Redação Pragmatismo
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São Paulo 04/Feb/2015 às 18:38
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Por que São Paulo só forma médico branco?

Negros representam menos de 1% dos novos médicos formados em São Paulo. "Na minha sala, que tem 115 alunos, sou o único negro. Tenho bolsa de estudos do Prouni e acho que as políticas de democratização do acesso ao ensino ajudam, mas ainda são insuficientes", conta estudante de medicina

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Somente 0,9% dos cerca de 3 mil novos médicos formados no ano passado no Estado de São Paulo são negros, revelam dados inéditos do Conselho Regional de Medicina (Cremesp) obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo. O número é inferior à média da população negra no Estado, de 6,42%, considerando os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O perfil dos egressos dos cursos de medicina do Estado foi feito pelo Cremesp com base nos dados fornecidos pelos recém-formados no último exame anual obrigatório do órgão, feito no fim do ano passado. As estatísticas mostram ainda que a maioria dos recém-formados é mulher de classes sociais altas.

De acordo com os dados do Cremesp, enquanto apenas 0,9% dos novos médicos são negros, 85% se declaram brancos, quando a média dessa população em São Paulo é de 63%. Na questão de gênero, 56,6% dos novos médicos são do sexo feminino, número superior à proporção de gênero observada no Estado, onde 51,3% da população é formada por mulheres, de acordo com dados de 2014 da Fundação Seade.

O levantamento revela ainda que 47% dos recém-formados nas escolas médicas do Estado têm renda familiar mensal superior a 20 salários mínimos, o equivalente a R$ 15.760. Na população geral de São Paulo, apenas 3% dos moradores estão nessa faixa de rendimento.

Realidade

Para estudantes de medicina e profissionais já formados, o baixo número de médicos negros e vindos de famílias pobres no mercado não surpreende. “Na minha sala, que tem 115 alunos, sou o único negro. Tenho bolsa de estudos do Prouni e acho que as políticas de democratização do acesso ao ensino ajudam, mas ainda são insuficientes“, diz Renan Zaramella dos Santos, de 23 anos, aluno do 4º ano de medicina da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, onde a mensalidade do curso é de R$ 4.800.

Médico residente no Hospital São Paulo e graduado na Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Alysson Ferreira Batista, de 35 anos, afirma que sentiu o preconceito racial de colegas e professores durante a faculdade e após a conclusão do curso.

Era comum outros médicos se dirigirem a mim como se eu fosse o técnico de raio X ou auxiliar de enfermagem, como se um negro não pudesse ser médico“, conta Batista.

Cota

Presidente do Cremesp, Bráulio Luna Filho afirma que as características e o preço de um curso de medicina aumentam essa desigualdade. “É um curso muito longo, integral, que em média custa R$ 6 mil por mês. Isso já é caro para a classe média, imagina para quem está na faixa mais pobre da população“, diz ele, que defende a manutenção e ampliação das políticas governamentais de financiamento estudantil e cotas.

Para Frei David, coordenador executivo da ONG Educafro, é necessário rever as políticas de cotas em cursos de alta demanda. “Nesses cursos, como Medicina, deve haver uma política de inclusão ainda maior, com mais vagas para cotistas. Isso é necessário para corrigir uma distorção. Se formos analisar a proporção de estudantes de cada cor nessas faculdades, é um Brasil esquizofrênico, que não reflete a realidade do seu povo.”

UOL

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Comentários

  1. Pedro Postado em 04/Feb/2015 às 19:16

    As sinhazinhas virando dotoras.

    • eu daqui Postado em 05/Feb/2015 às 11:56

      E por que só os sinhozinhos poderiam?

      • Pedro Postado em 05/Feb/2015 às 14:35

        Os sinhozinhos já mandavam nessa teta. Agora as sinhás são maioria. Nao vindo da senzala ta tudo bonito

      • eu daqui Postado em 09/Feb/2015 às 10:10

        Vc tem uma senzala, é?

    • Matheus Kawasaki Postado em 05/Feb/2015 às 14:34

      Bunda mole!

      • Pedro Postado em 05/Feb/2015 às 19:10

        Poxa, obrigado!

  2. Thiago Teixeira Postado em 04/Feb/2015 às 20:36

    1% de negros se formando em medicina ainda é motivo de impeachment para a elite branca paulista.

    • eu daqui Postado em 05/Feb/2015 às 12:00

      Por que os negros "se formam" e os brancos "são formados"?

      • Carim Rodrigues Postado em 06/Feb/2015 às 11:28

        Olha, os brancos estão na voz passiva, vai ver que é porque são da elite branca e não precisam fazer muito esforço para fazer esse curso, pois tem condições. Interpretação minha...

      • eu daqui Postado em 09/Feb/2015 às 10:11

        kkkkkkk......nascer branco é ja nascer diplomado, com certeza......kkkkkkkkkk

  3. José Ferreira Postado em 04/Feb/2015 às 23:26

    O foco deveria ser em relação à falta de conhecimento técnico dos recém-formados, pois a maioria dos médicos (60%) não teriam condições de ter uma carteira do Cremesp se o resultado da prova final desse órgão fosse requisito. Não interessa a raça dos médicos, o importante é a competência.

    • Gabriel Postado em 05/Feb/2015 às 00:51

      Raça? Achei que só existisse uma raça, a humana. Porque os negros são "menos competentes"?

      • Paulo Postado em 05/Feb/2015 às 06:36

        O estrago ja foi feito: os negros foram escravizados por mais de 300 anos no Brasil pelo fato de serem negros, independente da realidade biologica da raça. As consequências de como nossa sociedade foi montada, o apartheid que vivemos e o racismo que afeta os negros nao realidades socioeconomica independente da realidade-ou-nao da raça biologica.

      • outro Gabriel Postado em 05/Feb/2015 às 10:45

        Ele não disse nada sobre negros serem menos competentes... Talvez vc não saiba, mas o q José Ferreira está falando é sobre uma prova que todo o formando de medicina tem que fazer aqui em sp, e 55% se bem lembro foram reprovados (ou seja não tem a competência para exercer tal função). Não entrarei nos méritos do q deveria ser o foco, pois pra mim ambas as pautas tem muita importância...

    • sussuka Postado em 05/Feb/2015 às 11:14

      Nesse caso, tudo interessa!

    • eu daqui Postado em 05/Feb/2015 às 11:55

      A COMPETENCIA E A SERIEDADE TAMBÉM. Achar que essas duas são menos relevantes do que a raça do médico, é racismo.

  4. Jonas Schlesinger Postado em 05/Feb/2015 às 00:13

    Quando vejo reportagem assim, penso na Alemanha Nazista. Por que será que lá não aceitavam negro hein? Ah... tamos falando de sampa...

    • gabriel Postado em 05/Feb/2015 às 10:50

      Infelizmente muito desses dados estão relacionados com vendas de vaga de medicina, lembro de ter visto uma matéria creio que um ano atrás, desmanchando uma rede de venda de vagas em universidade, e que mais da metade das vagas de medicina em universidades particulares foram conquistas por essa rede corrupta. Mas isso não mostra nem perto da realidade do racismo nessas instituições, vc pode limitar a são paulo, mas eles não foram os únicos médicos racistas com os cubanos, a grande instituição da saúde no Brasil tornou-se a elite mais podre e racista, independente da região onde se mora...

      • Deisi Postado em 05/Feb/2015 às 13:16

        Concordo com você Gabriel, na década de 80, prestei vestibular para medicina, não fui aprovada por não estar preparada. Desisti quando fiquei sabendo do esquema de vendas de vagas, um amigo que fez 3 anos de cursinho, decidiu por comprar uma, um pessoa importante na cidade de Marília. Você poderia escolher a Universidade particular ou pública. Inclusive o pai veio com o dinheiro, mas ele decidiu que não queria, por ser uma grana alta e ele não tinha certeza da vocação, prestou odontologia passou e não se arrependeu.

  5. enganado Postado em 05/Feb/2015 às 00:31

    Então me digam que os 4P's, não são verdades! Preto/Pobre/Beneficiado por PETISTA/Prostituta, ainda mais na capital do Aópio/FHC/Alckmin/çERRA/cel. Telhada/ e o resto da cambada, não podia ser diferente. Imagina se este rapaz PRETO resolva trabalhar na área ginecológica? Pergunto: Qual a Madame Paulista que vai abrir as pernas para examinar sua xoxota? NENHUMA! Vai morrer de fome ou vai ser médico de pronto-socorro. Em S.P., a turma acredita naquela cara de limpo do ordinário Alckmin, chega ou querem mais? Adoram esse pilantra! Meu amigo futuro Médico Negro, saia de S.P. e procure outro estado para clinicar, porque se fores para área ginecológica em S.P. vais morrer de fome. S.P., NÃO É BRASIL, são todos americanófilos e PSDB/DEM. Aí é só rabuda.

    • linaldo martins Postado em 06/Feb/2015 às 10:42

      enganado.rsrsrs.toda madame branca que chegar em um consultorio de um médico negro vai sair com a xoxota cheia de esperma a pedidos dela mesma.te liga,mané!toda madame adora um penis preto...será que a tua nunca provou um!?

  6. Roberto Pedroso Postado em 05/Feb/2015 às 01:32

    Por favor não generalize! nem todos os paulistas são imbecis a ponto de votar em Alckimin,o estado paga pela ignorância politica de parte de sua população, vejam os números de abstenções para a eleição ao governo do São Paulo e constataram que uma grande parcela do povo paulista está tão decepcionada com os rumos políticos do estado que nem se dignaram a comparecer diante das urnas no ultimo pleito para a escolha do governador do estado.A eleição de Alckimin representa para muitos cidadãos paulistas uma verdadeira vergonha e uma decepção.

    • Paula Soares Postado em 28/Dec/2015 às 19:43

      Vcs tinham opção!! Padilha é ótimo...

  7. gabriel Postado em 05/Feb/2015 às 11:26

    Notícia completamente tendenciosa, vai ver a turma de formandos de medicina da UFBA, e me conta quantos negros tinham... O país inteiro é racista, parem de fingir que é só em sp.....

    • Matheus Kawasaki Postado em 05/Feb/2015 às 14:36

      Alguém disse que é só em SP? Otário!

      • Pedro Postado em 05/Feb/2015 às 19:12

        Matheus, Você por acaso se formou médico no estado de sao paulo?

      • gabriel Postado em 05/Feb/2015 às 22:42

        O título da matéria cara, só leia....

    • Pedro Postado em 05/Feb/2015 às 19:13

      Isso é no Brasil inteiro. Boa sorte para encontrar engenheiros e executivos negros também.

  8. Washington Postado em 05/Feb/2015 às 15:35

    Será que mesmo em Salvador, uma cidade onde o indice de negros e pardos é altíssimo, o número de médicos negros que se formam é igual ao percentual da população? Duvido que seja. Acho que mesmo lá devem ser minoria.

    • Luiz Alberto Pires Postado em 06/Feb/2015 às 09:48

      São a maioria na penitenciarias....

  9. Sergio Carneiro Postado em 05/Feb/2015 às 20:37

    Deve ser porque na correção das provas para a admissão, na faculdade de medicina, o computador deve estar programado para reprovar os negros e aprovar só os brancos.

    • Jose Antonio Postado em 06/Feb/2015 às 14:27

      Este computador se chama dinheiro e condições socio-economicas (cursinho, professor particular, férias no exterior, aparelhos eletrônicos por toda parte da casa) entendeu, ou precisa desenhar ?

      • José Ferreira Postado em 06/Feb/2015 às 16:16

        Quem quer dá um jeito... Quem não quer dá uma desculpa.

      • Sergio Carneiro Postado em 07/Feb/2015 às 16:32

        Entendi. Quer dizer então que não preciso estudar se eu tiver dinheiro, cursinho, professor particular, aparelhos eletrônicos, férias no exterior. Lógica perfeita.

  10. Luiz Alberto Pires Postado em 06/Feb/2015 às 09:47

    Sou contra a cota para negros, penso que eles tem que disputar de igual por igual como todos....eles não querem igualdade, estudem e entrem nas faculdades pela porta da frente. Tenho uma sobrinha que estudou em escola pública como a maioria no interior de São Paulo, seus pais fizeram um esforço danado para ela fazer um curso preparatório ao vestibular de Direito na UFSP, venderam o carro da família para bancar o curso, ela se esforçou e fez o vestibular na Federal, tirou nota 6.4, porém esta lei de cotas para pretos, lhe tirou a vaga, entrou em seu lugar um Negro que tirou 3.2 de nota, depois de 4 meses o Preto desistiu do curso porque não conseguiu acompanhar as matérias...."Queimou a vaga, nem ele e nem ela"...por isso que sou contra, penso que preto, branco, indio, amarelo tem que ser iguais.....se sabem entram se não sabem roubam....

  11. marc Postado em 06/Feb/2015 às 10:00

    São Paulo é aquela cidade repleta de descendentes de italianos, dá época do facismo, ali bem próximo dos nazista alemães, com imigração forte japonêsa, tb aliados dos nazistas, onde vez por outra encontramos neonazistas, carecas, xonófibos, racistas, até nos programas de tv e que nunca são realmente punidos. Ah nem sei pq não formal médicos negros, nem sei como ainda existem negros por lá, deve ser pra servirem de escravos.

  12. linaldo martins Postado em 06/Feb/2015 às 10:39

    as faculdades públicas ñ tem curso de medicina!?

  13. Fernando Postado em 06/Feb/2015 às 20:59

    Artigo tendencioso. O exame do CREMESP não é igual ao da OAB onde quem não passa não pode exercer a profissão. Logo porque o médico vai se esforçar ou dar valor a uma prova que não vale absolutamente nada ? O problema de alunos negros não está no ensino superior. Está no fundamental. Se não corrigirmos o ensino primário - alfabetização - não adiantará nada colocar o cara para fazer medicina. Ciências Exatas não é para quem quer e sim para quem estiver capacitado. O que um médico tem de aprender para se formar é brutal. Não é igual a Direito ou Pedagogia que qualquer boçal se forma. Cotas ou Enem nenhum fará com que uma pessoa consiga se formar numa USP ou Santa Casa. Dedicação exclusiva, material pedagógico caríssimo, sustento pessoal.

    • Sergio Carneiro Postado em 07/Feb/2015 às 17:06

      Fernando acertou na mosca. Não é questão de cor, mas de recursos financeiros. Pessoas com pouco recursos financeiros estudam em escolas públicas onde o conteúdo cientifico foi substituído por ideologia. Elas - as escolas publicas - formam cidadães consciente de seu papel dentro da sociedade, mas esse conteúdo ideológico pouco ou nada ajuda a passar em medicina ou outro curso mais concorrido. No comentário anterior ironizei a situação, mas teve um estudante de escola pública que não entendeu.

    • Bruno Postado em 08/Feb/2015 às 00:03

      Medicina Ciências Exatas?Que eu saiba medicina é uma ciência biológica ou sendo mais generalista uma ciência natural.O certo seria dizer que o problema não está SÓ no Ensino Superior,mas também está no ensino fundamental e médio,públicos.Mas em compensação os alunos brancos ainda tem dinheiro pra pagar um colégio particular e/ou cursinho enquanto a maioria da população negra é obrigada a se conformar com as escolas públicas que praticamente impossibilitam a aprovação em vestibulares CONCORRIDOS COMO O DE MEDICINA.Claro que tem que se reformar o ensino básico público.Só que isso vai levar décadas se for feito porque escola pública gratuita e de qualidade são uma ameaça ao ensino privado.Então as cotas são necessárias sim pra pelo menos amenizar o problema a curto e médio prazo.

  14. Ivonildo Cezar Postado em 07/Feb/2015 às 05:10

    Para ser advogado no Brasil é obrigatório ser aprovado no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil, aí sim, o aprovado recebe sua Carteira de Advogado para exercer a profissão, não depende de cor da pele e sim de conhecimento. Mas caso não seja aprovado o bacharel terá 02 (duas) opções: ou continua tentando até ser aprovado ou desiste. Mas só é Advogado quem tem a Carteira de Advogado expedida pela OAB. No caso dos médicos não existe essa exigência e isso facilita muito aos cursos de medicina em Institutos Particulares. Se o CFM vier a criar esse exame análogo ao da OAB muita gente vai repensar em cursar medicina. As coisas mudam e como!

  15. Marlon Bravo Postado em 07/Feb/2015 às 17:40

    Pelo mesmo motivo que as televisões de SP só contratam brancos !

    • eu daqui Postado em 11/Feb/2015 às 11:02

      Até onde se sabe, um certo apresentador negro e espancador da própira mulher foi contratado por uma tv de SP.