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Política 26/Mar/2015 às 22:00
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Renan, Collor e Cunha quase impõem derrota dolorida a Dilma

Por muito pouco, Renan Calheiros (PMDB-AL), Fernando Collor (PTB-AL) e Eduardo Cunha (PMDB-RJ) não conseguiram derrubar veto de Dilma à prorrogação dos subsídios para empresas de energia elétrica do Nordeste. Articulação dos três parlamentares quase custou o cargo do ministro da Fazenda, Joaquim Levy

renan calheiros eduardo cunha
Eduardo Cunha e Renan Calheiros [divulgação]

Em meados de março, uma manobra articulada por Renan Calheiros (PMDB-AL), Fernando Collor (PTB-AL) e Eduardo Cunha (PMDB-RJ) por muito pouco não provocou uma enorme crise no governo da presidente Dilma Rousseff (PT). Os três parlamentares quase derrubaram o veto da presidente à prorrogação até 2042 dos subsídios sobre a energia elétrica para grandes empresas do Nordeste. Corre à boca pequena que se o veto tivesse sido derrubado, o Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, pediria demissão.

A manutenção do subsídio elétrico provocaria um custo extra de R$ 5 bilhões nas contas do Tesouro neste ano, tornando mais difícil cumprir a meta de superávit primário de 1,2% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2014.

Na Câmara, Eduardo Cunha já havia comandado, com sucesso, a derrubada do veto com o apoio de 310 deputados. Faltava o Senado.

A manobra para tentar derrubar o veto de Dilma no Senado, que acabou fracassada, foi comandada pelo presidente do casa, Renan Calheiros.

Para tentar viabilizar sua manobra, Renan foi ao gabinete do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acompanhado do senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) para pedir a suspensão da sessão da Câmara.

Isso garantiu ao Congresso continuar funcionando para que o veto fosse analisado. Ao lado de Renan, Collor foi um dos principais articuladores da manobra contrária ao governo

Antes da votação no Senado, o governo agiu. Os ministros Pepe Vargas (Relações Institucionais) e Eduardo Braga (Minas e Energia) levaram a Renan Calheiros e a senadores governistas a mensagem de que a queda do veto poria em risco o ajuste fiscal e estava levando, inclusive, o ministro Joaquim Levy a dizer que “preferia pedir demissão do cargo”.

O veto acabou não caindo por apenas dois votos no Senado – 39 senadores votaram pela derrubada, dois a menos do que o mínimo de 41 necessário.

Posteriormente, o ministro Joaquim Levy disse a interlocutores que “não tenho nenhuma intenção nem motivos para deixar o governo” e está comprometido com a missão que lhe foi dada pela presidente Dilma de ajustar a política econômica.

Mais enfrentamento

Apesar de não ter conseguido derrubar o veto de Dilma sobre os subsídios da energia elétrica, Renan Calheiros não demonstra que irá recuar em seu objetivo de dificultar a vida de Dilma Rousseff e já conseguiu impor várias derrotas ao governo.

O presidente do Senado prometeu nesta quinta-feira que vai barrar o nome indicado por Dilma para ocupar a vaga de Joaquim Barbosa no Supremo Tribunal Federal (STF). Todo indicado para o STF precisa, obrigatoriamente, ter seu nome aprovado no Senado para tornar-se ministro.

O jurista Luiz Edson Fachin, advogado, professor e um dos maiores nomes do Direito Civil brasileiro seria a primeira opção de indicação do governo para a vaga de Barbosa. Consultado pela Casa Civil, Calheiros disse que o nome de Fachin não passará pelo Senado por que o jurista teria ligações com o PT.

A PEC da Bengala, outra derrota imposta à Dilma, foi aprovada no Congresso Nacional com votação expressiva. A medida amplia de 70 para 75 anos a idade para a aposentadoria compulsória de magistrados de tribunais superiores e do Tribunal de Contas da União (TCU) e tira de Dilma o direito de indicar cinco novos ministros para o STF até o final do seu segundo mandato.

A origem do ódio

“Não é independência, é oposição. E é um movimento sem volta. Não existe a hipótese de ele [Renan] voltar a apoiar esse governo”. A frase foi dita por um dos principais interlocutores de Renan Calheiros.

renan calheiros ministro fhc
Renan Calheiros foi Ministro da Justiça no governo FHC

Por trás de tamanha indignação, um fato – a inclusão do nome Renan entre os políticos que responderão a inquéritos criminais por envolvimento com o desvio de recursos na Petrobras.

Renan Calheiros e Eduardo Cunha, presidentes do Senado e da Câmara, respectivamente, consideram que o governo teve ação determinante na escolha dos nomes que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, submeteu ao Supremo Tribunal Federal (STF) ao encaminhar os pedidos de inquérito contra as autoridades com foro privilegiado denunciadas pelos delatores da Operação Lava Jato. Ambos acreditam que Dilma poderia ter agido no sentido de evitar que eles aparecessem na lista dos investigados.

A tese encampada por Renan e Cunha não faz sentido. Fosse assim, não teria Janot proposto inquérito contra dezenas de políticos governistas e apenas um da oposição. Nem teria deixado em dúvida a origem dos recursos usados na campanha presidencial de Dilma em 2010.

“O Renan era o principal apoio do governo aqui e passou, junto com Cunha e outros, a ser apresentado como o grande vilão da corrupção na Petrobras. Ora, a responsabilidade pelos crimes na Petrobras é de Dilma, não pode ser imputada ao Congresso”, diz um senador tomando as dores do presidente do Senado e garantindo que “ele não vai deixar barato”.

Deputado Federal por 10 anos (1982 a 1992) e senador desde 1994 até os dias atuais (21 anos no cargo), Renan Calheiros já cansou de provar que conhece todos os atalhos não só para chegar no poder, mas para nele permanecer. Foi líder do governo Collor no Congresso Nacional, vice-presidente executivo da Petrobras Química S.A. (Petroquisa) de 1993 a 1994 no governo Itamar Franco, Ministro da Justiça do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e Presidente do Senado Federal por duas vezes. Até onde irá Renan é uma pergunta que, até agora, ninguém pode responder ao certo.

renan calheiros collor líder governo
Renan Calheiros (esq.), líder do governo Collor

Pragmatismo Político, com informações de Folhapress e Congresso em Foco

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SAIBA MAIS: Por que Renan Calheiros se rebelou contra Dilma

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Comentários

  1. Denisbaldo Postado em 26/Mar/2015 às 22:36

    Parece que mudaram o sistema de governo de presidencialismo para parlamentarismo sem nos consultar ou mesmo mediante uma emenda constitucional. O melhor é que nesse nosso "parlamentarismo" o Congresso não se responsabiliza pelo seus mandos ou desmandos. Tudo vai pra conta do Executivo. Pode isso Arnaldo?

    • Cleber Postado em 27/Mar/2015 às 11:36

      Aqui no Brasil pode tudo, menos ser sério.

    • Eduardo Postado em 27/Mar/2015 às 11:52

      querem nos jogar no inferno, isso sim... é assim que começa o que vivemos antes de 1964.... maquinações com vista a destruir um presidente e não visando o bem do país, que é a função para que eles foram eleitos.... só que não estamos mais em 64...e a educação é outra.

    • Maurício Postado em 27/Mar/2015 às 14:06

      Jabour?

      • Denisbaldo Postado em 27/Mar/2015 às 15:30

        Não, o César Coelho mesmo.

    • Gilberto José Muniz Postado em 28/Mar/2015 às 01:33

      Penso que o povo, considerado pela CF/88, como a origem dos poderes, tem a prerrogativa de subscrever Petição Pública, respeito à Lei da Ficha Limpa, para, a retirada do cargo de Presidente do Senado, para o de Senador, por ferir a Lei de origem popular. Depois de terninada a Operação Lava Jato, conforme sua denúncia ou não, se cumpriria a sentença e a votação no Senado. O que não é lícito, nem miral, é um Presidente colocado em cognição de dúvida.

      • Maria Honória da Cunha Postado em 28/Mar/2015 às 02:13

        Já fez a petição? Onde eu assino?

  2. poliana Postado em 27/Mar/2015 às 07:50

    O q esperar de uma corja composta por eduardo cunha, renan calheiros e collor!!!!!???? Mas nem tudo está perdido. Pelo menos dessa vez, eles n conseguiram!!!!

  3. João Paulo Postado em 27/Mar/2015 às 08:44

    Renan, Collor e Cunha no mesmo pacote ... Que trio, hein? Somando os crimes desses três, haveria uns 10 mil anos de prisão.

  4. MARIA Postado em 27/Mar/2015 às 08:57

    POIS,É ! O POVO,SABE -SE LÁ COM QUAL IDEOLOGIA QUANDO SAI PARA MANIFESTAR ,( "FAZER SELFIEIS"), TRABALHA PARA" AÉCIO E BANDA" COMO ROBOZINHOS! PEDINDO IMPEACHMENT,VOLTA DA DITADURA ETC. MENOS O QUE PRECISA DIGO: PLEBISCITO ! PARA ACABAR COM A CACHORRADA QUE VIROU A POLITICA NO BRASIL! COM O PLEBISCITO CONSEGUIRIAMOS DIMINUIR ALGUMAS MARACUTAIAS QUE ACONTECEM DEBAIXO DO NOSSO NARIZ! TEMOS QUE TOMAR DECISÕES PARA AJUDAR O BRASIL NÃO APENAS MEIA DUZIA DE POLITICOS SAFADOS! QUE QUEREM QUE O POVO FAÇA O SERVIÇO SUJO! PARA SAIREM LIVRES DE ACUSAÇÕES FUTURAS! ENGANAM, ROUBAM, E DEBOCHAM DO POVO COMENDO LAGOSTA COM CHAMPANHE! ( NÃO É CIDRA!).

    • Ricardo Postado em 27/Mar/2015 às 12:47

      Bem nessa amigo, infelizmente minha memória é muito boa e meu senso crítico bem desenvolvido. Por isso afirmo: Eleições não mudarão nosso país e sim tirarmos nosso traseiro real de nossas poltronas e exigir que o ladrão da vez aprove logo as profundas mudanças em nosso sistema político que foi desenhado para funcionar apenas mediante a corrupção. Já não há mais espaço para essa sujeira, está na hora do estado prover ao povo brasileiro a contrapartida pelo pagamento de nossos impostos. Plebiscito formulado pela população via meios eletrônicos, onde constarão formas de punir severamente tanto o corrupto quanto o corruptor (inclusive familiares e laranjas), inclusive com possibilidade de perca de direito de propriedade e isso é muito fácil, apenas siga o dinheiro.

    • antonia gomes Postado em 27/Mar/2015 às 13:22

      e paara tirar esse vermes da cadeira de presidente sanado e deputado, tem que ser o povo. ate quando vamos deixar eles barrrarem o que e de bom para o brasil? Ate quando a presdidenta dilma vai ter que engolir sapos desses vermes?

  5. Fernando Postado em 27/Mar/2015 às 10:13

    ah! esta corja em fila para a guilhotina... É o sonho de todo brasileiro que ama este país.

  6. Maria José Rêgo Postado em 27/Mar/2015 às 10:29

    Se Dilma poderia ter agido no sentido de evitar que os nomes de Renan e Cunha aparecessem na lista dos investigados por que então Dilma não impôs que constasse os nomes de Aécio e Alvaro Dias?

    • antonia gomes Postado em 27/Mar/2015 às 13:33

      entao a dilma tem lado? nesse caso que durante 12 anos o PT sempre teve o nome de corrupto? sofreu uma vida toda agora ela resolve mostrar de onde veio a corrupcao eles querem ser blindados? NAO FICARA PEDRA SOBRE PEDRA. ISSO MESMO DILMA . O NEGOCIO E NAO TER LADO. sujeira e sujeira vamos mandar para o inferno.

  7. Sueli Correa Postado em 27/Mar/2015 às 10:34

    Esses vagabundos não querem o bem do Brasil!

  8. Roberto Pedroso Postado em 27/Mar/2015 às 11:01

    Este é o tétrico cenário da politica nacional :o executivo deve estabelecer aliança com este partido insidioso(PMDB) representante máximo do clientelismo, fisiológico e proselitismo para ter condições de garantir a governabilidade o problema é que esta base aliada não é minimamente confiável e faz do executivo refém, por possuírem a Presidência da câmara dos deputados federais e do Senado,enquanto isso os alegres manifestantes dominicais responsabilizam unica e exclusivamente o poder executivo por esta crise institucional.Puro desconhecimento de causa e origem.

  9. Fabrício Postado em 27/Mar/2015 às 11:04

    Os três de certa foram apoiados pela Dilma, em especial Collor e Renan. Vai reclamar por que? Quem cria cobra certamente vai ser picado.

    • poliana Postado em 27/Mar/2015 às 14:11

      ah tá...o renan, o cunha e o collor são crias do pt, né??? ah vá...

      • poliana Postado em 27/Mar/2015 às 20:04

        vc leu a matéria???? "Deputado Federal por 10 anos (1982 a 1992) e senador desde 1994 até os dias atuais (21 anos no cargo), Renan Calheiros já cansou de provar que conhece todos os atalhos não só para chegar no poder, mas para nele permanecer. Foi líder do governo Collor no Congresso Nacional, vice-presidente executivo da Petrobras Química S.A. (Petroquisa) de 1993 a 1994 no governo Itamar Franco, Ministro da Justiça do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e Presidente do Senado Federal por duas vezes. Até onde irá Renan é uma pergunta que, até agora, ninguém pode responder ao certo".............................................volto a perguntar: ele/eles são crias do pt né?

      • Thiago Teixeira Postado em 27/Mar/2015 às 20:19

        Esse nasceu em 2003, tem 11 anos para falar uma sandice dessas.

  10. grace Postado em 27/Mar/2015 às 11:05

    O odio pelo governo de esquerda foi intaurado e o povo e como marionetes a midia ainda ajuda alimentando para poder vender seu peixe. D. Dilma deixou acontecer agora vai ficar na gagorra!

    • antonia gomes Postado em 27/Mar/2015 às 13:38

      os eleitores desses vermes precisam seer esclarecidos. votar numas tranqueira s dessa . acorda povo com tantos candidatos bons .

  11. poliana Postado em 27/Mar/2015 às 12:18

    deixa de ser cínico!!vc sabe muito bem q sem o apoio desse partido tenebroso, n se governa no país! olhaí o q dilma está enfrentando por n ter feito a vontade desses pmdebistas!!! agora vc quer questionar essa aliança!!!!????

    • Tatiane Postado em 27/Mar/2015 às 12:55

      lembrando que o pais é democrático quem os elegeu fomos nos ela fez o bolo com os ingredientes que tinha a mão

    • poliana Postado em 27/Mar/2015 às 20:02

      afffff...pacto com o diabo???? só pode ser mais um evangélico bitolado!!!! pelo amor...

  12. Marta Postado em 27/Mar/2015 às 12:31

    Pois é, o PSDB no poder também se aliou ao PFL (antiga Arena).

    • poliana Postado em 27/Mar/2015 às 14:08

      pois é marta..mas os coxinhas só lembram das alianças espúrias do pt! o psdb jamais!!!! hipocrisia e indignação seletiva definem os coxinhas desse país!

  13. Lext Postado em 27/Mar/2015 às 13:09

    O que precisa acontecer, URGENTEMENTE, é o que aconteceu com o PP acontecer ao PMDB. Essa !@@$%#% de partido só é entrave no desenvolvimento do país. Se vinculassem o nome de uns 50% do partido em escândalos de corrupção, o partido rui internamente. Era disso que o PMDB precisava para perder todo o poderio que tem "debaixo do tapete" do governo.

  14. Betão Postado em 27/Mar/2015 às 13:26

    Qualquer governo democrático que se instale neste país ficará refém dos interesses desta corja inescrupulosa que fará tudo que puder para manter o poder legislando em causa própria. A que ponto chegamos ... Ninguém consegue governar sem um tumor maligno chamado PMDB. E agora ? como resolveremos esta zorra ? Pra piorar temos um eleitorado burro, ignorante e alienado, sendo este o principal culpado pelos representantes que tem ... Estamos perdidos ... Pra consertar essa zorra, somente cortando as cabeças destes vermes e comecando do zero ... Precisamos de uma nova revolução, não como a de 64, uma revolução popular ... Mas isso aqui na terra do Samba, suor, cerveja e futebol ... esqueçam ...

  15. angela Postado em 27/Mar/2015 às 13:34

    Esse pilantra quer agora boicotar o governo de todo jeito pra se vingar?!!! Cretino, todo mundo sabe que ele vive em maracutaia!

  16. fabio Postado em 27/Mar/2015 às 13:50

    Finalmente governo cortando gastos que só destroem o livre mercado no Brasil, como esses subsidios. Ponto pro Levy e pra Dilma TB por escutar finalmente.

  17. Idely Angelo Borges Postado em 27/Mar/2015 às 14:11

    Como deve ter rabo preso com ele.

  18. Ricardo Postado em 27/Mar/2015 às 14:15

    Todo mundo sabe que eles vivem em maracutaia, mas mesmo assim continuam votando neles. Não são só os políticos que fodem o nosso país. O maior problema do Brasil é o brasileiro.

  19. Roberto Pedroso Postado em 29/Mar/2015 às 16:04

    Para quem acompanha realmente a politica nacional sabe que em um regime presidencialista de coalizão muitas vezes é necessário se negociar apoios(subindo inclusive no palanque de pessoas publicas de condutas condenáveis) e realizar troca de favores, se lotear cargos em empresas estatais e trocar apoio politico por cargos em ministérios para se consolidar o apoio necessário no âmbito legislativo e assim garantir a governabilidade; o problema é que o PMDB tendo constatado o frágil apoio popular da presidente (graças a uma vitoria apertada nas urnas)age de forma venal e insidiosa para chantagear e intimidar o executivo tanto na câmara quanto no congresso traindo seu compromisso de ser base aliada de sustentação e apoio do governo.