Redação Pragmatismo
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Política 10/Feb/2015 às 10:06
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Um mês de janeiro para não ser esquecido

Janeiro foi um mês péssimo para o governo Dilma Rousseff. Mas esse janeiro está longe de ser o pior primeiro mês de um segundo mandato presidencial em nossa história. Para quem está impressionado com janeiro de 2015, vale lembrar o que aconteceu em janeiro de 1999

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(Reprodução: Folha de S.Paulo, 31/01/1999)

Janeiro foi um mês péssimo para o governo Dilma Rousseff. Nem é preciso enumerar as razões, da falta de chuvas à interminável agonia da Petrobras. Como se não bastassem, a presidenta enfrentou a hostilidade das esquerdas ao ministério e as malcriações da direita, que abusa de um discurso cada vez mais grosseiro. Para coroar os padecimentos, em 1º de fevereiro os deputados elegeram Eduardo Cunha presidente da Câmara.

Ruim? Com certeza, mas esse janeiro está longe de ser o pior primeiro mês de um segundo mandato presidencial em nossa história. O título continua nas mãos de Fernando Henrique Cardoso, no início de seu segundo mandato em 1999.

Para quem está impressionado com os problemas de Dilma no mês passado, a comparação com os de seu antecessor peessedebista é pedagógica. O que dizer de um mês no qual a inflação anualizada saltou de 1,78% para 20%? Do momento em que uma desvalorização não coordenada do real elevaria em pouco o tempo a cotação do dólar de 1,32 para 2,16? No qual as reservas internacionais haviam se exaurido após uma tentativa malsucedida de evitar o derretimento da moeda nacional? Calcula-se que o Brasil perdeu 48 bilhões de dólares naquele período, o que torna coisa miúda os desvios até agora denunciados na Petrobras.

Janeiro de 1999 foi um mês de tanta balbúrdia na economia que o Banco Central teve três presidentes, um dos quais preso pela Polícia Federal. Ficou evidente que o governo tinha “amigos” no mercado financeiro, pois alguns bancos e corretoras receberam informações privilegiadas e amealharam uma fortuna, enquanto o resto do País pagava a conta.

Inflação explosiva, erosão do real, fuga de capitais, descontrole administrativo, suspeitas de favores, policiais a vasculhar a vida do presidente do Banco Central. Assim foi o primeiro janeiro de Fernando Henrique depois da reeleição.

FHC, óbvio, tinha uma vantagem sobre Dilma, a simpatia dos barões da mídia e, por extensão, da maioria dos jornalistas empregados nesses meios de comunicação. Por mais que se inquietassem com o vendaval a vergar a economia e as denúncias de malfeitos, nada do que se vê hoje contra Dilma acontecia. Se você duvida, imagine como ela seria tratada pelas corporações midiáticas se um cenário como o de 1999 se repetisse agora.

A simpatia dos meios de comunicação pouco serviu, porém, a FHC. Todas as pesquisas feitas de janeiro de 1999 em diante mostraram quedas na popularidade e na avaliação positiva do governo. Em fevereiro daquele ano, um levantamento do Vox Populi revelou que a soma de “ótimo” e “bom” ficava em 19%, enquanto a de “ruim” e “péssimo” alcançava 47%. Em setembro, a positiva afundou a minguados 8% e a negativa saltou para estratosféricos 65%.

Dilma, como sabemos, ostenta índices muitíssimo melhores: nas últimas pesquisas disponíveis, sua avaliação positiva estava em 42%, enquanto a negativa era quase a metade, perto de 22%. Quisera FHC obter números como esses.

Os problemas do tucano e da petista no início de seus segundos mandatos não são iguais, mas a grande diferença entre janeiro de 1999 e o deste ano é outra. Por mais que tivesse de lidar com a oposição do PT e dos setores progressistas da sociedade, ninguém discutia, a sério, o impeachment do tucano. Depois dos erros cometidos no primeiro mandato, FHC meteu os pés pelas mãos no início do segundo, mas nunca enfrentou a onda golpista hoje em curso.

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Em 2002, o Brasil já era o 2º do mundo em desemprego, atrás apenas da Índia (Folha de S.Paulo, 05/2002)

É natural emergir o golpismo na opinião pública brasileira, a se considerar quão presentes são os elementos autoritários e antipopulares em nossa cultura política. Nenhum país, particularmente aqueles com trajetória semelhante à nossa, em que a democracia sempre foi exceção e nunca regra, está livre desse fenômeno.

O problema não é existir na sociedade a oposição tosca e ignorante típica das velhas e novas “classes médias”, incapazes de entender os acontecimentos. Grave é o desembaraço com que se movimentam e se expressam lideranças políticas, empresariais e de instituições como o Judiciário, que deveriam ter compromisso com a preservação da democracia, mas, em vez disso, exibem um golpismo cada vez mais escancarado. Que saem derrotadas de uma eleição e, no dia seguinte, se põem a fazer o jogo antidemocrático.

O desafio deste começo de 2015 é saber sustar as fantasias golpistas à solta. Quem preza a democracia tem o dever de denunciá-las e combatê-las…

Marcos Coimbra, CartaCapital

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Comentários

  1. Félix Postado em 10/Feb/2015 às 10:15

    Lembremos que naquela época morriam 290 crianças por dia no Brasil devido à desnutrição. 290 x 8 x 365 = ????? FHC é o nosso Slobodan Milosevic.

  2. Selton Postado em 10/Feb/2015 às 11:00

    Não entendo porquê se valer de tantas comparações com governos passados. Está ruim e ponto. A impressão que eu tenho é que essas comparações são feitas para atingir nossa complacência com a situação atual.

    • Félix Postado em 10/Feb/2015 às 11:20

      Está ruim e ponto. A comparação é importante para fixar um marco. Não podemos retroceder. Armínio Fraga nunca mais!

      • poliana Postado em 10/Feb/2015 às 14:21

        Exatamente felix! Voltar pra era tucana seria um retrocesso tenebroso para o brasil. Psdb, NUNCA MAIS!!!

    • poliana Postado em 10/Feb/2015 às 14:19

      A comparação eh pq esse mesmo governo do passado, continua querendo voltar a presidência da república. Eh a nossa atual oposição, infelizmente. E já q os simpatizantes desse partidinho se recusam a indagar a memório e lembrar o q era o brasil nesse passado não tão distante, tais comparações precisam ser feitas pra mostrar ao eleitor quem realmente eh o psdb, já q a rede globo e cia fazem questão de blindá-lo e jogar seus podres pra debaixo do tapete. Mas taí...apenas uma mínima faceta do psdb e seu príncipe tão idolatrado. Te garanto q tem muito mais podres na biografia desse partido e sua corja tucana!

  3. Thiago Teixeira Postado em 10/Feb/2015 às 11:06

    Estão lendo coxinhas? D E S E M P R E G O. Eu com meu pai tínhamos que todo mês levar cartela de ovo, dois pacote de macarrão e um saco de arroz para nossos parentes pois não tinha vaga nem para ser chapa debaixo da ponte. E vem gente aqui dizendo que as coisas estão ruim porque o ancora morfético pago por um patrão golpista disse. Está ruim sim, para aqueles mega milionários que exploraram por muitos anos os trabalhadores, sonegavam impostos e lucraram muito com a miséria da população. E nessa época, o Jornal da Noite falava sobre o parlamento alemão.

    • Priscila Postado em 10/Feb/2015 às 11:56

      É vdd... A Era FHC foi estupidamente ruim... Agora estamos com alguns problemas, falhas, erros, cortes... Mas ainda assim, nada se compara ao governo FHC. Com certeza a classe média alta para cima, preferem o governo do Fernandinho... Mas a maioria do povo sofreu muito naquela época! Eu lembro que o programa do primeiro emprego criado por ele era uma vergonha, eu tinha 16 anos e demorei 1 ano pra conseguir um emprego, trabalhava 8horas e meia por dia e estudava no Ensino Médio... Muitos da minha família estavam desempregados, um tinha que ajudar o outro, pq o Governo não estava nem aí! Infelizmente esta reportagem tem a finalidade de esclarecer o que a Globo e cia não noticiam, ao contrário, manipulam as informações causando revolta no povo!

  4. Victor Hugo Postado em 10/Feb/2015 às 11:28

    Ridículo olhar para trás para poder justificar os próprios erros cometidos. Claro, existem milhões de pessoas pior que vocês nesse mundo. Nem por isso vocês deixam de ser medíocres, pois há outros milhões muito melhores. Olhem para cima, olhem para a frente. Preocupem-se em encontrar soluções, não culpados.

  5. Silva Postado em 10/Feb/2015 às 14:16

    Mais uma análise simplória do Petismo Político que tenta desesperadamente justificar a série de erros cometidos pela Dilma e seus companheiros. Esses marqueteiros do PT, discípulos de Goebbels estão conseguindo atingir seus objetivos, LAVAGEM CEREBRAL no rebanho PeTista...

  6. carol Postado em 11/Feb/2015 às 13:36

    Esse pensamento de que mostrar que estivemos piores melhora nossa situação atual é ridículo!