Mailson Ramos
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Mídia desonesta 24/Feb/2015 às 10:52
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A imprensa brasileira e a obscuridade de seus interesses

Por ideais que são cada vez mais obscuros ou tortuosos, a imprensa trilha o caminho mais fácil do não debate, ou da não profundidade do debate. Ela necessita que seja assim.

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Imprensa brasileira (Imagem: Pragmatismo Político)

Mailson Ramos*

A imprensa hegemônica brasileira não favorece o debate. Amealha um punhado de intrigas políticas fundadas em interesses que as próprias organizações de comunicação insistem em esconder das suas redações. Publica-se o que deve ser publicado e ponto final. Das análises de sua mortificada ética e credibilidade não sobra um traço perfeito da verdade dos fatos, esta cantilena mentirosa e vil disparada em propaganda pelos próprios construtores da notícia.

Luta-se antes por uma verdade que devora todas as outras, inclusive as verdades que o povo, agora navegador do mundo das informações, já interpreta como inverdade. Porque a imprensa hegemônica brasileira, de modo geral, abdica do senso comum para ser, como somente ela sabe ser, elitista.

Para as vozes que transformam o elitismo em minoria, antecipo uma contra-argumentação: a referência neste caso evidencia o apego ou a dependência da imprensa aos grandes grupos econômicos, dos interesses hegemônicos que cercam as redações, das manipulações engendradas ao longo dos tempos por interesses e privilégios que ultrapassam a simples construção do noticiário. No caso, os menos favorecidos deste modelo de elitismo midiático seriam todos aqueles que leem um jornal na expectativa de se deparar com análises verdadeiras. Verdadeiras não no sentido do absolutismo do conceito, mas credíveis, cercadas de credibilidade. E de certo modo, é preciso pensar que a imprensa já não cumpre com a verdade/credibilidade.

Saiba mais: Por que o silêncio em torno do escândalo do HSBC?

Por ideais que são cada vez mais obscuros ou tortuosos, a imprensa trilha o caminho mais fácil do não debate, ou da não profundidade do debate. Ela necessita que seja assim. Incomoda quando alguém, do próprio círculo da comunicação, irrompe com uma crítica feroz. Porque a imprensa não gosta de ser criticada, não gosta de ser pautada, não gosta de regulamentações.

Leia aqui todos os textos de Mailson Ramos

Mas no interlúdio desta última afirmativa e a próxima, vale a pensa dizer que a imprensa vive de críticas alheias, pauta a vida dos brasileiros consumidores de informações e exerce ainda, sobre suas regulamentações, um poder indescritível nas fileiras desta república. E a imprensa tem sobrevividos de empreitadas. A última é impor aos brasileiros a derrocada fina, porque, afinal, nós nunca passamos de uma república de bananas.

A imprensa brasileira, que sempre admirou os Estados Unidos, o primeiro mundo, a Europa, não enxerga no Brasil senão o reflexo da derrota, daquilo que deveria ser e não foi. Mata-se diariamente a essência do povo brasileiro quando ele é lançados abaixo, atirado no fosso com todas as conquistas, mesmo as menos expressivas. Degusta-se com prazer o liquido sumarento das crises políticas, do mal momento. Porque profetas de desventura, na imprensa, têm reserva em espaço VIP. Não importa o quanto se achincalhe o Brasil, suas instituições, sua política, o poder estabelecido. Dize-se: tudo em nome e defesa do povo. Mas o povo, quando reconhece o sabor amargo do veneno midiático, arqueja combalido no posfácio de sua melancolia, já derrotado de outras batalhas.

Leia também: Carta aberta de uma funcionária da Petrobras para as Organizações Globo

A luta não é de classes, de ideologia, de grupos ou partidos políticos. A luta é pela credibilidade de um país. E não pode haver credibilidade se a sujeira é escondida debaixo do tapete; se por vinte anos um câncer continuar escondido nas entranhas de uma estatal; não pode haver credibilidade se a imprensa e a justiça utilizam dois pesos e duas medidas para tratar de assuntos da mesma alçada; jamais poderemos ser justos se acreditamos numa imprensa que investiga além da polícia e de uma polícia que prende, acusa, para somente depois investigar; como poderemos acreditar em veículos de comunicação que interferem no ritmo das investigações e definem a construção dos fatos de acordo com seus interesses? Por isso, a ideia do marco regulatório é repugnante, cheira a censura, cassa a liberdade. Rechaçam tudo o que regula. A imprensa faz o que quer do Brasil e ponto final.

*Mailson Ramos é escritor, profissional de Relações Públicas e autor do blog Nossa Política. Escreve semanalmente para Pragmatismo Político.

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Comentários

  1. Félix Postado em 24/Feb/2015 às 11:20

    Eu não vejo obscuridades. Está muito claro à quem serve e sempre serviu esta imprensa. Apoiaram o golpe militar, apoiaram as sucessivas campanhas do PSDB. Acobertaram e continuam acobertando os donos do capital. Agora apoiam este terceiro turno em que tentam transformar a Lava Jato, um novo golpe contra nossa democracia.

    • BRUNO SILVA Postado em 24/Feb/2015 às 11:46

      É VDD FELIX, mais a obscuridade que estão falando no texto é para as pessoas de "mentes fracas" ou as que querem acreditar que no Braisl as coisas são como a midia " informativa' gosta de demosntrar e NUNCA perguntam o porque da materia ou se falta alguma coisa. Isso vai se manter até o ponto que a população abra os olhos e busque informações veridicas e reais sobre a sua vida e sobre nosso lindo país. Sou Brasileiro e sonho que o Brasil ainda vai mudar.

      • grego79 Postado em 24/Feb/2015 às 12:38

        Verdade sr Bruno, disse tudo. O povo aceita a primeira noticia que lhe é servida! Ouço comentários sobre o "Lulinha" que é dono da friboi, então penso como é capaz existir tamanha ignorância! É lógico que a politica é podre, em qualquer lugar, em qualquer país, tudo é interesse. A grande mídia serve a esses interesses, e querem de toda forma tirar do poder qualquer ameaça. O povo é quem deve começar a transformação, não aceitando esse tipo de produto, assim, seu sonho pode tomar corpo e vida. Mas o povo se agrada com "corujão do esporte", "esquenta", "BBB", "domingo show", "a tarde é sua", "jogo aberto", programas com polêmicas e que buscam ibope em cima da tragédia alheia! enfim, tem muita coisa "boa" pra desviar o foco! Tudo é dinheiro, ou não teriam emissoras vendendo o espaço para denominações evangélicas, e há quem defenda! E o espaço pra cultura? (as novelas ensinam...). O povo tem que abrir o olho urgente!

  2. Salomon Postado em 24/Feb/2015 às 13:25

    Uma imprensa com excelentes instrumentos de coerção e sem nenhum freio moral agindo em cabeças de analfabetos políticos, Dá até vontade de chorar.

    • Thiago Teixeira Postado em 24/Feb/2015 às 21:17

      O Brasil tem 53 milhões de beneficiários do Bolsa Família? Não sabia ...

  3. Roberto Pedroso Postado em 25/Feb/2015 às 09:52

    Onde está aqueles que acreditam que existe liberdade de imprensa no Brasil?existe sim liberdade de empresa pois não se publica aquilo que pode ferir os interesses dos patrocinadores e anunciantes da grande mídia,manter, defender e proteger os interesses dos anunciantes esse é o mote que guia a imprensa no Brasil e ainda existem idiotas que acreditam em isenção e imparcialidade da imprensa,quanta ignorância! eu gostaria apenas de alguns dos nomes dos brasileiros envolvidos no escândalo do HSBC da Suíça mas o que temos é apenas o silêncio vergonhoso dos meios de comunicação.