Redação Pragmatismo
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Esporte 19/May/2015 às 19:28
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O ataque covarde de Walter Feldman a Juca Kfouri

O ex-deputado, médico e atual secretário-geral da CBF, Walter Feldman, deu um golpe baixo no jornalista Juca Kfouri – que está internado recuperando-se de complicações decorrentes de uma cirurgia – com o aval da Folha de S.Paulo

Juca Kfouri Walter Feldman
Juca Kfouri (esq) e Walter Feldman | Pragmatismo Político

Alberto Dines, Observatório da Imprensa

O valente jornalista Juca Kfouri, que desde a sexta-feira (15/5) está internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, recuperando-se de complicações decorrentes de uma cirurgia, sofreu no domingo (17) um covarde ataque do médico & cartola Walter Feldman, atual secretário-geral da CBF, nobre e honestíssima entidade esportiva que tantas alegrias tem proporcionado ao cidadão brasileiro.

Na nobilíssima página 3 da Folha de S.Paulo – ultimamente engajada em promover disputas e fazer barulho a qualquer preço – o celebrado colunista foi atacado pelo esculápio com a clara cumplicidade do jornal, ciente de que o seu colaborador encontrava-se hospitalizado.

O texto “Paixão e rancor” é medíocre, maroto, apequenado, rasteiro, desprovido de qualquer atributo intelectual que justifique a privilegiada exposição. Juca Kfouri é um gigante do jornalismo brasileiro e não apenas do jornalismo esportivo. Nunca fugiu ao debate, enfrenta com reconhecida galhardia – e sempre com muita graça – todos os tipos de desafetos. Mas não se pode esperar que ainda na UTI tenha condições de tourear este bode enfezado.

A “nova” CBF tão ardentemente defendida pelo ex-deputado federal e servidor de tantos patrões é idêntica à velha CBF. Isto está claro. A reportagem de capa da presente edição de CartaCapital (nº 850, de 20/5), “CBF: barco furado”, denuncia exatamente este continuísmo.

Este observador já serviu de testemunha de defesa de Juca Kfouri em vários processos e ficará honrado se convidado para novas missões. Mas não se sente habilitado a falar em nome de um expert do porte de Juca.

Desprovido de qualquer fair-play e esportividade, Walter Feldman não perde por esperar.

Em seu blog, o jornalista Mário Magalhães, do UOL, comentou o episódio. Leia abaixo:

De onde menos se espera é que não sai nada, já dizia o Barão de Itararé, tendo ou não inventado a tirada certeira.

Novo secretário-geral da famigerada Confederação Brasileira de Futebol, Walter Feldman havia se notabilizado pela relevante sugestão apresentada como deputado federal: a introdução do pôquer como jogo nas escolas públicas.

De pátria de chuteiras a pátria do carteado, já pensou?

Que nada mais inspirado saísse de tal cachola era o esperado, mas o neocartola excedeu-se: com o intuito de barrar legislação que tenta moralizar um pouquinho a administração do futebol, o ex-secretário de Gilberto Kassab e agora operador de Marco Polo Del Nero escreveu artigo desvairado atacando o blogueiro Juca Kfouri, insultando o jornalismo e esbanjando intolerância.

O texto do cartola foi publicado domingo na “Folha”.

O arrazoado do auxiliar do continuador de José Maria Marin, aquele que sucedeu Ricardo Teixeira, o herdeiro político de João Havelange, tentou responder a coluna de Juca Kfouri veiculada no mesmo jornal.

A despeito da defesa que faz de si e do patrão, o texto de Walter Feldman trai diversionismo. Lá pelo fim, ele pontua: “Juca e eu estamos em campos opostos. Ele gosta de medida arbitrária. Eu, do debate democrático”.

Eis a questão central. A CBF articula lobby no Congresso para barrar medida provisória de março que  “institui o Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro”.

Embora com limitações, a medida com força de lei desincentiva o _repare no eufemismo_ uso privado que dirigentes muitas vezes fazem do patrimônio de entidades esportivas.

Os campos estão definidos: o pessoal do Bom Senso apoia a MP, e a CBF se opõe, conduzindo a cruzada da cartolagem embalada pelo chilique do secretário-geral de Del Nero.

Feldman ataca o jornalista ao se referir a inexistentes “ofensas pessoais que Juca Kfouri pratica”.

Kfouri anotara: “Feldman é uma figura singular na vida pública nacional. Basta dizer que trocou o braço direito de Marina Silva, da ‘nova política’, pelo de Marco Polo Del Nero, da velhíssima”.

A observação do colunista é objetiva, procedente e jornalística, pois o secretário-geral é figura pública e há interesse público nas ações da entidade que controla o futebol e a seleção.

Não há “ofensa pessoal”.

A crítica seria injusta, embora legítima, se o novo comando da CBF equivalesse a novos valores. Não é o caso.

Considere-se recente reportagem de “O Estado de S. Paulo” que recupera informações conhecidas e acrescenta outras: contrato celebrado ainda na gestão de Ricardo Teixeira concede às empresas organizadoras de amistosos da seleção poderes sobre a convocação.

Contrato da “velha” CBF.

Mas que foi defendido pela “nova” CBF de Del Nero e Feldman, nesta nota.

Mais detalhes do velho-novo procedimento da entidade estão aqui.

O subordinado proclama, em seu artigo: “O presidente Marco Polo Del Nero assumiu em 16 de abril pronto para dar uma arrancada modernizadora para o futebol brasileiro”.

Não é fato e seria surpreendente: o capo da CBF fulgura como protagonista da cartolagem desde os tempos em que era vice-presidente da Federação Paulista de Futebol capitaneada por Eduardo José Farah.

O Farah!

Em seguida, Del Nero exerceu por anos a presidência da FPF.

Mais tarde, assumiu como o segundo de Marin na CBF.

Que “arrancada modernizadora” ele ofereceu como bambambã das carcomidas gestões Farah e Marin?

Será que a “arrancada modernizadora” começou com Del Nero e Marin comprando apartamentos de luxo, santa coincidência!, no mesmo prédio da Barra?

Walter Feldman diz: “Tenho aversão á intolerância”.

O tom truculento que empregou demonstra o contrário.

Ele é propagandista de quem, Del Nero, foi apontado por uma revista como veterano membro do violento Comando de Caça aos Comunistas _ainda é tempo de o presidente da CBF negar.

Del Nero, o favorito de Marin, o então deputado que bradou contra o jornalismo da TV Cultura pouco antes de o diretor de jornalismo da emissora, Vladimir Herzog, ser preso e morto na tortura.

Exemplos de tolerância?

No terreno mais objetivo, Feldman proclama que, “se [um clube] atrasar salário, perde pontos”.

No mesmo domingo, Juca Kfouri explicava, com eficiência de tridente barcelonista: “Mas, atenção, o que a CBF chama de fair play financeiro é para inglês ver, porque depende de denúncia de atleta. Na Federação Paulista de Futebol não funcionou e na CBF não funcionará. Ou você acha que os clubes que estão participando do Brasileirão estão em dia com suas obrigações? Agora, imagine o que aconteceria para um jogador corintiano que denunciasse o clube. Não pisar mais no Corinthians, ou ter de contratar segurança para andar em São Paulo, seria o de menos. Nenhum outro clube lhe daria emprego, porque os cartolas, em regra, também são corporativistas”.

Mais claro _e honesto_ impossível. Por isso Kfouri incomoda.

O secretário-geral insulta o jornalismo ao sugerir que espírito crítico seja sinônimo de torcida contrária: “Juca é contra o ‘fair play’, como é contra tudo o que acontece no futebol. Dentro e fora de campo, desmerece vitórias e comemora insucessos com mais vigor do que qualquer adversário. Eu vejo magia nos campos. Ele vê bruxarias. Eu acho que futebol é paixão. Ele acha que é rancor”.

Digo com a experiência de repórter que cobriu a CBF por muitos anos: parece o Ricardo Teixeira falando.

Ressurge a velha ladainha de poderosos contrariados com o escrutínio público, democrático e jornalístico: queixam-se de que, se o jornalismo publica que há uma epidemia de meningite em curso, é porque pretende sabotar a saúde pública; se revela os Papéis do Pentágono, serve ao “inimigo”; se difunde notícias sobre a rendição do Japão, só pode ser traição ao imperador; se escarafuncha a corrupção, é porque odeia o país; se denuncia a tortura em Abu Ghraib, é coisa de amigo de terrorista; se mostra a roubalheira no esporte, torce contra a amarelinha.

A esse discurso, Teixeira, atual morador de Boca Ratón, juntava dezenas de processos, em nome próprio ou da CBF, contra Juca Kfouri.

Cada processo valeu ao processado como um diploma de integridade jornalística.

Walter Feldman cometeu: “Eu amo futebol. Ele [Juca Kfouri], talvez, simplesmente, não ame”.

Eis, aí, outro ataque a quem, Juca Kfouri, vibra e sofre com o futebol _ainda que não vibrasse e não sofresse, não deixaria de ser o jornalista decente que é.

E insulto aos jornalistas, aos quais cabe ser sobretudo fiscal do poder, e não bajulador de cartola.

Baixaria intolerante: para contestar ideias incômodas, o secretário-geral busca a desqualificação pessoal do crítico.

Só faltou o “ame-o ou deixe-o”.

O Barão de Itararé sabia mesmo das coisas.

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Comentários

  1. Marcio Postado em 19/May/2015 às 21:11

    Já li várias leviandades escritas por Kfouri. Não está acima da mediocridade que impera na imprensa esportiva brasileira.

  2. Cybelle Postado em 19/May/2015 às 22:19

    Eu o considero sensato. Recomendo os textos de Juca. Feldman se portou como alguém que não suporta críticas. Foi deselegante e de muito mal gosto o que publicou, não só pelo conteúdo, mas sobretudo pelas inverdades. Melhoras, Kfouri!

  3. Rafael Senna Postado em 19/May/2015 às 22:28

    Juca Kfouri tem seus méritos, mas escreve de maneira ofensiva sempre. Vale-se do respeito que tem pra dizer suas hipotéticas verdades. Diz-se de esquerda, mas as vezes tenho alguns receios. Folha, cabe, playboy, placar, etc. Sei lá. Já nesse caso específico não vi nada de surreal na merecida resposta do Walter Feldman. Tem o direito de querer se defender.

  4. enganado Postado em 20/May/2015 às 00:15

    Vamos na ferida: Esse tal sr. Feldman é judeu, todos sabem que as ordens que emanam da AIPAC/HASBARA/CIA é contra qq PESSOA que defenda uma linha sequer do PT. Nuzman é judeu (como recebe favor da Presidenta, fica calado, mas gato como todos da CBF), Bernard é judeu, a rede gRoubo pertence aos judeuSS Americanos, o Estadão e Folha são do GAFE+rede bunderantes, ninguém dessa Direita tem passado LIMPO-todos são ladrões de caderninho-esse Feldman não nega a raça, é ladrão também e lógico contra o PT, o Juca denunciou algum podre do PSDB-çERRA x Aópio. Se alguém duvidar que a judeuzada é contra o PT, ex: juizeco FUX/Waack/Valdvogel/Sterenberg/Sardenberg/, a colônia é toda contra o PT porque não estão conseguindo bons roubos e qdo podem massacram quem não é de seus interesses. Isso é uma orquestra que a mim NUNCA/NUNCA/NUNCA vão enganar, tudo que se passa no BRASIL no momento vem dos judeuSS Americanos, para nos desastabilizarmos. Muito simples; BRICS. Então, vamos a notícia: Foi o judeu que escreveu, escreveram para o próprio e mando de quem? Por que isso agora? Não gostou do rachucha na compra do apto? Tá ou não está levando GRANA? A falha de s.paulo finge para quem paga mais, neste caso deve ter sido obrigada "pelas forças ocultas"=AIPAC, aliás toda imprensa-empresa-press_tituta do BRASIL é OBRIGADA a dar sua cota de Críticas ao PT, pelo menos uma vez por dia. Meus amigos do "MANCHETÔMETRO" entrem em cena e mostre o que o GAFE tem escrito. Bom hoje foi a "falha de s. Paulo", amanhã será outro jornal do GAFE. Igual os EUA em suas matanças trocam de general para não conotação de massacres restrito a um general. Mas no frigir dos ovos, só muda o commando, porque a matança continua a mesma; como neste caso. Mudam de jornal, mas a putaria continua a mesma com a judeuzada fazendo o que querem. Pergunto: "Qual será o próximo KFOURI? Porque o suposto escritor, com certeza será um judeu , no GAFE, contra alguém que tenha defendido pelom menos uma vez o PT. Jô Soares já está no caderninho, é só aguardar.

    • Dinio Postado em 20/May/2015 às 09:44

      Cara...teu codinome está errado..."Enganado"... O melhor codinome que eu sugeriria para ti é "LÚCIDO"!

  5. Jorge Rodrigues Postado em 20/May/2015 às 00:28

    Juca Kfouri 7 X 1 Walter Feldman.

  6. Thiago Teixeira Postado em 20/May/2015 às 07:04

    No âmbito esportivo, discordo de tudo que o Juca fala, acho o cara modinha, focado apenas na elite do futebol. Em relação a temas políticos e de sociedade o cara é fenomenal, algo muito raro no meio dos jornalistas esportivos modinha.

  7. felipe Postado em 20/May/2015 às 09:06

    O Juca critica mas não pode ser criticado? interessante, é uma hipocrisia enorme o Juca fala muita besteira tanto quanto esse apesar que para mim o Juca tem muito mais credibilidade. Acho muito interessante a posição deste site que briga por uma imprensa imparcial e faz o contrário....

  8. Riaj Postado em 20/May/2015 às 10:34

    Juca está acima desses medíocres metidos a opinadores de plantão. Ele é sensato e não foge do embate. Esse feldmann não passa de um acólito da mídia cheirosa.

    • felipe Postado em 20/May/2015 às 11:05

      Quem define isso, você? Com base no que diz isso, pois se for da esquerda não vale, tudo é questão de que quando um opina esta certo por que é a favor, quando outro opina contra é um golpe baixo... isso não esta certo não.

      • Fabio Postado em 28/May/2015 às 15:27

        Amigo, aqui o que é certo é certo, não tem essa de opinião ou golpe baixo. Juca é contra a CBF e seus meios corruptos...e fala isso sempre e com propriedade e com informações. Feldman está com Marin e Del Nero. Precisa desenhar? Essa mania coxinha de querer relativizar tudo é uma werda. Seja homem. As coisas são o que são e pronto. Dá pra ver nitidamentne o que é certo e o que é errado. Ou vc entende o que está se passando ou vc assume que é direitão e a favor dos desmandos e do vale tudo por dinheiro e poder, assim como seus amigos do PSDB.

  9. Roberto Pedroso Postado em 21/May/2015 às 09:40

    Juca faz parte do grupo de jornalistas de esquerda que sabe se posicionar de forma lucida diante dos fatos não sendo comprometido com interesses escusos, ideias políticos torpes ou financeiros ao contrario de Feldman que é secretario geral da CBF ,em tempo ao contrario do que diz Feldman a entidade máxima do futebol permanece sendo a mesma entidade corrupta que sempre foi.Recomendo aos interessado a leitura do livro: "O Lado Sujo do Futebol" - autoria Amaury Ribeiro Jr, Leandro Cipoloni, Luiz Carlos Azenha e Tony Chastinet.