Redação Pragmatismo
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Meio Ambiente 26/Feb/2015 às 16:00
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Conheça Ezequiel Castanha, o “rei do desmatamento” na Amazônia

Conheça o homem que, só no ano passado, desmatou uma área equivalente a 15 mil campos de futebol. Ezequiel Castanha é considerado o maior devastador da Amazônia

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Ezequiel Castanha desmatou, só em 2014, uma área do tamanho da cidade de Natal-RN (Reuters)

Em sua cidade, a paraense Novo Progresso, diz-se que Ezequiel Antônio Castanha mandava mais do que o prefeito. Empresário da região incrustada na Amazônia, ele era dono de supermercado, concessionária de automóveis, hotel e empresas de outros ramos. E, apesar de despertar suspeitas, o silêncio sobre seus negócios ilícitos imperava entre moradores.

Castanha, considerado o maior desmatador da Amazônia, foi preso no sábado (21/02) após uma operação da Polícia Federal e do Ibama na cidade de Itaituba, onde estava a negócios. A prisão do grileiro desarticulou a maior organização criminosa da região, que chegou a vender lotes de terra ilegalmente por até 20 milhões de reais.

“Nessa região, alguns cidadãos como ele, que possuem várias empresas, não são pessoas acima de qualquer suspeita”, diz Everaldo Eguchi, chefe da delegacia de repreensão a crimes contra o meio ambiente da Polícia Federal, em Belém. “Mesmo assim, os moradores não comentavam nada. Praticamente ele era o dono da cidade.”

Ele e suas empresas – muitas delas de fachada, segundo a polícia – são as principais fontes de emprego da região. Economicamente, Castanha dominava Novo Progresso, cidade de cerca de 25 mil habitantes. Por isso, parte da população preferia não denunciá-lo.

“A lei do silêncio imperava. Ele não era acima de qualquer suspeita. Quando ocorre esse tipo de crime, todos da região sabem quem está por trás. É um crime lucrativo que tem um retorno rápido para a pessoa. Ele investia em fazendas esse dinheiro obtido de forma irregular”, afirmou uma fonte do Ibama.

Empregados em condições de escravidão

Castanha e sua quadrilha são considerados responsáveis por cerca de 20% de todo o desmatamento registrado às margens da BR-163 (rodovia que liga Santarém a Cuiabá), entre os municípios paraenses de Novo Progresso, Itaituba e Altamira. A região é onde o Ibama vem detectando os maiores focos de desmatamento ilegal na Amazônia. O prejuízo ambiental seria de pelo menos 540 milhões de reais.

Só no ano passado, a quadrilha teria invadido florestas, reservas indígenas, assentamentos e desmatado uma área equivalente a 15 mil campos de futebol. Pelo fato de os grileiros estarem na região há mais de dez anos, é possível que a área devastada seja muito maior. O grupo, segundo as investigações, invadia terras públicas, desmatava e incendiava as áreas para formação de pastos, e depois vendia as terras como fazenda.

Na região, a falta de organização e fiscalização dos órgãos públicos facilita a vida de quadrilhas como a de Castanha. Na Amazônia, a maioria das terras não tem registro em órgão público, e não há procedimento para legalização de um terreno.

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Pelo menos 15,5 mil hectares teriam sido desmatados pela quadrilha. Todas as áreas invadidas ficarão bloqueadas e não serão objeto de regularização fundiária. O esquema desmontado pela Polícia Federal envolvia intermediários, que faziam a negociação das terras invadidas junto a pecuaristas da região amazônica, além de Sul e Sudeste do país.

“Pelo menos desde 2006, ele tinha essa conduta. Ele aliciava trabalhadores com condições análogas à escravidão e os colocava acampados nas áreas escolhidas. O objetivo era ‘abrir’ a floresta o mais rápido possível”, afirma Daniel Azeredo, procurador da República, em entrevista à DW. “Dois ou três anos depois, com a área já pronta, ele usava os corretores para comercializarem as áreas.”

Pena de 46 anos de prisão

O esquema desviou ao menos 100 milhões de reais em sonegação de impostos e lavagem de dinheiro. Só de multas, o núcleo familiar de Castanha deve quase 50 milhões de reais ao Ibama, sem contar os autos de infração em nome dos demais membros da quadrilha.

Castanha foi preso seis meses depois do fim da Operação Castanheira, quando outras seis pessoas foram detidas. Integrante da quadrilha, Edivaldo Dalla Riva, conhecido como “Paraguaio”, também está na cadeia. Já Giovani Marcelino Pascoal, o “Giovani do Hotel Miranda”, que também teve a prisão decretada, segue foragido.

Em declaração à TV Globo, o advogado de Castanha, Alberto Vila Cabano, disse que o empresário está sendo vítima de acusações infundadas e que vai provar a inocência no decorrer do processo.

O “rei do desmatamento” será julgado pela Justiça Federal e poderá receber pena de mais de 46 anos de prisão pelos crimes dos quais é acusado, como devastação ilegal de mata, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e uso de documentos falsos.

DW Brasil

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Comentários

  1. Rafael Eduardo Postado em 26/Feb/2015 às 20:53

    preso para sempre deverá ser, pois que é um ser humano ruim para si mesmo

  2. gilberto Postado em 26/Feb/2015 às 22:21

    Esse FHC é o filho do capeta mesmo ! hahahhahahah

  3. Outro Postado em 26/Feb/2015 às 23:23

    Esse bandido ai nao pode amarrar em poste nem flagrar tiroteiro, esse ai financia bancada ruralista...

  4. João Paulo Postado em 27/Feb/2015 às 07:48

    É muita inocência achar que Dilma/Lula, FHC ou qualquer outro teria realizado investimentos estratosféricos na PF e Ibama a ponto de inibir significativamente o desmatamento na Amazônia ...

  5. Thiago Teixeira Postado em 27/Feb/2015 às 09:58

    Todo mundo fica feliz vendo os madeireiros presos, mas final de semana correm as lojas de móveis, material de construção, papelaria para consumir madeiras e seus derivados. Muita hipocrisia. O Ibama tem que parar de utopia e arrumar uma solução para isso, ou seja, autorizar o corte mediante o replantio, pois a demanda de madeira existe e a sociedade não vai ficar esperando essa babaquice de 5 anos para emissão de autorização de supressão e rastreabilidade das lenhas.

    • Alex Postado em 27/Feb/2015 às 11:09

      Autorizar o desmatamento? É já pensou em sustentabilidade empresas sérias desenvolveram um sistema de replantamento onde a empresa tem cinco hectares de árvores replantadas por dia tudo replantado Agora desmatar e deixar sem nada é outra coisa! E sim eu escolho consumir produtos com embalagem mais ecológicamente sustentável Se a gente Nw tomar uma atitude Nw vai ser as empresas que vão fazer

    • Gabriel Postado em 27/Feb/2015 às 15:59

      Nunca li tanta merda!

  6. Valter Postado em 27/Feb/2015 às 10:34

    Oh ignorância...radicais eh foda!

  7. Antonio Postado em 27/Feb/2015 às 12:03

    Replantio é farça!Não se reconstitui os ecossistemas e não recuperam espécies (manancial de recursos inestimáveis).Não podemos continuar a viver com uma econômia de 400 anos atras e com mentalidade de 1000 anos atrás acreditando em desmatamento e replantio para o progresso .

    • Thiago Teixeira Postado em 27/Feb/2015 às 16:00

      Replantio é uma mitigação ... melhor que nada. Do jeito que está, as madeireiras entram numa reserva, arrebentam com tudo e somem. Eu vi isso no interior do Pará e Mato Grosso.