Redação Pragmatismo
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Mídia desonesta 09/Apr/2015 às 17:18
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Veja e Clarín se unem para difamar pessoas e desestabilizar governos

Veja exporta seu golpismo para a Argentina. Revista brasileira e grupo Clarín se unem no que sabem fazer melhor: saturar suas publicações de notícias mentirosas para difamar pessoas e desestabilizar governos

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Dario Pignotti*

Seguindo a receita aplicada para sabotar a reeleição de Dilma Rousseff em 2014, quando publicou uma notícia comprovadamente falsa três dias antes do segundo turno (relembre aqui), o noticiário semanal da Editora Abril escreveu uma série de acusações rocambolescas contra a família da presidenta Cristina Kirchner.

Veja contou com a cumplicidade do grupo empresarial jornalístico Clarín, que encabeça o plano desestabilizador contra o governo portenho.

A campanha de difamação se agravou durante o verão passado, após a confusa morte do promotor Carlos Nisman (a Justiça ainda não determinou se foi assassinato ou suicídio), um homem vinculado ao poder sionista, e que recebia instruções da embaixada norte-americana, tal como foi demonstrado em documentos revelado por Wikileaks.

Em meados de um março asfixiante para os portenhos (foram registradas as temperaturas mais altas das últimas décadas), os ouvintes da popular Rádio Mitre, do Grupo Clarín, começaram a ser bombardeados com notícias procedentes da “prestigiosa revista brasileira Veja”, segundo comentou o jornalista Marcelo Bonelli.

O famoso Bonelli (espécie de Carlos Alberto Sardenberg argentino) dedicou uma ampla cobertura radiofônica à edição online de Veja, na que foram envolvidos Máximo Kirchner, filho de Cristina, a embaixadora argentina na OEA, Nilda Garré, e um pacto imaginário formado também por Irã e Venezuela.

Com essa notícia, Veja e Clarín começaram seus movimentos, evidentemente coordenados, para intoxicar a agenda política argentina, e em consequência a agenda internacional.

No dia seguinte ao da repercussão das matérias da Veja na Rádio Mitre, as bancas da elegante Calle Florida, principal boulevard de Buenos Aires, exibiam as edições impressas do jornal El Clarín, com várias matérias onde eram citadas as mentiras que chegavam do Brasil.

A manobra contou também com a ajuda de parlamentares da direita argentina, cujas declarações contribuíam para que a história sobre Máximo Kirchner fosse disseminada em outros meios.

Todos os elementos citados nos levam a considerar que não existe ingenuidade neste caso. Não se trata de uma informação gerada por Veja que o Clarín difundiu inocentemente, e sim de uma estratégia conjunta, de longo prazo e objetivos políticos com projeção internacional.

Foi surpreendente a eficácia da coordenação demonstrada pelos grupos jornalísticos sul-americanos, o da família Civita no Brasil e o de seus sócios da dinastia Noble (a família que controla o Clarín).

Durante o mês de março, diversos artigos da Veja eram publicados e repercutidos automaticamente em Buenos Aires. Ao mesmo tempo, matérias do Clarín eram citadas em São Paulo.

Dessa forma, foi-se alimentando uma atmosfera de notícias prejudiciais à administração Kirchner, faltando apenas seis meses para as eleições e oito para que o novo presidente assuma o país.

O caso demonstra a forma de atuar dos meios hegemônicos de São Paulo e Buenos Aires, para debilitar os governos que, como o argentino, questionaram seus interesses e privilégios através de uma lei contra os monopólios de comunicação.

Se observa claramente aqui como as empresas de notícias e entretenimento formam uma aliança firme na defesa de seu status quo comunicacional, desqualificando qualquer governante que ouse revisar essa situação.

A particularidade, neste caso, está no fato de que as histórias publicadas por Veja nos últimos meses (desde janeiro, quando a revista publica publicou grandes reportagens sobre o suicídio do promotor Nisman) parecem ter como o alvo o público argentino, mais até que o brasileiro.

COMO FABRICAR DESINFORMAÇÃO

No Brasil, Veja divulga notícias falsas, ou carentes de um respaldo informativo consistente, que o Clarín traz para a Argentina, apresentando-as como grandes verdades vindas do exterior. A estratégia parece ser a de criar uma gigantesca nuvem de desinformação, de impacto nacional e internacional.

Em seguida, esse redemoinho de discursos contaminados repercute em tempo real nas agências internacionais de notícias e em cadeias globais de televisão, como CNN, que atuam como base de propaganda de vários grupos golpistas latino-americanos (especialmente os da Venezuela).

Finalmente, o relato do processo de desinformação, iniciado pela aliança Veja-Clarín e amplificado pela CNN e quejandos, se traduz em novos artigos dos grandes diários ocidentais, em particular aqueles que discursam em favor dos grandes interesses financeiros, como o Wall Street Journal, The Economist ou Financial Times.

Portanto: estamos diante de um mecanismo de desinformação de grau superior, que trabalha em tempo real nas agendas nacional e internacional.

Se trata, ao mesmo tempo, de uma complexa engrenagem de desestabilização política, também de grau superior, pois temos aqui um meio de comunicação brasileiro que une forças com a artilharia argentina contra Cristina, num esquema onde participam também outros meios, partidos, organizações empresariais e algumas embaixadas.

QUESTÃO DE ESTADO

Cristina Kirchner entendeu que a escalada de informações maquiadas pelas duas empresas do establishment jornalístico sul-americano é uma questão de Estado, com prováveis cumplicidades diplomáticas e talvez dos organismos de inteligência.

Para a chefa de Estado argentina, não é por acaso que Veja e Clarín defendem exatamente as mesmas teses levantadas por Washington em matéria de política exterior.

Mais que isso: os dois veículos adotaram como suas as suspeitas norte-americanas sobre o misterioso falecimento do promotor Nisman, ocorrido no último dia 18 de janeiro.

A manobra das diplomacias norte-americana e israelense diante do Caso Nisman foi tão escancarada que o Ministério de Relações Exteriores argentino teve que enviar cartas a Washington e Tel Aviv, solicitando que não interferissem na política interna do país sul-americano.

Logo, a presidenta resolveu responder, de forma altiva, as pressões de Veja e Clarín, provavelmente amparadas pelo Departamento de Estado. A resposta não foi dada diretamente por Cristina, quem falou foi seu filho.

No dia 30 de março, Máximo Kirchner, líder da organização política La Cámpora, concedeu uma longa e inusual entrevista (suas aparições na imprensa são pouco frequentes) na que desmentiu o que foi escrito por Veja e Clarín. Negou totalmente a existência de alguma conta sua no exterior, e também corrigiu dados equivocados sobre seu passaporte e domicílio. E o mais importante: anunciou sua intenção (ainda não realizada) de abrir um processo judicial contra a Veja por injúria e calúnia.

O jovem Kirchner, que desde que nasceu vive na Patagônia (também terra natal de seu pai), deplorou as histórias contadas pela revista, considerando-as “falsas e ridículas”, geradas por “quem tem licença para mentir”.

Direto das terras do fim do mundo, Máximo desafiou os candidatos presidenciais conservadores a que esclareçam se vão respeitar a Lei de Meios ou se pretendem derrubar uma medida que é tão aplaudida pela ONU, embora questionada em igual proporção por Veja, Clarín e a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, sigla em espanhol da organização que defende os interesses dos donos de jornais).

O ANTIJORNALISMO

A partir de fontes não identificadas, talvez inexistentes, a denúncia da Veja, no mês passado, assegurou a existência de uma trama envolvendo Argentina, Irã e Venezuela, para o tráfico de segredos nucleares.

Em meio a essa extravagante organização secreta, integrada por kirchneristas, chavistas e aiatolás, teriam sido criadas contas milionárias em nome de Máximo Kirchner, filho de Cristina Kirchner e da embaixadora Nilda Garré, que a revista classifica como “ex-terrorista montonera” – membro do grupo guerrilheiro que atuou na Argentina nos Anos 70.

Tosca e panfletária, a história narrada por Veja só poderia ser verídica para um público de analfabetos políticos, ou de pessoas absolutamente desinformadas.

A Revista Veja não dissimula sua cumplicidade ideológica com os serviços de inteligência israelenses e estadunidenses, ao respaldar a infantil tese dos mesmos, sobre uma suposta aliança do mal entre bolivarianos, peronistas e o governo de Teerã.

Um exemplo para ilustrar a fragilidade do texto subjornalístico, que logo foi amplificado pelo Grupo Clarín, está no fato de acusar Máximo Kirchner de possuir uma conta de 41 milhões de dólares num pequeno banco dos Estados Unidos, de somente 19 empregados, cujos ativos totais são de 71 milhões de dólares.

Somente alguém que considera seus leitores estúpidos poderia dizer que um personagem público, como o filho da presidenta da Argentina, teria uma conta em seu nome por uma quantia que supera em mais de 50% todos os depósitos da mesma entidade financeira.

Veja e Clarín se uniram para conceber um caso paradigmático de antijornalismo. Analisemos novamente a série de histórias retroalimentadas entre si, como expressão do que se pode definir como o não-jornalismo: consiste em escrever notícias de grande impacto, carentes de informação e saturadas de dados inconsistentes, não comprováveis, apoiados em fontes anônimas de existência duvidosa.

Como era de se esperar, a série de matérias trianguladas entre São Paulo e Buenos Aires era tema de debate obrigatório nas redações, tanto em meios ligados ao governo argentino quanto em opositores.

Segundo pude constatar, em conversas informais com alguns colegas da capital argentina, a opinião generalizada (inclusive de alguns repórteres antikirchneristas) é a de que a estratégia da aliança Veja-Clarín foi bastante grosseira, e é possível que termine desgastando a credibilidade de ambos os meios.

“A novela grotesca de Leonardo Coutinho (redator da Veja)” é o contrário do jornalismo de investigação sério, afirmou neste sábado (4/4), o jornal Página 12, publicação de esquerda mais importante da Argentina.

Os absurdos surgidos nas páginas do Clarín mereceram questionamentos até mesmo de Hugo Alconada Moon, famoso colunista do La Nación, jornal conservador e de ferrenha oposição ao governo (Espécie de Estadão argentino). Para Moon, que é jornalista investigativo de longa experiência, faltou cautela na apuração dos dados sobre as, segundo ele, “supostas contas secretas de Máximo Kirchner e Nilda Garré”.

VEJA TAMBÉM: Ulisses Campbell, da revista Veja: repórter, bandido ou psicopata?

*Dario Pignotti é doutor em comunicação pela USP. Originalmente publicado em Carta Maior.

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Comentários

  1. Pereira Postado em 09/Apr/2015 às 17:43

    Deve ser alguma conspiração para dar um "golpe" na esquerda da A latina.

  2. Samael Postado em 09/Apr/2015 às 18:07

    Pra vc não maria, pra vc não precisa muito.

  3. Wander Postado em 09/Apr/2015 às 18:29

    É inacreditável como uma organização criminosa estende seus tentáculos! Chega ser extasiante quando mostram que a Veja agoniza financeiramente e em termos de divulgação impressa, mas infelizmente ressurge das cinzas todos os dias. Deu pra entender como esses criminosos se mantêm, pois grupos internacionais com fortes interesses em estabelecer seus domínios alimentam e fortalecem esses instituições golpistas.

  4. Thiago Teixeira Postado em 09/Apr/2015 às 20:01

    Pelo menos a Cristina não fica com nhenhenhém e peita o Clarín. O Governo Dilma passará a ser respeitado a partir do momento que ela bater duro no jornalismo modinha.

    • Bruno Postado em 10/Apr/2015 às 10:36

      A pessoa nem tem mais pudor em expor a censura, no outro dia tá lá falando do AI-5;

  5. Leonardo Araújo Postado em 09/Apr/2015 às 20:28

    Não há como não comparar com uma certa "operação condor", da qual muitos jovens (alguns, analfabetos políticos) jamais ouviu falar.

    • Leonardo Araújo Postado em 09/Apr/2015 às 22:59

      Um erro de português imperdoável. ...da qual muitos jovens...jamais ouviram falar.

  6. Salomon Postado em 09/Apr/2015 às 20:47

    A Veja é um leão sem dentes.

  7. Rodrigo Postado em 09/Apr/2015 às 21:43

    Veja é folhetim, mas não um qualquer, ela é antiquada, retrógrada e reacionária. Não serve nem para papel higiênico, a propósito bem poderiam colocar alguma textura nas folhas, pois assim serviria para alguma coisa.

  8. Eduardo Ribeiro Postado em 10/Apr/2015 às 08:42

    VEJA = cancer do jornalismo. Sem novidades nessa internacionalizaçao do anti-jornalismo difamador e desestabilizador. Enquanto capacho de interesses internacionais e lacaia do imperialismo americano, está fazendo apenas aquilo que dela se espera. Com sua vira-latice indisfarçável, está fazendo seu trabalho, conforme solicitado pelos patrões.

  9. Silva Postado em 11/Apr/2015 às 18:31

    De dia é maria de noite é cezão!

  10. Ricardo Postado em 17/Apr/2015 às 10:03

    falou e disse. Pelo menos não usam a máquina estatal para espalhar mentiras, com patrocínio federal... Sério: o governo rouba e aparelha tudo e vocês querem que a Imprensa não... fale sobre o que está acontecendo ?!?!?! Não conseguem ver o que acontece na Venezuela ?!?!?! Não sacaram que é melhor ter uma imprensa de merda do que não ter nenhuma ?!?!?!!

  11. Robert Bagramian Postado em 17/Apr/2015 às 11:17

    João Moinho, o nivel de desinformação demonstrado pelo seu comentario me da a pauta que voce se (des)informa com a Globo, Veja e logico o Clarin, voce diz que os K estão a destruir o pais, nada mais longe da realidade, poderia citar só algums dados que refutam suas conclusões, o nivel de emprego é o maior dos ultimos trinta anos, o maior salario minimo e aposentadorias da America do Sul, re estatização e capitalização das ferrovias, YPF e Aerolineas Argentinas, forte aposta na re-industrialização do pais, so a industria automovilistica cresceu desde 2001 mais de 700%, (esta semana duas novas fabricas de carros anunciaram sua instalação na Argentina), lançamento de satelites, usinas nucleares, poderia citar o retorno de quase 1000 cientistas ao pais. os argentinos viajam pelo pais e ao exterior como nunca,isto seria possivel num pais destruido? a lista é extensa, se quer saber mais e de maneira isenta sobre a real situação da Argentina a CEPAL é um bom lugar para começar e por último eu acho que o grande gol dos governos K, foi devolver a nos argentinos, o gosto e a participação politica, perdidos no anos nefastos de Menem e os militares..

  12. Suelem Postado em 17/Apr/2015 às 12:41

    Acho muito complicado comentar sobre a política de outro país ao qual não se sabe bem oq passa. Eu vivo na Argentina há 3 anos e Clarín já é famoso por ser "contra" o governo de Cristina muito antes da Veja começar a atacar descaradamente o governo PT. Eu não sou partidária, sou contra corrupção, e acho que os políticos corruptos têm que ser presos e pagar por isso, mas de maneira geral gosto do governo que fez o Lula e do que faz Dilma. Mas é completamente diferente do que vejo aqui na Argentina. O governo Cristina se diz de esquerda, mas não tem nada a ver. Acho ridículo isso que tenho visto de todos os países defenderem os governos de direita ou esquerda sem saber realmente oq acontece. Aqui a mídia é muito controlada, o canal mais assistido é do governo e eles são completamente proibidos de falar mal do governo, as notícias não chegam nem perto de serem parciais. Os jornalistas que se atrevem são perseguidos. TODOS os dados de inflação, nível de analfabetismo, nível de pobreza, são claramente manipulados e um monte de outras coisas mais que se no Brasil vcs acham que o governo é corrupto, aqui é muito mais e descarados, não disfarçam e o nível de pobreza é muito pior e a presidenta com sua família esbanjam riqueza. Eu, até certo ponto defendo o governo PT, mas não entendo quem defende o governo de Cristina sem saber oq passa aqui, só pq ela é de "esquerda". Enfim, politica já virou religião. Desculpa, mas isso é muita idiotice!!!!!!