Redação Pragmatismo
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Esquerda 02/Apr/2015 às 14:39
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Frei Betto critica aproximação do PT e de Dilma ao receituário tucano

Formulador histórico do PT, amigo e ex-assessor de Lula, Frei Betto diz que a única saída para o partido é voltar às origens e buscar a governabilidade com os movimentos sociais. “Se um cidadão brasileiro, disposto a votar na reeleição da Dilma, tivesse entrado em agonia em agosto de 2014 e despertasse agora, certamente estaria convencido de que o Aécio havia vencido a eleição”

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O escritor Frei Betto (divulgação)

Referência histórica do PT, amigo pessoal do ex-presidente Lula há três décadas e ex-vizinho da presidenta Dilma em Belo Horizonte, Frei Betto divulgou um manifesto, durante a campanha eleitoral, com 13 motivos para votar na reeleição da petista. Três meses após a posse da presidenta reeleita, o religioso demonstra decepção com Dilma e o PT e diz que as 13 razões não foram abraçadas pela presidenta, a quem acusa de ter montado um “ministério esdrúxulo”.

Para ele, o país assiste ao começo do fim do Partido dos Trabalhadores, que tende a virar um “arremedo” do PMDB. Em entrevista à coluna de Sônia Racy, no jornal O Estado de S. Paulo, Frei Betto diz que o PT só tem uma saída: ser fiel às suas origens e buscar a governabilidade pelo estreitamento de seus vínculos com os movimentos sociais. “Fora disso, tenho a impressão de que estamos começando a assistir ao começo do fim. Pode até perdurar, mas o PT tende a virar um arremedo do PMDB”, criticou.

Ex-coordenador do Fome Zero no início do primeiro governo Lula, o religioso diz que, em 12 anos de governo, o PT não conseguiu tirar do papel nenhuma reforma de estrutura prometida em seus documentos originais, trocou um “projeto de Brasil” por um “projeto de poder”, jogou os movimentos sociais para escanteio e ficou refém e dependente de “alianças espúrias” com o Congresso.

Na avaliação dele, o atual governo subverte a história do PT e se aproxima do receituário tucano: “Quem assistiu ao filme Adeus, Lenin! pode fazer o seguinte paralelo: se um cidadão brasileiro, disposto a votar na reeleição da Dilma, tivesse entrado em agonia no início de agosto de 2014 e despertasse agora, neste mês de março, no hospital e visse o noticiário, certamente estaria convencido de que o Aécio havia vencido a eleição”.

Para Frei Betto, o atual governo opera em função de um “detalhe”, o ajuste fiscal, e não de um “projeto histórico”. O religioso diz que, “apesar de todos os pesares – põe pesares nisso”, o Brasil viveu nos 12 anos de governo do PT os melhores anos de sua história republicana na área social, com a retirada da miséria de 36 milhões de pessoas. O problema, afirma, é que a população, mesmo tendo hoje maior acesso aos bens de consumo, continua sem ter acesso aos serviços básicos. “Essa família continua no barraco, sem saneamento, em um emprego precário, sem acesso a saúde, educação, transporte público e segurança de qualidade. O governo facilitou o acesso dos brasileiros aos bens pessoais, mas não aos bens sociais”, declarou.

Ainda na entrevista, o religioso questiona onde estão os líderes do PT que visitavam as favelas e periferias, que participavam de assembleia de sem-teto e se reuniam com lideranças indígenas e quilombolas. Frei Betto dá como certo que Lula será o candidato do PT à Presidência em 2018, mas diz que nem mesmo a volta do ex-presidente é capaz de mudar o cenário. “O problema é o rumo que o partido tomou e imprimiu ao governo do Brasil.”

VEJA TAMBÉM: O esquerdista visceral e o direitista fanático, dois perfeitos idiotas

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Comentários

  1. Eduardo Postado em 02/Apr/2015 às 17:42

    Coerente.

  2. Oblivion Postado em 02/Apr/2015 às 23:23

    Aparentemente houve mesmo a troca do Projeto de Brasil pelo Projeto de Poder. Porém, em minha opinião, houve melhorias em muitas áreas, como: edução superior (acho que ainda muitos bons frutos virão de um ensino superior um pouquinho mais democrático), relações internacionais, saúde da família (principalmente depois do Programa Mais Médico), entre outros. Não gostei nem um pouco do ministério que a Presidenta escolheu também (pelo menos os ministérios da Educação e da Saúde mantiveram-se salvos). Caso eu fosse consultado em uma pesquisa de opinião sobre os primeiros meses de governo eu também estaria insatisfeito. Porém, isso não quer dizer que me arrependi de ter votado nela. Aguardo as promessas realizadas na campanha, como pacote de leis contra a corrupção e uma reforma política (mas não essa antidemocrática que querem empurrar - mantendo o financiamento empresarial de campanhas). Enfim, para 2018 gostaria de ver uma frente ampla de esquerda (seguindo o texto de Roberto Amaral publicado recentemente na Carta Capital), e em minha opinião é que até candidato pra isso já tem...

  3. Luís Postado em 03/Apr/2015 às 10:28

    Pra consertar as merdas feitas pelo esquerdismo na economia, tem que chamar um liberal de Chicago, se não esse barco afunda.

  4. Rodrigo Postado em 03/Apr/2015 às 22:05

    Tenho a impressao que se o PT nao tivesse cedido poderia ter sido defenestrado. Acoes do governo sao para se manter no poder, e nao para governar, estao acuados pelo sistema.

  5. Eduardo Postado em 06/Apr/2015 às 09:02

    "...O governo facilitou o acesso dos brasileiros aos bens pessoais, mas não aos bens sociais”. Isso é que eu chamo de um governo capitalista!!! kkkkk