneamento nem saúde nem lazer nem acesso a nenhum de seus direitos garantidos pela Constituição, esses outros que tiveram as leis que os protegem violadas desde o nascimento, crianças dessas “pessoas marrons” que o menino não sabe para onde vão à noite nem quem cuida dos filhos delas, sejam encarcerados mais cedo porque já decretaram que, para elas, não há solução.

Para estes outros é apagada a responsabilidade do Estado de ajudá-los a construir um caminho alternativo e dar-lhes acesso a direitos que sempre lhe foram negados. Sem as perguntas que as crianças poderiam fazer a adultos que preferem anular os pontos de interrogação, os adolescentes que praticam crimes são esvaziados de história para que a sociedade seja absolvida e, portanto, desresponsabilizada. Os deputados manipulam o medo de seus eleitores para torná-los uma ameaça incontornável. Varre-se então das ruas aqueles que sujam a paisagem, para que nem mesmo seja preciso enxergá-los do outro lado dos vidros, e os colocam em instituições muradas onde o lado de dentro se assemelha a campos de concentração. Se alguém acha que excluir e punir mais e mais cedo é o caminho para um país sem muros, precisa voltar a raciocinar. Não é preciso ser vidente para saber o que a vingança provoca num indivíduo e num país quando passa a ocupar o lugar da justiça. E os que estão atrás de seus tantos muros se vingam do quê, valeria a pena perguntar?

A História já nos mostrou o que acontece quando o Estado determina que um tipo de outro encarna a ameaça e deve, portanto, ser separado e confinado. E depois, qual é o próximo passo ou qual é a solução final? Pena de morte, extermínio? Cuidado. Em algum momento aqueles que se iludem que estão seguros por trás dos muros que ergueram podem se tornar o outro a ser eliminado. Uma sociedade fundada em muros cada vez mais altos sempre vai precisar de uma ameaça no lado de fora para culpar pelo seu mal-estar, para que as engrenagens continuem funcionando, garantindo a desigualdade e enriquecendo os mesmos de sempre. Em vez de se horrorizar com a violência do sistema de educação pública, que sequestra o presente e o futuro destas crianças que têm cor, classe social e endereço, preocupam-se em desumanizá-las, apagando singularidades e trajetórias, esvaziando-as de sentidos para torná-las monstruosas. Quando conseguirem encarcerar todos os filhos de pobres que não puderam converter em mão de obra barata, talvez prendendo logo no nascimento, já que o aborto é condenado pelos mesmos que defendem a redução da maioridade penal, há de se encontrar uma nova ameaça para manter o sistema de privilégios intacto.

Uma sociedade de muros sempre vai precisar forjar monstros para seguir justificando a desumanização e o sistema não oficial de castas. Aqueles que tentam se sentir seguros e criar seus filhos em segurança não estão inseguros porque há um outro ameaçador do lado de fora. Essa é só a aparência que mantém tudo como está. O que precisamos não é erguer muros cada vez mais altos, mas derrubá-los e nos misturarmos nas ruas da cidade.

O Brasil atual é uma realidade esgarçada. Entre as mais recentes tentativas de compreendê-lo destaco uma bem interessante, proposta pelo psicanalista Christian Dunker. Está num livro que ele lançou há pouco, chamado Mal-estar, sofrimento e sintoma – uma psicopatologia do Brasil entre muros (Boitempo). Mas poderia chamar-se “Condomínio Brasil”. Dunker pensa o país a partir da lógica do condomínio, que tem em Alphaville, construído nos anos 70 nos arredores de São Paulo, sua expressão mais marcante. Vale a pena, como aponta o autor, lembrar o filme de Jean-Luc Godard de mesmo nome. Alphaville, o do cineasta francês, se passa em outro planeta, onde tudo é controlado por um computador central, o Alpha 60. Um agente secreto é enviado a Alphaville para destruir o computador e eliminar seu criador. Em Alphaville não há singularidades. Amor, poesia ou emoção estão proibidos. São vetadas as interrogações. É banido o “por quê?”. Só é permitido o modo explicativo: “porquê”.

Numa das cenas antológicas, como lembra o filósofo Vladimir Safatle na apresentação do livro, o agente é interrogado pelo computador e responde a suas perguntas com citações de Jorge Luis Borges, Blaise Pascal e Friedrich Nietzsche. A máquina, confusa, o libera. “Esta foi a maneira encontrada por Godard para mostrar o que Alphaville havia deixado de fora de suas fronteiras: a indeterminação que vem junto à palavra poética, esse pavor pascaliano diante do silêncio dos espaços infinitos”, escreve Safatle. “Ou seja, fora de Alphaville estava toda a experiência possível.”

E este Condomínio Brasil? A hipótese formulada por Christian Dunker é de que “a vida em forma de condomínio” insere o nosso mal-estar no que chama de capitalismo à brasileira. A lógica do condomínio transforma os problemas em problemas de gestão, no qual o síndico adota o papel de regulador do sofrimento – e também do gozo. Ou, nas palavras de Dunker, “aquele que deve gerir o sofrimento da vida (…) para transformá-lo em formas palpáveis de insatisfação, que ele poderá administrar”. Ou, mais adiante: “Nosso déficit de felicidade nos leva ao sentimento, mais ou menos invejoso, de que o vizinho raptou um fragmento do nosso gozo. O síndico representa tanto a lei mal formulada quanto o gozo excessivo do vizinho”. A segregação, como diz Dunker, surge do fracasso em articular a diferença e a divisão. É um livro ousado e complexo, que pensa sobre o caminho brasileiro de “despolitização do sofrimento, medicalização do mal-estar e condominialização do sintoma”. Recomendo a leitura. Aqui, me detenho apenas em algumas reflexões que o livro me provocou.

Primeiro, é preciso estabelecer as fronteiras. Os que estão do lado de dentro, com a ilusão de proteção, os que estão do lado de fora tentando entrar porque há algo lá que eles não têm. Há ainda aqueles que entram e saem em períodos determinados, pela porta lateral ou dos fundos, para desempenhar serviços e manter a ilusão da paisagem intacta (grama aparada, árvores podadas, ruas e casas limpas etc). Estes outros, tolerados porque necessários, mas uniformizados e indistintos para reforçar a única (des)identidade que importa: a da função, esta estratégica, de maquiar a realidade, limpando a sujeira para que tudo pareça imutável. Garantindo assim a manutenção do paraíso como paraíso que não decai nem se arruína. Ao final, autolimpando-se ao deixar os muros. Vale a pena repetir a pergunta perturbadora do menino do início: “Mãe, onde dormem as pessoas marrons?”.

Há que se desempenhar essa função de “limpar e manter”, mas sendo o mais invisível possível. Entrando e saindo numa cor só, para que invisível também se torne tudo aquilo que escapa ao controle. O que nos leva à próxima pergunta: afinal, o que de fato se limpa e o que é preciso manter? É possível arrancar a erva daninha que avança sobre a grama, anunciando que essa é uma guerra perdida. É possível tirar o mais rápido possível o lixo da vista, antes que ele nos lembre de que cheiramos mal e destruímos muito. Mas não é possível barrar o envelhecimento, a doença e a morte, nem a insatisfação, a ansiedade e a angústia, nem o gosto amargo na boca que só faz aumentar porque o paraíso não era bem como o prometido e a felicidade soa cada vez mais nervosa. Tampouco é possível negar a percepção crescente de que os vizinhos, os iguais, são menos cordiais, interessantes ou suportáveis do que a publicidade garantiu. O que não se consegue deixar do lado de fora é também o mal-estar que o levou para dentro. O custo de estar dentro é alto. Talvez mais alto do que a maioria perceba.

O que acontece quando aquele que está fora decide entrar? Nesta altura, imagino que boa parte dos leitores possa pensar em assalto. Não. Lembro aqui os “rolezinhos”, ocorridos entre o final de 2013 e os primeiros meses de 2014. O momento em que jovens da periferia, a maioria deles negros, decidiram marcar pela internet passeios coletivos nos shoppings e foram humilhados, reprimidos e criminalizados. Qual foi a lei que quebraram? Jovens pretos e pobres não podem frequentar shoppings em grande número? É esta a lei não escrita? O fato é que seu passeio, chamado então de “rolezinho”, foi decodificado pela clientela habitual dos shoppings e pelas forças de segurança do Estado como “assalto”. Mas, de fato, o que se “assaltava” ali, na reivindicação de ocupar o lado de dentro do condomínio que é o shopping, para se divertir com os amigos?

Em maio deste ano, chegou-se a um desfecho só possível num país regido pela lógica do condomínio: a condenação de três jovens que organizaram pelas redes sociais um passeio no shopping. Foi feita então uma “vaquinha” de solidariedade na internet para ajudá-los a pagar a multa de R$ 394 cada um. Para eles, que têm empregos informais e recebem salário mínimo, o valor pode inviabilizar o sustento. Eles não entendiam pelo que estavam sendo condenados. No sentido literal, mesmo. Não sabiam qual era o motivo da condenação alegado pelo juiz, mas assinaram porque foi dito que era o melhor para eles. A justiça aparece aqui como um condomínio em que um dos vários muros é a linguagem.

O condomínio, essa figura concreta, que tão bem conhecemos ou por estar dentro ou por estar fora, é também uma alegoria para compreender todos os outros condomínios dessa vida de muros. A hipótese sugerida por Christian Dunker nos ajuda a pensar sobre questões profundas da atual sociedade brasileira, expressada também nos casos mais recentes de violência, como o já mencionado esforço de um grupo de deputados para aprovar a redução da maioridade penal e encarcerar adolescentes mais cedo atrás de outros muros. Ou o apedrejamento da menina de 11 anos vestida com as roupas da sua religião, o candomblé, por dois homens que gritavam: “Sai demônio! Vão queimar no inferno, macumbeiros!”. A violência resultou num ferimento na cabeça, um desmaio e a perda momentânea da memória da criança, sem contar as sequelas psicológicas.

Entre os casos recentes de violência, podemos pensar ainda na indignação de religiosos contra a artista transexual que encenou a crucificação de Cristo na parada LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) para denunciar a crucificação cotidiana vivida por todos eles. Ao se indignarem com uma transexual no lugar de Cristo, os religiosos defenderam seus muros, na crença de que o símbolo e o sofrimento são privatizáveis e privatizados e, assim convertidos, pertencem ao seu condomínio. Sem contar a mulher que, enquanto era confundida com a “mãe” da criança, pôde permanecer no Clube Pinheiros, em São Paulo, sem ser perturbada. Ao ser descoberta como “babá” da criança passou a ter problemas para entrar e exigiram-lhe que usasse uniforme branco, para que não fosse confundida nem frequentasse espaços reservados apenas para sócios. Os lugares e as fronteiras não podem ser borrados para que os privilégios atrás dos muros se mantenham cimentados.

São condomínios murados que proliferam no Brasil, com cercas cada vez mais violentamente defendidas, porque já não basta deixar o outro do lado de fora, é preciso agora eliminá-lo. É também de condomínios e de muros que se trata quando, nas redes sociais da internet, torna-se impossível escutar o argumento do outro, porque o lado de cá, seja ele qual for, tem o privilégio das certezas ou do bem e da justiça e da crítica. E também ali o outro tem de ficar do lado de fora, porque já rotulado como ameaça ou desqualificado como direita ou esquerda, dependendo de que lado se está, não teria nada a dizer que possa ser escutado. Então já não se escuta e nem se reconhece a sua voz. Neste sentido, se nem todos moram em Alphaville, é bom olhar bem para dentro, porque pode ter uma Alphaville morando onde menos se espera, com muros disfarçados de argumentos.

Também muitos dos que se anunciam como derrubadores de muros (e defensores da diversidade de gente e de ideias) parecem, na prática, apenas fortalecer as defesas de suas cercas. Vão até onde os muros podem ser derrubados sem afetar seus privilégios, que às vezes são apenas a ilusão tão cara e afagada de estarem sempre certos e do lado certo. Mas há sempre o último muro, aquele que nos obriga a nos movermos, aquele que toca no privilégio maior, “o de não precisar pensar nos nossos privilégios”, e este precisa ser mantido a qualquer custo.

O muro mais bem guardado, afinal, é o de nossa Alphaville interna. A que nos mantém limpinhos, ao lado das boas causas, mas sem perder nada que nos é caro. “Peraí, perder também não!” Pronto. Chama o pedreiro para construir mais dois metros de muro para deixar de fora quem nos lembra do incômodo de que, para deixar o outro entrar, vai ser preciso perder alguma coisa.

São muitas as armadilhas muradas em um país tão barbaramente desigual. Volta e meia os mais atentos percebem seu pé preso em alguma arapuca, justamente quando acreditavam rumar para a liberdade e para um mundo mais justo. Agora mesmo os condomínios fechados do tipo Alphaville são vistos por muitos como algo da ordem do ridículo. Mas também estes parecem renovar sua busca pelo paraíso perdido (e jamais achado). A moda no Brasil, há algum tempo, é comprar pedaços de terra com mata nativa e fontes de água em algum lugar, como nas regiões serranas ainda disponíveis do Sul e do Sudeste ou mesmo em pedaços “paradisíacos” da Amazônia.

Seria este anseio uma atualização do ideal de uma vida sem mal-estar, cercados por outro tipo de iguais, talvez ainda mais iguais do que os outros? Vizinhos ecologicamente conscientes, equilibrados por meditação, yoga e a prática saudável de esportes, que se locomovem em bicicletas e consomem orgânicos, com espaços e propriedades privadas bem definidas. É altamente sedutor para quem pode escolher seus muros, mas não seria esta uma renovação do condomínio, tanto de suas ilusões como de seu caráter de exclusão? Para quem é deixada a luta pelo espaço público para todos, em cidades cimentadas onde falta tanto água quanto árvores quanto o reconhecimento da humanidade do outro?

“Cidades Rebeldes” é o nome de um seminário promovido pela editora Boitempo e pelo SESC, na segunda semana de junho, que reuniu alguns pensadores da maior relevância sobre o tema, tanto brasileiros, como o próprio Christian Dunker, autor do livro citado anteriormente, quanto estrangeiros como o geógrafo marxista David Harvey. Era também um encontro das esquerdas nesse momento tão desafiador, em que as ruas do país foram tomadas por gritos de direita. Mas houve uma rebelião no debate que debatia a rebelião. O Movimento Independente Mães de Maio divulgou um manifesto cortante com o seguinte título: “A rebelião não será gourmetizada”. (Leia aqui. E sugiro ler também os comentários, para compreender o quadro maior).

O “Mães de Maio” tem na origem um grupo de mulheres, a maioria negras, pobres e periféricas, que perderam seus filhos assassinados, suspeita-se que muitos deles executados pela polícia, nas ruas do estado de São Paulo em maio de 2006. O grupo faz a denúncia cotidiana da violência praticada pelo Estado contra os mais pobres. Costuma chamar Geraldo Alckmin de “governador genocida” e denuncia o que chama de “terrorismo de Estado”. Também empresta o nome à Comissão da Verdade que investiga os crimes cometidos pelo Estado no período democrático. Neste seminário, o movimento foi convidado de última hora para substituir um convidado de primeira hora que precisou cancelar sua participação. Mas recusou o convite. No manifesto explica o porquê.

Entre as justificativas, o Mães de Maio denuncia uma ausência considerada por muitos uma obscenidade: a falta do Movimento Passe Livre (MPL), que provocou as manifestações de 2013 no país, na grade dos debatedores. Também negou a legitimidade de convidados como Luiz Inácio Lula da Silva, que cancelou sua participação antes do início do seminário, e o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Este último é considerado um repressor dos protestos de 2013, contra o aumento da tarifa do transporte público, o que tornaria sua presença num seminário sobre cidades rebeldes uma ofensa. Não me recordo de nenhum outro manifesto recente de movimentos sociais tão contundente em sua crítica ao PT, definido como o “agonizante Partido dos Trabalhadores”, e a Lula, chamado a certa altura de “este sujeito”.

Há muitas interpretações possíveis para a rebelião contra o seminário sobre a rebelião. Também há muitas versões. Todas elas fascinantes e muito mais fundamentais para compreender o atual momento do que pode parecer à primeira vista. Como estamos murados, porém, muitos dos sentidos possíveis foram apagados por polarizações (sempre elas). Alguns desqualificaram o debate já antes do manifesto, por ter nele figuras do PT. Logo, nada ali, nem todos os outros, inclusive críticos do PT, poderiam ser escutados. Outros desqualificaram o Movimento Independente Mães de Maio. Outros ainda magoaram-se porque suas melhores intenções não foram compreendidas e se viram num lugar muito incômodo, já que temos a tendência de acreditar que somos só bacanas e estamos a salvo.

Com esse gesto, o Mães de Maio dificultou a recolocação do PT no contexto das ruas e das rebeliões e também na identificação como “esquerda”, o que é muito forte. Dificultou a recolocação do PT não só como protagonista, mas também como participante do movimento mais amplo das cidades rebeldes. Mostrou também que hoje não basta incluir no debate um ou dois representantes das periferias e dos movimentos sociais, o que até pouco tempo teria sido suficiente e garantiria um ambiente controlado. O que o Mães de Maio disse talvez de mais importante é que, no Brasil atual, para ter legitimidade não é suficiente falar sobre, é preciso falar com. Para isso também é necessário que todos – todos mesmo – compreendam que “com” significa “com” – e não “só nós”. Do contrário a lógica dos muros permanece a mesma, ainda que se mude os personagens de lugar. Hoje, é urgente estar de fato com o outro e se arriscar ao que isso significa. Arriscar-se, portanto, à rebelião.

————

Dito isso, escolho terminar caminhando com Tim Tim. Neste vídeo viral, a grande transgressão do pequeno rebelde é andar na rua e arriscar-se a encontros. Quanto tudo parece quase intransponível, quando me vejo cercada de muros que me encurralam, os de fora, mas também os de dentro, eu lembro do passo de Tim Tim. E encontro esperança nessa geração que está sendo educada no resgate do espaço público para todos, arriscando-se às diferenças para combater a desigualdade. Arriscando-se à experiência. Às vezes a vida pede a delicadeza de descobrir a rebelião também nos passos vacilantes, mas muito entusiasmados, de um guri com um redemoinho na cabeça.

*Eliane Brum é escritora, repórter e documentarista.

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Comentários

  1. Rodrigo Postado em 24/Jun/2015 às 11:17

    O pessoal deveria parar com esse Pré Conceito que se nasceu neguinho e sem condições vai virar bandido, não vivemos em um paraíso, essa realidade de educação precária, falta de segurança, falta de oportunidade é a realidade de grande parte da população e nem por isso vira bandido, se virou a lei pune, por culpa dele. "Não chame de destino as consequências das suas escolhas'. E negro não nasce com gênero para ser bandido, parem com isso por favor, isso nos ofende. Nascemos pobres e como muitos passamos por isso e hoje somos trabalhadores.

    • eu daqui Postado em 25/Jun/2015 às 12:46

      Apoiado: abaixo o vitimismo e viva a superação da condição de vítima, esta é que faz revolução enquanto que o cotadismo somente faz o vilão. .

    • Sena Postado em 26/Jun/2015 às 10:16

      Rodrigo, a questão não está nesse ponto e muito menos em preconceito, é realidade. Vc parece ter uma mente mais moldada, porém a maior parte dos que habitam em condições pobres, favelas, são negro; os quais todos os dias são bombardeados por coisas e "atrações" de dentro do muro cuja não podem ter, isso por causa de um Estado miserável que só quer desfrutar do seu palácio. Esses jovens, em maior parte negros, por falta de oportunidades e sobretudo questão de sobrevivência, se lançam em infrações e crimes ou simplesmente querem só buscar o lazer, querem está dentro dos muros também, isso é um direito estabelecido pela constituição, porém coisa de dentro dos muros. Não tampe o sol com a peneira, pois é a realidade, existe. Mas devemos quebrar os muros.

      • Ricardo castilho Postado em 20/Sep/2015 às 15:13

        SENA, parece um tanto absurdo sua justificativa, que coloca algumas atitudes de jovens negros ou não, em quererem passar para o outro lado do muro, que significa mudança de vida e mudança de habito, como uma atitude de mero prazer, sabemos que bons relacionamentos surgem dos convívios com outros, diferentes ou não, mas para tal devemos cada um de nós fazermos nossa parte.

    • B. Ferreira Postado em 26/Jun/2015 às 10:22

      Quando diz "o pessoal" leia-se "os que não convivem com a realidade social" ou mesmo "os que vivem atrás dos muros".

  2. Eduardo Ribeiro Postado em 24/Jun/2015 às 11:35

    Gosto dos textos da Eliane Brum. Em termos de conteúdo são excelentes, impecáveis. Não teria nem como não gostar, ela é no mínimo BRILHANTE. Mas já tem um tempo que noto os textos dela estranhos, parecem mal amarrados, não tão bem escritos, prolixos...mas ela é uma linda e prescreveu mais um GABARITO.

  3. Eduardo Postado em 24/Jun/2015 às 11:39

    Ótimo texto! Sem muros. :)

  4. Rafa Postado em 24/Jun/2015 às 12:52

    Eu gostaria de saber o que é "classe média" de verdade. Se classe média é quem pode viajar todo ano para a Europa/EUA e morar em condomínio fechado de casas de 3/4 e uma suíte na região metropolitana de uma cidade como S. Paulo, então eu não sou de classe média. Espero que o PP não censure o meu comentário.

  5. Line Postado em 24/Jun/2015 às 14:04

    Eu achei a matéria muito preconceituosa também.

  6. Eduardo Ribeiro Postado em 24/Jun/2015 às 14:23

    Em que trecho isso fica "claro"?

    • Eduardo Ribeiro Postado em 24/Jun/2015 às 14:48

      Já li, irmão. Encontrei nada.

    • Eduardo Ribeiro Postado em 24/Jun/2015 às 15:40

      Ora, me ajude entao. Me mostre onde está tão "claro"....me parece obscuro, mas se você diz que é CLARO, eu fiquei curioso. Me ilumine por gentileza. Basta copiar e colar.

    • Eduardo Ribeiro Postado em 24/Jun/2015 às 16:38

      Fail, xará. Não tem isso que você diz não. 7 e 8 são bons momentos do texto. Li neles uma bela porretada no ódio de classe e de raças, vi a idéia imbecil de "meritocracia" ser massacrada, vi argumentos fortissimos e incontornáveis contra a redução da maioridade penal, e tudo sempre pontuado por uma impecável crítica a essa idéia escrota de "higienização" e "segregação/encastelamento" que a classe média fascista - sobretudo a paulistana - tanto admira. Realmente essa idéia que você extraiu estranhamente não fica "clara" em momento algum, conforme suspeitei desde o começo. Obrigado.

    • Wylie Postado em 24/Jun/2015 às 16:47

      Legal Eduardo Ribeiro! Agora você pode dormir feliz... aposto que você ta orgulhoso.

    • Thiago Postado em 25/Jun/2015 às 13:00

      Ué... não to entendendo. Você faz uma afirmação errada, um colega vem e diz que está errada. Você começa a xingar o cara absolutamente do nada, provando o seu nível de educação. Aí pra fechar, aparece um alway dizendo: "Legal Eduardo Ribeiro! Agora você pode dormir feliz... aposto que você ta orgulhoso." auhauhauha que bosta foi essa

  7. Rodrigo Postado em 24/Jun/2015 às 14:41

    Ela chama a classe média de preconceituosa, mas ela é preconceituosa. Olha os negros por cima, como se fosse superior, pobre coitados que nas dificuldades da vida se rendem ao crime. Vá chupar um canavial de rola sua preconceituosa!

    • Alice Postado em 24/Jun/2015 às 16:45

      Se fossem brancos os oprimidos, ela falaria a mesma coisa. Os negros não "sucumbem ao crime" por serem negros, e sim por terem menos oportunidades E pare de ser um escroto. Grata

      • Diogo Postado em 24/Jun/2015 às 20:28

        Então explica porque menos de 10% da população pobre comete crimes.

      • Denisbaldo Postado em 24/Jun/2015 às 21:20

        Explica você porque 73,83% da população carcerária é composta de jovens negros entre 18 e 34 anos, pobres e de baixa escolaridade.

      • Denisbaldo Postado em 24/Jun/2015 às 21:36

        10% da população pobre é um número astronômico! São mais de 5 milhões de habitantes. Pode ter certeza que esse percentual cai para 1% entre a classe média e média alta. O que você queria? Que metade da população pobre fosse criminosa para justificar a tese??? Temos 600 mil presos, 5 milhões de criminosos pobres e 75% dos presos são pobres!!! COMO VOCÊ É BURRO!

    • B. Ferreira Postado em 26/Jun/2015 às 10:30

      Como você foi patético, quase vomitei com tanta asneira

  8. Alice Postado em 24/Jun/2015 às 16:37

    Como pessoa pobre, sei que a matéria não é preconceituosa. Tenho plena noção de que, o que me salvou de seguir o rumo errado foi a sorte de ter tido uma família mais ou menos estruturada, e uma mãe que batalhou muito para me colocar em um colégio bom, que me apresentou uma outra opção, além da que sempre nos é apresentada.

    • B. Ferreira Postado em 26/Jun/2015 às 10:31

      Faço das suas palavras, as minhas!

  9. SILVIO MIGUEL GOMES Postado em 25/Jun/2015 às 08:12

    Muito bom, excelente o artigo e coloca bem a questão de que ninguém nasce racista. São os "ensinamentos" dos pais, de outras pessoas que fazem com a criança cresça com preconceito. Eu já trabalhei de Garçon, Segurança para famílias classe média alta e até muitos ricos e felizmente, a maioria da pessoas integrantes dessas famílias eram gente boa, tratavam bem a todos indistintamente. Empregados nordestinos, pretos, participavam das festas, churrascos e da convivência das famílias. UNS ELEMENTOS COLOCARAM UMA QUESTÃO BESTA, PRÓPRIA DE ABESTALHADOS. NÃO HÁ PROBLEMA NENHUM que alguém que tenha posses faça churrascos com até vente bois, tenha propriedades, suba na vida e passa a adquirir bens. QUAL É O PROBLEMA? E O QUE TEM ISSO A VER COM RACISMO, PRECONCEITO?. O racismo é forte até mesmo entre pessoas pobres.

  10. Rodrigo Postado em 25/Jun/2015 às 11:16

    (Outro Rodrigo) "Eles" são a "classe média". E "nós", nessa tão famigerada bipolaridade social, nesse nosso maniqueísmo diário, somos quem? Como já foi aqui bem lembrado, pelos critérios do Governo, "nós" e "eles" somos todos classe média, em que pese, antes disso, devessemos nos ver como concidadãos. E seguimos buscando uma etiqueta que nos distancie de nossa natureza humana, que justifique, assim, a arbitrária continuidade da proclamação de "uns" como superiores, bons, e outros como "maus", "inferiores... Tornamos ao "dividir para conquistar"?

  11. Teodoro Postado em 25/Jun/2015 às 12:53

    Concordo co o sentido do texto. Muito bom. Só faço uma observação. Não se pode associar, como foi feito, as pessoas contrárias ao aborto com aquelas que defendem a redução da maioridade penal. Sou uma pessoa que se identifica com as bandeiras da esquerda, e sou contra o aborto e a redução da idade penal. Ou seja, sou sempre a favor do direito à vida digna para todos, com igualdade de oportunidades. O ser indefeso, ainda no ceio de sua mãe deveria receber uma proteção especial, pois tem direito à vida, direito esse que suplanta o direito de sua mãe de dispor do próprio corpo.

    • Rodrigo Postado em 25/Jun/2015 às 14:29

      (Outro Rodrigo) Mas a identificação, a "setorização", Teodoro, cumpre importante papel na desqualificação de pessoas (em vez de prestar-nos ao embate de ideias, filosofias). Assim, se as pessoas passarem a ver que "eles" não são um grupo odioso, que "eles" não pensam todos de forma igual, que "eles" tem autonomia, concepções diversas, convergindo em alguns pontos e, noutros não, se tornará mais difícil enxergar diferenças. Se, pois, passo a entender o outro como alguém com tantos conflitos como eu próprio o sou, como prontamente o odiarei e buscarei calá-lo? O etiquetamento, a generalização, pois, a nada mais servem que aos fins propostos por Schopenhauer: vencer uma discussão sem ter razão.

    • Eduardo Ribeiro Postado em 25/Jun/2015 às 14:54

      Você é uma exceção, Teodoro. A associação é correta.

    • Rodrigo Postado em 25/Jun/2015 às 22:37

      (Outro Rodrigo) Ah, Teodoro, de meu lado, tenho mais apreço pelo pensamento de centro, e, a exemplo de você, sou contra o aborto e contra a redução da maioridade penal. Mas, infelizmente, sempre haverá aqueles que identificarão um pensamento tal como sério risco à falível tese posta e largamente disseminada, que prontamente dirão, em resposta: "Não vale! Não vale! É exceção! Não aceito". P.S.: na Bahia, quando é uma criança que assim se porta, ela é chamada de "café-com-leite", aquela que só aceita o que é conveniente a ela mesma.

    • Eduardo Ribeiro Postado em 26/Jun/2015 às 10:32

      Na Bahia existem também os "mureteiros", Teodoro....aqueles que se você perguntar se gosta de preto ou branco, eles vão elogiar os dois e dizer que azul, vermelho e verde são bacanas também, todos igualmente lindos e igualmente feios em sua complexidade e simplicidade, e portanto indistintos. Bem...como disse um dia o monstro Maradona, “Yo soy o blanco o negro, gris no voy a ser en mi vida”. Você é uma mera exceção, jovem. Honrosa, admirável, que seja, tanto faz. Mas......exceção. A associação a que você se refere não só é correta como é necessária.

      • Rodrigo Postado em 26/Jun/2015 às 18:55

        (Outro Rodrigo) Você é uma figura, Eduardo kkkkkkkkkkkkkk Adoro seus comentários, sempre me divertindo muito kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  12. Wanderson Postado em 25/Jun/2015 às 13:07

    Bem que esse artigo poderia falar do movimento pernambucano "Ocupe Estelita" que luta para que o lugar,no caso,o cais José Estelita,esquecido pelo governo a anos,seja revitalizado para a população em geral e não que se transforme em um gigantesco condomínio,como querem alguns,cheio de prédios que irão acabar com ruas históricas do Recife e com o direito de ir e vir dos menos favorecidos.Criando um lugar privilegiado onde só os mais abastados poderão pagar e frequentar.

  13. Pedro Accioli Postado em 25/Jun/2015 às 13:30

    Não acho que o texto fale besteira! Afinal, tem muita gente de classe média para cima que evita o contato com as pessoas mais pobres e os locais que frequentam estas pessoas e todas essas medidas deseducativas para irem a lugares reservados aos mais favorecidos é para dar a ilusão de que o Brasil é um país de maioria branca para os filhos destes sejam incentivados a serem preconceituosos com os pardos e negros deste país e terem pensamentos altamente reaças!

  14. Luiz Souza Postado em 25/Jun/2015 às 16:03

    Netinho de Paula é marrom e tem o necessário para viver intramuros com sua família.

  15. Dr. André Araújo Postado em 25/Jun/2015 às 16:29

    O texto estava interessante, até eu perceber do que se tratava quando falou no assunto "redução da maioridade penal". Chega disso, né? Defendo uma sociedade mais igual, defendo justiça social, justiça distributiva, distribuição de renda, cota e tudo mais e, sem dúvidas, sou de esquerda cara! Tem mais, como Advogado, poderia, sem peso na consciência, fazer a defesa de um assassino de 16 ou 18 anos, para defender-lhe dentro dos limites legais, é claro, mas querer passar a mão na cabeça de um marmanjo de 16 ou 17 anos que mata, que já matou mais de uma vez e, se solto, vai continuar matando? Tá louco? cadeia nele, não me importo se teve dificuldades de toda natureza ou não!

    • João Paulo Postado em 25/Jun/2015 às 18:35

      Eu ia falar a mesmíssima coisa. Perdi o interesse pelo texto quando veio essa asneira a respeito da maioridade penal. Tentam deturpar a esquerda para torná-la algo parecido com a anarquia.

  16. nadja Postado em 25/Jun/2015 às 19:28

    Depois quando crescem transformam-se em um homem Gentili

  17. Sergio Carneiro Postado em 29/Jun/2015 às 06:18

    Ainda tem gente que paga por um texto desse. O Brasil é realmente um país maravilhoso.

  18. Felipe Postado em 24/Jun/2015 às 16:02

    Cara nem fala isso aqui daqui a pouco vem umas pessoas reclamar pq vc está cobrando isso...rs é só ver o que tem acontecido no país no campo da política e ver as matérias que foram publicadas que da para ter uma noção se serão ou não publicado...rs

  19. Wylie Postado em 24/Jun/2015 às 16:42

    Óbvio que não vão publicar nada! Parece que não conhece o portal!

  20. Denisbaldo Postado em 24/Jun/2015 às 16:47

    Deveriam publicar algo sim, afinal foi uma autocrítica muito corajosa, algo nunca visto na história deste país.

  21. Eduardo Ribeiro Postado em 24/Jun/2015 às 17:06

    E ninguem cala esse xororô....o time "quero pautar o PP" está crescendo inclusive...parabéns...

  22. Felipe Postado em 24/Jun/2015 às 18:45

    Ribeiro pode ter certeza que se há muitos questionamentos certamente há algo errado.