Redação Pragmatismo
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Ciência 30/Apr/2015 às 16:52
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Animais podem mesmo prever terremotos com dias de antecedência?

Alteração no comportamento de animais sinaliza ocorrência de terremotos com dias de antecedência. Também em humanos, maior concentração de íons positivos na atmosfera devido à fricção subterrânea das rochas provoca um aumento dos níveis de serotonina no sangue, o que causa maior agitação, hiperatividade e confusão

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Estudo revela que comportamento de animais pode sinalizar a chegada de um terremoto (AP)

José Tadeu Arantes, Agência FAPESP

O dado de que alterações no comportamento dos animais sinalizam, com horas ou dias de antecedência, eventos como os terremotos já era conhecido. Especialmente noticiada foi a disparada dos elefantes asiáticos para terras altas por ocasião do terremoto seguido de tsunami de 26 de dezembro de 2004. Muitas vidas humanas foram salvas graças a isso. Mas tais eventos ainda não haviam sido documentados de maneira rigorosa e conclusiva. Nem fora estabelecida uma correlação de causa e efeito entre essa modificação do comportamento animal e fenômenos físicos mensuráveis.

Isso ocorreu agora em pesquisa realizada por Rachel Grant, da Anglia Ruskin University (Reino Unido), Friedemann Freund, da agência espacial Nasa (Estados Unidos), e Jean-Pierre Raulin, do Centro de Radioastronomia e Astrofísica Mackenzie (Brasil). Artigo relatando o estudo, “Changes in Animal Activity Prior to a Major (M=7) Earthquake in the Peruvian Andes” [“Mudanças na Atividade Animal Antes de um Grande Terremoto nos Andes Peruanos”, em tradução livre], foi publicado na revista Physics and Chemistry of the Earth.

O físico Jean-Pierre Raulin, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, participou do estudo no contexto do projeto de pesquisa “Monitoramento da atividade solar e da Anomalia Magnética do Atlântico Sul (AMAS) utilizando uma rede de receptores de ondas de muita baixa frequência (VLF) – SAVNET – South América VLF network”, apoiado pela FAPESP.

“Nosso estudo correlacionou alterações no comportamento de aves e pequenos mamíferos do Parque Nacional Yanachaga, no Peru, com distúrbios na ionosfera terrestre, ambos os fenômenos verificados vários dias antes do terremoto Contamana, de 7,0 graus de magnitude na escala Richter, que ocorreu nos Andes peruanos em 2011”, disse Raulin à Agência FAPESP.

Os animais foram monitorados por um conjunto de câmeras. “Para não interferir em seu comportamento, essas câmeras eram acionadas de forma automática no momento em que o animal passava na sua frente, registrando a passagem por meio de flash de luz infravermelha”, detalhou o pesquisador. Em um dia comum, cada animal era avistado de cinco a 15 vezes. Porém, no intervalo de 23 dias que antecedeu o terremoto, o número de avistamentos por animal caiu para cinco ou menos. E, em cinco dos sete dias imediatamente anteriores ao evento sísmico, nenhum movimento de animal foi registrado.

Nessa mesma época, por meio do monitoramento das propriedades de propagação de ondas de rádio de muito baixa frequência (VLF), os pesquisadores detectaram, duas semanas antes do terremoto, perturbações na ionosfera sobre a área ao redor do epicentro. Um distúrbio especialmente grande da ionosfera foi registrado oito dias antes do terremoto, coincidindo com o segundo decréscimo no avistamento dos animais.

Os pesquisadores propuseram uma explicação capaz de correlacionar os dois fenômenos. Segundo eles, a formação maciça de íons positivos, devido à fricção subterrânea das rochas durante o período anterior ao terremoto, teria provocado tanto as perturbações medidas na ionosfera quanto a alteração comportamental dos animais. A fricção é resultado da subducção ou deslizamento da placa tectônica de Nazca sob a placa tectônica continental.

É sabido que a maior concentração de íons positivos na atmosfera provoca, seja em animais, seja em humanos, um aumento dos níveis de serotonina na corrente sanguínea. Isso leva à chamada “síndrome da serotonina”, caracterizada por maior agitação, hiperatividade e confusão. O fenômeno é semelhante à inquietação, facilmente perceptível em humanos, que ocorre antes das tempestades, quando a concentração de elétrons nas bases das nuvens também provoca um acúmulo de íons positivos na camada da atmosfera próxima ao solo, gerando um intenso campo elétrico no espaço intermediário.

“No caso dos terremotos, cargas positivas formadas no subsolo devido ao estresse das rochas migram rapidamente para a superfície, resultando na ionização maciça de moléculas do ar. Em algumas horas, os íons positivos assim formados alcançam a base da ionosfera, localizada cerca de 70 quilômetros acima do solo. Esse aporte maciço de íons teria provocado as flutuações da densidade eletrônica na baixa ionosfera que detectamos. Por outro lado, durante o trânsito subterrâneo das cargas positivas, devido a uma espécie de ‘efeito de ponta’, a ionização tende a se acumular perto das elevações topográficas locais – exatamente onde estavam localizadas as câmeras. Nossa hipótese foi que, para se livrar dos sintomas indesejáveis da síndrome da serotonina, os animais fugiram para áreas mais baixas, onde a ionização não é tão expressiva”, explicou Raulin.

“Acreditamos que ambas as anomalias surgiram a partir de uma única causa: a atividade sísmica causando estresse na crosta terrestre e levando, entre outras coisas, à enorme ionização na interface solo-ar. Esperamos que nosso trabalho possa estimular ainda mais a investigação na área, que tem o potencial de auxiliar as previsões de curto prazo de riscos sísmicos”, declarou Rachel Grant, principal autora do artigo.

Independentemente da observação do comportamento animal, os resultados obtidos mostram que a previsão de terremotos poderia ser feita também mediante a detecção da ionização do ar, com o monitoramento do campo elétrico atmosférico. “Já temos detectores instalados no Brasil, no Peru e na Argentina. E pretendemos, em breve, instalar sensores de campo elétrico atmosférico nos lugares propícios a atividades sísmicas importantes. Isso daria uma previsibilidade da ordem de duas semanas ou até mais. Por ocasião do terremoto do Haiti, em janeiro de 2010, a rede SAVNET já tinha detectado flutuações na ionosfera com 12 dias de antecedência, com resultados publicados na revista NHESS – Natural Hazards and Earth System Sciences”, afirmou Raulin.

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Comentários

  1. Gabriel Postado em 01/May/2015 às 15:00

    Estranho quando vejo aqui esse tipo de notícia tão longe da política. Parece uma tentativa quixotesca do Pragmatismo de parecer um jornal normal, e não um blog do PT. Alguém pensou: lá na primeira página tem 3/5 chamadas sobre a surra nos professores do Paraná; então vamos colocar uma bobeira dessa também.

    • RafaeL Postado em 01/May/2015 às 21:48

      Não sei o que é mais inútil... Dizer que um estudo científico que visa proteger vidas humanas é baboseira ou um anti-PT dizer que o Pragmatismo Político é um "blog do PT" e, mesmo assim, comentar em tal espaço.

    • Rafael Postado em 02/May/2015 às 13:36

      Gabriel, normal. A Veja, blog do psdb, desta semana traz "Nasce o segundo bebê real: Kate dá à luz uma menina" kkkkk Eu prefiro esta dos bichos que preveem terremotos.

  2. marcelo Postado em 01/May/2015 às 17:34

    Gabriel, não posso dizer que vc é um mentecapto, por que mesmo sendo contra o PT, vc se dispõe a ler o "blog do PT", ponto para vc, que continue assim, talvez isto faça com que vc aprenda algo de interessante para sua pequena vida, entre elas, algo que para vc é "bobeira", mas por não viver em um país que é sucetível regularmente aos abalos sísmecos, talvelz não entenda a importância deste estudo. Não precisaria morar, basta olhar as notícias e ver o que ocorreu no Nepal, mas sei que isto é "bobeira" para vc , pois é um país pobre, e assumindo pelo seu posicinamento político e raso poder de percepção, isto não é importante! Meus votos que vc continue a ler este "blog", talvez vc aprenda algo de significativo em sua breve existência, e sabe lá, talvez até venha a votar no Lula nas próximas eleições, mas ist no teu caso seria atingir o Nirvana! PT saudações.