Redação Pragmatismo
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Racismo não 03/Feb/2015 às 11:52
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Irmãs do homem que chamou Fabiana de 'macaca' querem perdão da jogadora

Família do homem que fez insulto racista a Fabiana quer se encontrar com a jogadora para pedir perdão. “Estamos envergonhadas e não sabemos onde colocar a cara”

fabiana racismo
A capitã da seleção brasileira de vôlei, Fabiana, vítima de racismo (divulgação)

Uma família constrangida e à procura do perdão. Assim estão as irmãs de Jefferson Gonçalves de Oliveira, o homem de 43 anos que na terça-feira ofendeu a jogadora de vôlei bicampeã olímpica Fabiana Claudino, chamando-a de “macaca”. A atitude havia provocado uma onda de indignação que começou com a atleta, tomou as redes sociais, envolveu vários representantes da comunidade esportiva e também sócios e torcedores do Minas. Ontem, uma das irmãs do porteiro, que cometeu a injúria racial durante jogo entre o Minas e o Sesi, na Arena JK, Júlia Allegri, de 48 anos, afirmou que gostaria de pedir desculpas pessoalmente à meio de rede. Em férias em Belo Horizonte, ela trabalha num hospital na Suécia, onde vive e é casada. Júlia revelou que essa não é a primeira vez que o irmão teve esse tipo de conduta.

“Estamos todos chateados. Eu e minhas irmãs estamos com vergonha. Posso dizer que não sabemos onde colocamos a cara. A Fabiana e nenhuma outra atleta merecia isso. Ela é uma atleta maravilhosa, um orgulho para Minas Gerais e o Brasil. Eu e minhas irmãs ficamos surpresas quando vimos a foto do Jefferson no jornal. É inadmissível, abominável fazer isso”, afirma Júlia.

Ela foi além ao perguntar: “Quem pode dizer que é 100% branco nesse nosso país?”. A intenção, agora, é tentar se redimir pela família. “Eu, sinceramente, estou vindo a público para me desculpar com a jogadora e seus pais. Queria me encontrar com ela e pedir desculpas. Não sei o que se passou na cabeça dele. Sou fã de vôlei e tenho essas jogadoras, principalmente a Fabiana, como ídolos. Queria ter essa chance, para diminuir um pouco o sofrimento dela e o nosso”.

Júlia conta que essa não foi a única vez que Jefferson se envolveu em episódios como o da última semana, quando também ameaçou torcedores que o repreenderam e afirmou estar armado. Ele admitiu ter ofendido a atleta, mas negou ter feito insultos racistas. “Na quinta-feira, dois dias depois do que aconteceu no jogo do Minas, fui ao Riachão para ver o jogo entre Cruzeiro e Taubaté. Não sabia que o Jefferson iria. E não é que, no meio da torcida, lá estava ele. Novamente xingando. Chamava todo mundo de ‘gordo’. Eu fui para perto dele e chamei a atenção, para que parasse. Não sei o que passa na cabeça dele”, contou.

Júlia diz que jogava em Contagem, no mesmo ginásio onde o Cruzeiro manda suas partidas, por meio de um projeto de esportes que era mantido pela prefeitura. Posteriormente, defendeu o CRB, de Maceió, Alagoas, e a AABB, de Fortaleza, Ceará.

Homenagem

Depois de ser alvo de insultos racistas, a meio de rede Fabiana, ex-jogadora do Minas, foi homenageada pelas companheiras do Sesi na partida de sexta-feira, em que seu time venceu o Araraquara por 3 a 0. A atleta também foi eleita a melhor em quadra. Em solidariedade, as colegas do Sesi entraram com braçadeiras pretas. A torcida também prestou homenagem, gritando o nome da capitã da Seleção Brasileira. Ele revelou que no dia 9, quando sua equipe enfrentará o São Bernardo, haverá um protesto das atletas. O tipo de manifestação não foi detalhado.

Fabiana, que num primeiro momento havia reagido com indignação às ofensas racistas e prometido formalizar uma denúncia policial e ir à Justiça, acabou desistindo de prestar queixa contra Jefferson, ainda que pudesse fazê-lo mesmo sem a Polícia Militar ter relatado tal problema no boletim de ocorrência registrado na terça-feira. “Eu não preciso ser respeitada por ser bicampeã olímpica ou por títulos que conquistei, isso é besteira! Eu exijo respeito por ser Fabiana Marcelino Claudino, cidadã, um ser humano”, desabafou a atleta. Seus pais, Vital Claudino e Maria do Carmo Marcelino Claudino, embora traumatizados, também defenderam que ela não denunciasse o homem responsável pelas injúrias raciais.

“Estou vindo a público para me desculpar com a jogadora e seus pais. Queria me encontrar com ela e pedir desculpas. Eu e minhas irmãs estamos com vergonha. Posso dizer que não sabemos onde colocamos a cara”

Júlia Allegri, enfermeira, de 48 anos

Ivan Drummond, EM

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Comentários

  1. Cícero Moura Lago Postado em 03/Feb/2015 às 12:05

    Porquê não denunciar esse criminoso, racismo é crime!

    • beto Postado em 07/Feb/2015 às 15:22

      um porteiro inutil,assim como um cheirador de po querendo ser presidenter

  2. José Ferreira Postado em 03/Feb/2015 às 15:35

    Ela tem a chace de mostrar que é melhor que o Aranha.

    • poliana Postado em 03/Feb/2015 às 18:00

      HIPÓCRITA!!!!!

    • Leonardo Postado em 03/Feb/2015 às 18:06

      Não jogue este jogo sujo José Ferreira. Um não é melhor que o outro. Certamente reprovaria sua declaração. Um negro agredido da maneira como ela e o aranha foram tem o direito de querer ou não aceitar o pedido de desculpas do outro lado. De repente eles se encontre sem os holofotes da midia sensacionalista, que transforma a dor alheia em divertimento. O Aranha tinha suas razões para não encontrar e não aceitar as desculpas e a atitude que a Fabiana tiver em nada a torna melhor que ele.

      • José Ferreira Postado em 03/Feb/2015 às 23:03

        Somente pelo fato de não posar de vítima já faz com que a Fabiana seja mais humilde do que ele. Se ela aceitar as desculpas é melhor ainda. Lembrem-se que "desculpas" não fazem o cara deixar de pagar pelo crime, pois há leis que punem a injúria racial e outras injúrias.

    • Thiago Teixeira Postado em 03/Feb/2015 às 19:28

      Ela não tem que provar nada muito menos fazer média a ninguém, principalmente a seres como você.

    • Ana Postado em 04/Feb/2015 às 15:45

      Melhor por quê?

  3. Leonardo Postado em 03/Feb/2015 às 17:53

    Jogue este jogo José Ferreira. Um não é melhor que o outro. Certamente reprovaria sua declaração. Um negro agredido da maneira como ela e o aranha foram tem o direito de querer ou não aceitar o pedido de desculpas do outro lado. De repente eles se encontre sem os holofotes da midia sensacionalista, que transforma a dor alheia em divertimento. O Aranha tinha suas razões para não encontrar e não aceitar as desculpas e a atitude que a Fabiana tiver em nada a torna melhor que ele.

    • José Ferreira Postado em 03/Feb/2015 às 23:05

      Se ela é melhor eu não posso dizer, pois eu não conheço pessoalmente nem ela e nem o goleiro reserva do Palmeiras. Posso dizer que ela está mostrando que é superior às ofensas.

  4. Aristóteles Postado em 04/Feb/2015 às 06:20

    É duro constatar que o racismo está aumentando cada vez no Brasil. O cara xinga o negro de macaco, pinta e borda e, depois, pede "desculpas" e pronto! É a mesma coisa que cuspir no rosto de alguém e dizer "deixa que eu enxugo!". Não tem graça!

  5. eu daqui Postado em 04/Feb/2015 às 09:35

    Uma menina nova e bonita dessa. Vai ver ele sabe que não é pro bico dele. Alem de racismo deve ser despeito.

  6. Atila José Postado em 04/Feb/2015 às 14:29

    O tal do Jefferson começou toda a urucubaca... pau no lombo dele, pra deixar de ser idiota - se não gosta de mulher o problema é todo dele. umas porradas bem dadas resolvem o incidente.

  7. Jonas Schlesinger Postado em 04/Feb/2015 às 16:13

    "Quem pode dizer que é 100% branco nesse nosso país?” Eu. A minha ascendência n tem um pingo de sangue subaariano.

  8. Ricardo Postado em 04/Feb/2015 às 23:45

    Jonas seu q.i (sim q.i em minúsculo porque um ser como vc não tem Q.I ) Vou ajudar a você a melhorar seu q.i de ameba retardada. Antes de tudo, é preciso lembrar que a cor da pele é determinada geneticamente por genes que controlam a produção do pigmento melanina. Portanto, ter pele branca, morena ou negra depende dos genes e essa característica é transmitida aos descendentes. Em segundo lugar, as evidências a respeito da origem do homem sugerem que os primeiros seres humanos devem ter surgido na África e, portanto, teriam a pele negra. Todo ser vivo apresenta características que lhe permitem adaptar-se ao ambiente em que vive. No caso dos primeiros seres humanos, a pele escura servia para protegê-lo da intensa irradiação do sol nessa região. À medida que o homem passou a ocupar outras regiões, o processo evolutivo, por meio da seleção natural, foi favorecendo, em cada local, a sobrevivência daqueles indivíduos cujas características lhes permitiam melhor adaptabilidade. Naqueles locais com menos sol, indivíduos com pele mais clara eram favorecidos, pois os indivíduos de pele mais escura e mais protegida não conseguiam assimilar o sol suficientemente para sintetizar a vitamina D nesses locais. Isso foi ocorrendo ao longo de muitas gerações, em que os sobreviventes tinham sempre a pele um pouco mais clara que a de seus ascendentes, até se chegar ao branco. Com o passar do tempo, ao longo de milhares de anos, os indivíduos ficaram distribuídos de tal forma que, quanto mais próximos do Equador, mais escura era sua pele e, quanto mais próximos das regiões polares, mais clara ela era. É importante lembrar que o processo de seleção natural é aquele que considera que em todas as populações existe variabilidade (no caso da cor da pele, indivíduos com tonalidades diferentes na pele). A seleção natural age sobre essa variabilidade, favorecendo, em cada ambiente, a sobrevivência dos indivíduos mais bem adaptados. Assim, a seleção natural tanto favoreceu nas regiões frias os indivíduos de pele clara, como favoreceu nas regiões mais quentes os indivíduos de pele mais escura. Atualmente não observamos mais essa diferença tão marcante, porque os cruzamentos entre indivíduos de diferentes regiões, com diferentes cores de pele, garante uma variabilidade ainda maior e os fatores seletivos já não são importantes no caso do homem. Um negro vivendo numa região com pouco sol, por exemplo, pode facilmente superar a falta de vitamina D, e viver nesse lugar não será problema para ele. Da mesma forma, uma pessoa de pele clara terá como se proteger do sol nas regiões equatoriais, podendo viver aí desde que tome cuidados para não sofrer os efeitos do sol muito forte na sua pele. Vale lembrar que este processo de seleção natural aconteceu nos primórdios do homem na Terra e que o que temos hoje é um reflexo disso, ou seja, um grande número de fenótipos para a cor da pele, desde o branco até o negro.