André Falcão
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Homofobia 17/Jun/2015 às 12:25
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Hipocrisia: seu nome pode ser armário

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André Falcão*

O brasileiro é de uma hipocrisia ímpar. Calma, não estou a dizer que todo brasileiro é hipócrita. Estou a afirmar, segundo a minha impressão, donde particular, que há hipocrisia pra dedéu grassando no seio da nossa sociedade, e ela se faz tão mais evidente quanto mais alta a classe social, encontrando terreno de fértil abundância na sua classe média.

Para mim, boa parte dessa hipocrisia se traduz no “armário” onde se esconde um monte de homossexual enrustido, e o que mais lá seja de orientação sexual diversa daquela tida canhestramente como normal por essa turma. Há um tanto de ignorância e preconceito, sim, mas penso que parcela significativa das vozes reacionárias e vorazes que se levantam cuspindo fogo e veneno são de hipócritas prenhes de homofobia, empedernidos escondidos em seus armários.

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Minha meia dúzia de leitores: o que já teve de gente pregado na cruz neste país, inclusive na capa daquela revista semanal suprassumo do jornalismo-lixo e criminoso, que infelizmente está por aí à solta nas casas de famílias de bem e escolas do governo tucano paulista!… Fosse discriminá-las, aqui, a crônica se exauriria. Mas bastou um travesti aparecer simbolicamente pregado à cruz na chamada Marcha Gay, protestando, com essa imagem, contra os assassinatos, torturas e preconceitos cruéis de que são vítimas diariamente no Brasil, para que uma enxurrada de protestos tomasse o noticiário e redes sociais, hipocritamente a vociferar que Jesus Cristo estaria sendo ali desrespeitado, quando se sabe que desrespeito ali não havia.

Agora, na ordem do dia, a ouriçar os cabelos dos chocados de plantão, está uma tal de uma cartilha de identidade de gênero compartilhada nas redes sociais, mais uma mentira cabeluda que grassa naquele meio, confundindo os incautos de sempre. Basta que se leia o Plano Nacional de Educação para se constatar que sequer a palavra gênero consta de seu texto. Todo mundo com medo de que seu filho venha a se tornar veado ou sapatão, como muitos pejorativamente o dizem…

Anos atrás, quando ainda não era pai, tentaram me provocar dizendo-me que eu mesmo não gostaria de ter um filho ou filha homossexual. Disse-lhes que estavam certos. Não gostaria. Mas principalmente porque se até eles, que se diziam meus amigos, seriam os primeiros a fazer cair sobre a cabeça de um filho ou filha meus todo o preconceito vil, cruel e hipócrita de que são capazes, ainda que pelas costas, o que esperar de um estranho? Haveria de ter medo, mesmo. Por eles.

*André Falcão é advogado e autor do Blog do André Falcão. Escreve semanalmente para Pragmatismo Político

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Comentários

  1. Renan Postado em 19/Jun/2015 às 12:06

    Segundo Freud o ser-humano é uma panela de pressão de desejos recalcados. Tudo no ser-humano é desejo, o inconsciente responde ao mero desejo, logo a "homofobia" é apenas a força do consciente lutando contra o desejo inconsciente. Isso chama-se freudianismo, não, não é uma interpretação certa de freud, que era um embusteiro. Mas apenas outro embuste para desencorajar críticos da agenda gay, dando para eles apenas um rótulo de gays inconscientes (ou conscientes, na mente desses sociopatas) que na verdade querem apenas ser como os "gays livres". Ah, o contrário nunca é verdadeiro, não existe um "armário bom", ou seja, a pessoa que não quer ser gay e "entra no armário" lutando contra sua inclinação, porque o armário é sempre uma anormalidade, no fim o normal (para os sociopatas de plantão) é ser gay, e se você não acha, na verdade você é um que se esconde na hipocrisia.Poderia dizer: "André Falcão, você pode ser melhor que isso!". Mas só digo, "parabéns", você é isso mesmo, fazer o quê. PS: Acho que sabem pra que servem as aspas.