Redação Pragmatismo
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Racismo não 12/May/2015 às 19:37
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Mulher é exposta na internet em anúncio falso: "Vende-se bebê por R$ 50"

Anúncio falso expõe grávida negra na internet. A foto da jornalista Raíssa Gomes foi tirada quando ela estava grávida de nove meses. Ela considera que o episódio envolve racismo e machismo: “o que aconteceu comigo é somente um reflexo do que a sociedade pensa e reproduz”. Ministério Público passa a investigar o caso

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O “anúncio” foi feito no Facebook e apagado horas depois. Polícia Civil e Ministério Público investigam o caso

A jornalista Raíssa Gomes teve uma foto sua grávida, tirada em 2011, colocada em forma de anúncio num grupo de Facebook destinado a vender artigos usados, com a seguinte frase: “Vende-se um bebê por R$ 50 reais”. Abaixo da foto ainda diz: “como eu e minha mulher não conseguimos Cytotec [medicamento utilizado para a realização de aborto] resolvemos vender a criança”.

A foto foi tirada em 2011 e mostra a jornalista grávida de nove meses – o filho completou 3 anos em novembro. Ela conta que a imagem ilustrava um texto de combate ao preconceito, publicado no site de um coletivo de mulheres negras da capital federal.

“Fiz um texto para o site Blogueiras Negras, justamente retratando um caso de racismo que eu sofri porque estava grávida. Acho que ficou no Google, sei lá o que esse povo vai pesquisar. Esse perfil não tem nenhum amigo em comum, nada, nada”, afirma.

“O que aconteceu comigo é somente um reflexo do que a sociedade pensa e reproduz. Já passou da hora das pessoas entenderem que não é um caso isolado; é necessário discutir abertamente sobre racismo no Brasil e a perpetuação dessas atitudes”, enfatiza.

A Polícia Civil do Distrito Federal afirmou que está investigando o caso.

Cristiane Damacena

Coincidentemente, outra jornalista do Distrito Federal foi vítima de racismo na internet e levou o caso à Justiça. Após alterar sua foto do perfil no Facebook, Cristiane Damacena recebeu uma enxurrada de xingamentos racistas.

Raíssa, que estava ciente do caso da colega de profissão, entrou em contato com Cristiane para saber que medidas tomar.

“Como a Cristiane passou por isso na semana passada, entrei em contato com ela para saber como lidar. Ela falou isso, para tirar os prints, vir na delegacia registrar ocorrência, depois ir no Ministério Público”, disse.

Combate em racismo

Em 2014, o Núcleo de Enfrentamento à Discriminação no DF ofereceu 47 denúncias com base em inquéritos policiais. Segundo o departamento do MP, a maior parte delas se referia a crimes de racismo e injúria racial. Nos primeiros quatro meses de 2015, 24 denúncias já foram oferecidas e podem ser convertidas em ações penais públicas contra os agressores.

com informações de Fórum, G1 e CartaCapital

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Comentários

  1. poliana Postado em 12/May/2015 às 20:20

    qta maldade, meu deus!!!

  2. Jeferson Santos Postado em 12/May/2015 às 22:56

    Como eu sempre digo: Ali Kamel, um beijo!

  3. enganado Postado em 12/May/2015 às 23:29

    Isto mais uma vez isto está com cara de PSDB/DEM/Norte-Americanos/JudeuSS de iSSraHell/Nazistas/UE/OTAN/ ... . Essa turma recebe GRANA Roubada todo dia, então é só quebrar o sigilo bancário, não PF_DB? Vamos lá pulem o muro da casa desta gente as 6:00 h da manhã, igual fizeram com o tesoureiro do PT, confisquem os micros e vejam os autores das barbaridades. Aí, só contem para o MORO e JB, tá! Motivos óbvios, não queremos punições.

  4. Eduardo Ribeiro Postado em 13/May/2015 às 10:02

    Mau caratismo demais.

  5. Rodrigo Postado em 13/May/2015 às 16:13

    (Outro Rodrigo) É uma ofensa grave, caracterizadora de dano moral para ela, o pai e a criança? Sim! Há dano à imagem? Sim! A postagem é de uma "criatividade" doentia, degradante, até mesmo para quem a fez? Óbvio. Mas, no caso em questão (ao contrário de casos outros, como o do menino "enxotado" da frente de loja na Rua Oscar Freire - Lei n. 7.716/89, art. 5º. Recusar ou impedir acesso a estabelecimento comercial, negando-se a servir, atender ou receber cliente ou comprador.), não há como enquadrar em crime de racismo. Não estou amenizando, relativizando a abjeta conduta de quem criou tal absurdo, mas apenas a expor que não há tipicidade (termo usado para determinar quando há relação entre conduta e norma descrita na lei penal). Penalmente falando, sim, haveria crime de uso indevido de imagem, bem como difamação.