Redação Pragmatismo
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Educação 13/Feb/2015 às 10:01
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O estudante de escola pública que passou em 4 faculdades de medicina

Aluno que estudou a vida inteira em escola pública conta como passou em 4 faculdades públicas de medicina

wester silva vieira faculdade medicina
Wester da Silva passou em 4 faculdades para medicina (reprodução/facebook)

Wester da Silva Vieira, de 19 anos e aluno de escola pública em Vitória da Conquista, foi aprovado em quatro universidades para Medicina após submeter a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu).

Sem fazer cursinho e trabalhando no setor de finanças da prefeitura da cidade em que mora, o jovem passou na primeira lista da Universidade Federal da Bahia (UFBA), da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) e da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb).

“Estudei sozinho. Não fiz cursinhos, pois achei que o que precisava estava além daquilo, e também porque o preço estava salgado para o bolso da minha família”, contou o estudante, que teve 880 pontos na prova de redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e 735 nas provas objetivas.

Wester disse que já vinha realizando o Enem desde 2009, quando se mudou para Vitória da Conquista em busca de melhor educação, e foi aprovado na seleção do Ifba (Instituto Federal da Bahia).

Ao longo dos anos – conta –, ele foi recebendo ajuda de uma professora que dava dicas de formas de “fazer justamente o que os corretores pediram” na prova de redação.

“Queria ter tirado uma nota maior, mas acho que o nervosismo e a falta de ideias diante de uma prova de 90 questões me tirou o foco”, comentou.

Nos anos anteriores, ele disse que fez apenas aulas de reforço de exatas, redação, gramática e biologia, e que em 2014 aproveitava o tempo vago no emprego para dar um reforço.

“Conciliar o trabalho com os estudos foi um pouco difícil no começo. O pessoal do setor não se importava que eu estudasse nos momentos vagos, então aproveitava isso”, contou.

Descansar

“Acredito que uma mente descansada é melhor para aprender. É melhor você dividir o seu tempo com você mesmo, do que tentar repor tudo depois que passar”, ele disse, informando depois que “não abria mão de assistir os seriados que acompanho na semana”.

“Principalmente perto das provas, eu assistia para poder relaxar e evitar a ansiedade”, declarou o estudante, que sempre buscou fazer medicina, apesar de sua formação técnica em eletrônica.

“Primeiro não acreditava na minha capacidade em conseguir passar em medicina, sempre achei que quem passasse eram apenas os ‘crânios’, e por conta de primos, eu tinha optado por engenharia. Mas ao fazer o curso técnico, percebi que não iria me adaptar às exatas, então descobri a medicina e me apaixonei”, disse.

Trajetória

Ao analisar a própria trajetória educacional de aluno de escola pública, tendo passado, em Condeúba, pelas escolas municipais Eleutério Tavares e Alcides Cordeiro, chegando depois ao Ifba, em Vitória da Conquista, Wester diz que sempre teve o apoio de bons professores.

“O ensino fundamental em Condeúba foi ótimo. Na verdade, considero a educação infantil ao fundamental da cidade muito bom. Os professores do Ifba me incentivaram desde o primeiro dia de aula para estudar e fazer aquilo que gosta”, relatou.

Residente numa casa que funciona como ‘república’, onde moram outras 22 estudantes, todos de Condeúba, Wester é crítico da saúde brasileira e vê como problema maior na formação de novos profissionais a falta de hospitais para fazer residência médica.

“Precisamos também de médicos mais humanos, para que assim esses tenham a consciência de que precisamos deles tanto nas capitais, como em regiões mais isoladas”, opinou.

VEJA TAMBÉM: O que a mídia não disse sobre os 500 mil zeros no ENEM

informações de UOL e Agência Brasil

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Comentários

  1. Rodrigo Postado em 13/Feb/2015 às 12:28

    (Outro Rodrigo) Lembrei-me de matéria a dizer que a multinacional AkzoNobel encerrou o programa de Trainees, por não ver maturidade nos jovens. Real e infelizmente muitos conformam-se com os "Parara tim buns" da vida, muitos não recebem acompanhamento dos pais e responsáveis, muitos são imediatistas e não dão valor ao estudo, a grande massa tendo ainda precárias condições de ensino, mas esse jovem Wester e outros mostram a todos nós o valor do esforço individual, da superação, da renúncia a algo em prol de outra coisa melhor - falo em saber compatibilizar atividades diárias, estabelecer prioridades e, claro, ter seu momento de lazer também. Estudo, como uma amiga minha concursada diz, é profissão, o aluno, o vestibulando, o concursando não devendo ver-se diminuído, mesmo ante este ou aquele tropeço, havendo de lembrar que a instrução o habilitará a superar tantas dificuldades que hoje os jovens têm para obter um diploma e adentrar no mercado de trabalho. Em momento no qual 73% dos estudantes brasileiros não alcançam sequer nota 600 (6,0) e que 500 mil zeram a redação (a crítica não humilha os jovens, pontuo, mas sim o ensino precário, nossa inércia em cobrar, sendo o que os humilha), vemos que ainda há esperança.

  2. Thiago Teixeira Postado em 13/Feb/2015 às 14:14

    Filosofia coxinha: "Pobre não passou na faculdade, é culpa do PT. Pobre passou na faculdade, mérito do calouro."

    • poliana Postado em 13/Feb/2015 às 15:33

      thiago, daki a pouco eles aprecem aki, vão usar esse exemplo q representa uma minoria, pra rechaçar a ideia das cotas e começarem com a ideia (hipócrita no brasil) de meritocracia. aguardemos...

    • Rodrigo Postado em 13/Feb/2015 às 15:36

      (Outro Rodrigo) Filosofia "pastel de vento": quem esse cara pensa que é, para estudar e mostrar que eu estou errado? Quem é esse cara para fazer que nem... Que nem.. Eu próprio, Thiago Teixeira, ex-PM que ralou muito, dedicou-se, formou-se em faculdade de renome e melhorou de vida? Epa... Pera... Deu "tilt"...

  3. poliana Postado em 13/Feb/2015 às 16:35

    e q orgulho desse meu conterrâneo!!!!!!!!!!!

  4. Valdir Postado em 13/Feb/2015 às 20:13

    Meu Deus que país é esse em que um menino remediado do interior baiano vai fazer medicina, e ainda poderá escolher em qual instituição estudar das 4 (quatro) que passou? Isso incomoda muita gente, vocês não acham? 2 (dois) anos atrás conheci no interior do Rio Grande do Norte uma senhora que me relatava que a sua sobrinha estava fazendo medicina em Minas Gerais, e são pessoas do povo, então refleti o quanto isso não era possível na minha época de decidir fazer um curso superior e agora a realidade é bem diferente em nosso país. claro que não vivemos num paraíso na terra, mas enfim algo começou a mexer com os brios daqueles que mantinham-se no privilégio de longas décadas e porque não de séculos.

  5. Gidele Postado em 13/Feb/2015 às 21:06

    Que bacana o cara é um vencedor! Muita disciplina, força de vontade e as cotas !

    • Yra doce Postado em 14/Feb/2015 às 02:21

      Gidele....aqui no caso n são as cotas,,,e sim as notas que o menino alcançou....

  6. zepires Postado em 14/Feb/2015 às 06:09

    Estudou, passou...

  7. poliana Postado em 14/Feb/2015 às 14:05

    n chame o menino de babaca! ele é um grande vencedor! olha a história dele.