Redação Pragmatismo
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Política 23/Mar/2015 às 19:29
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Por que Aécio Neves não age como Cid Gomes?

Cid Gomes disse mais em um minuto de sua fala na Câmara dos Deputados do que o senador e candidato derrotado à Presidência Aécio Neves deveria dizer como oposição, mas nunca poderá nem conseguirá dizer

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Cid Gomes (PROS) e Aécio Neves (PSDB) (Imagem: Pragmatismo Político)

Numa semana em que a mídia tradicional turbinou a repercussão das manifestações “contra a corrupção” de domingo passado, o fato político realmente relevante aconteceu dentro do plenário da Câmara, quando o agora ex-ministro da Educação Cid Gomes (Pros) disse em alto e bom som que aquela Casa Legislativa abriga “achacadores – gente que só pensa em vantagem pessoal e partidária em vez de atuar republicanamente na construção de uma sociedade equilibrada e de um país que tenha como meta e missão a erradicação de toda forma de injustiça.

As declarações de Cid Gomes mostram que a oposição ao governo federal também vive seu inferno astral, em franca crise política, por escolher o caminho do quanto pior, melhor. É inegável que a imagem dos parlamentares cronicamente opositores está desgastada.

Mais além: ficou claro que Cid Gomes disse mais em um minuto de sua fala na Câmara dos Deputados do que o senador e candidato derrotado à Presidência Aécio Neves deveria dizer como oposição, mas nunca poderá nem conseguirá dizer.

O povo não entende a atuação dúbia do PSDB de atacar só o PT e poupar partidos da base governista como o PP e o PMDB. O povo enxerga jogo de cena, acordos velados de bastidores e um velho jeito de fazer política voltado a preservar privilégios só para os “amigos“. Privilégios que chegam à impunidade.

No fundo, Cid Gomes falou o que líderes da oposição, da qual Aécio é a face mais midiática, teriam obrigação de dizer e, se dissessem até poderiam melhorar suas chances nas urnas. Mas nunca veremos, ao fim dos oito anos de mandato como senador que o tucano tem até 2018, ele fazer um discurso como o de Cid, simplesmente porque tem “rabo preso“, por puro interesse político eleitoreiro.

A parte do PMDB e do PP que Cid Gomes classificou como de achacadores é aquela que apoiou Aécio em 2014. Alguns ostensivamente e outros, veladamente.

O episódio, que pode ter criado um embaraço para o Executivo, mas escancarou à população com que tipo de gente a presidenta Dilma está sendo obrigada a lidar, com o Congresso eleito pelo voto em outubro passado, começou com mais um fato ampliado pela mídia em sua ofensiva golpista.

Cid Gomes havia feito uma avaliação em ambiente restrito criticando a parcela de deputados que, segundo ele, usava seus mandatos para emparedar o governo e obrigando-o a acatar suas demandas, desejos e vaidades, ainda que em prejuízo do país e da sociedade brasileira.

A declaração vazou para a imprensa, tornou-se pública, resultou em editoriais e bravatas, abriu uma crise entre o então ministro e a Câmara dos Deputados, que o convocou para “explicar-se“, em mais um evento que se previa um espetáculo para a televisão.

Cid Gomes, porém, disse respeitar o Parlamento, mas repetiu, agora publicamente, todas as críticas aos que se aproveitam de compor a base aliada do governo, com seus partidos nomeando ministros e secretários, mas agem como oposição.

Disse muito claramente que os partidos que desejam fazer oposição deveriam “largar o osso“. Chegou a dirigir-se diretamente ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), respondendo que preferia ser chamado de mal-educado do que de “achacador“, como Cunha estava aparecendo nas manchetes dos jornais.

A confusão foi grande com deputados que vestiram a carapuça e usaram termos ofensivos contra o ex-ministro. Cunha, com sua aversão crônica pela democracia, cortou o microfone de Cid, que retirou-se da Casa. Ao sair, em entrevista, reiterou o que havia dito e defendeu os esforços da presidenta Dilma para tentar qualificar a política e da árdua luta para a combater a corrupção em ambiente adverso.

Em seguida pediu demissão pelo “sincericídio“, pois é óbvio que, por mais que muita gente pense igual à ele, é impossível ter responsabilidade de governar e, ao mesmo tempo, declarar guerra aberta e pública à boa parte de base governista na Câmara.

Cid Gomes vocalizou o que a base eleitoral de Dilma Rousseff nas ruas e nos lares brasileiros vive. A sensação de que o Congresso, de forma generalizada, está pouco ou nada se importando com o eleitorado. E que nada barrará a oposição capitaneada por PSDB e DEM para atingir seus objetivos políticos.

Helena Sthephanowitz, RBA

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Comentários

  1. Rocken Postado em 23/Mar/2015 às 20:42

    estou atordoado com a sua visão profunda sobre a politica, mas agora falando serio a resposta é não, a Dilma não pode agir desta forma, quem deveria agira dessa forma deveria ser o povo, lideres da oposição e a também imprensa, que adora contar tudo pela metade e inventar causos pra tirar o foco do importante, de onde eles tiraram a ideia de reforma ministerial?

  2. Carlos Correa Postado em 23/Mar/2015 às 22:01

    A pesquisa que importa é a quantidade de votos nas urnas. Todos sabem da honestidade da presidenta Dilma, portanto, um conselho aos coxinhas golpistas, aceita que dói menos.

  3. Salomon Postado em 23/Mar/2015 às 22:43

    Por que, Maria? Explica o motivo da rejeição! Explica por que você, uma mulher, chama outra de "anta"? É anta por quê? Por que tanto ódio? Gostaria muito de saber o porquê. Conta pra gente. Compartilhe seu ponto de vista.

    • Félix Postado em 24/Mar/2015 às 12:32

      Simples, A Maria obviamente votou no Aécio, perdeu, perdeu e agora quer ganhar na base do jeitinho brasileiro. Só mais uma corrupta indignada com a corrupção dos outros. Não sei se a MariANTA sabe mas queda de popularidade não é motivo para impeachment. O ódio se propaga tão rápido!

  4. Onda Vermelha Postado em 23/Mar/2015 às 22:53

    A jornalista Helena Sthephanowitz faz uma indagação importante: "Por que Aécio Neves não age como Cid Gomes?". Penso que não só porque tem rabo preso com os métodos desse grupo político que, na verdade, o apoiou, mesmo que meio "clandestinamente" país afora nas últimas eleições e, obviamente, deseja manter o Cunha como "aliado" para "sangrar" o Governo Dilma paralisando suas ações e frustrando sua base política que deseja o cumprimento de suas promessas de campanha. Mas, substancialmente, lhe falta "estofo" político. Ele está muito longe de ser um estadista ou um homem público que acredita ser. Isso não significa admitir que Cid Gomes o fosse, mas Aécio certamente não é! Afinal, o que dizer de um cidadão que no dia da diplomação da Dilma pelo TSE ainda foi capaz de dar andamento a um recurso estapafúrdio pedindo o cancelamento da diplomação da candidata eleita legitimamente nas urnas e a solicitava a diplomação dele?

    • Félix Postado em 24/Mar/2015 às 12:39

      Primeiro ato da tentativa de golpe: "Não vamos nos dispersar". O segundo ato foi pedir recontagem de votos(alguém apresenta pra ele o Excel) numa tentativa de subtrair a legitimidade do pleito. Na sequência se revesam e se completam Rede Globo e Sérgio Moro. O cara não sabe perder.

  5. angela Postado em 23/Mar/2015 às 23:22

    Pois é Onda Vermelha isso se chama golpe fruto de uma mente psicopata que não consegue perder.Não sabe lidar com frustração e maquina o tempo todo a vingança.

  6. marcio oliveira Postado em 24/Mar/2015 às 01:13

    Porque este aercio é uma AMEBA ambulante, — o avô deve estar revirando na cova. Mauricinho que se acha, porque tem residência em Ipanema, e dá tchauzinho para os meineiros vez em quando.— ou na hora de buscar o voto.

  7. BRUNO SILVA Postado em 24/Mar/2015 às 07:57

    Gente com esse tipo de pensamento não sabe agir em defesa do povo e muito menos ter ideias melhores para agir.

  8. Lopes Postado em 24/Mar/2015 às 10:48

    É inadmissível que alguém faça elogios a postura do Cid (chora quando escapole) Gomes. Ele desrespeitou todos os eleitores que votaram em 2014. Os achacadores devem ser indentificados um-a-um. Palavras vazias jogadas ao vento só servem para desmoralizar o País.

  9. Kayky Postado em 24/Mar/2015 às 11:37

    Eu acho que foi esse o motivo da indignação coletiva. Tanto que quase todos "vestiram a carapuça". Pouquíssimas figuras políticas têm competência moral para proferir críticas aos demais, visto que uma grande parcela tem o rabo preso.