Redação Pragmatismo
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Europa 18/Feb/2015 às 16:38
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Taxação de grandes propriedades é anunciada pelo Syriza na Grécia

Governo de esquerda anuncia reforma tributária e taxação de grandes propriedades. Tsipras afirmou que Grécia quer pagar dívida, mas voltou a negar renegociação de plano de resgate e reafirmou intransigência quanto aos programas de austeridade

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O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, apresentou na última semana seu plano de governo, dando início ao debate parlamentar de três dias para avaliar as medidas previstas. O programa contempla um pacote de ajuda imediata para fazer frente à crise humanitária, a recontratação dos empregados públicos que foram demitidos injustamente, uma ampla reforma tributária e a taxação de grandes propriedades.

O premiê também anunciou que reivindicará à Alemanha a devolução do empréstimo forçado que os gregos deram aos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial e pedirá consertos de guerra para as vítimas da ocupação. “É um dever moral não só para nosso povo, mas também para todos os povos da Europa que lutaram contra o nazismo“, destacou.

De acordo com Tsipras, a reforma tributária terá a filosofia de que cada cidadão e cada empresa contribua para os ingressos do Estado de acordo com suas capacidades e que acabe com uma situação que permitia que as pessoas com os maiores ingressos se livrem de pagar impostos.

Nos comprometemos a criar um sistema simples que transferirá o peso de impostos aos ingressos mais altos“, disse Tsipras, que acrescentou que será restabelecida a base impositiva isenta em 12 mil euros anuais e será eliminado o polêmico imposto imobiliário sobre a primeira casa, que será substituído por um sobre as grandes propriedades.

As primeiras medidas que começaram a ser realizadas a partir da quarta-feira (11/02) incluíram ajuda alimentícia, eletricidade gratuita e pleno acesso à saúde dos mais castigados pela crise, disse Tsipras ao apresentar seu programa de governo no parlamento.

Além disso, acrescentou Tsipras, retornarão a seus postos de trabalho as pessoas cujas demissões violaram leis, como as limpadoras ministeriais, os guardas escolares e os funcionários das universidades.

Sem reformas do Estado, não conseguiríamos nada, nem com o melhor acordo para a dívida“, ressaltou no começo de uma longa enumeração dos planos que o governo fará, ressaltando a máxima prioridade na luta contra o clientelismo e a corrupção.

Dentro de seis meses teremos concluído a primeira parte destas reformas… Recortaremos os privilégios dos ministros e dos deputados, reduziremos o exército de conselheiros, eliminaremos a metade dos carros dos ministérios e os venderemos junto com um dos três aviões do governo“, disse.

Dívida

Com relação ao ponto mais controverso do programa de governo do Syriza: o pagamento da dívida, Tsipras, afirmou que a Grécia quer pagar sua dívida e assegurou que se os parceiros querem o mesmo, devem “negociar os meios técnicos para fazê-lo“.

Se entramos em um acordo de que a austeridade foi desastrosa, a solução será achar um meio para as negociações“, disse Tsipras ao apresentar o programa de governo no parlamento e acrescentou que a dívida “ultrapassou 180%” do Produto Interno Bruto.

Tsipras assegurou que o governo quer respeitar suas obrigações com o Tratado de Estabilidade, mas acrescentou que “a austeridade não faz parte desse tratado“.

Queremos deixar claro a todos que não negociamos nossa soberania nacional, não negociamos o mandato do povo“, recalcou.

O primeiro-ministro ressaltou ainda que quer acabar com o programa vinculado ao resgate da dívida. “O novo governo não tem direito a pedir a prorrogação deste programa“, sustentou Tsipras. A intenção do governo é conseguir um novo contrato entre Grécia e União Europeia, que “respeite as regras da zona do euro, mas não inclua superávit irrealizáveis que são o outro rosto da austeridade“.

Opera Mundi

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Comentários

  1. henrique Postado em 21/Feb/2015 às 13:44

    Não entendi direito a semântica da palavra ingresso neste trecho,"De acordo com Tsipras, a reforma tributária terá a filosofia de que cada cidadão e cada empresa contribua para os ingressos do Estado de acordo com suas capacidades e que acabe com uma situação que permitia que as pessoas com os maiores ingressos se livrem de pagar impostos"poderiam esclarecer.

    • Roberto Vital Anau Postado em 22/Feb/2015 às 20:35

      Melhor explicando: ingressos do Estado = receitas. Pessoas de maiores ingressos = rendas.

    • Poliama Postado em 24/Feb/2015 às 08:00

      Ingresso é o mesmo que entrada de recursos, (entrada de dinheiro), no caso acima, nos cofres publicos. Quando se fala que "cada cidadão contribua para os ingressos" é o mesmo que dizer que cada cidadão seja tributado.

  2. jaime Postado em 21/Feb/2015 às 19:30

    Leia de novo ; esta mais do que claro !

  3. Carlos Postado em 22/Feb/2015 às 19:26

    O texto for (mal-)traduzido. "Ingressos" (income) é renda, portanto "contribua para a renda do Estado" e "pessoas de maior renda". E "consertos de guerra" na verdade é "reparações de guerra" (reparations). Deve dar pra achar o texto original, mas melhor não procurar ou descobriremos que ele é da velha mídia, estrangeira ainda por cima, e portanto deve estar errado...

  4. Thiago Gouvea Postado em 22/Feb/2015 às 20:26

    Quiseram dizer renda ('income')?

  5. Roberto Vital Anau Postado em 22/Feb/2015 às 20:34

    Receita.

  6. Newton Postado em 23/Feb/2015 às 21:37

    Quanta abrobrinha! O sujeito diz que quer pagar as dívidas mas nem consegue fazer superátiv primário. E ainda vai pedir reparações de guerra à Alemanha.... É a esquerda sonhática.

  7. Valdir Postado em 25/Feb/2015 às 17:32

    Newton, abobrinha é conviver com o volume morto e dizer que ele ressuscitou no 3 dia . kkkkkkk