Redação Pragmatismo
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Mulheres violadas 04/Feb/2015 às 11:58
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Participante de programa global assume, ao vivo, que espancou mulher

Participante assume ao vivo, na Rede Globo, ter agredido mulher com quem teve um breve relacionamento. Em uma das agressões, Douglas Ferreira esmurrou a mulher deixando-a inconsciente

douglas ferreira mulher bbb
Douglas Ferreira assumiu em conversa ter agredido mulher (divulgação)

Jarid Arraes, Questão de Gênero

Na madrugada dessa terça-feira (3), o participante da edição atual do Big Brother Brasil Douglas Ferreira confessou ao vivo ter agredido uma mulher com quem teve um breve relacionamento. De acordo com o relato do motoboy, as agressões ocorreram há cerca de 9 anos, em uma delas Ferreira esmurrou a mulher deixando-a inconsciente.

Diversos sites feministas repercutiram o relato, protestando contra a naturalidade com que Douglas descreveu a agressão. Para Mariana Messias, feminista e administradora do portal Lugar de Mulher, o fato deixa evidente a mentalidade que coloca os homens em um nível hierárquico acima das mulheres, algo que ainda é forte e constante. “Eles não tem vergonha, pelo contrário, costumam sentir um certo orgulho mórbido disso. Se sentem machões, defendendo sua honra”, afirma.

Diversas ativistas cobraram medidas legais para que Douglas seja responsabilizado pela agressão. A Delegada de Polícia Civil em Contagem (MG), Renata de Oliveira Lima, responde: “A lei 11.340/06 foi publicada em 7 de agosto de 2006 e passou a ser aplicada somente no dia 22 de setembro, ou seja, há oito anos. Assim, pelo princípio da não retroatividade da lei penal mais gravosa, as disposições da Lei Maria da Penha não se aplicariam ao crime supostamente cometido por Douglas”. Segundo a delegada, devido ao prazo prescricional, Ferreira não poderia ser punido criminalmente por este fato, ainda que se comprove verdadeiro.

No entanto, Lima acrescenta que Douglas ainda poderia ser processado pela vítima: “Eu entendo que a suposta vítima pode acionar o participante, na esfera cível, por dano moral, caso deseje, uma vez que a forma como ele a expôs e como se referiu a ela foi pejorativa, e ele pode ter que responder; mas, como já disse, somente na esfera cível.”

Por outro lado, a insatisfação dos movimentos sociais com a Rede Globo e o Big Brother Brasil vêm se acumulando desde a última edição do programa, em que o modelo Daniel Echaniz foi acusado de estuprar outra participante enquanto ela se encontrava inconsciente. Para Mariana Messias, casos assim demonstram a omissão da grande emissora e sua intenção de promover, deliberadamente, ideias de violência e discriminação. “O que não entendo, nesse contexto, é que não exista punição”, protesta. “Não entendo como reforçar discurso de ódio, dar abertura para a prática de diversos tipos de violência contra a mulher, de maneira pública, não seja punido. Entendo que a emissora opere nessas regras e não esteja nem aí pra nada, mas e o Estado, porque não se coloca de maneira veemente? Somos obrigadas a apenas aceitar que a maior rede de televisão do país incentive a violência, torne corriqueiras práticas que são crimes, faça as vozes que se opõe a isso parecerem exageradas?”, questiona.

A delegada Renata de Oliveira Lima é clara: “A Rede Globo, como concessão pública, pode ser acionada para responder administrativamente, pela violação de diretriz estabelecida na Constituição Federal e citada na Lei Maria da Penha, que não tem somente o âmbito criminal, na qual são previstas medidas protetivas de urgência, prisão de agressores, etc. Entre os artigos previstos está artigo 8º, que trata das medidas integradas de prevenção”. Segundo Renata, o artigo visa coibir a violência contra a mulher tendo, entre as diretrizes, o respeito nos meios de comunicação social, de forma a coibir os papéis estereotipados que legitimem ou exacerbem a violência doméstica e familiar. “Ou seja, uma associação com atuação na área de defesa dos direitos da mulher ou o Ministério Público podem acionar a emissora pela legitimação da violência de gênero, no programa BBB, mas não só”, conclui.

Apesar disso, a delegada salienta que o combate à violência contra a mulher não deve ter como única alternativa a via criminal, que não tem sido plenamente efetiva. “O direito penal não pode ser a única solução”, pontua. “Eu tenho mais esperança que mais e mais vozes estão percebendo que a violência de gênero é um verdadeira epidemia e precisa de medidas de controle e saneamento, mas especialmente de prevenção, de conscientização e da promoção de uma educação não-sexista, não-violenta. A reação dos espectadores e das organizações da sociedade civil ao relato do participante pode dar uma medida, seja da evolução, seja da necessidade de medidas mais efetivas. E não se trata de ‘censura’, mas de responsabilização pelos atos, algo que é comumente confundido, aparentemente de forma proposital, por alguns defensores de ‘polêmicas’”.

A feminista Mariana Messias reforça: “A baixa audiência que o BBB tem tido prova que a emissora zerou a fórmula com suas tentativas de polêmicas baixas. Sei que estamos longe de viver em um país que consiga fazer a autocrítica da maneira como se porta em relação à minorias, mas as mulheres estão cada vez mais coesas e conscientes do que é crime e mesmo do que não é e deveria [ser crime]. E mesmo descontando isso, a população brasileira em geral está dizendo que não quer ver esse programa, que ele é ruim. E nem expor mulheres a (possíveis) violências, com um espírito sádico que se acha acima da punição, está ajudando nisso”.

VEJA TAMBÉM: A reação de meninos ao serem incentivados a bater em meninas

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Comentários

  1. Selton Postado em 04/Feb/2015 às 12:33

    Apesar da gravidade do problema, é isso o que a rede Globo quer, que falemos do problema, que publiquemos em sites; que nos sintamos impactados. Por favor Pragmatismo, não noticiem mais Big Brother.

    • Ricardo Postado em 04/Feb/2015 às 14:46

      Realmente...

    • stella Postado em 05/Feb/2015 às 07:34

      Tem razão. Esse lixo merece ser ignorado.

  2. André Postado em 04/Feb/2015 às 12:37

    Pessoal do P. P. assistindo o BBB? Cuidado, estou vendo aqui que o Q.I. de vcs está diminuindo....

    • Carlos Postado em 04/Feb/2015 às 15:10

      Olha o cara que tem um Q.I super elevado ai.. Fodão! Ser superior!

      • Marcos Vinícius Postado em 04/Feb/2015 às 15:27

        Isso foi apenas uma ironia.

      • André Postado em 05/Feb/2015 às 15:18

        Entendeu? Ou quer que eu desenhe? http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/01/programas-como-o-big-brother-emburrecem-diz-ciencia.html

      • André Postado em 05/Feb/2015 às 15:20

        Entendeu? Ou quer que eu desenhe?http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/01/programas-como-o-big-brother-emburrecem-diz-ciencia.html

    • André Postado em 05/Feb/2015 às 15:15

      Por sorte ainda tem gente por aqui como o você Marcos, que consegue entender uma ironia e ainda tem paciência de explicá-la ao idiotas...

  3. Andersono Jesus Postado em 04/Feb/2015 às 12:42

    Ainda bem que não assisto essas porcarias. Aliás, nem fiquemos perdendo tempo comentando isso.

  4. Maria Postado em 04/Feb/2015 às 13:16

    Trata-se de mais um caso (entre os milhares de todos os dias) de agressão a mulheres e vocês só conseguem ver o "BBB" da coisa? Vocês AINDA não entendem a gravidade da situação....

  5. Paula Thompson Postado em 04/Feb/2015 às 13:38

    A opcao de nao ver um programa eh facil, aperte os botoes do controle remoto e troque de canal, ou gire o dial da tv. Ninguem eh obrigado a ver nada. Ainda tem a opcao DESLIGAR a tv e ir socializar com a familia e amigoa!

  6. Walter Postado em 04/Feb/2015 às 13:43

    Padrão IMBECILIDADE DE TELEVISÃO por favor tire isto do site P.P.

  7. Jose Antonio Postado em 04/Feb/2015 às 14:17

    Há muito tempo a Mídia vem se comportando como um grupo de natureza fascista, misogina e racista. Contam com esta porcaria de Poder Judiciário que temos para continuar com a sua sanha impunemente porque sempre existirão juízes com vista torta e mente tosca, enxergando qualquer limite, por mínimo que seja, como violação do direito de expressão. Ainda mais com o exemplo de filho de ex-Ministro do STF trabalhando na Globo.

  8. Weslei Prado Postado em 04/Feb/2015 às 15:09

    Por que ao invés de noticiar e reproduzir o que a grande mídia está publicando, vocês não dão espaço para uma dessas blogueiras feministas (não preciso citar nomes) tecer comentários, textos e afins para que possam (mais uma vez) defender a "imagem" e os direitos das mulheres? (Peço desculpas se me interpretarem mal, a intenção não é esconder o fato e sim dar mais importância à um debate em prol do feminismo). Confesso que tenho mais a aprender lendo alguma crítica sobre, do que apenas "odiar" esse homem.

  9. Siilva Postado em 04/Feb/2015 às 16:00

    Moço aqui no PP não é assim, à critica vem porque um homem agrediu uma mulher, inclusive ela ficou inconsciente.Isso aqui não existe, ser negro ou branco. Acho que o senhor pensa que este site é UOL, está redondamente enganado.

  10. Eduardo Postado em 04/Feb/2015 às 16:38

    coitadismo detected

  11. Thiago Teixeira Postado em 04/Feb/2015 às 20:52

    A premiação para vagabundo que bate em mulher é o reconhecimento da Globo. Vá um policial espancar um vagabundo fazendo motim para ver qual a recompensa dele.

  12. Gustavo Postado em 05/Feb/2015 às 09:00

    Este cara é brother do Pedro Bial. Todos se lembram quando ele espancou a Giulia Gam...