Redação Pragmatismo
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opinião 13/Jun/2015 às 18:09
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A “porrada” é a verdadeira paixão nacional

Boa parte dos brasileiros foi ensinado que a violência é o principal instrumento de resolução de conflitos. Futebol? Samba? Feijoada? Não, a “porrada” é o que realmente nos une e nos faz brasileiros

porrada paixão nacional ódio

Leonardo Sakamoto

Um rapaz que reclamou de um carro que parou sobre uma faixa de pedestres foi espancado pelo motorista.

Uma moça que reclamou de um sujeito que tentou beijá-la à força em uma festa de faculdade foi esmurrada pelo idiota.

Não tem jeito, a porrada é uma instituição nacional.

Boa parte dos brasileiros foi ensinado que a violência é o principal instrumento de resolução de conflitos. Por falta de instituições públicas ou sociais confiáveis que assumam esse papel, por achar que alguns possuem mais direitos que outros por conta de dinheiro ou músculos, por alguma patologia que nunca consegui entender muito bem mas que deve estar atrelada à falta de abraços de mãe.

Além disso, também temos problemas de memória. Enquanto o país não acertar as contas com o seu passado, não terá a capacidade de entender qual foi a herança deixada por ele – na qual estamos afundados até o pescoço, nos define e contribui para uma cultura de agressão.

Leia aqui todos os textos de Leonardo Sakamoto

A ditadura não criou a violência desmesurada, mas foi bem eficaz em sua institucionalização como método de controle social. E o processo de transição para a democracia não negou isso. Pelo contrário, em alguns casos até incentivou.

Aliás, o Brasil não é um país que respeita os direitos humanos e não há perspectivas para que isso passe a acontecer pois, acima de tudo, falta entendimento sobre eles e, consequentemente, apoio, da própria população. Que acha isso uma “coisa de proteger bandido” e esquece que a própria liberdade de professar uma crença ou de não ser agredido gratuitamente por dizer o que pensa diz respeito aos direitos humanos.

O impacto desse não-apoio se faz sentir no dia a dia com um grupo que sempre esteve no poder econômico aterrorizando, sozinho ou através da polícia ou de representantes políticos, a outra parte da população.

Gostamos de viver as tradições por aqui. Como o direito de deixar claro quem manda e quem obedece.

Se necessário, através dela, a porrada, que é o que realmente nos une e nos faz brasileiros.

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Comentários

  1. João Paulo Postado em 14/Jun/2015 às 07:01

    Nem eu, apesar de não faltar vontade muitas vezes ...

  2. Rodrigo Postado em 14/Jun/2015 às 11:10

    (Outro Rodrigo) "A nós"... "A eles"... "Nós" e "eles"...

  3. Carlos Postado em 14/Jun/2015 às 15:12

    rs... É hilário esse espaço. Os leitores da folha ou estagiários lendo textos de um site legitimamente socialista e orgulhosos de uma história que sempre negligenciou os aspectos neoliberais e progressistas que o País já teve e que eles mesmos defendem - D. Pedro II que o diga. A cultura é da porrada sim. O abuso de poder - não dos policiais, como a sua limitação acaba de sugerir, mas - dos legislativos, Paulo Cunha, Eduardo Cunha etc. A repressão dos impostos. O abuso da imprensa. Agora, a intelectualidade que deseja reviver a Guerra Fria. Os banqueiros só riem na rinha da democracia.

  4. Vera Postado em 14/Jun/2015 às 18:02

    A nós, sim cara pálida. Vivemos em sociedade.

  5. Marília Cardoso Postado em 14/Jun/2015 às 18:39

    Nós somos o país da " porrada" sim. Nosso território foi "conquistado " a força, as custas de mta porrada e massacre dos nativos que aqui habitavam. Desde os primórdios de nossa história, , presenciamos desmandos ,saqueamento de nossas riquezas e governos corruptos . Logo, é natural que o povo crie formas de sobrevivência. Infelizmente, nos aproximamos de um estado de barbárie.

  6. João da Silva Postado em 15/Jun/2015 às 09:42

    Historicamente, há algo que quase todo mundo esqueve qdo fala da cultura brasileira: ela é marcada por valores medievais. Literalmente. Diferente da America espanhola, nós fomos 'descobertos' por um rei cruzado, administrados por uma ordem religiosa laica - a Ordem de Cristo - que foi a sucessora da ordem templária, colonizados por mossarabes e marranos que tinham muito pouco de cristãos (eram 'infiéis' recem-convertidos em termos históricos), e mantivemos no direito uma serie de concepções medievais - veja-se por exemplo o padroado, que submetia a administração secular da igreja ao rei e ao imperador, e que só acabou com a republica no final do seculo dezenove. Mantivemos direitos senhoriais (literalmente pre-capitalistas, pré-modernos) sobre a terra (até 1855) e sobre pessoas (até 1888). Aliás, o fim dos direitos senhoriais foi o fim da monarquia e a criação da republica, que era menos moderna do que recalcada: queria porque queria guardar o arremedo do senhorio.medieval, tanto que xripu a guarda nacional que transformou os títulos de nobreza em patentes militares. Da mesma forma que hoje os 'revoltados' fascistas se recoltam.contra o fim dos vestígios do senhorio medieval: não podem mais pagar empregadas domésticas, não aceitam pretos e pobres na universidade, acham um absurdo pobres terem direitos econômicos como o bolsa-familia (a reclamaacao é aliás a mesma que ' justificava' a escravidão no seculo XIX: 'eles ficam preguiçosos sem trabalho'), e por aí vai. Dentro do Brasil tem um país medieval que não aceita se tornar moderno. Quando trabalhei no vale do Ribeira em SP nos anos 90, ouvi muito dono de fazenda qe ainda peotestava contra o fim da escravidão - 'um.absurdo que não respeitou o direito de propriedade', segundo eles. Mais de um século depois... os atuais 'indignados vão continuar achando um.absurdo isso tudo aí acima por todo o seculo XXI, podem ter certeza. É a republica de banan dentro da gente que se recusa a morrer, formada por gente com.mentalidade neomedieval. Um dado curioso: muito do que se protesta hoje como sendo corrupção era a regra em governos passados - basta ver que o que foi chamado 'mensalão do pt' foi o mesmo que FHC fez pra se reeleger século passado. E isso tem raízes históricas: são os privilegiados inconformados com a transformação de seus peivilefioes em direitos unobersais, ou em crime. Vasta lembrar que a palavra 'propina' vem de uma RAXA cobrada durante o império para se ter acesso à justiça de segunda instância no Rio de Janeiro, capital imperial. Coisa de rico, apenas - ou seja, só dos privilegiados. Um rico perdia uma causa em priwmria instância e pahava uma taxa aos desembargadores na corte superior no Rio - chamada propina do paço imperial - pra ter o direito de ber seu caso julgado novamente. Ou seja, na pratica, se seu caso fosse contra um pobre, ele comprava a sentença favorável a ele. Logo depôs do fim fã.monarquia, Deodoro, primeiro presidente, foi deposto com acusações... de pagar propina, coisa que todo mundo fazia, legalmente, poucos anos antes!

  7. Eduardo Ribeiro Postado em 15/Jun/2015 às 11:15

    Sakamoto com seus textos simples e didáticos sempre consegue fazer a meninada reaça fascistinha cuspir no monitor. No caso específico deste, é a típica jogada de carapuça pro alto, e quem quiser que a vista ("ainnn...esse texto fala de quem? porque eu não, eu não sou violento...nem sei o que é porrada......")...o japa foi na veia. Isso aí é ÓDIO, é falta de amor. Que Deus perdoe essas pessoas ruins.

    • Eduardo Ribeiro Postado em 15/Jun/2015 às 11:29

      Poxa, cara...por que morder a chumbada tão rápido e com tamanha força e violência?

    • Eduardo Ribeiro Postado em 15/Jun/2015 às 14:26

      Cara...quer um abraço?

    • Eduardo Ribeiro Postado em 15/Jun/2015 às 20:51

      Me abraça, reaça...

    • felipe Postado em 16/Jun/2015 às 13:08

      kkkkk rindo muito com o Eduardo esse cara é Pereira da esquerda kkkkk com todo respeito Pereira kkkkk

  8. Vinicius Matos Postado em 15/Jun/2015 às 13:15

    Uma sociedade, em que o direito de um acaba quando começa o direito do outro. Sim, de todos nós, não é pq vc nunca saiu na porrada com alguém, que vc não tem o dever de preservar pela saúde do outro, não jurídico, mas sim moral. Esse é o grande problema do brasileiro, "se não é comigo, foda-se", se tivesse uma pessoa ao menos, nos dois casos citados no começo da matéria, que fizesse seu papel moral, em defesa da sociedade e não permitisse a agressão gratuita sobre o rapaz e a moça, já seriam dois passos no caminho correto.

  9. Felipe Postado em 15/Jun/2015 às 20:49

    Verdade Naro hoje estava vendo uma reportagem na band sobre o Japão e.senti vergonha desse país, um lugar tão rico que agregou tantas culturas ser tão mal educado e raivoso tem gente aqui que não faz um comentário chamando o outro de fascista a palavra da moda . Na reportagem mostrou uma escola infantil onde as criancas ajudam na limpeza da escola e na distribuição da merenda algo de se encher os olhos, enquanto aqui o ódio corre solto lá a política do respeito e educação é colocada em primeiro lugar, quem sabe um dia chegamos lá, espero estar vivo para presenciar.

  10. Atila José Postado em 16/Jun/2015 às 10:16

    Se todos que cravaram comentários aqui estivesse juntos, ou reunidos, a porrada ia comer solta, só para dar credibilidade a tese do comentarista. Não tem outra.