Redação Pragmatismo
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Exploração Trabalhador 06/May/2015 às 18:07
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Os impactos econômicos da terceirização

Ao reduzir os salários, a terceirização tem um impacto imediato sobre o consumo. Reduzir um componente importante da demanda total e esperar que o investimento privado se eleve de forma sustentada parece uma aposta arriscada

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Os impactos da terceirização sobre o mercado de trabalho e sobre a distribuição de renda já foram amplamente debatidos por diversos especialistas. No entanto, pouco se discutiu os impactos macroeconômicos, em termos de crescimento, do PL 4.330/2004.

Os defensores dessa lei são os mesmos que julgam como principal trava ao investimento – e, portanto, ao crescimento – o aumento do salário real acima da produtividade. Dessa forma, o PL 4.330/2004 é visto como fundamental para se reduzir o custo salarial e, assim, melhorar as condições de oferta da indústria.

No entanto, como apontou o economista Antônio Carlos Diegues em artigo no Valor (26/03/2015), a perda de competitividade da indústria brasileira não é resultado do aumento dos salários reais acima da produtividade, mas, sim, resulta de fatores como a baixa intensidade de capital por trabalhador (sintoma do viés maquilador assumido pela indústria brasileira na última década) e a já baixa participação na estrutura produtiva doméstica de setores com elevada produtividade.

Surpreendentemente, o Fundo Monetário Internacional (FMI) – que é conhecido pelo apoio a medidas de flexibilização do mercado de trabalho – aponta na mesma direção, em recente relatório publicado: o estudo analisa o efeito de reformas estruturais no crescimento da produtividade nos países do G20 e mostra que os maiores ganhos de produtividade estão associados com investimentos em pesquisa e desenvolvimento e em tecnologias de informação e comunicação, indicando que investimentos em infraestrutura também têm impacto positivo na produtividade no longo prazo. Efeitos, a princípio, esperados. Mas a surpresa é que, segundo o estudo, a regulação do mercado de trabalho não tem impacto estatisticamente significante na produtividade total, ou seja, não afeta a produtividade das economias analisadas positiva ou negativamente.

Dessa forma, defende-se que a retomada da competitividade da indústria e, assim, a recuperação sustentada do investimento – em um cenário de acirramento da concorrência global – não se faz por meio da redução do custo salarial.

Um exemplo recente, que, embora distinto, provoca os mesmo efeitos macroeconômicos, é a desoneração da folha de pagamentos , mostrando claramente que o custo salarial não era entrave para a retomada do investimento nos últimos anos.

Ademais, conforme demonstra o relatório de 2014 do National Employment Law Projectwmp, a terceirização torna as condições de trabalho mais precárias, aumentando o número de acidentes e acarretando a diminuição de direitos e salários: faz da remuneração média do trabalhador relativamente menor quando comparada à de um trabalhador não terceirizado que ocupa função equivalente.

Além disso, ao reduzir os salários, a terceirização tem um impacto imediato sobre o consumo: por exemplo, os menores salários significam, diretamente, uma redução da demanda solvente da classe trabalhadora e o rendimento mais baixo faz com que os trabalhadores tenham uma capacidade menor de acessar o crédito – ou o façam em condições piores em termos de prazos e taxas. Ambos os fatores, combinados, contribuem para a redução do consumo – e, portanto, das condições de vida da maior parte da população brasileira.

Políticas dessa natureza em um contexto econômico que aponta para uma recessão não parecem ser as mais acertadas: reduzir um componente importante da demanda total – o próprio consumo – e esperar que o investimento privado se eleve de forma sustentada parece uma aposta arriscada quando se tem em mente que a riqueza é investida se, e somente se, existe a expectativa de que a própria demanda seja elevada.

Em outras palavras, ainda que o menor custo do trabalho amplie a rentabilidade de determinadas atividades, nada garante que a menor demanda da classe trabalhadora seja contrarrestada por uma ampliação dos investimentos, uma vez que estes dependem do que se espera ser a demanda total no futuro.

Pelo contrário, o mais provável é que a redução da demanda dos trabalhadores aprofunde o ambiente de pessimismo do empresariado e torne cada vez mais provável o cenário que já se configura: a crise.

Saulo Abouchedid, Ana Luíza Matos de Oliveira e Alex Wilhans Antonio Palludeto, Brasil Debate

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Comentários

  1. Vicente Postado em 06/May/2015 às 18:29

    Acho que esqueceram de levar em consideração a maior eficiência do trabalhador terceirizado e, consequentemente, aumento da produção, e a diminuição da inflação.

    • Alexandre Bolfarini Postado em 07/May/2015 às 15:07

      kkkkkkkk

  2. jorge mendes Postado em 06/May/2015 às 21:10

    Aecio Neves defende a terceirização http://aecionevesnao.blogspot.com/2015/04/aecio-neves-defende-lei-da.html

  3. Jesuíno Postado em 06/May/2015 às 21:13

    mentira sua! uma coisa que a gente sempre assume é a presidência! hahahaha!

    • Jesuíno Postado em 06/May/2015 às 22:18

      Que bom que vocês já estão contentes com isso. Só me explica uma coisa então: Pra que tanta micareta e panelaço já que estão no poder? Hahahaha! Chupa você mané.

    • Jesuíno Postado em 07/May/2015 às 12:38

      O que eu ganho é ver a luta por um país melhor se concretizar. E ganho também ao ver um reaça sem reação, sem resposta. Já você não ganha nada, afinal está na contramão da história. Pode gritar e espernear, vai rolar querendo vocês ou não. Chupa de novo.

  4. fernando fernandes Postado em 07/May/2015 às 02:35

    Mudancas sao necessarias, ja q nossa lei data da dec de 40 e desde entao sofre apenas remendos. Mas esta lei da terc. acho q nao eh o caminho certo.

  5. ejedelmal Postado em 07/May/2015 às 07:35

    Vocês não entendem nada de Coxística. Antigamente havia o atravessador agrícola, que comprava a sala da laranja por R$ 0,30 e vendia por R$ 3,00. Agora existe o atravessador de mão-de-obra. Mas não se preocupem, pois a terceirização não vai ferrar os pedreiros, as faxineiras e as domésticas. A terceirização tem foco em engenheiros, advogados, gerentes, diretores, etc. só profissão Reaço-Côxica. Assim se pode baixar o salário dos Coxinhas até o salário-mínimo (ou além), para reduzir as desigualdades. É o suprassumo do comunismo!

  6. Gustavo Postado em 07/May/2015 às 07:52

    Essa seção de comentários está cada vez mais parecida com a do G1... é uma pena. Até pouco tempo era possível ter uma discussão interessante.

  7. Alexandre Lopes Postado em 07/May/2015 às 12:44

    Perfeito ! É uma medida burra . Parece que essa nossa burguesia retrógrada cava a própria cova ! A ideologia da exploração e do lucro imediato parece cegar esse empresariado , quanto aos seus efeitos de médio prazo .