Nicolas Chernavsky
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Política 04/Feb/2015 às 17:22
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Financiamento coletivo para campanhas políticas

Nem dinheiro de empresas nem dinheiro do Estado: agora é a hora de planejar campanhas eleitorais bancadas com dinheiro apenas de pessoas físicas – e com um máximo razoável por pessoa – para acabar com o desânimo nas forças políticas progressistas no Brasil

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Nicolas Chernavsky*

Com o resultado das eleições para a presidência da Câmara dos Deputados, está bastante claro que a trajetória histórica de crescimento do progressismo no parlamento brasileiro chegou a um estancamento. Na verdade, parece até ter havido um retrocesso rumo ao e nessas últimas eleições de 2014. Não é o que ocorreu nas últimas décadas, quando os partidos mais progressistas foram ganhando espaço no parlamento nacional. É preciso enxergar que esse ciclo acabou, simplesmente. O PT e o PCdoB começaram claramente a diminuir no parlamento, e o PSOL, com 5 deputados federais na sua terceira eleição, não consegue fazer quase nenhuma diferença quantitativa. E como se fosse pouco, o PSB, que historicamente era um partido progressista, agora parece ter se tornado um partido conservador. Por que isso está acontecendo? O que fazer para reverter isso?

A avaliação de que o financiamento das campanhas eleitorais está no fundo desse processo é bastante comum hoje em dia, sendo que, por exemplo, o PT tem uma campanha bastante nítida pelo financiamento estatal de campanhas. Apesar disso, para o povo, essa proposta não “pega”, ou seja, o eleitorado não parece se empolgar muito com trocar o dinheiro das empresas pelo dinheiro do Estado para fazer campanha. Mas existe uma alternativa, o financiamento coletivo, e sem esperar que uma lei nos obrigue a fazer isso. Temos que implementar o financiamento coletivo nas campanhas por nossa livre organização. E o que significa isso? Significa que as candidatas e os candidatos podem tomar a iniciativa de somente aceitar recursos de pessoas físicas, e até um certo limite razoável por pessoa.

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Muitas pessoas alegam que é muito arriscado para as forças mais progressistas parar de aceitar dinheiro de empresas para suas campanhas sem que a lei proíba as forças mais conservadoras de aceitar também. A prática mostra o contrário: é a aceitação de dinheiro de empresas que está afundando eleitoralmente as forças mais progressistas. Pode-se argumentar também que nas últimas décadas foi esse dinheiro de contribuições de empresas que permitiu ao progressismo vencer tantas eleições. Mesmo que isso seja verdade, esse vício no dinheiro de empresas está agora cobrando seu preço. Existe uma forma mais avançada de financiar campanhas, e sua implementação é urgente. Nem dinheiro de empresas, nem dinheiro do Estado; dinheiro da organização do povo.

O PT, o PSOL, o PCdoB, os setores mais progressistas do PSB e de todos os outros partidos têm a oportunidade de planejar com antecedência, a partir de agora (se é que não começaram já), campanhas com contribuições somente de pessoas físicas com um limite razoável por pessoa. Isso poderia devolver ao progressismo a trajetória de crescimento no parlamento. A esperança precisa ser resgatada na política brasileira, e para superar o desânimo precisamos de uma luz no fim do túnel. Espero que essa luz sejam as campanhas eleitorais financiadas voluntariamente pelo povo.

*Nicolas Chernavsky é jornalista formado pela Universidade de São Paulo (USP), editor do Cultura Política e colaborador do Pragmatismo Político

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Comentários

  1. poliana Postado em 04/Feb/2015 às 17:49

    E depois sou eu q preciso de terapia e tenho ódio no coração. Kkkkkkk

  2. Ivan Postado em 04/Feb/2015 às 21:55

    Se importa de justificar o motivo dessa opinião? Simplesmente desconsiderar o texto sem argumentar nada não agrega ao debate. Não vejo o fim do financiamento particular como a solução de todos os problemas, mas é, sem dúvida, um pilar da construção de um processo eleitoral mais íntegro. A grande maioria dos "escândalos" de corrupção do país estão ligados diretamente ao financiamento de certas empresas no processo eleitoral e da "cobrança de favores" que segue. E isso é absolutamente apartidário, todos os lados tem seus (alguns muito bem documentados) podres com empresas que financiaram suas campanhas. Para quem tiver interesse, isso pode ser facilmente visto no site asclaras.org

  3. Sergio Carneiro Postado em 05/Feb/2015 às 21:45

    Se for implantada, esse financiamento pelo povo, daqui a alguns anos só teremos dois partidos e no cenário atual seria o PT e o PSDB. Quanto em R$ ,partidos como : PV, PCO, PSDC, PSL e outros tantos, conseguiriam levantar para uma campanha estadual ou nacional. O dinheiro seria para o partido, para o candidato ou para alguma coligação? Ou o R$ iria para o TSE e esse repassaria aos partidos proporcionalmente a quantidade de representantes? Quem garantiria que não haveria um caixa dois ou doação de empresas por baixo dos panos?