Redação Pragmatismo
Compartilhar
Protestos 20/Mar/2015 às 18:30
25
Comentários

Jovens que abraçaram “Carlinhos Metralha” sabiam o que estavam fazendo?

Louvado pelos manifestantes na avenida paulista e digno até de uma esdrúxula continência por parte de um policial militar, “Carlinhos Metralha” matava jovens a sangue frio; ele teve participação em casos de detenção ilegal, tortura e execução

Ex-torturador, Carlinhos Metralha foi tratado como herói nacional na avenida paulista.

Fernando Brito, Tijolaço

Meu bom companheiro Fernando Molica, colunista de O Dia, publicou ontem, em seu blog, um excelente artigo sobre o vídeo que havíamos mostrado aqui, feito pelos jornalistas da revista Trip na manifestação da Avenida Paulista de domingo.

Reproduzo o artigo ao final, mas peço licença a Molica para trazer logo para o início a ficha do aparentemente inofensivo “Carlinhos Metralha” louvado pelos manifestante e digno até de uma esdrúxula continência por parte de um policial militar.

Carlos Alberto Augusto, vulgo ‘Carteira Preta’ e ‘Carlinhos Metralha’, o ex-delegado do Dops que discursou na manifestação, levou para a Avenida Paulista um cartaz em que dizia querer ser ouvido pela Comissão da Verdade. Pena que só diz isso agora, quando os trabalhos da comissão foram encerrados. O relatório diz que ele foi convocado a depor, mas não foi localizado. Na hora de prestar contas à história, ele tratou de não aparecer. Segue trecho do relatório sobre ele:

Carlos Alberto Augusto (1944-) Delegado de polícia. Serviu no Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo (DOPS/SP), sendo conhecido como “Carteira Preta” e “Carlinhos Metralha”. Integrou a equipe do delegado Sérgio Paranhos Fleury. Teve participação em casos de detenção ilegal, tortura e execução. Convocado para prestar depoimento à CNV, não foi localizado. Vítimas relacionadas: Carlos Marighella (1969); Eduardo Collen Leite (1970); Antônio Pinheiro Salles e Devanir José de Carvalho (1971); Soledad Barrett Viedma, Pauline Reichstul, Jarbas Pereira Marques, José Manoel da Silva, Eudaldo Gomes, Evaldo Luiz Ferreira de Souza e Edgard de Aquino Duarte (1973).

VEJA TAMBÉM: 10 vídeos das manifestações de domingo que você não viu na mídia

A Pauline Reichstul, apontada no relatório como uma das vítimas do ‘Carlinhos Metralha’, era irmã de Henri Philippe Reichstul, presidente da Petrobras no governo Fernando Henrique Cardoso.

Retomo: Carlinhos Metralha era um dos agentes do DOPS que “administrava” as delações do famigerado Cabo Anselmo. Pauline e outros cinco jovens foram executados não na “Paulista”, mas em Paulista, Pernambuco, no que ficou conhecido como “A Chacina da Chácara São Bento”.

Pauline recebeu uma coronhada na cabeça. Os outros cinco, executados a tiros.

26 tiros, relata o jornalista pernambucano Luiz Felipe Campos, que escreveu um livro sobre o episódio: “14 na cabeça e muitos à queima-roupa. Ao cenário brutal, foram adicionadas armas ao redor dos corpos para sugerir um confronto entre guerrilheiros e militares que nunca houve. As fotos, difundindo a versão oficial de que um “congresso de terroristas” havia sido desbaratado, foi estampada nos jornais três dias depois”.

Já mortos, metralhados.

“Com muito prazer”, talvez, como disse no vídeo o “herói da Paulista”.

O ato, os golpistas e o torturador

Fernando Molica

O vídeo sobre a manifestação paulistana que foi preparado por equipe da revista ‘Trip’ é assustador demais. Não dá para achar razoável ou tolerável que organizadores de ato que diz defender a democracia aceitem a presença de entusiastas de um golpe militar e até liberem o microfone para um ex-torturador, o delegado aposentado Carlos Alberto Augusto. Admitir a participação desses sujeitos seria o mesmo que aceitar a presença de nazistas numa passeata contra a política externa de Israel. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

É razoável imaginar que organizadores da manifestação tomassem a iniciativa de expulsar do ato um grupo de petistas que fosse até lá para condenar a roubalheira na Petrobras e, ao mesmo tempo, defender Dilma Rousseff. Não seria absurdo que eles fossem convidados a se retirar de uma passeata que protesta contra o governo. A eventual presença deles poderia até ser vista como provocação.

O problema é que, pelo que vi e li sobre as manifestações de domingo, não houve qualquer tentativa de expulsão dos pregadores do golpe (o vídeo até mostra mulheres que se revoltaram com a histeria militarista, mas, pelo visto, não passou de um protesto isolado).

É simples, ato que inclui defensores da ditadura, torturadores (havia pelo menos um) e pessoas que não admitem a pluralidade (caso dos que revelam intolerância com comunistas e integrantes de outras correntes de esquerda) não pode ser chamado de democrático. Mais: quem defende a ditadura não tem o direito de dizer que é contra a corrupção. Afinal, na ditadura, casos de corrupção eram censurados ou não geravam qualquer consequência – como as mordomias no escalão federal reveladas pelo ‘Estadão’ e a negociata, publicada pela ‘Folha’, que envolveu o grupo Delfin e o Banco Nacional da Habitação (terrenos no valor de Cr$ 10 bilhões quitaram uma dívida de Cr$ 60 bi junto ao BNH). Quem defende a ditadura defende o direito de quem quer roubar sem ser punido.

Vale também ressaltar o absurdo que foi utilizar a belíssima ‘Canção do Expedicionário’ como trilha sonora da manifestação, isto representou uma ofensa aos pracinhas que foram combater ditaduras na Europa. Um combate que, aqui, acabou provocando a queda de um ditador. A ‘Canção’ (“Por mais terras que eu percorra/ Não permita Deus que eu morra/Sem que volte para lá”) é linda, deve ser o único canto de guerra que não fala em destruição, em morte, mas da vitória e da saudade da pátria amada:

Venho das praias sedosas,
Das montanhas alterosas,
Dos pampas, do seringal,
Das margens crespas dos rios,
Dos verdes mares bravios
Da minha terra natal.

Por último, vale registrar: o Carlos Alberto Augusto, vulgo ‘Carteira Preta’ e ‘Carlinhos Metralha’, o ex-delegado do Dops que discursou na manifestação, levou para a Avenida Paulista um cartaz em que dizia querer ser ouvido pela Comissão da Verdade. Pena que só diz isso agora, quando os trabalhos da comissão foram encerrados. O relatório diz que ele foi convocado a depor, mas não foi localizado. Na hora de prestar contas à história, ele tratou de não aparecer. Segue trecho do relatório sobre ele:

Carlos Alberto Augusto (1944-) Delegado de polícia. Serviu no Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo (DOPS/SP), sendo conhecido como “Carteira Preta” e “Carlinhos Metralha”. Integrou a equipe do delegado Sérgio Paranhos Fleury. Teve participação em casos de detenção ilegal, tortura e execução. Convocado para prestar depoimento à CNV, não foi localizado. Vítimas relacionadas: Carlos Marighella (1969); Eduardo Collen Leite (1970); Antônio Pinheiro Salles e Devanir José de Carvalho (1971); Soledad Barrett Viedma, Pauline Reichstul, Jarbas Pereira Marques, José Manoel da Silva, Eudaldo Gomes, Evaldo Luiz Ferreira de Souza e Edgard de Aquino Duarte (1973).

A Pauline Reichstul, apontada no relatório como uma das vítimas do ‘Carlinhos Metralha’, era irmã de Henri Philippe Reichstul, presidente da Petrobras no governo Fernando Henrique Cardoso.

Acompanhe Pragmatismo Político no Twitter e no Facebook

Recomendados para você

Comentários

  1. leonardo Postado em 20/Mar/2015 às 18:52

    E tem um negro do lado dele.

    • Samael Postado em 20/Mar/2015 às 19:14

      Eu não achei o negro não, alias #acheonegronoprotesto.

      • Rafael Postado em 21/Mar/2015 às 08:39

        kkkk O André achou os negros do protesto em uma reportagem da Veja! Ganhou o prêmio!

      • Gustavo Postado em 21/Mar/2015 às 08:45

        Dois caras dentro de uma caçamba de entulho. Um segurava um saco enquanto o outro enchia usando uma pá! A passeata passou, a caçamba esvaziou. Uns foram tomar um chopp no Outback e os negros da caçamba continuam sendo confundidos com entulho! André, procure outra imagem.

      • Félix Postado em 21/Mar/2015 às 08:49

        André, protesto contra a corrupção petista. Quem comparece abraçando esta causa ou sofre de indignação seletiva ou é corrupto também.

    • Eduardo Ribeiro Postado em 20/Mar/2015 às 20:42

      Tinha tanto, mas tanto, mas tanto negro na passeata-gourmet que eu já vi esses dois do vídeo linkados em uns 700 artigos e foruns distintos para justificar a presença de negros e pobres na manifestação-coxinha. Viraram "case", de tão sui-generis que são.

      • Orlando Postado em 21/Mar/2015 às 08:52

        Larga que estes negros já são meus! Eu vi primeiro! kkkkkkkkk Eu queria até fazer um selfie com eles mas estavam muito suados. Também poderia estragar meu tênis de protestar!

    • Tatiana Postado em 20/Mar/2015 às 20:43

      andre, é serio q vc acreditou q quando disseram q n tinha negro é pq n tinha nenhum negro?? é obvio q tinha, mas eram poucos...

    • Wander Postado em 21/Mar/2015 às 07:46

      O moleque com apito na boca está parecendo mais um índio.

  2. Junio Postado em 20/Mar/2015 às 22:54

    Se tinha ou não tinha negros isso é de menos! Negros me referindo a raça, e pretos me referindo a cor, estão em todos lugares, estão "nas escolas, nas ruas, campos, construções, caminhando e cantando e seguindo a canção" como diria Geraldo Vandré, que cito, como sinal de protesto à este ser repugnante que deveria estar preso! a este não desejo se quer a morte por ter muito a pagar por todos os anos dedicados ao crime legalizado promovido pela maldita ditadura militar que assolou e quase exterminou o Brasil! É obvio que tinha negros, alguns perdidos outros cientes do golpe que queriam voltar a aplicar nesta terra abençoada! Assim como os brancos, os pardos, os japoneses e demais classes. A única presença me que foi sentida neste lamentável protesto pró-golpe, foi a do excelentíssimo Dr. Paulo Maluf, prometendo ROTA na rua! Nada contra os grandes policiais que fazem parte deste distinto e seleto grupo, mas hoje a rota não pode primeiro atirar e depois perguntar quem é! Como faziam no auge da ditadura.

  3. Rafael Postado em 21/Mar/2015 às 09:02

    A proporção era a mesma da formatura de medicina. Inclusive eu vi um médico negro que me vende recibos para declaração de imposto de renda. Foi quando o Alex Escobar chamou dizendo que as manifestações estavam pacíficas, tinha crianças, idosos e famílias. O Black Doctor estava numa barraquinha de delação premiada e tinha um cartaz em inglês que dizia " We want a military intervention"

  4. MARIA Postado em 21/Mar/2015 às 09:25

    FOI O TEMPO EM QUE JOVENS EM MANIFESTAÇÕES ERAM POR IDEAIS! HOJE A MAIORIA SÃO POR SELFIES! EXEMPLO DA OPOSIÇÃO DO GOVERNO !

    • poliana Postado em 21/Mar/2015 às 10:49

      pois é maria..pura modinha!!! ô geração, viu...

    • Vinicius Postado em 21/Mar/2015 às 21:53

      Pois é Maria, infelizmente faço parte dessa geração, uma geração alienada e manipulável que só quer saber de modinha,exaltar os EUA e outras bizarrices. Queria ter sido Jovem no seu tempo Maria...*Outro Vinicius

  5. Keli Paloma Postado em 21/Mar/2015 às 16:09

    Gente... acho que no cartaz está: "Quero ser ouvido pela OMISSÃO DA VERDADE..." O cara é mais cara de pau ainda!

  6. Salomon Postado em 21/Mar/2015 às 19:19

    Prova mais robusta que a do dia 15 não existe. Os de boa-fé são analfabetos políticos, os de má-fé são fascistas autênticos. Com razão a Marilena Chauí.

  7. Galvão Postado em 21/Mar/2015 às 19:39

    Essa busca por um negro nas manifestações de 15/03, está parecendo o jogo "Onde estar Wally?. Na nossa versão "Onde tem um negro?"

    • jarau Postado em 21/Mar/2015 às 20:40

      Galvão. Procura ler e te informar nas entrevistas do coxinhas de PORTO ALEGRE, aqui é um protesto de gente linda, branca e cheirosa. Galvão procura e depois comente.

  8. jarau Postado em 21/Mar/2015 às 20:37

    Esta é uma pequena amostra do que faziam na ditadura.Tenho amigos militares, estão envergonhado de tudo isso, tem GENERAL amigo da minha família, que seu pai na época da Ditarura, foi preso no quartel, pois foram contra o golpe, o famoso grupo de SARGENTOS DO EXERCITO, CONTRA O GOLPE.

  9. Mallu Postado em 21/Mar/2015 às 20:44

    Claro que não sabiam. O pior de tudo é que nem se preocupam em procurar saber. Ignoram a história como o diabo foge da cruz, e quando são confrontados com a mesma dizem que são "doutrinadores comunistas do MEC!onze !1!1" enfim, tristeza por esses jovens, adultos, idosos alienados e/ou que agem de pura ma fé, conhecidos como fascistas. Os EUA agradecem a preferência ;D

  10. Carlos Correa Postado em 22/Mar/2015 às 11:00

    Para esse bandido, o capeta já está preparando uma bela recepçao no inferno.

  11. Thiago Teixeira Postado em 23/Mar/2015 às 10:28

    Se o casal NARDONI postasse da cadeia um vídeo FORA DILMA, seriam heróis nacionais. Não interessa o passado e quem é a pessoa, basta odiar o Lula para ser respeitado pela elite parda metida a branca com lentes de contato azuis!

    • Vinicius Postado em 24/Mar/2015 às 00:14

      Duvido nada Thiago, se brincar criariam uma página no Facebook e até falariam "Juntos com o Casal Nardoni " ou "Infanticídio sim, comunismo não". *Outro Vinicius

    • eu daqui Postado em 24/Mar/2015 às 11:18

      Vc não cansa dessa obcessão por brancos de olhos azuis, ne?

      • Thiago Teixeira Postado em 24/Mar/2015 às 15:43

        Minha obsessão são nas brancAs de olhos azuis apenas, mina. Branco eu quero distância!