Redação Pragmatismo
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Racismo não 19/May/2015 às 16:54
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"Eu, branco, que sempre fui contra as cotas, mudei de ideia..."

cotas raciais brasil contra favor
(Imagem: Estudante protesta contra as cotas em Brasília/Reprodução)

Fábio Burch Salvador, Geledés

As cotas raciais nas universidades são um assunto bem polêmico. Eu sou branco, e sempre fui contra. “Se eu acerto 80% das perguntas, como posso perder a vaga para alguém que acertou 79%, só porque ele é negro?”, eis a pergunta, a questão, a razão da indignação.

Bom. Eu ainda considero injusto, do ponto de vista individual, que um sujeito não ocupe uma vaga tendo acertado mais questões do que o outro. Minha visão é matemática, cartesiana. Nasci para ser Spock. Gosto de sistemas de cálculo livres de condicionantes.

Mas chegou o dia em que passei a apoiar as cotas.

Foi assim: eu estava vendo TV, e estávamos bem no meio daquela polêmica dos médicos cubanos. Uma brasileira chegou a dizer que as médicas da ilha de Fidel nem tinham “cara de médica”, e sim, “cara de empregada doméstica”. Claro! As cubanas eram, em sua maioria, mulheres de baixa estatura, e negras ou mestiças.

Uma luz brilhou na minha cabeça: se eu pegasse uma foto, mostrando uma mulher loira e alta ao lado de outra, negra, meio gordinha, e dissesse às pessoas que ali havia uma médica e sua faxineira, tenho certeza que 99% das pessoas apontaria a branca como sendo a médica.

Porque a outra, segundo o senso comum, tem “cara de doméstica”.

No século retrasado, teria “cara de escrava”. Ou seja, evolução que é bom, nada.

E aí passei a apoiar as cotas: elas devem existir até que haja tantas médicas negras nos hospitais ao lado das médicas brancas, que as pessoas passem a ser incapazes de determinar quem é a faxineira, ao olhar para a foto.

Precisamos das cotas até o dia em que, ao entrar no Fórum, não fiquemos adivinhando quem é advogado, policial ou bandido só olhando a cor da pele.

Hoje apoio as cotas – tapando os olhos para o aspecto das pequenas injustiças pessoais que certamente ocorrem (o negro de família abastada que se beneficia, por exemplo, e tira a vaga de um outro jovem, branco mas “mal nascido”). São pequenas coisas. Não se faz omelete sem quebrar uns ovos.

Apoio porque é um instrumento essencial para misturar todas as cores em todos os níveis sociais e em todas as ocupações. E relegar ao passado essa odiosa noção, que nos parece tão natural (a brancos e negros), de olhar para uma pessoa, por sua pele, seu cabelo, e dizer que ela tem “cara de” qualquer coisa.

LEIA TAMBÉM: Por que o Brasil precisa de cotas raciais?

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Comentários

  1. Layne Postado em 19/May/2015 às 17:17

    Não faz o menor sentido. Não se deve colocar pessoas dentro da universidade só porque existem muito poucas pessoas daquela raça em um determinado curso. O que deve acontecer é investir em educação primária e fundamental para que qualquer um, independente de raça, possa passar em um vestibular por mérito. O racismo vai acabar quando perceberem que um negro e tão capaz quanto um branco de fazer qualquer coisa, coisa que o sistema de cotas não resolve. É o velho tampar o sol com a peneira. Aí dizem "Ah, mas esse investimento é muito longo prazo!" Bom, a situação (não só essa) se da justamente por essa mania dar um jeitinho agora para tudo e ignorar o real solução do problema.

    • Carlos Postado em 19/May/2015 às 17:36

      A meritocracia pressupõe que todos tenham as mesmas condições de se preparar para a competição, mas isso na prática não ocorre. Historicamente há uma enorme dívida social para com negros e indígenas, que sempre tiveram pouco/nenhum acesso a um ensino básico de qualidade. As cotas na universidade são apenas uma das várias iniciativas a serem tomadas no sentido de resgatar essa dívida. Melhorar o ensino básico público é fundamental, mas uma medida não invalida a outra (muito pelo contrário, são complementares).

      • Layne Postado em 19/May/2015 às 17:57

        Os negros e indígenas também podem se beneficiar das cotas sociais, que já abrangem qualquer um que tenha essa deficiência na educação pela falta de oportunidade de poder estudar em escolar de qualidade. Se já existe um sistema de cotas para esse problema, para que existir outro para pessoas negras? Tudo bem, existe sim essa dívida social tendo em vista tudo que aconteceu no passado, não digo não, mas criar cotas para a determinada raça é quase discriminar ainda mais. Não sei o quanto vocês vêm, mas também tem muita gente branca que também depende do ensino público, existe gente pobre e miserável de todas as raças, assim como existe gente negra que está muito bem (obviamente em proporções diferentes). Enfim, acredito que apenas a existência de cotas sociais são suficientes.

      • Sophia Postado em 19/May/2015 às 19:06

        As cotas são uma maneira de solução a curto prazo. O investimento em educação básica é uma solução a longo prazo. Ou seja, se uma pessoa nasceu há 18 anos atrás em uma situação menos favorecida, quando nos referimos às injustiças sociais históricas, ainda pode ter a oportunidade de fazer algo que seletivamente não faria, não por não querer, mas sim por não poder, devido as injustiças que, infelizmente, ainda estão muito evidentes. A melhoria da educação básica é algo muito complexo que ao falar parece ser de fácil solução, mas como já sabemos não é, no entanto já existem inúmeros projetos sendo aplicados em busca desta melhoria. O fato é que quando isso acontecer, somente os que frequentarem a educação básica é que vão poder se beneficiar. Sendo assim, com certeza é preciso esforços que garantam resultados a curto e longo prazo para que a abrangência seja maior. Se não fossem por algumas "facilidades" que existem para pessoas de baixa renda frequentarem a universidade, certamente eu e minha irmã não estaríamos nos graduando hoje, pois a educação básica que tivemos não deu suporte algum para que isso fosse possível.

      • Wiliam Oliveira Postado em 22/May/2015 às 11:10

        Layne, entre em alguma universidade pública, repare nos funcionários (principalmente entre os docentes e pesquisadores) e nos alunos (principalmente nos cursos tidos como de elite, engenharias e área da saúde). Repare bem e diga pra todos nós quantos negros fazem parte de tais espaços e contextos. Sou servidor público e vejo isso: num órgão com 70 servidores efetivos, apenas 4 negros ou afrodescendentes (eu sou um deles). Será por acaso?

      • Wiliam Oliveira Postado em 22/May/2015 às 11:17

        Dizer que "o Sol nasce pra todos" é uma afirmativa covarde e maldosa daqueles que sequer tentam avaliar a divisão sócioeconômica do país de uma maneira séria. Aqui em Sampa tem muitos que adoram usar esse tipo de bordão e quando são confrontados com situações cotidianas pelas quais qualquer morador da periferia, pobre e negro convive, mal sabem o que dizer. Exemplo disso é quando eu mostro porque tantos alunos saem da Educação Básica sem ter competências e habilidades triviais. Falta de professores, de estrutura familiar, escola precária e até a péssima alimentação explicam muita coisa, mas tem gente que acha que só o fato de uma criança estar sentada em uma sala de aula é algo suficiente para mudar suas perspectivas.

    • Gustavo Postado em 19/May/2015 às 17:44

      Você foi perfeita na sua colocação, eu sou negro e concordo com você. Só que como você falou o processo é para longo prazo, e o que faremos com o que não puderam, não podem e os que não poderão desfrutar do resultado que virá daqui a alguns anos? Você entende que existe uma urgência que só pode ser sanada com as cotas? O mundo ideal são as duas soluções andando juntas na minha opinião, porém a diferença entre brancos e negros matriculados na faculdade é enorme e está aí. Algo também precisa ser feito agora.

    • Nicole Postado em 19/May/2015 às 17:46

      O real problema é que essas cotas não têm funcionado, pelo menos não na Medicina. Sou estudante de uma universidade federal de medicina e te digo com clareza: não existem negros na minha sala (do ponto de vista estrito, sem falar de genética e miscigenação brasileira). O que aconteceu, se 50% são cotas? Pessoas oportunistas, "brancas", ou que pelo menos não satisfazem o critério de cor, ou vivência social/cultural negra pegam essas vagas. Mas por quê? Não existe critério nenhum. Qualquer um se autodeclara, sem escrúpulos. Então reafirmo com clareza: sou a favor de cotas para negros desde que elas funcionem, na medicina isso ainda não acontece.

      • José Carlos Postado em 21/May/2015 às 14:11

        Médicos, engenheiros e advogados.

    • stela Postado em 19/May/2015 às 17:48

      As pessoas não entendem, ou não querem entender, que uma criança que cresce num ambiente sem nenhuma estrutura familiar não podem competir com quem teve tudo desde pequeno. As cotas são provisórias para compensar as injustiças sofridas por esse povo.

      • Eduardo Postado em 20/May/2015 às 12:13

        FALOU POUCO E RESUMIU TUDO... E O TEXTO É MUITO BOM, A PRIORI AS COTAS SÃO INJUSTAS SE PENSARMOS NUMA COMPETIÇÃO IGUAL.... MAS COMO IGUAL SE OS OS COMPETIDORES SÃO DIFERENTES EM OPORTUNIDADES PRE COMPETIÇÃO....

      • Wiliam Oliveira Postado em 22/May/2015 às 11:07

        Stela, aqui ainda prevalece o senso meritocrático, mesmo que apenas alguns "pontos fora da reta" dentre os mais pobres consigam furar o bloqueio. O Brasil (e sua voraz política capitalista e meritocrática) vive de usar a exceção como regra, essa é a verdade. Eu também era contra as cotas e, mesmo sendo mulato mas sem estudar em escolas públicas, passei a defendê-las por conta das experiências pessoais que andei tendo.

      • Gerson Postado em 28/Mar/2016 às 12:29

        Parece fazer sentido se somente negros fossem pobres, mas e o branco pobre, faz o que?

    • mir kos Postado em 19/May/2015 às 19:55

      Não entendeu nada, né colega?

    • Adyneusa Postado em 19/May/2015 às 23:59

      Pensa por outro lado: se você e seus familiares, tivessem sido arrancados do seu país para serem escravos em outro, e por séculos não terem direito de estudar e trablharem de graça, serem acoitados e jogados numa senzala. Depois de séculos, libetam você e sua família, mas você não tem estudo, nem pode trabalhar, te jogam na rua, voces vão para os morros, porque não são aceitos na cidade, passam a roubar alimentos para sobreviverem, e ficam mais alguns séculos sendo marginalizados, presos e mortos. Depois de tudo isso, morando em favelas, arrumando empregos como domésticos, sobrevivendo, sem chance de estudar, sua dignidade acabou, quando te veem nas ruas, chamam a polícia, se a polícia te ver nas ruas te prendem ou te mata. Que chance voces teriam de frequentar uma universidade? de ter um emprego decente? sem cidadania? acho que o estado tem que resarcir, indenizar essa gente. Eles não quiseram estar nessa situação, somos todos culpados e ainda somos quando somos contra as cotas. Nos Estados Unidos foi assim que os negros foram incluidos na sociedade. Racismo nunca, nenhuma lei vai tirar de dentro das pessoas, mas a lei obriga o respeito. Quero um dia ser atendida por um(a), médico(a) negro, ter esse prazer, e parabeniza-lo. Quero ver a sociedade ocupada por advogados, médicos, engenheiros, empresários, políticos, cientistas, etc.. todos brancos e negros. Esse é nosso Brasil, essa mistura de raças, essa missigenação, essa cultura maravilhosa, que devemos aos negros.

      • José Carlos Postado em 21/May/2015 às 14:25

        Adorei a sua. colocação, uma aula de história, gostaria de acrescenta que a Alemanha paga ou pagou indenização pelo holocausto, ou seja, pela morte de seis milhões de judeus na 2a grande guerra, no século XX. A 1a Constituição do Brasil, 1824, D. Pedro I , havia uma cláusula que dizia: é proibido filhos de negros e leprosos frequentarem o banco escolar!! As cotas só vieram agora!!

    • Bruno Postado em 20/May/2015 às 13:09

      Seu erro é presumir que o mérito é igual pra todos. Meritocracia é ilusão, minha cara, ela seria real se TODOS PARTISSEM EXATAMENTE DO MESMO PONTO, se todas as pessoas tivessem exatamente as mesmas oportunidades, o que não é, nem de longe, a nossa realidade atual. Os investimentos em educação são o alvo, mas é realmente um investimento que gerará frutos a longo prazo apenas. Suponhamos que de repente a educação fundamental do Brasil atinja um nível europeu, beleza, as pessoas que ainda estão na escola colherão esses frutos, mas e aqueles milhares de jovens pobres que saíram da escola pública antes dessa melhora repentina? Ficarão desamparados por não terem o mesmo estudo de qualidade que os outros estão tendo? As cotas raciais/sociais são paliativos, são remédios a curto/médio prazo. O ideal é ter as cotas enquanto o sistema de educação pública não acompanha o sistema de educação privada. Quando os dois tiverem aproximadamente o mesmo nível, pode-se falar em mérito. Até lá, tem mais mérito quem tem mais dinheiro.

    • edson Postado em 22/May/2015 às 00:41

      Para que haja o mérito é preciso ter igualdade de oportunidades! É preciso "investir em educação primária e fundamental para que qualquer um, independente de raça..." mas enquanto não há esse investimento as cotas são necessárias do contrários a situação não mudara.

  2. Renato Mendes Postado em 19/May/2015 às 17:20

    Sou a favor de cotas por raça, haja vista todos os motivos elencados no texto. Todavia, sou mais a favor de cotas mistas, as quais envolvem raça e condição socioeconômicas. Essas, entendo, são mais eficazes em seu objetivo. O único problema que ainda assola esse tema, é a polêmica entre quem é preto e quem não é. A raça negra se define pela cor da pele, pelos traços físicos, pela linhagem familiar, pelo gene ?

    • Elaine Gonzaga Postado em 19/May/2015 às 17:45

      Sou a favor das cotas raciais pq racismo não tem condição econômica. Uma vez vi uma entrevista da Luiza Bairros e ela disse: "Sou ministra de estado, doutora e sofro racismo cotidianamente". Isso prova que o racismo não tem nada a ver com classe social.

  3. JUSTO Postado em 19/May/2015 às 17:21

    por que não há cotas para travestis, ou vc vai dizer que elas são menos vulneráveis que os negros?

  4. JUSTO Postado em 19/May/2015 às 17:23

    que não há cotas para travestis? vai dizer que elas são menos vulneráveis que os negros?

    • Elaine Gonzaga Postado em 19/May/2015 às 17:47

      Justo, foi aprovado nas duas conferências nacionais LGBT as cotas para travestis. Mas até hj o MEC não teve a coragem de peitar essa discussão.

    • Paulo Pinheiro Postado em 19/May/2015 às 19:09

      Tem como criar uma quota pra barrigudos também? Não tá fácil pra ninguém... (ironic mode)

  5. Daniela Postado em 19/May/2015 às 17:24

    Ao invés de cotas deveríamos ter um excelente ensino fundamental, ao invés de cotas o governo deveria financiar diversos cursos pré vestibular gratuitos de altíssima qualidade, esses sim, entrariam apenas aqueles que comprovassem situação financeira menos favorecida, não apenas negros, mas qualquer um que não tivesse condições de pagar por um.

  6. André Anlub Postado em 19/May/2015 às 17:27

    É quase o mesmo raciocínio que tive para apoiar as cotas. Mas pouquíssimas pessoas irão se aprofundar a esse ponto e entender a ideia... Pensarão: "no raso é mais fácil, rápido e a favor do (meu) vento."

    • crispim martins Postado em 19/May/2015 às 17:40

      sou a favor de cota, mas para pobre e não para negro, é simples, se um indivíduo é pobre, nunca teve o privilégio de estudar em uma escola particular, mas é branco ele não tem direito a cota, mas se o indivíduo é negro, mesmo que ele possa pagar sua faculdade, ele tem direito a cota. um exemplo o Ex- ministro do supremo Joaquim Barbosa, se ele resolvesse estudar se beneficiando da cota ele teria direito, mas um branco pobre não teria. é por isso que eu sou a favor da cota para pobre e não para negro, se o cara é pobre não importa sua cor, era para ser assim

  7. Maristela Postado em 19/May/2015 às 17:33

    Se os travestis forem negros/negras, ou se tiverem as condições socioeconômicas em conformidade com o que diz a lei, há cotas para eles/elas também. Se todos estudassem as leis de cotas em vigor a partir de 2012, muita baboseira deixaria de ser escrita. Falta estudo e sobra, e muito, senso comum.

  8. Rodrigo Postado em 19/May/2015 às 17:34

    (Outro Rodrigo) Apóio as cotas, quanto ao seu princípio - transitoriedade e efetivo investimento na qualidade de ensino. Contudo, o que era para acabar naturalmente, com o investimento em educação a possibilitar a inserção natural de pessoas negras e de baixa renda, acaba sendo usado de forma populista: "criança não vota, então não precisamos nos preocupar, mas o universitário vota, logo...". É raciocínio análogo ao que muitas empresas vêm adotando, econômico-contábil, quanto a ações judiciais: "é mais vantajoso investir na qualidade e segurança de serviços, produtos e ambiente de trabalho ou pagar indenizações baixas, lembrando-se ainda que nem todos acessam o judiciário, que muitos pagam cobranças indevidas?". As empresas veem como mais vantajoso "pagar para ver" na Justiça, ao que os políticos veem como mais vantajoso investir menos em educação de base e depois dar cota.

  9. Ahmed Abbuh Adi Postado em 19/May/2015 às 17:37

    Olha, tenho uma tendência a ser a favor das cotas, por ser bem solidário a história e sofrimento dos negros durante a linha do tempo e sobretudo hoje, pois inegavelmente há racismo. No entanto, sou 100% descendente de árabe - cidadão brasileiro - e, quando vejo que algumas pessoas falam que os "brancos europeus" tem uma dívida com os negros, oras, começo a me perguntar onde está minha culpa nisso tudo. Então, vc percebe que uma parcela da população, como eu, não tem nada a ver com essa história toda. Se o país, por definição, prega igualdade a todos, algo não está coerente nessa história.

  10. Eduardo Ribeiro Postado em 19/May/2015 às 17:41

    O assunto "cotas para negros", entre outros, se tornou um sensacional selecionador. Se o assunto surge no meu dia-a-dia e a pessoa se coloca contra, me fala de "meritocracia" e outras bostas, eu automaticamente assumo que trata-se de um mau caráter - não burro, nem mal informado...trato como mau carater - e corto relações.

  11. Tiago Postado em 19/May/2015 às 17:42

    Não sou contra as cotas, mas também não sou a favor pq pra mim não cumpre a proposta. Olhar para a foto e não distinguir faxineiro de médico? Pra isso não precisa de cotas. Precisa de uma mudança de pensamentos de todos. Vc acha que o negro médico é menos arrogante que o branco médico? Ou que só a faxineira negra é inferiorizada, o que só existem faxineiras negras? Enquanto não olhamos para o outro como iguais isso nunca vai acontecer, nem com milênios de cotas.

    • enganado Postado em 20/May/2015 às 00:31

      Falô Tiago! É isso aí.

  12. Elielson santos Postado em 19/May/2015 às 17:55

    Quem nunca aceitou; à Abolição da escravatura nunca vai ser a favor de Reparações, ações afirmativas, inclusão, e cotas... Nos 5 cursos mais disputados, USP teve apenas um calouro preto em 2013. O número de pardos também é baixo: 7,7% do total de alunos. Segundo o Censo, 34,6% da população de São Paulo é composta por pretos e pardos Sem adotar uma política de cotas raciais, a Universidade de São Paulo (USP) ainda está longe de garantir a inclusão nos cursos mais concorridos da instituição. Dados divulgados nesta sexta-feira pela Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest) apontam que das cinco carreiras que tiveram o maior número de candidatos inscritos na última seleção, apenas a Faculdade de Ciências Médicas de Ribeirão Preto conta com um estudante que se autodeclarou preto – conforme a classificação de cor utilizada pelo Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que não utiliza a palavra negro. Além disso, nas cinco graduações, somente 40 alunos são pardos, de um total de 533 estudantes, o que corresponde a 7,5%. Apesar de ter um estudante preto, ciências médicas possui uma baixa taxa de inclusão de afrodescendentes: são 87 brancos (84,5%), contra um preto (1%), oito pardos (7,8%), seis amarelos e um indígena. Relações internacionais tem 50 brancos (82%), oito pardos (13,1%) e três amarelos.Medicina, engenharia civil, publicidade e propaganda e relações internacionais não possuem nenhum calouro preto. O número de pardos nesses cursos também é baixo. Em medicina são apenas 18 (7%), contra 198 brancos (77%), 40 amarelos (ocidentais) e um indígena. Em engenharia civil, curso oferecido em São Carlos, a situação é ainda pior: são 52 brancos (82,5%) contra 11 pardos (17,5%). publicidade tem 39 brancos (79,6%), 6 pardos (12,2%) e quatro amarelos.

  13. sandra Postado em 19/May/2015 às 18:00

    Cotas: o simples debate ja discrimina. Quer entrar na faculdade? Senta e estuda pra valer. Disso eu sou a favor.

    • Marisa Postado em 19/May/2015 às 20:01

      Principalmente se tem pai e mãe para bancar, enquanto senta e estuda.

    • Eduardo Ribeiro Postado em 19/May/2015 às 20:28

      Esse é o pensamento da reaçada que curte uma meritocracia: """""""o simples debate ja discrimina""""""" = não discutam a respeito, deixem o assunto morrer, não é importante, são apenas alguns pretinhos sem valor querendo ganhar privilégios especiais, se deixarmos de falar o assunto morre e as cotas acabam.

      • Ricardo Postado em 20/May/2015 às 12:40

        Perfeito. Apenas complementando: meritocracia não existe. Se é seu pressuposto "premiar" que "mais de esforça", então o filho de pedreiro que vira médico MERECE MAIS do que o filho do médico que se gradua médico, por exemplo. Se não se aceita isso, está-se a "premiar" o RESULTADO, e não o MÉRITO - logo, não se pode falar em "meritocracia".

    • Ricardo Postado em 20/May/2015 às 12:38

      Problema: vc considera que o método de exame não é escolhido, mas é uma decorrente lógica (o que é falso). Leia Dworkin ("Levando os Direitos a Sério").

    • José Carlos Postado em 21/May/2015 às 14:36

      Você encherga dessa forma, porque o seu passado nao a condena!!

  14. Ricardo Postado em 19/May/2015 às 18:03

    Se no Brasil a grande maioria da população é. Negra e parda e entre os tais a maioria absoluta é. Pobre pq essa separação por cor e não por questão financeira que atenderia a todos com mais justiça? Dos 191 milhões de bradileiro sendo 90 milhões. Se brancos e 100 milhões. Se diz pretos obviamente atenderiamos os pobres. Que atenderiamos na sua maioria os negros e pardos ok

  15. Eduardo Postado em 19/May/2015 às 18:05

    O que as pessoas não entendem é o seguinte: as cotas, acima de tudo, não são uma política só de redução de desigualdades sociais, no que tange ao poder econômico. Para esse problema, a desigualdade social, existem bolsa família, bolsa escola e cia. Na verdade as cotas são uma medida para "enegrecer" o funcionalismo público. E de fato isso é importante!! Veja que negro pobre e o branco pobre ficam de fora, em sua maioria, de qualquer espécie de seleção: vestibular, concurso. Agora, é preciso que hajam tantos médicos negros quanto forem os brancos. É preciso ter tantos professores negros quantos forem os brancos. E aí vai: juízes, promotores, desembargadores. Essa é uma dívida histórica. Eles colhem, hoje, os frutos de um passado sombrio em que foram vítimas de massacres e da escravidão. Não venha me dizer para ele estudar. Não seja burro! Eles estudam. E estudam muito. Mas mesmo assim, por fatores, muitas vezes econômicos, acabam ficando de fora. Não venha me citar Joaquim Barbosa como exemplo. Pare com isso! Nem todos têm a obrigação de ser herói como ele foi! A prova disso é que boa parte de nós não somos ministros do STF. Mas é preciso sim garanti-los em posição de destaque na sociedade. E não estou me referindo a papéis de empregada doméstica na nova das oito da GLOBO.

    • Vitor Postado em 19/May/2015 às 19:35

      Não se engane. As pessoas entendem isso, elas simplesmente não acham que devam resolver, elas mesmas, o problema dos outros (ou todos os problemas do mundo). Quando se trata de decisões do estado, se trata de verba pública e, consequentemente, de contribuintes (nós). A ideia de que todos devem ter os mesmos direitos legais diante de seu estado, não é tão absurda assim. Talvez você que não entenda isso. O fato de existir uma "dívida histórica" não implica na necessidade de se ter cotas raciais para cargos públicos, universidades, etc.. Inclusive, o fato de termos na história recente uma dívida deste quilate com uma "raça" inteira, e de podermos ver no presente os estragos que o passado ainda faz, já é por si só indicativo de que não se deve brincar com questões raciais, muito por que não conhecemos ao certo o poder cultural que certas mudanças podem acarretar. Tenho medo de um futuro onde, cada vez mais, incentivemos o comodismo e a "autodiminuição" ao invés de determinação e autoconfiança. Não estou, em hipótese alguma, dizendo que negros ou brancos são isso ou aquilo, mas sim, que desconhecemos os efeitos de médio/longo prazo dessas medidas favorecedoras. Muitos gritaram com a redução da maioridade penal, se baseando principalmente no argumento de que as mudanças precisam ser estruturais, principalmente na área da educação. Bom, temos aqui um exemplo onde esse argumento encaixaria feito uma pluma.

  16. Luciano Postado em 19/May/2015 às 19:29

    Desde quando vestibular classifica alguém para alguma coisa? Universidade tem muito mais a ver com ESFORÇO do que com decorar aquele monte de porcaria e passar no vestibular, eu sou cotista e minhas notas são muito mais superiores do que as dos alunos de particulares, porque eu me dedico muito mais visto a minha luta para entrar. Dou muito mais valor.

  17. luis Postado em 19/May/2015 às 19:43

    Beleza, sou a favor das cotas. MAS COM PRAZO DE VALIDADE. Tem que ter um plano que reforme toda a educação desde o básico (principalmente) até a pós graduação. Enquanto isso usa-se as cotas para inclusão, mas num futuro a médio/longo prazo, o ideal é que o cidadão seja apto a entrar lá por conta própria. Agora, existe algum plano federal, estadual ou municipal com esse objetivo? Acho que não, né? Senão os salários dos professores não seriam tão ridículos.

  18. Marisa Postado em 19/May/2015 às 19:56

    Concordo contigo. As cotas são uma forma de inclusão. Se for falar de justiça, também não acho justo os pais bancarem os estudos dos filhos. O justo seria a pessoa pagar com o mérito do trabalho e não por ser encostado em alguem. Afinal, cresceu, está fortinho e ótimo para lavourar. Se for entrar no mérito de ser injusto ou não, tem outras coisas injustas tb.

    • luis Postado em 19/May/2015 às 20:06

      O pai só paga escola pro filho se quiser, ninguém obriga ele (só a consciência...)

  19. Cirlei Postado em 19/May/2015 às 20:45

    Sou a favor das cota, mesmo porque quem entra precisa tirar uma nota mínima e já foi comprovado que os bolsistas tem bom rendimento, apesar de saber que está cada vez mais difícil alguém de escola pública conseguir a mínima nota, devido ao sucateamento da educação.

  20. Alessandro Queiroz Postado em 19/May/2015 às 21:39

    A questão das cotas raciais se baseia, a principio pela não representatividade de negros proporcionalmente nas universidades públicas, já que historicamente sempre foram descriminados e por vários motivos não entram nessas instituições. Não podemos esquecer que ao longo da nossa História, índios e negros foram escravizados, destituídos da sua liberdade, desumanizados até o dia 13 de maio de 1888- quando foi abolida de todo o território a escravidão de pessoas negras!! E o que foi feito para inserir esse contingente na sociedade de então? Nada. Passaram-se anos e mais anos e o povo negro continuou destituído de poder, estudo, saúde, enfim ascender enquanto pessoa e/ou classe étnica. Em diversos lugares do mundo onde houve essa escravidão de seres humanos, houve algum tipo de compensação imediata ou posterior, visando a inserção desses seres na sociedade da qual faziam parte. Enquanto aqui nada continuava a ser feito. Quis o destino e o programa político do Partido dos Trabalhadores, em consonância com o Fórum de Durbin, o qual proclamava as nações onde houvessem disparidades/ desigualdades de toda ordem social, gritante, desenvolvesse meios, através de políticas públicas, para saná-las. Então implantou-se aqui através das Ações Afirmativas a inclusão de alunos de escolas públicas num percentual de 50% e dentro desse corte o percentual racial, de acordo com a representatividade de negros existentes nessa região. Alunos negros bem nascidos que estudam em colégios particulares estão fora dessas Ações!!!

    • José Carlos Postado em 21/May/2015 às 14:47

      Excelente a sua colocação!!

  21. José Ferreira Postado em 20/May/2015 às 00:17

    As pessoas sempre vão pelo caminho mais fácil: Progressão continuada no Ensino Fundamental; Progressão Continuada no Ensino Médio; e a "Progressão Continuada" no Ensino Superior através das cotas. As progressões continuadas possuem um belo discurso de promoção social, mas se mostraram ineficazes e com as cotas será a mesma coisa. No Rio de Janeiro se adota cotas desde muito tempo e não vemos mudanças significativas. Nos Estados Unidos elas foram consideradas ilegais, e inclusive Thomas Sowell (afro-americano) discute o assunto com argumentos contrários a elas.

    • Eduardo Postado em 20/May/2015 às 10:17

      Amigo. Procure se informar. Em várias Universidade, uma delas a UNB, foram feitos levantamentos que provam que os cotistas têm alto rendimento se comparado com os não cotistas. Facilitar o ingresso não significa tratamento diferenciado, facilitado, dentro da universidade. Muitas vezes é o contrário. São perseguidos e oprimidos. E por isso a dedicação deles é muito maior. O que se escuta aqui em Brasília, de muitos docentes, é que universidade não é lugar para "qualquer um". Um absurdo. Visão elitista que têm cada vez mais simpatizantes, todos nesse proselitismo negativo em relação as cotas. Não cite um ou outro negro que são contra as cotas porque posso te citar 200 que são favoráveis. Fico impressionado com outra coisa. O que incomoda as pessoas são de fato uma possível discriminação intrínseca nas cotas ou é o fato de elas estarem, na visão delas, perdendo lugar para os negros? Ou seja, não querem os negros nos lugares em que, durante a história, sempre foram dos brancos? Não vem com esse papo que está preocupado com a discriminação do negro! Nunca foram reivindicar ou lutar com os negros, mas prega que as cotas são uma forma de discriminação. Haaaaa Conta outra.

    • Eduardo Ribeiro Postado em 20/May/2015 às 10:36

      A possibilidade de ser atendido por um médico negro aterroriza essa gente. Elas devem ter pesadelos todas as noites. Lembrando que esse Sowell não é levado a sério por ninguém, é um racista, um negro racista, o tipo de negro que nossa direita canalha ama e usa como modelo de comportamento ("ui, olha aí, ele é negro e é contra as cotas...esse tem meu respeito...mimimi"). O argumento dele é - pasmem - que os negros não prosperaram porque são """""preguiçosos""""". Adivinha onde um canalha desse naipe vira referencia intelectual? Aqui, para nossos coxinhas fãs de Mises.

      • Ricardo Postado em 20/May/2015 às 12:50

        P-E-R-F-E-I-T-O. Não aguento mais ouvir falar nessa bosta de Mises, que sequer desenvolveu alguma coisa que se pode chamar de teoria - apenas afirma coisa do tipo "cada um por si", "as coisas são assim", "não existe justiça social", etc. - ou seja, vê o coletivo como simples soma matemática dos indivíduos, pensamento TACANHO, insuficiente para uma sociedade massificada.

      • José Ferreira Postado em 21/May/2015 às 00:00

        É impressionante que sempre que um negro, quando não adota o discurso fácil dos defensores das cotas, ele é taxado de "negro racista" ou "capitão do mato". Devemos olhar de um modo mais amplo ao invés de irmos para o caminho mais fácil (e duvidoso). Afinal, o Brasil, em toda a sua história, adotou soluções fáceis sem analisar as conjecturas. Seja lá qual for o problema.

    • José Carlos Postado em 21/May/2015 às 14:53

      Ledo engano, na UERG, RJ, diziam: o nivel vai cair com essa implantação de cotas.Entretanto, deu-se o contrario, o nível melhorou, pois quem precisa luta para vencer, quando há a oportunidade!!

  22. Thiago Teixeira Postado em 20/May/2015 às 07:11

    Quer uma vaga? Seja filho de bisneto da Casa Grande.

  23. Junipero Postado em 20/May/2015 às 07:47

    O fato é que as pessoas não percebem que em vez de discriminarem um pedreiro negro, discriminarão um médico negro. estão apresentando uma solução errada para uma problema complexo. A questão não é a classe, ou profissão; mas um conceito de educação e cultura em torno das "raças".

  24. Leonardo Postado em 20/May/2015 às 10:48

    Colega aí do texto demorou para entender o problema hein! Mas tá bom, antes tarde do que nunca. Também sou branco, mas vou defender até o fim o direito às cotas raciais...quem é contra, pesquise no google sobre o "teste do pescoço"...foi basicamente o que o autor do texto utilizou.

    • José Ferreira Postado em 20/May/2015 às 23:56

      Prefiro o teste do cérebro, pois competência não tem raça.

      • Roberto Pedroso Postado em 22/May/2015 às 10:16

        A velha e batida discussão sobre competência/meritocracia teses tão veementemente defendidas por aqueles que querem continuar negando a extrema desigualdade de oportunidades em nossa sociedade tão racista segregacionista e classista; vamos falar de "competência"quando tivermos igualdade de oportunidades! caso contrario o argumento da "competência"em uma sociedade que não oferece oportunidades iguais a todos se resume a um discurso intelectualmente frágil palatável somente ao sabor daqueles que não conhecem, ou fingem não conhecer, as raízes históricas perniciosas de nossa formação enquanto nação.

  25. Roberto Pedroso Postado em 20/May/2015 às 11:40

    Enquanto não se realiza investimentos pesados em educação publica melhorando a qualidade do ensino para todos e por conta de nossa triste herança histórica as cotas raciais se apresentam como uma medida de ação afirmativa para se tentar mitigar as desigualdades que se estabelecem desde o principio em nossa sociedade sempre tão racista e classista,ademais tínhamos um processo de "cotas" anteriormente baseada no conceito segregacionista, onde antes da adoção das politicas de cotas raciais/sociais,somente os membros das classes mais favorecidas e abastadas, que sempre foram historicamente beneficiadas em nosso País, tinham acesso ao ensino superior.Isso felizmente começou a mudar após a adoção das politicas de ações afirmativas.

  26. Rogerio Postado em 20/May/2015 às 21:47

    Texto nota 10. Penso a mesma coisa, mas o texto explicou com detalhes. E acrescento: pegue uma gota de melanina de um negro. Depois pegue uma cota de melanina de um branco. Coloque junto. Sabe a diferença? Nenhuma! Melanina é tudo a mesma coisa, mesma fórmula. Tipo água é tudo H2O e não tem outra fórmula. Branco e negro tem a mesmíssima cor. Sim, é isso mesmo que vc leu. O que muda é só o tom. 50 tons de cinza são apenas 50 tons diferentes da mesma cor. Xuxa e Pelé são da mesma raça... humana. Mesma cor de pele... cor de melanina.

  27. rafael Postado em 26/Mar/2016 às 17:50

    sem nenhuma logica esse argumento!Se eu pegar um Bem carson da vida,embora negro ,cabelos enrolados,e labios grossos , mas bem trajado em um finissimo e alinhado terno armani.posteriormente pegar aquele rapaz loiro de olhos claros (o tal do mendingato),porem trajado em roupas desconexas com a realidade de um medico(rasgadas) ,cabelo por cortar e no peh um chinelo havaiana classico ,branco com borda azul(aquele de 10reais). ai eu lhe pergunto,quem eh o medico?