Redação Pragmatismo
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Esquerda 13/Feb/2015 às 15:00
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Muita atenção para o embate entre Thomas Piketty e Yanis Varoufakis

É raro economistas de esquerda serem ouvidos pela grande mídia, mas dois deles conseguiram essa façanha nos últimos meses e ambos estão entrando em rota de colisão. Varoufakis vs. Piketty: um embate para prestar atenção

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Thomas Piketty e Yanis Varoufakis (Pragmatismo Político)

Antonio Luiz M. Costa, CartaCapital

É raro economistas de esquerda serem ouvidos pela mídia, quanto mais levados a sério, mas dois deles conseguiram essa façanha nos últimos meses: o francês Thomas Piketty, autor de O Capital no Século XXI e o grego Yanis Varoufakis, novo ministro da Fazenda de seu país. Ambos estão conquistando fã-clubes que não se resumem a colegas de profissão e despertam o interesse de políticos e militantes de esquerda em todo o mundo. Seria de se esperar que suas ideias fossem semelhantes ou complementares. Mas não os convide para a mesma mesa: o ministro grego é um crítico duríssimo do professor francês. Em artigo publicado na Real-World Economics Review, chega a chamá-lo de “O último inimigo do igualitarismo”.

Que as esquerdas não precisam de muitos motivos para se dividir é um clichê fácil, mas as razões da divergência são importantes e interessantes. Não há dúvidas sobre a importância da pesquisa inédita de Piketty sobre mais de duzentos anos de história da concentração de renda e riqueza e da importância das heranças no capitalismo. Nem sobre a “curva em U” que estas variáveis desenharam ao longo do século XX, de maneira a chegar a um mínimo depois da II Guerra Mundial e retornar hoje a um nível quase igual ao do século XIX – ou pior ainda, no caso dos Estados Unidos. O problema está em como o francês analisa teoricamente seus achados, propõe modelos e chega a conclusões sobre recomendações políticas.

A primeira dificuldade é que Piketty, embora reivindique com o título e a introdução de sua obra certa pretensão de atualizar e corrigir Karl Marx, sua conceituação está na prática muito mais próxima de A Riqueza das Nações, de Adam Smith, pois não distingue riqueza de capital e exclui apenas os bens móveis de consumo (tais como automóveis e eletrodomésticos). Moradias, obras de arte e barras de ouro não fazem diferença para o processo de produção, mas ele os trata da mesma maneira que tratores e robôs. Isso torna duvidosa qualquer tentativa de estudar e prever o crescimento e o desempenho da economia a partir dessa massa de “pseudocapital” da qual cerca da metade nada tem a ver com produção. Dificuldade análoga é tratar como “salários” os ganhos astronômicos de altos executivos, parte nada desprezível da renda nacional em países como os EUA, mesmo se são explicitamente vinculados ao lucro e constituídos de bonificações e opções de compra de ações.

Valores de mercado são governados por expectativas e pela taxa de remuneração do capital, mas Piketty considera essa taxa e o montante do “capital” como variáveis independentes, o que é inconsistente e conduz a um círculo vicioso. Ainda mais problemático do ponto de vista político é tratar a participação do trabalho e do capital na renda como resultado mecânico das suas leis da acumulação e do efeito de impactos externos, principalmente as guerras mundiais do século XX.

O modelo de Piketty supõe que toda poupança se transforma em riqueza (logo capital, em sua definição) e não há formação de riqueza se não for por meio da poupança. Isso tem pouco a ver com o mundo real, como mostra a formação da bolha imobiliária, durante a qual o valor de ativos cresceu aos trilhões com poupanças líquidas nulas ou negativas, ou a situação atual na Europa, onde altas taxas de poupança se combinam com falências e destruição ou desvalorização dos ativos. Implicitamente, Piketty adere à “mão invisível” de Adam Smith e à desacreditada lei de Say, segundo a qual a oferta cria a demanda sem que haja desperdício, desemprego ou superprodução e a poupança se torna investimento sem ser absorvida por entesouramento improdutivo.

No essencial, seus dados  sobre o processo de concentração de renda nos países ricos são sólidos e irrefutáveis, mas as “leis” propostas para explicá-lo são frágeis. Isso torna igualmente questionável sua conclusão por teorema matemático, de que a tendência ao aumento da desigualdade é “natural” ao capitalismo, embora nessa conclusão ele esteja mais próximo de Marx do que de Smith.

Varoufakis argumenta que se renunciarmos às simplificações arbitrárias de Piketty e aplicarmos modelos realistas da economia, a participação do capital na renda e sua distribuição são fundamentalmente indeterminadas. Para o grego, não há nada de natural ou determinístico na concentração de renda e riqueza no capitalismo. A melhora temporária da distribuição de renda e propriedade durante o século XX não foi nem uma anomalia, nem um resultado inevitável das guerras, mas o resultado de uma intervenção política consciente para evitar a depressão econômica e salvar o capitalismo. E a volta do processo de concentração nos anos 1970 também não foi o resultado de leis mecânicas, mas de outra política consciente dos EUA para atrair capitais e manter sua hegemonia quando sua competitividade ante Europa e Japão se reduziu e deixou de acumular superávits no comércio internacional.

Essa discordância teórica implica em grandes divergências práticas sobre o que fazer. Como Piketty considera a tendência à concentração de renda inerente ao processo de acumulação do capitalismo, propõe apenas soluções redistributivas, principalmente aumento das alíquotas progressivas de imposto de renda para até 80% e um imposto mundial sobre o capital/riqueza.

Varoufakis argumenta que um imposto sobre a riqueza, mesmo que seja factível, seria contraproducente e agravaria as dificuldades da economia. Considere-se uma família de desempregados que conserva sua residência, ou uma indústria sufocada por falta de demanda e crédito: uns e outros, mesmo sem dispor de renda, seriam obrigados a pagar um imposto elevado, o que apenas serviria para levá-los mais rapidamente à falência total. Para o grego, um combate eficaz à desigualdade deve atuar na formação de salários e demanda (por políticas keynesianas, por exemplo).

VEJA TAMBÉM: Twitter e no Facebook” target=”_blank”>Thomas Piketty no roda viva conheceu a arrogância de André Lara Resende

Ambos também divergem drasticamente quanto às propostas para a Zona do Euro. Piketty quer um Estado federal unificado para a Europa, cujas autoridades centrais tenham poderes suficientes para controlar e regulamentar o capitalismo financeiro. Varoufakis, em artigo escrito em parceria com o estadunidense James Galbraith, rejeita essa proposta que a seu ver apenas reforçaria e congelaria as atuais políticas e aprisionaria os países membros em uma “jaula de ferro” de desigualdade, dominação e austeridade perpétuas que impediria a evolução de uma verdadeira democracia europeia. Defende, em vez disso, um misto de títulos do BCE, resolução caso-a-caso dos problemas bancários, um programa de investimentos e um fundo de solidariedade que conservariam as soberanias nacionais e a flexibilidade das políticas econômicas e poderiam ser aplicados de imediato e sem necessidade de alterar os tratados existentes. Em resumo, as opiniões são parecidas quanto ao diagnóstico, mas quase opostas quanto ao tratamento.

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Comentários

  1. Alexandre Postado em 13/Feb/2015 às 15:44

    Gostaria de saber qual é a réplica de Piketty aos argumentos de Varoufakis. O PP está apresentando um artigo parcial sobre o "embate".

    • Milton Postado em 20/Feb/2015 às 10:13

      Completamente... kkk é uma leitura sobre as políticas do nosso governo, colocando palavras na boca dos dois. Até porque o Piketty não é de esquerda, ele é um equivalente moral do que foi Keynes para o capitalismo do início do século XX. O importante para mim é que ambos apontam o canhão para o lado certo do problema de distribuição de riquezas, e não para o lado da classe trabalhadora.

  2. assalariado. Postado em 13/Feb/2015 às 20:31

    Assisti a entrevista de Piketty, no programa Roda Viva de tv cultura. Sobre Yanis Varoufakis, como referencia pegarei as escritas deste post. Diria que, o embate das duas teses, são frouxas e superficiais. Uma vez que, nenhum dos dois falam em acabar com a explorção do capital sobre o trabalho. Querem, na verdade, remendar uma situação de exploração que não tem volta. Mesmo que, crie impostos sobre a burguesia capitalista, para aliviar as diferenças de renda entre as elites do capital e os assalariados. Isto é, os dois são no maximo social democratas que, em última instancia, propõe tirar o povo da miséria, e coloca- lo na pobreza. Trocando em muidos, enquanto os meios de produção não forem socializados, como propoe a literatura marxista de sociedade. Jamais haverá justiça, numa sociedade dividida em luta de classes com interesses politicos economico opostos. Onde, na hora da negociação para sobrevivencia cotidiana, um entra com o pescoço (assalariados) e o outro entra com a corda (donos do capital). Socialismo ou Barbárie!

    • Luís Postado em 13/Feb/2015 às 22:35

      Socialismo não funciona, nunca funcionou, nunca funcionará, e temos um século de história pra demonstrar isso. Larga de achar que algumas dezenas de teóricos de esquerda autores de livrinhos estão mais certos que a história cara , putz. Quanto ao Piketty e o Varoufakis, dois lixos. enquanto que o Varoufakis padece de simples burrice o Piketty é inteligentíssimo, mas desonesto intelectualmente, como demonstram as dezenas de distorções de dados e MENTIRAS na cara dura no livro dele.

      • Sérgio Postado em 14/Feb/2015 às 01:33

        O socialismo não funcionou, contudo o capitalismo padece da mesma doença, com o viés da mentira. Quem salvou o capitalismo desde 2008 ? O povo, o dinheiro público, aos trilhões de dólares, para salvar banqueiros ladrões e o capitalismo espoliador! Lixo!

      • Frederico Postado em 19/Feb/2015 às 12:23

        E tu acha que o capitalismo funciona?? Temos a historia toda pra comprovar que nao...

      • Vinícius Ricardo Postado em 19/Feb/2015 às 13:23

        O capitalismo é que nunca funcionou. O verdadeiro socialismo ainda não foi testado. E talvez, nunca será

      • Saulo Postado em 19/Feb/2015 às 19:34

        Desde quando o capitalismo funcionou? Até hoje se não é a mão do socialismo pessoas estariam passando fome em paises de economia estavel. Quem encontrar a formula de concentrar algumas diretrizes do capitalismo e socialismo terá o mundo aos seus pés. Mas entre neoliberais e esquerdistas, fico do lado esquerdista.

    • Luís Postado em 13/Feb/2015 às 22:35

      Socialismo não funciona, nunca funcionou, nunca funcionará, e temos um século de história pra demonstrar isso. Larga de achar que algumas dezenas de teóricos de esquerda autores de livrinhos estão mais certos que a história cara , putz. Quanto ao Piketty e o Varoufakis, dois lixos. enquanto que o Varoufakis padece de simples burrice o Piketty é inteligentíssimo, mas desonesto intelectualmente, como demonstram as dezenas de distorções de dados e MENTIRAS na cara dura no livro dele.

      • Vansan San Postado em 17/Feb/2015 às 20:03

        Será que o capitalismo - por vezes selvagem é tão perfeito? Pobreza nos Estados Unidos atinge 80% da população Enquanto isso, notícia publicada em um site de notícias especializado em destacar as reportagens que não aparecem na grande mídia estadunidense, o Political Blindspot, dá conta de que na maior nação liberal do planeta, a terra das oportunidades, onde qualquer um pode construir sua riqueza, 80% de sua população viveram próximos a pobreza ou abaixo da linha da miséria (só nessa última condição, são 49,7 milhões de pessoas). A reportagem fala ainda do aumento cada vez maior do abismo que separe ricos e pobres daquela nação e de como o governo estadunidense, em vez de aumentar a rede de proteção social dos 80% da população que sofre com os efeitos da pobreza, está discutindo os cortes dos poucos programas assistenciais que estão ajudando alguns estadunidenses a se manterem pouco acima da linha da pobreza.https://umhistoriador.wordpress.com/2013/11/20/pobreza-nos-estados-unidos-atinge-80-da-populacao/

      • Vansan San Postado em 17/Feb/2015 às 20:09

        Como Piketty considera a tendência à concentração de renda inerente ao processo de acumulação do capitalismo, propõe apenas soluções redistributivas, principalmente aumento das alíquotas progressivas de imposto de renda para até 80% e um imposto mundial sobre o capital/riqueza. Varoufakis argumenta que um imposto sobre a riqueza, mesmo que seja factível, seria contraproducente e agravaria as dificuldades da economia. Considere-se uma família de desempregados que conserva sua residência, ou uma indústria sufocada por falta de demanda e crédito. O que entendo que o PIKETTY está correto .. Pois o imposto seria cobrado ou taxado sobre a RENDA.. e o Varoufakis interpreta que seria cobrado de pessoas de posse de bens mesmo sem ter renda. Se tem uma mansão com toda família desempregada portanto não tem renda e nem pagamento excessivo de imposto.O mesmo com relação a industria. Um industria sufocada não vende bem, e por consequência fatura pouco. Com isso no seu balanção vai ser de prejuízo ou no máximo empatar custo. Se livraria também de uma alta alíquota de impostos.

      • Andre Postado em 13/Mar/2015 às 06:46

        Mentiras? Quais? Diga as mentiras de Piketty que vc identifica. Duvido que vc tenha lido o livro

    • Luís Postado em 13/Feb/2015 às 22:35

      Socialismo não funciona, nunca funcionou, nunca funcionará, e temos um século de história pra demonstrar isso. Larga de achar que algumas dezenas de teóricos de esquerda autores de livrinhos estão mais certos que a história cara , putz. Quanto ao Piketty e o Varoufakis, dois lixos. enquanto que o Varoufakis padece de simples burrice o Piketty é inteligentíssimo, mas desonesto intelectualmente, como demonstram as dezenas de distorções de dados e MENTIRAS na cara dura no livro dele.

  3. assalariado. Postado em 14/Feb/2015 às 08:25

    Luís, primeira coisa para se dizer que o "Socialismo", funcionou ou não, é discutirmos o que é essa proposta de sociedade na literatura do marxismo Socialista. Depois, sim, fica mais facil decifrar seu comentário e argumentarmos, onde supostamente foi e/ ou, tentou- se implantar o Socialismo. O resto é chutometro ideologico. Vamos, rumo ao Socialismo.

  4. assalariado. Postado em 17/Feb/2015 às 09:49

    Zbgniew Brzezinski, o que entrou em colapso no suposto "modo socialista" de produção, foi o fato de que ele foi, sem nunca ter sido. Isto é, na pratica posta nos Estados ditos 'socialistas, o que imperrou por dentro do "Estado Comunista", foi ter sido capturado pela ideia de que o marxismo era um capitalismo de Estado. Coisa que, eu saiba não esta na literatura de Marx/ Lenin.

    • José Franco Tavares Postado em 19/Feb/2015 às 14:02

      Não será por aí que se poderá caracterizar o sistema político vigente no Bloco Socialista. No sistema montado dispunha-se de programas quinquenais que eram supostos evitar os ciclos económicos. E isso conseguiam também porque a procura era adaptada exactamente à oferta e os preços previamente definidos e controlados não faziam qualquer pressão sobre a oferta tornada inelástica pela rigidez do plano de produção. Os trabalhadores tinham dinheiro mas não tinham o que comprar. Compreendo que estou generalizando temas que ocorreram em épocas determinadas e não explicam a realidade como um todo. Mas continuando; seria lógico que a procura manifestada influenciasse os planos seguintes e influenciava. Porém a guerra aos armamentos que a guerra fria impôs e depois a tentativa de superar o capitalismo na questão espacial até como meio de propaganda terá desequilibrado a oferta nos mercados dos bens de consumo. Por outro lado recusando o papel da massa monetária no controlo económico de uma sociedade imprimia-se moeda em função das necessidades provocando uma depreciação do poder de compra de sectores mais desfavorecidos mantendo por outro lado uma continua insatisfação pela escassez de bens de primeira necessidade (Venezuela da actualidade). Creio que foi nessa altura que o mercado negro explodiu e os preços perderam controlo. Os chineses parece terem tido uma melhor compreensão de como equilibrar a economia de grandes massas da população deixando que as regras básicas do capitalismo fossem sendo aplicadas, mas claro os acusamos de capitalismo de estado. Quanto a mim um erro de Marx foi não ter considerado a importância da produtividade numa sociedade socialista no sentido de liberar os trabalhadores para as suas vidas familiares e de ociosidade socialmente "produtiva". O segundo grande erro ocorreu quando os tanques enviados para Praga, creio que em 1966, pararam um movimento que pretendia renovar o socialismo e adaptá-lo à modernidade que já se avizinhava da mecanização, do automatismo que hoje explodiu na predominância da digitalização de quase tudo no sistema produtivo e de consumo. Recusando uma das conclusões do relatório de Richta a burocracia soviética, incapaz de pensar para além de algumas concepções de Marx que estavam datadas da época em que foram idealizadas, recusou que os trabalhadores intelectuais fossem considerados como aliados naturais do proletariado. (Nota sobre o relatório de Ritcha: "A segunda conclusão dizia respeito “à classe trabalhadora tradicional, aquela de que se reclamam defensores e intérpretes todos os partidos comunistas para justificarem a chegada ao poder e a sua manutenção por tempo indeterminado. O facto de esta classe nunca ter exercido directamente o poder não pode ser explicado apenas por questões históricas particulares. É o lugar que ela ocupa no sistema industrial que a impede de ter esse papel dirigente directo. A classe trabalhadora deverá portanto desejar a ultrapassagem dessa situação. Ora essa ultrapassagem exige “uma mudança essencial no carácter da classe trabalhadora”. A revolução científica e tecnológica (em curso à época e contínua desde então) dá predominância a novas camadas de técnicos e ela tende a fazer desaparecer a anterior divisão entre trabalho produtivo e não-produtivo”. Varoufakis parece ter compreendido alguns erros do marxismo quando utilizado na actualidade e ciente de que uma revolução além de custar milhões de vidas teria um desfecho incerto, prefere "salvar o capitalismo" da sua própria destruição pela vertente que assume hoje em dia de "capitalismo financeiro" onde as fortunas se fazem e multiplicam nas bolsas sem intervenção de uma força de trabalho consistente e desregulando mesmo os mercados de comodities podendo levar à escassez alimentar e energética destruidora das sociedades contemporâneas. Diria que na sua visão voltar ao capitalismo produtivo do pós-guerra seria excelente e o melhor que se poderá fazer por agora. Também concordo, embora isso represente no meu caso um grande passo atrás. Mas a realidade é que o capitalismo está armado até aos dentes, em breve não precisará nem de soldados de carne e osso. É a realpolitik!

  5. assalariado. Postado em 18/Feb/2015 às 11:20

    Zbgniew Brzezinski, quando uma sociedade baseada na exploração de um ser pelo outro, terá e será uma virtude? Quais são os frutos deste tipo de relação social, que tem como principio filosofico e ideologico, acumular riquezas através da exploração do Estado constituido e do suor dos assalariados e da classe trabalhadora?

  6. Vinicius Ricardo Postado em 19/Feb/2015 às 13:29

    Ei Zbgniew, se tiver como, assista à esse documentário. Ele trata dessa questão freudiana e explica como o capitalismo e a democracia, na verdade, são ditaduras do psiquê humana. Nunca fomos livres e meritocracia é uma bobagem... http://www.dailymotion.com/video/x15ov47_parte-1-maquinas-de-felicidade_shortfilms

  7. Maria Postado em 19/Feb/2015 às 14:51

    Enfim, existe ser humano difícil existir coletividade, pois o que vai sobrepor a tudo é que o ser humano é egoísta para ser socialista.

  8. Bender Postado em 19/Feb/2015 às 14:54

    Como vez por outra na discussão surge o comportamento humano, muitas vezes como justificativa para os erros cometidos em ambos sistemas, recomendo fortemente esse vídeo do biólogo Frans de Waal que aborda justamente o quanto cooperativo são os seres vivos (baseado em vários estudos com mamíferos). Segue o link: http://www.ted.com/talks/frans_de_waal_do_animals_have_morals

  9. Sensato Postado em 19/Feb/2015 às 17:08

    Socialismo.... é difícil falar deste assunto, pois o que impera hoje em dia é que o socialismo não deu certo, mas e necessário conhecer e refletir melhor sobre as experiências aplicadas no mundo para poder se posicionar sobre esta questão. Será que estas experiências foram de um socialismo democrático, será que somos capazes de, se necessário for, para proporcionar aos demais habitantes do mundo acesso aos bens básicos, abrir mão do conforto que o capitalismo oferece a uma minoria da população, que nos ilude, nos anestesia e que, na maioria das vezes passamos a vida toda sonhando sem ter acesso? Nosso planeta já não suporta e não suportará esta lógica de consumismo capitalista, e se muitos insistem em dizer que o socialismo não da certo, pra mim fora a sociedade indigena que chega mais perto ele nunca foi aplicado, não justifica acreditar que o capitalismo foi bem sucedido quando 1 bilhão de um total de 7 bilhões de seres humanos do nosso planeta passa fome alem de não terem acesso à saúde publica e educação e não será com campanhas de arrecadação de alimentos, como tantas que já foram feitas, que resolvera este verdadeiro genocídio humano.

  10. Andre Comuna Postado em 19/Feb/2015 às 18:53

    Interessante que todo seu argumento parte do pressuposto que o conhecimento da verdade ( A Psicanálise") teria salvo Marx de seu erro epistemológico inicial. Ou seja, se a psicanálise for mais um delírio filosófico de uma mente, que mais tinha de doente do quê de sã, e que em muito pouco contribuiu para o bem, de quem quer que seja. Uma mátris teórica em franca decadência, que hoje se afirma mais como uma paraciência, imutável e ultrapassada, do que como uma explicação para a mente humana. Sendo assim, diante do entendimento do homem como um ser muito mais biológico, comportamental e social, do que um mero produto de suas punções sexuais reprimidas, podemos então imaginar um ser humano mais capaz da vida na coletividade... No poupe da sua pseudofilosofia ocidentaloide e psicologicista...

  11. Eduardo Postado em 20/Feb/2015 às 08:46

    O dia que o "capital" fizer um pacto com o "social" teremos um sistema próximo do ideal. Porque? como disse nosso amigo acima Ramphastos Toco, existe um componente indispensável em ambos os sistemas, o "comportamento humano"!!! e este não é um obstáculo, é sim, o protagonista em ambos os sistemas! Por isso, tem que haver um casamento entre o capital e o social, seria um capitalismo social, não tão regulado e engessado, mas que leve em conta as questões humanistas, afinal, tudo isso que estamos falando não teriam sentido algum sem as pessoa, o seres humanos e seus complexos sentimentos!

  12. assalariado. Postado em 20/Feb/2015 às 09:50

    Ora, internautas! O conceito de sociedade entre o modo de produção capitalista e, no seu oposto ideologico, o modo de produção Socialista, são como água e óleo. Por mais que se queira mistura- los, nunca se somarão. O comportamento humano nada mais é resultado da (ideologia), a qual estamos submetidos, pela classe dominante. Também, nunca se deve comparar a literatura marxista, sobre o que será uma Sociedade/ Estado Socialista, com um capitalismo de Estado, travestido de "Comunismo."

    • Eduardo Postado em 20/Feb/2015 às 10:55

      O modo de produção capitalista não pode ser totalmente livre de regulação visando apenas o lucro, ele tem que ter também um viés social e humanista, afinal vivemos em sociedades (olha o social ai). Para ficarmos em um só exemplo, se o dono do capital quer construir um empreendimento em um local que exista uma nascente de água, importante para a sociedade (social novamente) por questões ambientais e consequentemente humanistas não é correto que o Estado permita, pois os danos serão irreversíveis para a humanidade e mais impactantes do que o suposto lucro que o capitalismo vai gerar, e essa desregulamentação do capital é que esta acabando com os recursos naturais do Planeta. Acredito que essa "socialização" do capitalismo não só é possível, como é urgente e um processo irreversível, sob pena da extinção da raça humana (o que já esta em curso). Ora, isso nada mais é do que um dos tipos de preocupação social na aplicação de conceitos capitalistas! Temos que trabalhar para esse "casamento", capital&social, pelo simples fato de não termos outra escolha.

  13. assalariado. Postado em 20/Feb/2015 às 17:20

    Eduardo, estou falando da luta de classes (capital x trabalho). Não estou disposto a remendar o modo de produção capitalista. Mesmo porque, no sistema capitalista ou voce explora, de fato e de direito, ou seus concorrentes lhe atropelarão. Muito menos, falo de regulamentação do capitalismo, porque sua lógica existencial é o lucro (mais valia), que implica em vc rebaixar a vida dos assalriados e da população como um todo, nas suas crise ciclicas. Cada vez mais frequentes. Pelo jeito não lestes o livro ocapital! O modo de produção se desnvolveu através de fases de acumulação, e não tem mais volta. Retroceder na luta de classes, digo, no capitalismo significa voltamos a idade feudal. Isto é, a roda da história, que me lembre, sempre rodou pra frente. A fila da história anda. O próximo paaso é construirmos uma Sociedade/ Estado Socialista. Socialismo ou Barbárie!