Redação Pragmatismo
Compartilhar
Homofobia 16/Apr/2015 às 16:49
13
Comentários

As consequências da lei homofóbica na vida de homossexuais na Rússia

Documentário mostra impacto de lei homofóbica na vida de lésbicas e gays na Rússia. Curta-metragem 'Dia da Vitória' está na competição internacional do festival É Tudo Verdade, que acontece no Rio de Janeiro e em São Paulo

homofóbica homofobia rússia lgbt gays homossexual
Filme “Dia da Vitória” mostra a vida de gays russos após lei homofóbica aprovada no país (Divulgação)

Adriano Garrett, Opera Mundi

O beijo protagonizado pelas personagens das atrizes Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg na estreia da novela “Babilônia”, da TV Globo, no último mês de março, provocou uma nota de repúdio da Frente Parlamentar Evangélica, presidida pelo deputado João Campos (PSDB-GO). O texto, que convoca um boicote ao programa e a seus anunciantes, diz que há uma “clara intenção de afrontar os cristãos em suas convicções e princípios” e que “essa é a forma encontrada para disseminar a ideologia de gênero, atacando diretamente a família natural”.

Enquanto no Brasil os parlamentares evangélicos ganham peso a cada eleição e normalmente rechaçam ações que garantam os direitos da população LGBT (como o casamento gay e a criminalização da homofobia) e que contrariem os seus dogmas (tal qual a legalização do aborto), na Rússia o ataque aos gays é ainda maior.

Recentemente, um candidato à Presidência da República brasileira que pregou enfrentamento à minoria homossexual e um deputado federal declaradamente homofóbico foram multados pela Justiça em primeira instância. No país de Vladimir Putin, a punição vem sendo dada não aos agressores, mas aos agredidos, como mostra o curta-metragem documental “Dia da Vitória”, de Alina Rudnitskaya, que faz parte da programação do 20º É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários (veja abaixo os horários das sessões).

Sob o impacto da lei aprovada em 2013 pela Duma (câmara baixa do Parlamento russo), que proíbe a “propaganda de relacionamentos sexuais não tradicionais entre menores de idade” e prevê multas e até a prisão de quem descumpri-la, o filme entrevista diversos casais de homossexuais russos para saber como essa mudança na legislação afetou suas vidas pessoais.

Um professor diz que teme perder o emprego devido a sua orientação sexual, enquanto uma mulher afirma que foi demitida por essa mesma causa e fala sobre as dificuldades financeiras que enfrenta junto à sua parceira. É uma situação que evoca um medo de ser denunciado anonimamente que se assemelha ao ocorrido com comunistas (ou com aqueles que eram apontados como tais) durante o macarthismo nos EUA.

Já que a lei, na prática, acaba por ter o papel de tentar banir dos locais públicos qualquer tipo de atitude que vá contra os padrões heteronormativos, a liberdade dos homossexuais acaba reduzida a lugares fechados. Talvez seja por isso que a diretora do documentário optou por realizar todas as conversas nas próprias residências dos entrevistados.

Leia também: Por que o beijo gay entre Fernanda Montenegro e Nathália Timberg chocou mais?

Em meio a informações triviais, como o modo pelo qual cada um deles se conheceu, o filme mostra a homofobia da sociedade russa adentrando aquelas casas através de vídeos da internet. Em um deles, manifestantes pró-LGBT sofrem um contraprotesto e são agredidos no meio da rua. Outra cena mostra um apresentador de um canal estatal russo dizendo que, em caso de acidentes de trânsito, os gays deveriam ter os corações “enterrados no solo ou queimados, como inadequados para a continuação de qualquer tipo de vida”. Ao fim da declaração, o auditório lotado aplaude.

Filmado no Dia da Vitória, feriado nacional que comemora o triunfo da União Soviética na Segunda Guerra Mundial, o documentário passa uma sensação de clausura e de desconforto com o preconceito. Enquanto tanques, soldados e populares celebram a data nas ruas, os homossexuais assistem de suas janelas às demonstrações de força de uma sociedade que, cada vez mais, faz questão de colocá-los à margem.

Sessões de “Dia da Vitória” no É Tudo Verdade:

– 15/4/2015 – 14h – Reserva Cultural (São Paulo)
– 18/4/2015 – 13h – Espaço Itaú Botafogo (Rio de Janeiro)
– 18/4/2015 – 17h – Centro Cultural São Paulo – Sala Paulo Emílio (São Paulo)
– 19/4/2015 – 19h – Oi Futuro Ipanema (Rio de Janeiro)

Acompanhe Pragmatismo Político no Twitter e no Facebook

Recomendados para você

Comentários

  1. Amanda Marques Postado em 16/Apr/2015 às 17:58

    Recomendo-vos um documentário sobre isso: Prop 8: O Casamento Gay em Julgamento. Tive a oportunidade de assisti-lo e quebrar alguns valores religiosos e familiares. E digo: nesta janela, felizmente, não há dois lados. Nunca houve. Seria contradição pura dizer que homossexuais estão classificados como sub-humanos. Afinal, se tudo foi criado por alguém, essa pura relação também não fora? A infelicidade que é do diabo - quando se trata do alguém. O mais bonito de tudo: ver que choraram e se uniram com o coração. O que mais me fez ''aberta'' a esse tema também: no final do documentário, fora do tribunal, estavam algumas pessoas com cartazes, continham escritos assim: "homem e mulher criam seus filhos melhor do que dois homens ou duas mulheres"; "nunca deitarás com um homem como se fosse uma mulher" etc. Logo depois, um dos advogados que estava no caso, disse: "pessoas reclamam por dizer que eles - os homossexuais - nunca poderiam gerar por si mesmo os filhos e explicam que o casamento é apenas para a fertilização. Tudo bem. MAS, NÃO EXISTEM CASAIS ESTÉREIS?". Não exitem mais motivos para esconder o que sempre houve no mundo.

  2. Thiago Teixeira Postado em 17/Apr/2015 às 07:51

    Você está passando fome? Mora em baixo da ponte? Entra na fila da sopa nas madrugadas? Então mude-se para um país para vivenciar uma verdadeira desgraça, pois aqui nós brasileiros estamos trabalhando para melhorar de vida a cada dia.

  3. Marcos Vinícius Postado em 17/Apr/2015 às 08:50

    Diz isso por que você não é homossexual e muito menos tem empatia pelo que se passa lá. Ele pode até enfrentar os americanos, mas nesse caso ele se comporta como um porco. Aliás, ele é mais porco ainda.

  4. Rogerio Postado em 17/Apr/2015 às 09:00

    Esses problemas só existem quando se vê o outro como diferente. Não vejo as pessoas como negro, gay, soropositivo, pobre, deficiente... Só existe uma raça: raça humana. Só existe um tipo de pessoa: ser humano. Encarar dessa forma facilita reconhecer direitos iguais pra todos.

    • Marcoux Postado em 17/Apr/2015 às 10:58

      comentario 10 Rogerio. Quando se respeita os outros. Diferencas nao sao problema.

    • Vinicius Postado em 17/Apr/2015 às 12:56

      Perfeito!!! *Outro Vinicius

  5. Marcoux Postado em 17/Apr/2015 às 10:53

    credo. Que comentario infeliz. Aceitar a homosesualidade eh apenas permitir que homosseduais possam ser eles mesmos, sem viver se escondendo, que teem direito a felicidade como qq ser humano. Voce nao precisa ser amigo se nao gosta, Mas deve pespeita-los.

  6. Marcoux Postado em 17/Apr/2015 às 10:55

    O maior estadista que acabou de invadir a Crimeia. Give me a brake.

  7. Thiago Teixeira Postado em 17/Apr/2015 às 17:04

    Para os coxinhas, são duas barangas homossexuais, para mim ... estou louco para pular no meio delas!!!!!!!!!!!!!!!!!! kkkkkkkkk

    • Vinicius Postado em 18/Apr/2015 às 03:03

      KKKK *outro Vinicius

    • poliana Postado em 20/Apr/2015 às 20:35

      kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  8. Eduardo Ribeiro Postado em 17/Apr/2015 às 20:02

    """""O brasileiro pouco se importa com a vida sexual alheia, mas lembre-se: a MAIORIA do povo brasileiro é heterossexual.""""". Esses coxinhas e suas inconsistências, só dão pena.

  9. Renato Postado em 23/Apr/2015 às 10:08

    Convenhamos, em termos de defesa de minorias os EUA estão anos-luz na frente da Rússia. Infelizmente muitos esquerdistas não conseguem lidar com essa realidade.