Redação Pragmatismo
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Feminismo 16/Feb/2015 às 14:00
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O significado de 'feminismo' estampado no corpo de mulheres

Não é apenas uma ideia, mas uma ideologia. Mulheres escrevem no corpo o que o feminismo significa para elas

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Jarid Arraes, Fórum

Maria Ribeiro é a fotográfa responsável por transformar em realidade o projeto “Nós, Madalenas”: uma série fotográfica que tem como proposta convidar mulheres de diferentes contextos, corpos e vivências para que escolham uma palavra que simbolize o que o Feminismo representa em suas vidas.

Entre termos como “cura”, “resiliência” e “sororidade”, diversas mulheres posam para Ribeiro e compartilham um pouco do que o Feminismo significa nas suas vidas. “O projeto tem por objetivo expressar, através da arte, o que a luta pelo direito de ser mulher representa e o que os movimentos que têm unido as mulheres para criar força e transformar esse quadro representam na vida de cada uma – e, consequentemente, na sociedade. Os movimentos feministas vêm deixando traços na humanidade por décadas e constituem um instrumento pelo qual as mulheres podem ter uma voz, e essa voz deve expressar-se das mais diversas formas”, explica a fotógrafa.

Para Ribeiro, a ideia do projeto veio, primeiro, como uma forma de compartilhar sua própria vivência enquanto mulher. “Cada uma de nós traz em si uma série de cicatrizes provindas do convívio em uma sociedade com valores de gênero tão desiguais como a nossa”, pontua. “Como artista, acredito que minha função é expressar através da arte os sentimentos, expressões, questões, angústias e movimentos que vejo e capto ao meu redor”.

A ideia é realizar retratos individuais, portrait, em preto e branco, inicialmente de cem mulheres. Tudo sem qualquer tratamento de imagem para remover manchas, estrias ou formas dos corpos femininos. Essa é, aliás, uma questão muito importante na iniciativa, desafiando os padrões de beleza e as regras absurdamente irreais impostas às mulheres. Segundo Ribeiro, a intenção é mostrar apenas e simplesmente o natural, como conceito físico e antropológico de aceitação de gênero.

A fotógrafa planeja expandir o projeto e conquistar mais espaço, saindo por mais cidades e lugares diferentes e sempre garantindo a maior diversidade possível de mulheres participantes. “Sinto sinceramente que é uma mensagem que precisa ser passada e, pelo resultado, pelas conversas que tenho com as fotografadas, por tudo o que está sendo movimentado através dele, sinto que cada palavra escrita no corpo é um grito de protesto, de vitória e de desafio. Isso está latente em cada uma das mulheres e essa possibilidade de expressão é, na minha opinião, extremamente valiosa”.

No fim das contas, “Nós, Madalenas” é muito mais do que uma série de fotografias em preto e branco, pois alcança homens e mulheres e incentiva a reflexão sobre o significado complexo e profundo de cada palavra pintada nos corpos registrados em imagens. Cada foto é também uma oportunidade única para as mulheres participam do projeto. “Mulheres comuns, que não têm experiência com a câmera, que não têm necessariamente o biotipo que a mídia dita que as mulheres supostamente deveriam ter, trazem uma dose de verdade e de coragem tão intensas que o resultado tem superado as minhas expectativas: imagens que mostram sensibilidade, força, coragem”, compartilha Ribeiro.

Confira algumas das imagens:

feminismo corpo expressão fotografia
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Comentários

  1. ELVIS OLIVEIRA Postado em 19/Feb/2015 às 17:53

    O trabalho da fotografa Maria Ribeiro é fundamental, pois, vivemos em uma sociedade com fortes traços machistas e acima de tudo as mulheres são tratadas como produto, principalmente nos comerciais de beleza que impõem ou empurram de goela abaixo um “padrão de beleza”. Como se toda mulher tenha por obrigação estar maquiada o dia todo. É preciso que fique claro uma coisa é a mulher se amar e cuidar de sua beleza, outra coisa é a mulher ser “induzida” a ser magra e se encher de cosméticos ou fazer cirurgias que na maioria das vezes acabam fazendo mal a sua saúde e nos casos mais extremos leva-as ao óbito. E o sentido para mulher da cura é se curar do trauma psicológico que muitas delas sofrem, resistência, é resistir dia a dia a essa sociedade machista que não aceita o fato que a mulher tem um papel tão importante quanto o homem na construção da sociedade e por fim o protagonismo, as mulheres são protagonistas em uma sociedade que na maioria das vezes a trata como coadjuvante, pois a grande maioria trabalha fora do lar quando chega cansada de seu expediente cuidam de seus filhos e muitas delas assumem em casa o papel de pai. Todo respeito as mulheres.

  2. luiz Postado em 20/Feb/2015 às 01:41

    faltou "hipocrisia"

    • eu daqui Postado em 20/Feb/2015 às 09:19

      Sim, lamentavelmente muitos movimentos sociais que deveriam dar exemplo de idealismo, ao contrário, militam por interesses políticos de suas lideranças. O movimento feminista nunca fez nada por mim nem por minhas ancestrais. Abrimos nosso caminho a ferro e fogo com muito trabalho e integridade.

      • Beatriz Postado em 20/Feb/2015 às 12:05

        Amiga, você é feminista - só não sabe disso ainda. O feminismo não é um partido, não precisa de filiação. É uma ideologia. Se você acredita na igualdade entre os dois sexos, se "abre seu caminho a ferro e fogo com muito trabalho e integridade", então você é uma feminista. Parabéns! Sua luta contra o preconceito vedado é linda e ninguém, homem ou mulher, pode ditar do que você é ou não capaz, o que você merece ou deixa de merecer, o que você é ou deixa de ser: apenas você mesma. Essa é a essência do feminismo, o que vier depois é só um complemento a ela. Vamos tentar entender o feminismo e suas lutas antes de nutrir esse preconceito bobo!

      • Gabriela Postado em 20/Feb/2015 às 13:51

        Eu daqui, você não acha que se o mundo não fosse machista você e suas ancestrais não teriam tido tanto trabalho pra abrir seus caminhos? Tem muita gente que acha que feminismo é alguma forma de opressão quando na verdade é o extremo oposto disso.

    • Thiago Teixeira Postado em 20/Feb/2015 às 12:06

      Acho a palavra que você gostaria que pintassem seria "submissa" ou "sou fácil", não é mesmo?