Redação Pragmatismo
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Saúde 08/Apr/2015 às 19:38
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Chris Graham conta como é estar com Alzheimer aos 39 anos

'Tenho 39 anos e estou com Alzheimer'. Chris Graham, ex-militar e pai de três filhos revela sua luta para mudar a percepção que as pessoas têm da doença e conta como está resistindo

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A maioria de nós pensa no mal de Alzheimer como sendo uma doença de idosos, mas ela às vezes atinge pessoas muito mais jovens.

O ex-militar Chris Graham sabe disso bem demais. Ele recebeu o diagnóstico de Alzheimer precoce em 2010, quando tinha apenas 34 anos.

Tragicamente, ele descobriu que tem o mesmo gene defeituoso que matou seu pai, uma tia, um primo e seu avô, todos na casa dos 40 anos. Essa forma congênita rara, dita “familiar”, da doença deixou seu irmão Tony, 43 anos, preso a uma cama, num lar de idosos, sendo alimentado por uma sonda.

O Alzheimer foi cruel com minha família”, diz Graham. “Meu pai morreu aos 42 anos. Ele passou tanto tempo no hospital que nem me lembro bem dele. Eu tinha só 6 ou 7 anos na época.”

Tenho três irmãos, e todos tínhamos 50% de chances de herdar o gene de nosso pai. Minhas duas irmãs o evitaram, mas Tony e eu ficamos com o gene. Tony está com 43 anos; ele recebeu o diagnóstico em 2006. Ele vive num lar de idosos, não consegue se mexer e tem que ser alimentado por sonda. Ele não consegue falar, mas dá um sorriso de vez em quando.”

Mas, em vez de se deixar deprimir pela condição, Graham está numa missão para mudar a percepção que as pessoas têm da demência e, ao mesmo tempo, levantar fundos para a organização Alzheimer’s Research UK.

Dispensado do Exército por motivos médicos em janeiro, depois de 23 anos de serviço militar, Chris disse: “Meus amigos não acreditaram quando contei que estou com Alzheimer. Tenho 39 anos. As pessoas ainda não conseguem entender. Estou super em forma, como posso ter uma doença assim? Ainda enxergamos o mal de Alzheimer como apenas um pouco de esquecimento na velhice.”

Em abril Chris vai partir para uma maratona de bicicleta de 26 mil quilômetros, dando a volta do Canadá e dos Estados Unidos. O desafio, previsto para durar um ano, lhe valeu o apoio do primeiro-ministro britânico, David Cameron, que elogiou sua “garra e determinação fora do comum”.

Chris possui uma versão defeituosa do gene PSEN-1, que afeta cerca de 400 famílias no mundo. Ele está participando de pesquisas no Instituto de Neurologia do University College London para ajudar cientistas a entender os primeiros sinais de Alzheimer, visando reforçar a busca por novos tratamentos. Pai de três filhos e residente em Carterton, no condado de Oxfordshire, ele está sentindo problemas leves de memória, mas sabe que não é questão de “se” a demência vai avançar, e sim de “quando”.

Chris está compartilhando sua história com o público na mesma semana em que uma pesquisa YouGov encomendada pela Alzheimer’s Research UK revelou que, quando perguntados o que acham que é a demência e quem ela afeta, apenas 23% dos adultos britânicos citaram especificamente uma doença ou degeneração cerebral, apesar de pesquisas anteriores da entidade terem mostrado que mais de uma pessoa em cada três conhece um amigo ou parente próximo com demência.

Embora Chris seja jovem, o avanço da doença vai afetá-lo do mesmo modo como afeta as estimadas 500 mil pessoas com Alzheimer no Reino Unido. O mal de Alzheimer é a forma mais comum de demência e é responsável por matar células cerebrais e fazer o cérebro encolher 400% mais rapidamente que no ritmo normal do envelhecimento.

Apesar de saber o que vai acontecer comigo nos próximos anos, eu agora tenho um objetivo na vida”, disse Chris. “Quero fazer alguma coisa para combater esta doença. Quero fazer o máximo que eu puder, enquanto puder. Para mim, é simples: é preciso atacar o inimigo diretamente. Por isso encarei o desafio de ajudar a apoiar as pesquisas. Estou participando de estudos.”

Hilary Evans, diretora da Alzheimer’s Research UK, a maior entidade britânica sem fins lucrativos que pesquisa a demência, comentou: “Chris encarna tudo que contraria o estereótipo da demência: ele é jovem, está em ótima forma física e sua garra para viver, enfrentando as adversidades, é uma verdadeira inspiração. Embora o tipo de Alzheimer que ele tem seja raro, as consequências trágicas que já teve para seus familiares encontrarão eco entre milhares de famílias do país que já tiveram experiência em primeira mão do mal de Alzheimer.”

A situação de Chris mostra como pode ser profundo o impacto do Alzheimer. Isto não é mero esquecimento que afeta idosos. Esta doença é um processo destrutivo que cobra um preço altíssimo.”

Para saber mais sobre Chris Graham, o desafio que ele encarou, a história de sua família, a doença de Alzheimer congênita e realizar uma doação, clique aqui.

The Huffington Post UK, Tradução Brogan Driscoll

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Comentários

  1. Paulo Postado em 08/Apr/2015 às 23:33

    Vai dar cetro