André Falcão
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Barbárie 06/May/2015 às 15:30
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A selvageria e o silêncio cúmplice

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Imagem: Pragmatismo Político

André Falcão*

Existem momentos que gostaríamos de não ter vivido. É assim que me sinto hoje. Vi colegas professores no chão, desmaiados, sendo chutados pela PM, a mando do secretário de Segurança Franschini.

Os outros colegas tentavam ajudar, em vão, pois quanto mais tentavam recuperar os feridos, mais bombas caíam sobre nós. Fomos massacrados durante duas horas.

A PM, armada de bombas de gás, spray de pimenta, treinamento militar, armas de fogo, e nós? O que tínhamos para nos defender? Apenas a nossa voz. Cercados, não havia para onde correr. Mesmo encurralados com as mãos para cima, as bombas não pararam. Um cenário de guerra.

Vi funcionários públicos em choque, em histeria, chorando (não é fácil ver um ser humano ser pisoteado e não poder fazer nada). Gritei a alguns soldados que estavam perto de mim: ‘Ajudem! Vocês estão aqui para nos proteger.’ Imóveis, eles apenas olhavam as viaturas. A ambulância não conseguia recolher os feridos.

Todos recuamos e buscamos abrigo na Prefeitura de Curitiba, onde outros paranaenses viam horrorizados a nossa dor e nosso desespero. No carro de som, o comando da APP sindicato gritava, já com a voz rouca: ‘policiais, nós já recuamos! Parem com as bombas!’

Em vão. Só pararam quando o senador Roberto Requião subiu ao palco do carro de som. Hoje nossa dignidade nos foi tirada. Nossa humanidade nos foi arrancada. Hoje fomos tratados como bandidos, e não como profissionais graduados, com especialização, concursados e com anos de carreira.

São 150 feridos (devido a tiros de borracha e mordidas dos cães da polícia). Oito em estado grave e suspeita de duas mortes. Hoje temi por minha vida. E senti vergonha de ser paranaense e viver em um regime de fascismo liderado por este que devia governar o nosso estado.”

Leia aqui todos os textos de André Falcão

O depoimento acima, atribuído à professora no Paraná, Suzel Faedo, foi transcrito das redes sociais. O governo fascista a que se reporta é capitaneado por Beto Richa, do PSDB.

É ensurdecedor o silêncio de Aécio Neves, FHC e demais tucanos, além dos MBLs e novéis grupos verdes-amarelos, sobre covardia criminosa contra os professores. Mas o mesmo silêncio do inconformado derrotado não é ouvido para defender o retrocesso que é a terceirização ampla, geral e irrestrita, tampouco, feito desocupado sem um bom lavado de roupa, para criticar a presidente Dilma por optar pela internet para a fala de 1º de maio.

Leia também: “Onde estavam os paneleiros quando os professores apanharam?”

Enquanto isto, você vê os jovens de agora a tripudiar da dita selvageria, vazios, frios e cruéis na sua ignorância imbecilizada. É desalentador.

*André Falcão é advogado e autor do Blog do André Falcão. Escreve semanalmente para Pragmatismo Político

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Comentários

  1. felipe Postado em 06/May/2015 às 16:22

    Bom, ta mais do que na cara que PP nada mais é do que uma extensão do PT na midia, agora porque não se viu a indignação do Sr. Rui contra os professores do Ceará, ou mesmo por qualquer outra situação envolvendo seu partido?Para isso ele se cala, enfim nada mais do que puro jogo de partido, ele não esta nem ai para os professores o importante e falar do outro partido ou do partido inimigo como tem se tratado ultimamente. É lamentável e nojento o que aconteceu no Paraná, mas fazer jogo político com a situação e tão pior quanto.

  2. Deisi Postado em 06/May/2015 às 16:45

    Parabéns PP, não deixe nem os coxinhas esquecerem dessa barbárie praticada pelo governador do psdb. Brasileiros tem memória curta, mas esse ato fascista, tenho certeza jamais será esquecido. O silencio do FHC e Aécio, não me surpreende.

  3. Rodrigo Postado em 06/May/2015 às 16:57

    (Outro Rodrigo) Concordo contigo, André: nenhum governante pode agredir cidadão algum, seja ele professor ou não; sendo de profissão tão nobre, o caso realmente tomará dimensão ainda mais exacerbada. Ver um professor ser surrado expõe, inegavelmente, a visão que se reserva àqueles que inserem o ser no mundo da contradição de idéias, do raciocínio, do engrandecimento intelectual e (muitas das vezes, por omissão dos pais) mesmo moral. Assim, não tem como ser defendida, em nenhuma instância, a agressão da Polícia Militar (Governo Beto Richa-PSDB), do mesmo modo que não pode ser escondida, tolerada, a agressão perpetrada pela Guarda Municipal goianiense contra professores municipais (Governo Paulo Garcia-PT). Mas o pior ainda está por vir, pois a razão de ser do protesto é a alteração para pior no regime de previdência dos professores estaduais paranaenses: contribuição de inativos (válida para todos) e instituição de teto, sem respeito ato jurídico perfeito e direito adquirido. Nesse sentido lembremo-nos de que, em 2003, via EC 41, o PT instituiu cobrança a inativos a todos os brasileiros vinculados ao INSS e, quando contestada no STF, a EC foi declarada constitucional. Foi então criado o "princípio da estruturação social", para sustentar a alteração nacional para pior, sem que fosse reconhecida qualquer ofensa ao direito adquirido (foi afirmado que haveria mera expectativa de direito), nem à segurança jurídica... Assim, julgadas as ADINS 3.105/DF e 3.128/DF (quanto ao art. 4 da EC 41/2003), infelizmente há precedente para a declaração de constitucionalidade da norma paranaense, de modo que, não bastasse terem apanhado, quando meramente defendiam seus direitos (os professores paranaenses, tal qual seus colegas goianienses), ainda encontram-se sob risco de verem sua luta ir por “água abaixo”. Tal a razão de eu sempre insistir em dizer que devemos evitar a todo custo enxergar a política com olhos de "torcedor organizado", assim não defendendo a todo custo o que os "ídolos", integrantes da "agremiação preferida" de um ou outro faz, pois os erros, independentemente de partido, são sucessivos e reiterados. E o povo brasileiro é que sempre paga a conta.

  4. Rodrigo Postado em 06/May/2015 às 21:11

    Isto foi muito horrível, queira que a mídia fizesse uma cobertura mais profunda disto. Mostrasse mais como os professores são desrespeitados neste país. Vou esperar, quem sabe um dia eles resolvam se pronunciar mais profundamente sobre isto, falando sério a respeito. Talvez um dia seremos como o Japão onde até o antigo imperador se curvava perante os professores. Isto explica muito por que o país se desenvolve mesmo diante de grandes reveses como foi a segunda guerra, e como são as constantes catástrofes ambientais que ocorrem lá.