Redação Pragmatismo
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Aborto 10/Feb/2015 às 15:26
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Luciana Genro rebate Eduardo Cunha sobre aborto

Luciana Genro sobre aborto: Eduardo Cunha ‘não se incomoda em passar por cima do cadáver de milhares de mulheres’

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por Luciana Genro

“Aborto só será votado passando por cima do meu cadáver”, afirmou Eduardo Cunha. Ao que parece, o presidente da câmara não se incomoda em passar por cima do cadáver de milhares de mulheres. A cada dois dias, uma mulher morre em decorrência de abortos clandestinos feitos em condições desumanas.

Mais da metade das mulheres vítimas de procedimentos inseguros é negra e pobre. Segundo dados da Organização Mundial de saúde, o risco de morte para mulheres pobres, que fazem abortos em clínicas clandestinas inseguras, é multiplicado por mil.

São 850 mil abortos realizados por ano no Brasil. Não adianta ignorar os números. Na prática, a proibição não evita o aborto, mas arrisca a vida de mulheres que não podem pagar por um procedimento seguro. E reacende uma discussão muito relevante para o feminismo: pode o Estado legislar sobre o corpo das mulheres?

É preciso fazer este debate partindo de algumas premissas objetivas: (1) o número de abortos realizados por ano no Brasil (2) o número de mortes em decorrência de abortos inseguros. Essas premissas garantem que a discussão seja feita no campo político e não no campo moral ou religioso. Vale lembrar que o fundamento religioso para redução do direito de escolhas compromete o Estado Laico e a cidadania das mulheres.

Não é possível ser “pró-vida” e cruzar os braços diante de um número alarmante de mortes. Ou será que essas mortes incomodam menos por um perverso esquema de valoração da vida, que reduz a importância da morte de mulheres negras e pobres?

Esse debate, feito no campo político, será o requisito para que todas as mulheres tenham igualdades de condições para decidir livremente sobre seus corpos.

SAIBA MAIS: 850 mil mulheres realizam aborto no Brasil todos os anos

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Comentários

  1. Pereira Postado em 10/Feb/2015 às 16:25

    "Eduardo Cunha ‘não se incomoda em passar por cima do cadáver de milhares de mulheres’". Talvez ela também não se importe em passar por cima de milhares de cadáveres de fetos abortados.

    • GG-NASHVILLE Postado em 10/Feb/2015 às 17:29

      Não haveriam fetos para abortar se o aborto fosse legalizado. A não ser que você chame mórula de criança.

      • Eduardo Postado em 11/Feb/2015 às 00:29

        Esse papo de aborto de feto ou não é balela, pois permitido ou não o aborto é realizado aos montes no Brasil e no mundo, no Brasil acaba o SUS pagando a conta do aborto feito em fundo de quintal e quem faz a curetagem e acompanha a mulher acaba sendo o SUS... é hipocrisia e medo de perder voto.... ele pode colocar a matéria em votação se a maioria decidir por aprovar é a vontade do povo pois fomos nós que colocamos eles lá.... agora não colocar para votar é cagaço, a realidade está posta e não tem retorno.... o aborto existiu, existe e sempre existirá, agora se quisermos evitar gastos maiores com pensões, e muitas das vezes engrossar nossas ruas com crianças abandonadas, continuem a postergar essa votação.... Aí vão me perguntar, e se minha mãe tivesse me abortado..... Eu não poderia responder né... não estaria aqui.... mas se pudesse, eu diria que poderia ter sido concebido dentro de uma camisinha....e com o nozinho eu e meus milhões de irmãozinhos morreriamos sufocados....

    • Rodrigues Postado em 10/Feb/2015 às 18:04

      Engraçado, tenho quase certeza que VC é a favor da pena de morte. Feto abortado não pode, mas garanto que esse mesmo feto depois de grande e vir a cometer um crime hediondo mereça a morte.

      • Victor Hugo Postado em 15/Feb/2015 às 09:08

        Que comparação estúpida, Rodrigues. Pense um pouco se há relação entre uma coisa e outra. Agora porque sou contra extinguir o Legislativo sou a favor de político corrupto?

  2. Rodrigo Postado em 10/Feb/2015 às 16:59

    (Outro Rodrigo) Quais cadáveres são menos cadáveres? O das mulheres que padecem em abortos fora das hipóteses autorizadas pela lei ou o dos fetos abortados em procedimentos realizados fora das hipóteses legalmente previstas?

  3. Guilhermo Postado em 10/Feb/2015 às 20:25

    Sei lá. Tem tantos métodos que asseguram a não-gravidez e qualquer um pode ter acesso a eles. Já fui a favor do aborto. Hoje, não sou mais depois de ver um vídeo de um feto recém abortado. Pensava que se tratava apenas de uma maça disforme. Mas não. Só minha opinião. .

  4. Thiago Teixeira Postado em 10/Feb/2015 às 20:28

    Os babacas fundamentalistas não querem preservar a vida coisíssima nenhuma, querem punir a mulher que teve uma gravidez indesejada. É a velha mania de se meter na vida dos outros. A mulher é e sempre será dona íntegra de seu próprio corpo, e não as leis babacas de um país moralista e hipócrita. Pois muitas adolescentes, menores de idades, pobres, abortam o filho vítima de abuso desses políticos e juízes safados.

    • José Júnior Postado em 10/Feb/2015 às 22:47

      Thiago Teixeira, desde quando o feto faz parte do corpo da mulher? Fique o senhor sabendo que em uma gravidez o agente ativo é o feto, portanto, o feto não é uma extensão do corpo da mulher

    • eu daqui Postado em 11/Feb/2015 às 09:34

      E outras muitas abortam o filho do crime dos próprios parentes, de traficantes e de favelados em geral. E muitas outras não abortam por que o filho é de um abusador que pode pagar uma boa pensão.

  5. strudel Postado em 10/Feb/2015 às 21:20

    Pode sim galvão, está dentro das regras, não é ilegal, nem imoral e nem antiético. O problema é a sua falácia de comparação

  6. arthur gadelha Postado em 10/Feb/2015 às 23:44

    Da Luciana genro?

  7. jose carlos savassa Postado em 11/Feb/2015 às 13:39

    Ou a Dilma / PT, convoca Ciro Gomes, Luciana Genro, para detonar os hipócritas, ou estamos ferrados. Não dá para acreditar, Além do Cunha, até o Caiado está na mídia como salvador da Pátria, salvador do Brasil… Ai Jesus, coitados de nós… estes caras vão voltar, ai estamos mortos… o que o Tarso anunciou nestes dias sobre austeridade (http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/A-linguagem-e-o-horror/4/32847), podem crer – vai acontecer… temos que por os bocudos na mídia para detonar a classe dominante o mais urgente possível…. o rabo deles é muito mais preso que o nosso… o Lula sozinho não vai aguentar..

  8. Pereira Postado em 11/Feb/2015 às 15:30

    "A não ser que você chame mórula de criança." Já é ser humano em essência.

  9. Pereira Postado em 11/Feb/2015 às 15:32

    Não tem que haver mortes, nem de mulheres nem de fetos. Tem que haver legislações laicas que acolham tanto a mãe quanto o filho. Matar um para beneficiar o outro não vale.

  10. Bruno Postado em 12/Feb/2015 às 23:00

    Vc acha que o Eduardo Cunha tá nem aí pra vida.Só é contra o aborto por uma questão ideológica.Se seus dogmas religiosos forem cada vez mais contestados suas igrejas se esvaziam e seus cofres ficam a ver navios.Só são um bando deoportunistas querendo ganhar dinheiro fácil manipulando a fé das pessoas.Esse ladrão.

  11. Roberto Pedroso Postado em 14/Feb/2015 às 10:28

    Para além da questão religiosa o aborto se tornou questão de saude publica e quando se legisla sobre esta questão temos que ter em mente que estamos decidindo sobre a autonomia do corpo da mulher pobre, pois a classe media quando necessário realiza abortos em clinicas clandestinas particulares,mas as mulheres sem condições financeiras para tanto devem sujeitar-se as determinações do estado não podendo autonomia sobre seu próprio corpo.

    • Roberto Pedroso Postado em 15/Feb/2015 às 00:24

      "...não podendo ter autonomia sobre seu próprio corpo." desculpe a minha falha

  12. victor hugo Postado em 15/Feb/2015 às 09:13

    Além das já bem colocadas questões sobre cadáveres (das mães ou das crianças, estas inocentes, aquelas não), a Genro inverte a lógica: permitir o aborto para evitar a morte da mãe em clínica clandestina. Isso não resolve o problema. O que resolve é combater a concepção indesejada. Não resolve é outorgar salvo conduto para eliminar vidas humanas. O que alguns abominavelmente negam ser uma vida.