Redação Pragmatismo
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Aborto 31/Mar/2015 às 12:05
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Cresce número de mulheres que desistem de abortar no Uruguai após a legalização

Uruguai: após legalização, desistência de abortos sobe 30%. Dados mostram que 18% das mulheres que buscam o procedimento correspondem a menores de 20 anos

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O número de mulheres que decidiram levar adiante a gravidez após solicitar um aborto legal no Uruguai cresceu 30% em 2014 se comparado ao ano anterior, conforme o segundo relatório anual do Ministério da Saúde (MSP) divulgado neste fim de semana.

O total de abortos legais concretizados subiu 20%, com “8.500 interrupções voluntárias da gravidez“, mais do que no mesmo período de acordo com o comunicado.

Os dados foram coletados “entre dezembro de 2013 e novembro de 2014“, explicou neste domingo à Agência Efe a ginecologista e ex-diretora de Saúde Sexual e Reprodutiva no MSP, Leticia Rieppi, que participou da coordenação do relatório realizado durante sua gestão, antes da mudança de governo no país. Em 1 de março, o ex-presidente José Mujica entregou a faixa ao seu sucessor Tabaré Vázquez.

Para a médica, a ascensão no número de abortos está dentro do esperado para os primeiros anos de vigência da lei.

O que nos surpreendeu foi o aumento de desistências, o que demonstra que a lei vem cumprindo seu papel. Não é uma lei que promove o aborto, mas a reflexão. Isso demonstra que muitas mulheres que solicitam o aborto não têm certeza e que as consultas obrigatórias com a equipe interdisciplinar, formada por psicólogos e assistentes sociais, além do ginecologista, estão sendo efetivas“, disse em alusão ao procedimento determinado pela legislação no qual a mulher tem cinco dias para pensar antes de prosseguir com o pedido.

Sobre o número de abortos concretizados, o Ministério informou que se trata de uma relação de 12 para cada 1.000 “mulheres entre 15 e 45 anos, sendo porcentagens que estão abaixo dos níveis internacionais que se conhecem, como, por exemplo, nos países nórdicos“.

Os resultados do relatório também dão conta de que 18% das mulheres que buscam o procedimento correspondem a menores de 20 anos. Nesse sentido, Leticia contrapõe que “uma a cada cinco adolescentes no Uruguai é mãe“.

Se fala muito sobre gravidez precoce e parece que as adolescentes são condenadas tanto quando abortam quanto quando não o fazem“, opinou.

De acordo com registros oficiais, 60% dos abortos ocorreram em Montevidéu e os demais no interior do país e nenhuma morte aconteceu no período de vigência da nova lei.

O MSP continuará potencializando o acesso à informação de métodos contraceptivos, de modo a não chegar tarde para promover e facilitar a decisão voluntária da maternidade“, concluiu o comunicado.

A lei de interrupção voluntária da gravidez está em vigor no país desde o final de 2012.

Na América Latina, essa possibilidade amparada pelo sistema de saúde só existe na capital mexicana, em Cuba, Guiana e Porto Rico, além de no Uruguai.

Leitura complementar: Uruguai: quase 7 mil abortos legais e seguros e nenhuma morte registrada

EFE

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Comentários

  1. Pereira Postado em 31/Mar/2015 às 14:08

    Precisa o aborto ser legalizado para as mulheres terem direito a auxílio psicológico e médico ? Precisa ser legalizado para ter um serviço público que oriente as mulheres que aborto não é a melhor saída para um eventual desespero ? Precisa ser legalizado para a sociedade encontrar uma saída política e social menos violenta ? A resposta é, NÃO , não precisa o aborto ser legalizado para as mulheres terem todos esses direitos.

    • Matheus Postado em 01/Apr/2015 às 10:07

      Porque fazer somente metade da coisa certa? E na prática, do ponto de vista do funcionamento de estados de direito e da relação entre as pessoas e os estados de direito é meio difícil esperar que quem quer fazer um aborto onde é ilegal vá buscar o estado que a condena por assistência. Sua constatação é fruto de fantasia. E deus do céu, para de achar que você tem qualquer noção do processo psicológico(porque necessariamente envolve desespero? É de mais pra você imaginar que o aborto envolva reflexão cuidadosa?) que uma grávida que está em conflito com a possibilidade de aborto está passando. Fica na sua e deixa quem tem a ver com o negócio de fato, pois passa por ele, enfrentar os conflitos subjacentes. Já que estamos falando de aborto, QUERO É VER OS PRÓ-VIDA PARAR DE COMER CARNE/OVO/LEITE! Muito fácil ter uma visão maniqueísta que não enxerga as complexidades da ética em relação ao controle dos processos da vida sem nem mesmo examinar a indústria que manipula e destrói a natureza pra te alimentar comida de má qualidade! Tão maniqueístas que são capazes de imaginar que o que acabei de falar significa que abortar é semelhante moralmente ao ato de comer carne. Use sua imaginação! Por fim, não condenemos crianças e mães a uma vida de sofrimento.

    • andre fln Postado em 01/Apr/2015 às 21:43

      Precisa sim, sem dúvida os indices destacados são importantes, mas, DESTACO: nenhuma morte aconteceu no período de vigência da nova lei. Isso é ''o'' resultado, por isso é preciso legalizar, senão essas mulheres nem vão aonde a assistencia está!