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Capitalismo 26/Mar/2015 às 12:24
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Os interesses internacionais por trás da crise da Petrobras

Petrobras está sob ataque internacional apoiado em forças locais. Perda de grau de investimento ou a exclusão do índice Dow Jones de sustentabilidade são fatos que têm de ser vistos num plano geopolítico: 'É um sistema especulativo planetário'. Avaliação é do professor da PUC, consultor da ONU e economista Ladislau Dowbor

petrobras
Produção de petróleo e gás natural, em fevereiro de 2015, chegou a 2 milhões e 801 mil barris (divulgação)

Eduardo Maretti, RBA

A queda do preço das ações da Petrobras e fatos que se originam em entidades do chamado mercado, como a perda de grau de investimento, em 24 de fevereiro, ou a exclusão do índice Dow Jones de sustentabilidade, como na última semana, fazem parte de uma estratégia deliberada de ataque à estatal brasileira, com motivações político-econômicas internacionais. A avaliação é do professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), consultor da ONU e economista Ladislau Dowbor.

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“Essas coisas têm que ser vistas num plano geopolítico. Fazem parte da mesma guerra que levou à invasão do Oriente Médio, às tentativas de desestabilização do governo da Venezuela, outra grande fonte de petróleo. No nosso caso, é o pré-sal que desperta interesse internacional”, diz Dowbor. “A Petrobras está num processo de pressão internacional que se apoia em forças locais.”

O preço das ações preferenciais da Petrobras caiu 52%, considerando o preço em real convertido em dólar, na comparação entre o que valia em 19 de março de 2014 e um ano depois, 19 de março de 2015. “Não tem nada de incorreto nessa conta. O que é incorreto é achar que isso significa o que realmente a Petrobras está perdendo em valor”, afirma Dowbor.

O professor vê ingenuidade na crença largamente alimentada pela imprensa tradicional de que é apenas o mercado ou seus mecanismos que promovem fatos como a queda do preço do petróleo, que em junho de 2014 custava US$ 115 o barril e hoje está em US$ 54. Em artigo que publicou em seu blog, Dowbor afirma: “A visão que temos, em grande parte devida aos comentários desinformados ou interessados da imprensa econômica, é que as flutuações de preços da commodities resultam das variações da oferta e da demanda”.

“Não são mecanismos de mercado que fazem cair o preço para a metade. Isso tem que ser visto pela área política, e não pela econômica. É um sistema especulativo planetário. É a mesma coisa que aconteceu com a degradação do grau de investimento (da Petrobras, em fevereiro). Faz parte de um ataque”, completou à Rede Brasil Atual.

A conta do economista se baseia no fato real de que as reservas do pré-sal não se desvalorizaram e o estoque de petróleo continua sendo o mesmo. “Se, com todo o ataque, conseguirem mudar a situação política do país, com a troca de presidente ou o que seja, e conseguirem privatizar a Petrobras, as ações vão explodir e quem tiver comprado na baixa vai ganhar. São os mesmos especuladores. O ataque é esse, é um ataque nacional e internacional. Estão fazendo isso com a Argentina, com a Venezuela, com os países que não se dobraram aos interesses do ‘mercado’.”

O secretário de Relações Internacionais da Federação Única dos Petroleiros (FUP), João Antônio de Moraes, analisa da mesma forma os fatos gerados por entidades vinculadas ao mercado ou que refletem seus índices. “O Brasil está sob um cerco de ataques. A Petrobras, como maior agente econômico do país, está neste contexto. É uma ação internacional muito bem montada que busca abalar o Brasil.”

Moraes acredita que o governo brasileiro teria como, no mínimo, minimizar os efeitos dos ataques. Para ele, o país deveria se aproveitar do momento em que as ações da Petrobras estão baixas e comprar papeis da companhia. “Essa medida teria dois efeitos: aumentaria o controle do povo sobre a empresa, tão estratégica, e ajudaria a derrubar a tática deles de prejudicá-la.”

Recorde

Mesmo sob ataque especulativo, a produção da companhia na camada pré-sal das bacias de Santos e Campos bateu novo recorde em fevereiro. No dia 26 a produção diária própria chegou a 555 mil barris por dia (bpd).

A produção total de petróleo e gás natural, em fevereiro, foi de 2,801 milhões de barris de óleo. Do total, 2,612 milhões de barris foram produzidos no Brasil, que importou os outros 189 mil barris, segundo a estatal.

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Comentários

  1. Salomon Postado em 26/Mar/2015 às 12:45

    Muitos querem a intervenção militar interna e externa. Pra quê? Pra acabar com a corrupção?

    • Orlando Postado em 26/Mar/2015 às 12:57

      Agora entendi porque cartazes em inglês "I want a military intervetion"

  2. Félix Postado em 26/Mar/2015 às 12:56

    E os otários de sempre enchendo as ruas.

  3. Dino Postado em 26/Mar/2015 às 13:59

    As piadas prontas do dia são: 1ª -JH da grobobo noticiar a investigação da PF sobre empresas que SÓ NEGAMIMPOSTOS...acho que a PF não acha o endereço da grobo.... 2ª - JH da grobobo noticia a cpi do HSBC sobre contas contas secretas em paraísos fiscais...kkkkkkkkk.....e a grobobo???

  4. Denisbaldo Postado em 26/Mar/2015 às 14:37

    Verdade, afinal só o PT tem inteesse interno

  5. Paula Maba Postado em 26/Mar/2015 às 14:56

    assustador ver como a m'idia, - de massa - sendo ela completamente vendida e conservadora tenha se tornado um braço tao forte na regulamentaçao do estado - agindo de uma forma sordida sendo instrumento de interesses privados .... medo ver de como povo pode ter se tornado altamente suscetivel atraves desse processo de alienaçao na falta de acesso a informaçao - nao diriam corretas, mais no minimo imparciais, conjugando fontes e critica... parabens por este... "espaço?"

  6. tiago Postado em 26/Mar/2015 às 15:31

    assistam no youtube "privatizações, a distopia do capital (2014)"

  7. Eduardo Postado em 26/Mar/2015 às 16:15

    São tantas besteiras que nem sei por onde começar. Como é que uma pessoa que não compreende a lei da oferta e procura e portanto o funcionamento dos preços pode ser consultor na ONU? O que se passa com o mercado de petróleo é o seguinte: os EUA conseguiram aumentar muito sua produção interna e isso derrubou os preços. Os estoque de petróleo estão em nível recorde. Isso associado a menor demanda. O preço cai e isso prejudica justamente os produtores americanos que estão produzindo menos. Portanto em breve o preço deve voltar a subir.

    • Onda Vermelha Postado em 26/Mar/2015 às 21:34

      Ok, Eduardo. Não seja tão simplista. A lei da oferta e procura explica muita coisa, mas não explica tudo. Num mercado onde uma commoditie como o Petróleo é controlado por um número tão pequeno de produtores não se pode ignorar o papel, por exemplo, da OPEP na formação de preços. Nem os interesses geopolíticos que, como sabemos, já deram impulso a conflitos como a Guerra do Golfo. Ou você ainda acredita naquela história fajuta de que os EUA invadiram o Iraque por causa das "armas de destruição em massa" de Saddam Hussein? Neste momento parece óbvio que a OPEP está forçando a baixa dos preços internacionais para tentar descapitalizar ou até inviabilizar as empresas que produzem Petróleo de Xisto no EUA, por mais improvável que nos pareça. Nós também estamos sofrendo este efeito aqui. A pergunta que vale “um milhão de dólares” é: por quanto tempo esses produtores serão capazes de manter os preços do petróleo nestes níveis?

    • Leandro Postado em 28/Mar/2015 às 02:19

      Não amigo, na verdade o petróleo não é regido pela lei da oferta e procura. um Existe um cartel chamado OPEP, esses sim que ditam os preços e quantidades a serem exploradas para seus menbros. Bom, Vamos lá.... Brasil com o pré sal, A Rússia na Sibéria, Canadá com o seu petróleo extraído da terra, o aumento da produção americana e etc.... No mercado tradicional com maior oferta de um produto os preços tenderiam a cair, mas no setor petrolíefro isso poderia ser impedido, bastando a OPEP diminuir sua produção. Mesmo com o crescimento da oferta do produto, com a diminuição da extração dos Países menbros da OPEP os preços tenderiam a se elevar. Na minha concepção tal ato é uma tática econômica. Bom, os Países da OPEP ao invés de diminuirem sua produção estão extraindo mais, mesmo com a desaceleração mundial por tal recurso. A diminuição dos preços tem um impacto desastroso nos novos grandes exportadores como no caso da Rússia aonde 80% do seu PIB depende das receitas do petróleo. Bom, acontece que os novos atores tem um custo elevadíssimo para extrair seu petróleo, processos complicados e caros e tal, só sendo lucrativo com o barril na casa dos U$100. Aprovando uma maior extração a OPEP está deliberadamente jogando o preço do produto lá pra baixo, afim de que o valor chegue a um patamar aonde custaria mais caro extrair o produto do que vende-lo. A consequência seria que os novos exportadores saíssem de cena. Nesse ponto a OPEP deve então ir diminuindo sua exploração, afim que o valor do barril volte a subir.

  8. Eduardo Postado em 26/Mar/2015 às 16:20

    E vou propor uma pequena reflexão pros leitores deste blog que tem tanto a aprender sobre fundamentos da economia. A Australia tem gás e petróleo mas não tem uma companhia estatal, suas reservas são exploradas por grandes empresas estrangeiras. Como eles conseguem ter combustível barato e renda para seu povo se são "explorados" por empresas capitalistas como Chevron, BP e Shell??

    • poliana Postado em 26/Mar/2015 às 20:35

      nossa telefonia foi privatizada e temos a pior e mais cara telefonia do mundo!!! tivemos 8 anos de privatizações no brasil, nosso patrimônio foi dilapidado e vendido a preço de banana, e n tivemos o menor retorno em políticas públicas com elas...mas usar exemplos do 1º mundo e aplicá-lo ao brasil, achando q aki será a mesma coisa, é simples né?! qta má fé!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!