Redação Pragmatismo
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Mídia desonesta 09/Mar/2015 às 16:36
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O estranho mundo dos midiotas

Se você lê jornais e assiste ao noticiário televisivo, e além disso leva em conta os comentários dos especialistas em generalidades que proliferam nas emissoras de rádio e acompanha sofregamente tudo que circula nas redes sociais digitais, pode estar certo de que você está incurso no arco de seres humanos que estão sendo estudados pelos especialistas em comunicação de algumas das melhores universidades do mundo. Esse espectro vai do indivíduo profundamente elaborado, que é capaz de filosofar sobre o mundo midiatizado, ao perfeito midiota.

O contexto teórico considerado por esses estudiosos tem como objeto o que em língua inglesa se chama “media literacy” e que, em português, é chamado, principalmente no núcleo de estudos específicos da Universidade de São Paulo, como Educomunicação. Trata, como se pode depreender, de uma educação especial que habilita o indivíduo a entender o conteúdo da mídia e formular sua própria opinião a respeito dos assuntos abordados. O pressuposto de tal disciplina é que a mídia tem uma função social que vai muito além da tecnologia e dos recursos financeiros usados para fazer com que aconteça a comunicação.

O professor Thomas Bauer, responsável pela cadeira de Cultura da Mídia e Educação pela Mídia na Universidade de Viena, observa que essa função dos meios deve extrapolar o conceito de troca de informações passando por um filtro (mediação), para o propósito de contribuir para a construção de uma ordem social baseada na diversidade. Além de balizar a organização da ordem social, juntamente com outras instituições e entidades formais ou informais, a mídia deve participar das negociações entre os indivíduos, isoladamente ou em grupos, e entre si, para que se obtenha uma sociedade sustentável.

Uma proposta de educação que considere o papel da mídia como tal deve, segundo Bauer, apontar para a conquista da competência de distinção do significado de diferentes situações, em termos de ética, estética e benefício potencial. Numa circunstância ideal, a sociedade sustentável conta com pessoas capazes e responsáveis pelo uso da mídia como meio de comunicação e conexão social, e não apenas como clientes a serem convencidos disto ou daquilo.

Uns e outros

Como no “vidiota” do romance de Jerzy Kosinski que inspirou o filme intitulado Muito além do jardim, a intensa exposição à mídia, sem o contraponto do senso crítico, pode ser uma prática perigosa. O indivíduo habilitado para interpretar a narrativa e o discurso propostos pela mídia nesse papel é também capaz de questionar o sentido que a mídia propõe para os acontecimentos do cotidiano.

Um grande contingente de cidadãos em condições de distinguir os vários significados das situações que a imprensa lhes apresenta será mais senhor de seu destino e se tornará menos vulnerável a discursos manipuladores e demagógicos.

O dilema está no fato de que esse benefício depende em grande parte de uma determinação da mídia hegemônica de usar seus recursos eticamente e com grande empenho estético. O problema se complica quando a própria imprensa faz escolhas contrárias à ética, esteticamente inadequadas e fora do propósito do bem, com o objetivo de usar a conectividade social que lhe é atribuída para arregimentar adeptos a um modo de vida simbólico que contraria o interesse coletivo.

Claro que tudo isso pressupõe a existência de interesses coletivos em meio a idiossincrasias individuais, mas o problema se resolve com a observação segundo a qual a sociedade se forma por meio da comunicação, produtora de sentido – portanto, criadora de cultura.

Uma maneira simples de avaliar se determinado meio contribui para este ou aquele tipo de sociedade é observar se suas mensagens estimulam, por exemplo, uma cultura de paz ou a violência; se propõe uma visão tolerante das diferenças ou se investe no confronto.

É da modernidade supor que o indivíduo se torna responsável por suas escolhas, ou, em outra acepção, no uso de suas vontades fortes ou fracas. Portanto, parte da responsabilidade pelo que se processa no ecossistema midiático compete à mídia, mas o arbítrio ainda é do cidadão.

Quando dizemos que “você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito”, estamos apostando que, exercitando a observação crítica da imprensa, o indivíduo se educa para a mídia. Essa distinção de habilidades é o que faz, de uns, midialiteratos e, de outros, no ponto extremo do que acreditam em tudo que leem, midiotas.

Luciano Martins Costa, Observatório da Imprensa

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Comentários

  1. Onda Vermelha Postado em 09/Mar/2015 às 22:26

    “Se você não for cuidadoso, os jornais farão você odiar as pessoas que estão sendo oprimidas, e amar as pessoas que estão oprimindo.” Malcolm X. Simples assim! Não ser um "midiota" só depende de você mesmo! Seja crítico daquilo que vê, ouve ou lê!

  2. eu daqui Postado em 10/Mar/2015 às 08:32

    E não seja um militandiota também. Pq existe extremismo e manipulação e insuflação do ódio dos dois lados.

    • Jane Postado em 10/Mar/2015 às 10:02

      Amigo, se você acredita que a coisa é assentada em "2 lados" , você já é um midiota.

      • eu daqui Postado em 10/Mar/2015 às 10:19

        Não sou sua amiga e muito menos amigo. Se vc crê que pode existir algo em todo o cosmos que é "assentada" em somente um lado, vc não é midiota nem militandiota, vc é refugo da merda dos dois, aquele rebotalho da m que não serve nem pra adubo.

    • Rafael Postado em 10/Mar/2015 às 12:55

      "assentada" em somente um lado? já parou para pensar que quando a Jane disse sobre existirem dois lados, ela estava indicando a existência de MAIS de dois lados? pense antes de sair escrevendo uma resposta dessas. "refugo da merda dos dois..." quanto ódio. pior é que você mesmo apontou a existência desse sentimento. pare e reflita. paz.

    • Rocken Postado em 10/Mar/2015 às 17:10

      você precisa aprender logica(pensar mais), no comentário da Jane ficou certo que pra ela NÃO tem "2 lados", ficou ambiguo, mas você concluiu que pra ela so tem um lado, é tipico dos midiotas desconsiderar as outras possibilidades

  3. Fabiola Postado em 10/Mar/2015 às 09:09

    adorei essa ultima...é isso mesmo!

  4. vilmar Postado em 10/Mar/2015 às 10:03

    não estou satisfeito com o governo da Dilma, mas também não queria ver o Aécio neves como presidente, mas também não deixo os Riquenhos mimados me manipular como marionete a ponto do ódio tomar conta do meu precioso cérebro,a muito tempo que venho prestando a atenção pra muita gente que mal sabe o que é politica muito menos verbalizar sobre o assunto, mas estão lá acompanhando e tentando copiar os ricos que sempre foram contra qualquer projeto do governo que beneficie os pobres. e em termo de corrupção, a corrupção existe desde principio e parece que só agora as pessoas descobriram.

    • Farias Postado em 10/Mar/2015 às 14:52

      Vdd Vilmar!!!

    • Rocken Postado em 10/Mar/2015 às 17:19

      isto faz parte da estrategia da mídia, eles são hipócritas ao reagirem surpresos quando chegam noticias de que as doações eram dinheiro sujo, eles ainda ocultam que todos os partidos principais sempre receberam as mesmas doações, principalmente PT e PSDB, e é por isso que as pessoas acham que a corrupção começou agora, se a mídia não ocultasse estes fatos, as pessoas saberiam que a corrupção opera desta forma faz tempo e isto acabaria imediatamente, mas a Globo e seus comparsas não querem isso, pois eles são pagos por quem realmente sai ganhando com a corrupção

    • Elias Montakis Postado em 10/Mar/2015 às 23:37

      Grande Vilmar! Ate que enfim alguem como coracao livre do odio midiatico insuflado pela direita golpista!

  5. Rodrigo Postado em 10/Mar/2015 às 11:02

    Existe um teste fácil pra perceber o quanto a mídia (principalmente a grande) é de péssima qualidade: Pegue um assunto que você conheça bem, como música, cinema, ciências ou qualquer outro e procure notícias sobre estes assuntos que são do seu domínio. Leia/assista a notícia encontrada e se surpreenda com a imensa quantidade de erros ou bobagens que vai encontrar. Agora ė só pensar que esta mesma quantidade de erros vai estar em outros assuntos, aqueles que você não conhece a fundo o suficiente para poder criticar o conteúdo...

    • Ricardo Postado em 10/Mar/2015 às 14:45

      Perfeito comentário, Rodrigo.

    • marcelo Postado em 11/Mar/2015 às 09:04

      Rodrigo, trabalho numa área do governo que é geradora de notícias, por isso tenho os dados reais em diversas situações e repassamos para a imprensa em briefings ou discursos. Vc não acreditaria na quantidade de erros (propositais ou não, não posso afirmar) que as notícias veiculadas contém. São erros grosseiros como entender mal o valor do orçamento, errar o nome dos locais, misturar afirmações. Uma verdadeira incompetência ao transformar em notícia um fato.

  6. Marlon Bravo Postado em 11/Mar/2015 às 11:33

    Também gostei desse termo "midiota" ! Casa bem com coxinha ! Já os vejo entrando no altar com a marcha nupcial ao fundo !