Redação Pragmatismo
Compartilhar
Racismo não 13/May/2015 às 15:31
18
Comentários

13 de maio, uma data para não comemorar

Entenda por que os negros não comemoram o 13 de maio – dia em que foi assinada a Lei Áurea, que tinha como objetivo abolir oficialmente a escravidão no Brasil

13 de maior lei áurea
Edição do jornal carioca Gazeta de Notícias de 13 de maio de 1988 (arquivo)

A Lei Áurea, que aboliu oficialmente a escravidão no Brasil, foi assinada em 13 de maio de 1888. A data, no entanto, não é comemorada pelo movimento negro. A razão é o tratamento dispensado aos que se tornaram ex-escravos no País. “Naquele momento, faltou criar as condições para que a população negra pudesse ter um tipo de inserção mais digna na sociedade”, disse Luiza Bairros, ex-ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir).

Após o fim da escravidão, de acordo com o sociólogo Florestan Fernandes (1920-1995), em sua obra “A integração do negro na sociedade de classes”, de 1964, as classes dominantes não contribuíram para a inserção dos ex-escravos no novo formato de trabalho.

“Os senhores foram eximidos da responsabilidade pela manutenção e segurança dos libertos, sem que o Estado, a Igreja ou qualquer outra instituição assumisse encargos especiais, que tivessem por objeto prepará-los para o novo regime de organização da vida e do trabalho”, diz o texto.

De acordo com a Bairros, houve, então, um debate sobre a necessidade de prover algum recurso à população recém-saída da condição de escrava. Esse recurso, que seria o acesso à terra, importante para que as famílias iniciassem uma nova vida, não foi concedido aos negros. Mesmo o já precário espaço no mercado de trabalho que era ocupado por essa população passou a ser destinado a trabalhadores brancos ou estrangeiros, conforme Luiza Bairros.

Integrante da União de Negros pela Igualdade (Unegro), Alexandre Braga explica que “O 13 de maio entrou para o calendário da história do país, então não tem como negar o fato. Agora, para o movimento negro, essa data é algo a ser reelaborado, porque houve uma abolição formal, mas os negros continuaram excluídos do processo social”.

“Essa data é, desde o início dos anos 80, considerada pelo movimento negro como um dia nacional de luta contra o racismo. Exatamente para chamar atenção da sociedade para mostrar que a abolição legal da escravidão não garantiu condições reais de participação na sociedade para a população negra no Brasil”, completou a ex-ministra.

Ela defende, porém, que as mudanças nesse cenário de exclusão e discriminação estão acontecendo. “Nos últimos anos, o governo adotou um conjuntos de políticas sociais que, aliadas à política de valorização do salário mínimo, criou condições de aumento da renda na população negra”.

Inclusão do negro ainda é meta

Apesar dessas políticas, tanto a ex-ministra quanto Braga entendem que ainda há muito por fazer.

O representante da Unegro cita algumas das expressões do racismo e da desigualdade, no país: “No Congresso, menos de 9% dos parlamentares são negros, enquanto que a população que se declara negra, no Brasil, chega a 51%. Estamos vendo também manifestações de racismo nos esportes, principalmente no futebol. Ainda temos muito a caminhar”.

“Ainda estamos tentando recuperar a forma traumática como essa abolição aconteceu, deixando a população negra à sua própria sorte. Como os negros partiram de um patamar muito baixo, teremos que acelerar esse processo com ações afirmativas, para que possamos sentir uma diminuição mais significativa das desigualdades”, explicou Bairros.

VEJA TAMBÉM: A ironia de Machado de Assis sobre a Abolição da Escravidão

Agência Brasil

Acompanhe Pragmatismo Político no Twitter e no Facebook

Recomendados para você

Comentários

  1. José Ferreira Postado em 13/May/2015 às 15:41

    A ex-ministra é a mesma que diz que ser contrário aos "rolezinhos" é coisa de "gente branca", ela não tem muita credibilidade para falar de preconceito. Fora a mesma falácia de que 51% da população é negra (visto que são 8%, segundo o IBGE). O enquadramento arbitrário de mestiços de pele "parda" como "negros" acaba por mascarar as diversas identidades presentes no Brasil. Uma coisa ela tem razão: o 13 de maio não é uma data para se comemorar.

    • Fran Oliveira Postado em 13/May/2015 às 18:28

      Pardo é papel...

      • eu daqui Postado em 14/May/2015 às 12:13

        Denomine como quiser: se a maioria dos brasileiros não é parda, negra também não é.

    • eu daqui Postado em 14/May/2015 às 12:11

      Se 13 de maio não represnetou avanço nenhum então tudo bem revogar a lei, né??

  2. Fabio Nunes Postado em 13/May/2015 às 16:52

    José Ferreira sou professor de biologia e pela biologia nāo existe isso que vc chama de mestiço ou pardo as raças sāo negro, branco e amarelo.

    • José Ferreira Postado em 13/May/2015 às 17:15

      Você deveria dar uma volta pela região norte do Brasil, onde há muitos caboclos (mestiços de índio-branco).

      • Fabio nunes Postado em 13/May/2015 às 18:02

        Senhor Jos é Ferreira nāo preciso pq já fui e já conheço minha família é de la. E parece que vc não entendeu o que eu disse. Eu disse que pela biologia nāo existem esse termos inventados no Brasil " mestico, caboclo, mulato" e outros vários termo inventados para tentar deixar o Brasil mais branco. O que existe é negro, branco, e amarelo. Se a pessoa tem uma porcentagem que seja 5% de negro na sua genética essa pessoa é considerada negra segundo a biologia pq o negro pra quem já oouviu falar de fenótipo e genótipo é o dominante. Então por isso que é válido falar que no Brasil no.mínimo 51% da população é negra e acho que com certeza isso inclui eu e vc.

      • eu daqui Postado em 14/May/2015 às 12:31

        5% negro é negro por ser o negro dominante? Graças a Zeus fiz exatas e não nazibiologia. Vai estudar, cotista !

    • Silva Postado em 13/May/2015 às 18:30

      O historiador Zé ferreira, se considera mestiço! Também dá dicas para pessoas não sofrerem descriminação. cirurgia plastica no nariz, alisar o cabelo e fazer maquiagem. Simples assim, para ele racismo é mimimi!

      • José Ferreira Postado em 14/May/2015 às 14:22

        Não força a barra, caro Silva.

    • Luiz Carlos Parisotto Postado em 14/May/2015 às 11:06

      O que existe é RAÇA HUMANA. O resto é balela. O que existe é preconceito social de animais que se dizem seres humanos.

      • eu daqui Postado em 14/May/2015 às 12:16

        Se ser humano e despreconcebido é fugir da realidade por não ter competencia pra mudá-la, sou animal preconceituoso sim. E de raça.

    • eu daqui Postado em 14/May/2015 às 12:14

      Ainda bem que fiz as "frias" ciencias exatas e não biologia.

    • Márcio ramos Postado em 15/May/2015 às 12:01

      Sou estudante de Ciências Humanas e raça só existe num sentido político.

  3. João Paulo Postado em 13/May/2015 às 17:39

    O Diário Oficial se parece muito com a Gazeta. No mais, esse marco histórico e suas consequências (escravos à própria sorte) são ignorados por coxinhas, motivo pelo qual jamais entenderão as políticas de cotas.

  4. eu daqui Postado em 14/May/2015 às 12:17

    Vamos ver se a lei aurea realmente não trouxe avanço nenhum? Que tal revogá-la pra ver se fica a mesma coisa? Quem topa?

  5. Junipero Postado em 14/May/2015 às 14:03

    Não nos esqueçamos de que hoje em dia, existe sim, a escravidão. Seja de jovens contrabandeadas para a prostituição, ou os famosos meninos carvoeiros. Um dos filhos da escravatura e de sua "abolição", é o racismo perpetrado nos lares brasileiro e ensinado religiosamente as crianças a décadas atrás, como se houvesse um medo da miscigenação, pois bem, em dias de hoje tem gente que se gaba de saber quanto são 2+2, mas esquece o básico da humanidade, tratando outras pessoas como se fossem criaturas diferentes e inferiores a ela. Algumas pessoas herdam riquezas, outras herdam dividas. O negro daquela época herdou o ódio. Quanto aos termos inventados aqui no Brasil, espero que os geneticistas de plantão compreendam que dois séculos atrás, não havia exames de DNA para saber o quanto de sangue negro corria numa veia. Tudo se valia pelo que se via, e pelo que parece não mudou nada. As pessoas simplesmente se consideram brancas, pela cor branca da pele, e pronto. O negro, o mesmo. Quanto a infinidade de TONALIDADES pardas deste pais, ganhou um catalogo próprio, e que as vezes reflete (MAIS) uma das bizarrices deste país: A pessoa em troca de regalia, quando parda prontamente se classifica sem pensar como negra, em troca de cota, por exemplo (Sei porque tenho amigos que o fazem). Mas se não houver nada em troca, se classificam como brancas, caso o tom seja suficientemente claro. Acho que isso seria algo como um ato de racismo contra si próprio, um oportunismo, e também mostra o quão falho é o sistema. A questão é: se a regalias obrigatórias devido a um histórico de segregação e exclusão social, já é hora de falarmos disso despudoradamente, em busca de algo menos estupido do que ficar remoendo a escravatura, da qual ninguém desses dias teve participação. Temos os nossos preconceitos atuais para resolver, e acho que meter um processo em Portugal por escravidão, segregação, exploração de trabalho, racismo, e tudo que houver ligação com o ato em si, ou com o que foi deixado e ensinado ao brasileiro, não vão resolver. Se existe crime existe culpa, e uma vitima. Bom, existem vitimas e vitalizados ao que parece. Assusta um pouco pessoas que lutam por um país mais igualitário, não recorrer a meios que apesar de privados, deveriam ser obrigados (nem que seja pelo governo) a certas campanhas. Não há hoje, uma campanha descente (e explicita) em nenhuma emissora de tv por exemplo, que pregue o antirracismo, ou faça de modo altruísta uma campanha antidrogas, nem mesmo com a mais simples mensagem, mas há propaganda para álcool, e jornalistas de salivam ao compilar crimes dos mais variados em seus telejornais. Logo em seguida, uma novela onde um personagem negro luta pela ascensão. Parece que todo mundo anda com coragem de mostrar o negro se dando mal com o preconceito, mas pouca gente se compromete realmente em falar algo simples “não discrimine, é errado e causa tristeza às pessoas”.

    • eu daqui Postado em 15/May/2015 às 09:48

      Pois quando o assédio moral for criminalizado mundialmente eu vou comemorar sim, se ainda estiver viva é claro, mesmo que continue a haver assédio.