Redação Pragmatismo
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Democratização Comunicação 26/Mar/2015 às 12:26
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"Só há liberdade de expressão com regulamentação da mídia', diz sociólogo

'Regulamentação da mídia é condição para liberdade de expressão', diz sociólogo francês. Para Wolton, atual jornalismo peca em autorreflexão e é grande vítima do progresso tecnicista com o avanço dos gigantes da internet

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A lei é sempre algo que nos protege. Não há liberdade de informação sem leis que organizam. A lei não é sempre a tirania. Ora, ela cria uma tirania na ditadura, sim, mas ela é o benefício na democracia”, afirma o sociólogo francês e especialista em mídia Dominique Wolton, em entrevista a Opera Mundi.

Na última semana, Wolton esteve em São Paulo em evento da Faculdade Cásper Líbero para discutir liberdade de expressão no contexto do atentado à sede da revista satírica Charlie Hebdo em janeiro de 2015, quando 12 pessoas foram mortas — a maioria profissionais da comunicação.

Sobre liberdade de expressão, o especialista não apenas abordou o fatídico episódio, mas também se dedicou a explorar a importância da regulamentação da imprensa ao redor do mundo, principalmente em tempos em que os avanços técnicos da internet se sobrepuseram à análise crítica dos atuais fenômenos midiáticos.

Se quisermos fazer da internet uma ferramenta da democracia, precisamos criar um mínimo de direito. A lei não mata a liberdade. Ela é a condição da liberdade”, sintetiza Wolton, que também é diretor do Centro Nacional para a Pesquisa Científica ( CNRS ), em Paris.

Para o sociólogo, essa regulamentação é importante até para conter o poder de gigantes da internet, como Google, Amazon, Facebook e Apple. Aos seus olhos, estas empresas apresentam uma natureza dialética: por ora, simbolizam a liberdade, mas também mascaram em seu discurso uma tirania sob a ideologia do que chama de “tecno-euforia”.

O jornalismo é a grande vítima do progresso. De 50 anos para cá, o progresso técnico mudou as condições de produção e de difusão de informação. Nós jamais investimos em reflexão crítica para os jornalistas. Os jornalistas se adaptaram. Agora, acredito que eles sejam vítimas dessa loucura técnica, da velocidade, da concorrência e do dinheiro. É preciso dar um ‘stop’ para que os jornalistas façam um trabalho de autorreflexão”, sugere.

‘Comunicar não é informar’

Sobre a visão tecnicista que os jornalistas têm dado ao processo comunicativo, Wolton propõe um novo olhar para comunicação, que vá além do modelo ‘emissor-receptor’. Para o sociólogo, comunicar não é apenas informar ou transmitir uma notícia. Pelo contrário, o processo está na interação, “na relação com o outro”.

Comunicação é negociar, coabitar e entender as diferenças. Uma das condições da paz é o respeito às diversidades, sejam elas culturais, linguísticas ou regionais. Comunicar é a convivência com o outro”, analisa.

Para o sociólogo, situações de violência e extremismo, como no ataque à Charlie Hebdo, são fruto do processo oposto da comunicação, ou seja, da “incomunicação”— a falta de diálogo e o entendimento mútuo entre sujeitos.

Diversidade cultural é uma questão de comunicação, pois comunicar é negociar. Garantir a diversidade cultural é uma obrigação democrática”, diz.

Regulamentação francesa

Na França, a regulamentação da imprensa é feita pelo Conselho Superior do Audiovisual (CSA). O órgão é composto por nove conselheiros, dos quais três são indicados pelo presidente; três, pelo Senado; e os outros três pela Câmara dos Deputados.

Conforme as normas do CSA, nenhum grupo de mídia pode controlar mais de 30% da imprensa diária, seja televisão, rádio, jornal ou internet. O organismo ainda exige pluralismo de opiniões e diversidade cultural, podendo punir com multas, advertências e até suspensão de licença quem não seguir o marco regulatório. Qualquer incitação de discriminação, ódio ou violência é considerada crime e, portanto, passível de ações judiciais.

Em 2010, Emmanuel Gabla, um dos comissários do CSA foi à Brasília para um ciclo de palestras sobre comunicação e mídias. Na ocasião, ele explicou que a regulamentação na França trata de questões técnicas, econômicas, culturais e sociais. “Nenhum setor pode esmagar o outro”, afirmou em entrevista à Agência Brasil. “A liberdade é total, se respeitada a lei”, sintetizou.

Neutralidade da rede

Outro ponto abordado por Wolton, a neutralidade da rede parte do pressuposto de que a web deve ser encarada como um serviço público e, portanto, os provedores de internet devem tratar todo o tráfego online de forma igual, sem fazer discriminações entre os usuários.

Um dos principais obstáculos para pôr em prática esta noção são os interesses econômicos das empresas de telecomunicações e provedores de internet, que bloqueiam ou dificultam o acesso a sites e serviços por meio de pacotes de dados, visando ao lucro. Desta maneira, a internet sai de um espaço de inclusão social para uma esfera de exclusão.

Patrícia Dichtchekenian e Dodô Calixto, Opera Mundi

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Comentários

  1. Marcos Vinícius Postado em 26/Mar/2015 às 13:21

    Pelo visto você não leu nada da reportagem né? Pior que essa "esquerdopatia" é essa "direitopatia" que impera aqui no Brasil com os grandes conglomerados da comunicação mandando e desmandando.

  2. Brunno marx Postado em 26/Mar/2015 às 14:24

    que censura???...qual o tipo de censura que voce sofre,seja homem e não muleque.porque voce acha que a globo esconde a sete chaves a corrupção os nomes do politicos do →psdb 45,aécio neves,fhc,...isso é censura não deixar que a população saiba quem realmente são esses bandidos.. Olavete.

  3. Eduardo Ribeiro Postado em 26/Mar/2015 às 16:09

    A coxinhada nem sabe o que fala mais. Não tem nem mais a vergonha de deixar claro que não leu, não sabe o que é "regulamentação da midia", e que se limita a regurgitar e vomitar as mesmas sandices do padrão reacinha brasileiro. "blablabla isso é censura...mimimi ditadura comunista...". Ele leu o título da matéria, começou a babar e os dedos já começaram a tremer, ganhando vida própria, e digitaram de imediato as palavras-chave "esquedistas censura".

    • Silva Postado em 26/Mar/2015 às 18:25

      Perfeito! Eduardo é exatamente isso que os coxinhas fazem no PP, leem só o titulo, babam, vomitam ódio e repetem clichés quem ouvem no PIG. São uns babacas, não merecem serem levados em consideração.

  4. Silva Postado em 26/Mar/2015 às 18:19

    Leia sobre o assunto ou estude Coxinhão, depois comente, deixe de ser alienado e papagaio do PIG.

    • Thiago Teixeira Postado em 28/Mar/2015 às 13:36

      "papagaio do PIG" GOSTEI!!!!!!!!!!!! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  5. João Cirino Gomes Postado em 30/Jun/2015 às 09:04

    A mídia esta ou não esta sendo manipulada, estão ou não estão colocando cabrestos no cidadão? Isso sim é uma ditadura disfarçada! Somente as verdades distorcidas dos políticos embusteiros que pagam a mídia com nossos impostos, podem ser divulgadas! E onde fica a liberdade de expressão do cidadão? A maioria que estão no desgoverno pertencia à quadrilha que roubava casa de armas, roubava armas do exercito, assassinavam, seqüestravam, jogavam bombas e chamavam os militares de ditadores! Esta publicação abaixo foi removida e minha conta bloqueada, mas onde esta a ofensa ou a mentira? Removemos esta publicação porque ela não segue os Padrões da comunidade do Facebook: Os brasileiros são constantemente manipulados e não se ligam! Os políticos são os piores bandidos, e não são menores! Os políticos jamais deveriam ter aprovado lei proibindo o menor de trabalhar. Deveriam dar exemplos, deixando de incentivar e até de participar das passeatas para liberação da maconha! Deveriam deixar de distribuir kit gay nas escolas, e investir mais em educação de qualidade! Afinal, estão usando nossos impostos para formar os jovens que são o futuro da Nação, ou para formar vagabundos, viciados, prostitutas, traficantes, travestis e viado? Se os políticos deixarem de desviar as verbas da saúde, de superfaturar na compra de ambulância, e de remédio, muitas mortes serão evitadas. Se deixarem de roubar as verbas da moradia, muitos cidadãos e menores terão melhores condições de vida. Se deixarem de roubar as verbas da educação, os jovens que são o futuro da nação terão mais oportunidade de estudar para ter uma vida digna. Se investirem em segurança com melhores salários, a corrupção no meio policial vai diminuir. Se ao invés de doarem nossos impostos e investirem em países comunistas, passarem a investir no Brasil em infraestrutura, o cidadão terá melhores salários, e uma condição de vida mais digna. Todos sabem que os menores, saem da cadeia pior do que quando entraram. Portanto só teremos mais despesas, sem diminuir o índice de criminalidade. Mas poucos estão percebendo; que o verdadeiro interesse dos políticos não é solucionar o problema, mas sim o mascarar; já falam em privatizar os presídios! Portanto, a verdadeira intenção já foi exposta: Os políticos querem se apropriar dos prédios públicos, digo das cadeias e presídios, a preço de casca de banana, e superfaturarem na estadia destes marginalizados que eles mesmos estão formando de caso pensado! E já falam que cada preso, daqueles que estão embolados em pequenos cubículos, custa quatro mil e quinhentos reais mensais aos cofres públicos. Mas nós sabemos, que nem uma faculdade em período integral, custa tanto quanto dizem custar à estadia do preso! E sabemos que muitos pais de família trabalham de sol a sol, em troca de salário mínimo; e com valor tão irrisório, precisa se manter e sustentar sua família! E os que se aposentaram, estão sendo roubados em seus direitos. O Mala luf, dizia que bandido bom é bandido morto. Já ficou provado que é um bandido, e esta sendo procurado em 186 países, pelos mais variados crimes. Mas no Brasil é deputado, e não quer nem saber de morrer! Podemos juntar os valores que todos os marginais pés de chinelo roubaram, e não chegara a um terço do valor que Malu roubou sozinho! Agora imagine se somarmos os valores que todos os políticos corruptos roubaram e continuam roubando! Ai o Brasil seria o país mais próspero do planeta terra em todos os sentidos! Na época dos militares não tinha tanta patifaria, violência e cambalacho! Por estas e outras, estou na luta por intervenção constitucional militar! Tomara que com a intervenção constitucional militar os canalhas paguem pelas novas e velhas, e que desta vez não haja anistia!