Redação Pragmatismo
Compartilhar
Política 22/Apr/2015 às 10:45
14
Comentários

Marina Silva volta a comentar impeachment de Dilma Rousseff

“Não devemos ir pelo caminho de instrumentalizar a crise. Neste momento, é preciso muita responsabilidade com o País”. Marina Silva volta a rechaçar tese do impeachment. Ex-presidenciável diz que proposta de afastamento de Dilma Rousseff é aventura sem base legal

marina silva impeachment dilma pt
Ex-presidenciável Marina Silva voltou a rechaçar tese do impeachment de Dilma, mas teceu duras críticas à gestão da atual presidente e ao PT (divulgação)

“Não se pode enveredar por uma aventura”. Essa é a opinião da ex-ministra do Meio Ambiente e líder da Rede Sustentabilidade Marina Silva sobre a ideia de impeachment da presidente DIlma Rousseff (PT) levada a cabo pelo senador e presidente nacional do PSDB, Aécio Neves. Marina afirma que a proposta de impedimento não pode passar por cima da materialidade dos fatos.

“Responsabilidade política não significa responsabilidade material, em que você tem uma acusação peremptória de envolvimento direto. Não devemos ir pelo caminho de instrumentalizar a crise. Neste momento, é preciso muita responsabilidade com o País”, enfatizou a ex-seringueira em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo.

De acordo com a ex-senadora, a postura de FHC diante da crise merece destaque. “Ele está se movendo com muita responsabilidade, tendo um comportamento muito republicano na atual crise, e também teve uma atitude muito correta e muito democrática na transição do governo dele para o do presidente Lula”, afirmou.

Marina, no entanto, não poupou Dilma, Lula, PT e PSDB de críticas. “O PT tem enorme responsabilidade, sem sombra de dúvida, mas a crise é tão ampla, tão grave, que cabe a pergunta: como é possível que tudo isso tenha acontecido debaixo do nosso nariz? O natural seria o PT e o PSDB, dois partidos da social democracia, terem percebido que há um novo sujeito político em gestação e trabalhado seus pontos de contato para estabelecer uma agenda essencial para o País. Não teríamos chegado a esse ponto”, disse.

Leia abaixo alguns pontos da entrevista de Marina Silva:

Herança de Dilma

O PT, em nome do seu projeto de poder, maquiou a realidade e as contas públicas, subestimou a crise, criou os heróis nacionais com o dinheiro do BNDES, tomou uma série de medidas que levaram o País ao lugar onde estamos hoje. E eles agora não têm alguém para amaldiçoar como dono da herança, porque quem criou essa herança foi a Dilma. Hoje a presidente Dilma convive com sua própria herança, ela sucede a ela mesma, não é? A quem culpar pela inflação? E pela Petrobrás, pela corrupção sistêmica no Estado?

Oposição e PMDB

Acho correto que setores da oposição se movam com responsabilidade, para não entrar em qualquer tipo de aventura, mas ao mesmo tempo só isso não basta. Na realidade de hoje, é como se a presidente só estivesse manejando a crise. A economia está nas mãos do Levy e a política está nas mãos do PMDB. Na prática, você já tem quase uma cassação branca de um governo que acaba de ser eleito.

Protestos

Há muito eu digo que está surgindo um novo sujeito político e que a internet, que revolucionou a economia, a ciência, a tecnologia e a comunicação iria chegar também, para o bem e para o mal, até a política. A melhor forma de lidar com esses movimentos é respeitando-os como movimentos autorais.

Impeachment

Ser político não é fazer o que as pesquisas indicam que você deve fazer. Ser político é fazer aquilo que é correto, de acordo com sua consciência e com a sua responsabilidade com as necessidades históricas do País. O impeachment está previsto na Constituição, não é ilegal nem é ilegítimo se referir a ele como alternativa, mas, para chegar a ele, existem vários elementos, não é só o desgaste político, só a vontade política, mas é também a materialidade dos fatos. Os que têm responsabilidade política não podem passar por cima da materialidade dos fatos.

Michel Temer e Eduardo Cunha

Na prática, o protagonismo político é obviamente do PMDB. O Temer, e, depois, os presidentes da Câmara e do Senado. É a primeira vez que a gente vê uma coisa como essa. Um amigo brincou que, quando quis ser demitido, o ex­-ministro Cid Gomes foi dizer desaforo para o único que podia fazê-lo, que era o PMDB [Eduardo Cunha].

Futuro

Bem, eu não quero que tudo fique pior do que já está. Sinceramente, não quero, porque quem pagará o maior preço serão os setores mais vulneráveis, que perderão seus empregos, o pouco do poder aquisitivo que conquistaram, serão jovens que não terão mais o Pronatec, o Prouni, todas essas conquistas que a sociedade brasileira vinha experimentando. Torço para não acontecer.

Acompanhe Pragmatismo Político no Twitter e no Facebook

Recomendados para você

Comentários

  1. André Postado em 22/Apr/2015 às 11:00

    Durante as eleições, a campanha da Marina cometeu alguns erros primários. Mas nada foi tão decisivo para sua queda nas pesquisas quanto a campanha de ódio promovida pelo PT contra ela. Isso é do jogo eleitoral, podem dizer alguns (ainda que eu discorde), mas o que mais entristeceu foi como pessoas que se dizem de esquerda trataram de incorporar acusações vazias contra a candidata. Na cegueira, muitos esqueceram a história de vida, luta e sofrimento da Marina. Pra espanto dos que acreditavam que ele havia esquecido seu passado, eis que ela surge agora rechaçando a tese do impeachment. Marina sempre esteve do mesmo lado, foram os outros que mudaram...

    • DOMENICO Postado em 22/Apr/2015 às 13:07

      Quem saiu do pt e tentou se eleger por outra sigla foi ela. E ademais ela se aliou ao pior que pode haver na politica brasileira que e o psdb vendilhao da patria.

      • André Postado em 22/Apr/2015 às 15:21

        Saiu pq no PT não teve nenhum apoio para sua luta ambiental. O que se vê em matéria de desmatamento hj em dia é prova inequívoca disso. Quanto as alianças do PT, nem vou comentar...

      • Luiz Postado em 23/Apr/2015 às 09:13

        Mesmo assim André. Acho que ela, ao apoiar abertamente o Aécio no segundo turno, jogou fora a sua história política e foi aonde ela aumentou o descrédito. O PT promoveu sim uma campanha de ódio contra a Marina por ter visto nela uma ameaça, o que foi de certa forma um tiro no pé. Mas campanha de ódio por campanha de ódio, o PT vem sofrendo todo tipo de odiosidade nos últimos 12 anos, especialmente após o pleito do ano passado. A lama escorre por todo lado nesse sentido. Agora, a Marina, uma liderança de esquerda, historicamente ligada aos movimentos sociais, ao ambientalismo, não pode apoiar o PSDB em uma eleição e achar que tudo vai ficar como era. Ela foi muito infeliz ao aliar o Solidariedade ao que tem de pior na politica brasileira.

      • Wiliam Oliveira Postado em 23/Apr/2015 às 10:46

        Uma das poucas vezes que vi (e li) um posicionamento racional e centrado da Marina Silva. Finalmente ela saiu do seu patamar messiânico (que era bem visível na campanha eleitoral) para fazer uma análise mais séria da situação política do país. O brasileiro precisa aprender a encarar a política de uma forma menos mambembe. Age como torcedor, fica indignado com os ataques à índole entre os candidatos e só discute de alguma forma sobre política de quatro em quatro anos, e mesmo assim de uma maneira bem limitada, olhando pro seu próprio umbigo e criticando quem faz o mesmo.

    • Wladimir Santos Postado em 22/Apr/2015 às 14:13

      Concordo com a história política e de vida de Marina Silva, mas era em nome dessa mesma história que ela não deveria ter se aliado à quem se aliou. Era em nome dessa história que ela deveria ter se mantido distante dos que só queriam sugar pra si os milhões de votos alcançados por ela. Quando passou a ser cortejada pela elite do PSDB, que queria aproveitar-se da massa eleitoral conquistada por ela, era esperado que tivesse inteligência suficiente para saber que voto não se transfere tão facilmente como se pensa. O eleitor tem vontade própria.

    • Francisco Rolim Pires Postado em 22/Apr/2015 às 15:23

      Gostei da sua entrevista, da sua coerência nas respostas, só não tem o apoio da maioria dos brasileiros, não por ser evangélica, mas por apoiar os caras mais idiotas e radicais, os políticos evangélicos: Feliano, Eduardo Cunha e Bolsonaro.

    • Lizete S. F. Postado em 22/Apr/2015 às 16:19

      Quem detonou Marina foi o PSDB... Mas, infelizmente, o PT é que nem a Geni do Chico Buarque, leva pedradas de todos os lados... É sempre o culpado de tudo! Até inventou a corrupção, como se ela não existisse nos outros governos... Me poupem, por favor!!!...

    • bruno Postado em 22/Apr/2015 às 16:37

      Não podemos esquecer que era a única que tinha um plano de governo e o colocou para a sociedade discuti lo

  2. Nildo Postado em 22/Apr/2015 às 11:09

    Não mentiu em nada. Parabéns Marina. Se mostrou coerente com a realidade do país, não tirando a responsabilidade do PT e nem dando ouvidos aos Abutres do PSDB.

  3. paulo menezes Postado em 22/Apr/2015 às 11:45

    Não vejo como conceituar a matéria "política". Pode estar com o diabo (corrupção e afins) ou pode estar com Deus "muitos milhões de cidadãos fora da miséria absoluta. Aqueles chatos pedindo na porta de nossa casa; "flanelinhas nos irritando e sujando a lataria de nossos carros" ; "nati porto controlando a população"; "cuba invadindo o Brasil" ; "passeatas de baianos em Salvador, sem morenos ou negros; "Cachorrinhos de madames vendo passeatas" e mais, ... e mais. Lula e Dilma violando os direitos da classe rica que não estão perdendo mas, poderiam ter mais.

  4. Thiago Teixeira Postado em 22/Apr/2015 às 11:53

    Quem quer o Impeachment são os coxinhas e a mídia golpista, nem a oposição está abraçando esse golpe.

    • eu daqui Postado em 23/Apr/2015 às 11:53

      Sou oposição e só abraço o que tem base legal. Antes disso, também considero golpe. Não votei nela (e nem no outro) mas, se a maioria a quis, tenho que aguentá-la até que surja evidencia fática que embase legalmente um impedimento. Ou até a próxima eleição.

  5. Deisi Postado em 24/Apr/2015 às 07:40

    Muito triste ver em que pessoa a Marina se transformou, uma história linda de vida jogou no lixo, por arrogância e oportunismo. Saiu do PT por não ser escolhida como candidata, foi para o PV, saiu candidata teve 20 milhões de votos, saiu do partido, tentou criar o Rede, não obteve sucesso, tinha até assinatura de pessoa falecida. Aceitou ser vice do Eduardo Campos, com falecimento se tornou candidata, dividiu o partido, achou que ia ganhar, mas com Malafaia e Neca, não foi nem pro segundo turno, agora vai sair do partido. Mas o pior foi apoiar o Aécio. Aí ela enterrou sua história, é uma recalcada e oportunista. Agora com esse papinho furado, chego a conclusão, que é uma mulher de muitas caras.