Redação Pragmatismo
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Homofobia 29/Apr/2015 às 09:31
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Casamento gay nos EUA pode mudar de rumo após história de amor e morte

História de amor e morte pode mudar rumo do casamento gay nos EUA. Caso de Jim Obergefell, que cuidou do marido até que ele morresse, está no centro da ação que tramita na Suprema Corte americana

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Jim Obergefell (USToday)

“Quando conheci meu marido, eu soube que queria ficar com ele pelo resto da minha vida, até que a morte nos separasse. A maioria das pessoas sente isso quando encontra o amor de sua vida”, diz o americano Jim Obergefell, 48 anos, ao falar sobre John Arthur, seu parceiro por 21 anos.

“Mas a maioria das pessoas não imagina que a hora de se separar vai chegar tão cedo. Ou pelo menos, quando a hora chega, elas não imaginam que terão de lutar pela dignidade básica de ter seu casamento reconhecido”, afirma, em um texto publicado pela organização de direitos civis União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU, na sigla em inglês).

A história de Obergefell e Arthur ganhou atenção nacional e está no centro da ação na Suprema Corte (a mais alta instância da Justiça americana) que pode mudar os rumos do casamento gay nos Estados Unidos.

Atualmente, 13 Estados americanos ainda reconhecem somente casamentos entre um homem e uma mulher, mas isso pode mudar dependendo da decisão da Suprema Corte, esperada para junho.

Criado em uma família católica de seis filhos, Obergefell conta que Arthur foi seu primeiro relacionamento sério.

Eles se conheceram em 1992 e durante duas décadas construíram uma vida juntos em Cincinnati, no Estado de Ohio, cidade que já chegou a ser eleita a “mais antigay” do país, mas que atualmente é considerada mais tolerante.

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Jim Obergefell cuidou do marido John até que ele morresse (New York Times)

Obergefell diz que, durante a maior parte do relacionamento, não pensavam que poderiam se casar, por serem gays.

“Apesar de sermos como qualquer outro casal que se ama que conhecíamos, a nós era negada a proteção e a dignidade que vêm com o casamento”, relata.

Casamento no avião

Isso mudou em 2013, quando uma decisão histórica da Suprema Corte abriu caminho para que casais do mesmo sexo tivessem acesso a benefícios federais até então exclusivos para heterossexuais.

Ao ver a notícia pela TV, eles decidiram se casar, sabendo que não tinham muito tempo.

A essa altura, Arthur estava preso a uma cama. Dois anos antes, em 2011, ele fora diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica, doença que não tem cura, e começou a perder o controle de seus movimentos musculares e a fala.

Como o Estado onde viviam, Ohio, não permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo, eles arrecadaram US$ 13 mil com familiares e amigos e alugaram um jato com equipe médica para viajar a Maryland, Estado onde o casamento gay é permitido.

Em 11 de julho de 2013, Obergefell e Arthur trocaram votos e alianças em uma cerimônia de menos de dez minutos, realizada dentro do avião, na pista de um aeroporto em Baltimore.

Certidão de óbito

Ao voltar para casa, entraram com uma ação para que o casamento fosse formalmente reconhecido na certidão de óbito, quando Arthur morresse. Após decisão favorável de um juiz federal, o Estado de Ohio recorreu, e o caso chegou à Suprema Corte.

Arthur morreu três meses após o casamento, em outubro de 2013, aos 47 anos.

“Tive a honra de cuidar de John enquanto a doença lhe roubava todas as capacidades”, lembra Obergefell.

“A ideia de que John pudesse ser identificado como ‘solteiro’ e que o campo do ‘esposo’ ficasse vazio em sua certidão de óbito nos partia o coração.”

Assim, Obergefell, que diz nunca ter pensado em se tornar um ativista pelos direitos dos gays, acabou se tornando um dos principais personagens no debate em torno do casamento entre pessoas do mesmo sexo nos Estados Unidos.

Outras histórias

Sua história, porém, não é a única. A ação Obergefell vs. Hodges, que a Suprema Corte analisa a partir desta terça-feira, consolida os casos de 19 homens e 12 mulheres em quatro Estados: Kentucky, Michigan, Ohio e Tennessee.

As enfermeiras April DeBoer e Jayne Rowse, moradoras de um subúrbio de Detroit, em Michigan, iniciaram sua ação não pelo casamento gay, mas pelo direito de que ambas fossem reconhecidas legalmente como mães de seus quatro filhos adotivos, com idades entre 2 e 6 anos.

Cada uma adotou duas crianças, mas as leis de Michigan só permitem a adoção conjunta para casais. Elas esperam poder ser reconhecidas não apenas como um casal, mas como uma família, e planejam adotar uma quinta criança.

Greg Bourke e Michael DeLeon, de Kentucky, se casaram no Canadá em 2004. Cansados de não ter acesso aos mesmos benefícios de casais heterossexuais em seu Estado, entraram com uma ação em 2013 para ter o casamento reconhecido.

Para Pam e Nicole Yorksmith, que moram em Kentucky e trabalham em Ohio, a motivação para entrar na Justiça foi um ataque de tosse e dificuldade para respirar do filho Orion, então com quatro meses.

As duas tinham dois filhos, concebidos por inseminação artificial, quando decidiram iniciar uma família. Mas quando Pam levou o bebê ao pronto-socorro de um hospital, os médicos exigiram entrar em contato com a mãe biológica, Nicole, antes de prestar atendimento.

Há também o caso de Luke Barlowe e Jimmy Meade, moradores de Kentucky, que se conheceram em 1968 e casaram em 2009, no Estado de Iowa.

Em entrevista à imprensa americana, eles contam que, apesar dos mais de 40 anos juntos, ainda não dão as mãos quando estão em público. Eles dizem esperar que uma decisão favorável possa beneficiar a nova geração.

BBC Brasil, Alessandra Corrêa

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Comentários

  1. isaac Postado em 29/Apr/2015 às 09:49

    Após divulgar um lucro trimestral menor que o esperado e reduzir as projeções para o ano, a Whirlpool, controladora das marcas Brastemp e Consul, afirmou que irá cortar cerca de 3 mil postos de trabalho no Brasil, cerca de 15% do seu quadro de funcionários no país. Não vejo esse tipo de matéria no site. E ainda tem a audácia de falar de outros meio de comunicação que defendem um lado. Como se vocês também não tivessem hipócritas...

    • Andrea Postado em 29/Apr/2015 às 10:02

      E você está aqui, fazendo o quê? Vai ler o que te interessa e te convém! Matéria ótima e assunto muito relevante! Se o assunto não te interessa, não leia!

      • Deisi Postado em 29/Apr/2015 às 10:38

        Andrea coxinha são assim, eles não leem, talvez só o titulo, vem aqui só pra trollar, e exigir o que o PP deve publicar, são patéticos, sempre mudando o assunto para tirar o foco.

    • Silva Postado em 29/Apr/2015 às 10:32

      Vai comentar no UOL, IG e G1, aqui você jamais encontrará o que satisfaz, desista coxinha!

    • Eduardo Ribeiro Postado em 29/Apr/2015 às 10:35

      O problema de quem "defende o outro lado" é antes de tudo não assumir o que defende. É se passar por neutro em editoriais (tem até uns meninotes tontos que acreditam...), mas na prática ter um lado muito óbvio. É dizer que faz jornalismo ético e isento, que tem compromisso com a verdade e a ética, só que não. São golpistas, entreguistas e trabalham por interesses mais do que evidentes. E o caso da Whirlpool é ultrajante realmente. Porque um lucro trimestral brutal e exorbitante "menor que o esperado" continua sendo brutal e exorbitante. O lucro dos caras comparando com o mesmo periodo de 2014, em termos brutos, SUBIU (!!!!!!!!!!!!!!), e a receita foi RECORDE, mas aí, porque o lucro não subiu tão brutal e exorbitantemente como se gostaria, a atitude qual seria? Óbvio, corta emprego. O LUCRO TRIMESTRAL DOS CARAS AUMENTOU para quase 200 milhões de dólares, e eles cortarão empregos (!!!!!!!!!!!!!). Faz "todo sentido do mundo" uma decisão assim. Mas não vejo nenhum reacinha questionando isso, pelo contrário, "estão certos, se o lucro não subiu muito, tem mais é que mandar embora mesmo, morra Dilma". E a matéria é de alta pertinência sim, quer você goste ou não.

      • isaac Postado em 29/Apr/2015 às 15:20

        Assim é muito fácil governar. A ordem é não assumir nada. Algo está dando errado? A culpa é de tal pessoa. Estão demitindo funcionários? A culpa é da empresa.

      • Eduardo Ribeiro Postado em 29/Apr/2015 às 17:10

        Compreendo. Temos que ver o lado da empresa mesmo. Falou tudo. A empresa não tem culpa nenhuma por demitir milhares de pais de família. Afinal, como ela poderia mante-los se o lucro líquido trimestral AUMENTOU para apenas quase $200 milhões? Demissões em massa é a solução pra esse problema sério de AUMENTO de lucro líquido trimestral. Fora a receita bruta que foi RECORDE, que problemão...como manter funcionários em tempos de RECORDE DE RECEITA? Poxa, tem que achar esses culpados e puni-los severamente. Acho até que deve ser minha a culpa. Ou da minha mãe.

    • Enzo Postado em 29/Apr/2015 às 11:02

      Uma boa melancia na cabeca, seria melhor uma coxinha?

  2. ademar Postado em 29/Apr/2015 às 14:59

    Ótima matéria, o assunto é pertinente e relevante, um belo exemplo de amor e humanidade do casal, aceitar as diferenças, sejam elas quais forem, de ordem sexual, racial, de ideias e pensamentos, ideologias, talvez seja nossa maior missão e desafio para melhor convivência humana e social, acreditar que nossos pensamentos e crenças são sempre os melhores ou verdadeiros nos fazem perder o senso crítico e nos torna menos humanitários, nos leva a fomentar ódios, separatismos e preconceitos. Mais tolerância, menos ódio.

  3. Deisi Postado em 29/Apr/2015 às 16:03

    Perfeito Ademar, acho que o mundo precisa de amor, tolerância, menos ódio! Primeiro precisa mudar o homem, para se salvar o planeta. Eu acredito!