André Falcão
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Direita 28/Jan/2015 às 10:50
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A vaca está muito viva

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André Falcão*

Nada surpreendente a reação de parcela do eleitorado aecista, ou pessedebista, escudando-se na porção impopular das medidas econômicas da nova equipe do governo federal reeleito para tripudiar dos que lhe venceram. Na verdade, reforça no eleitor vencedor mais alinhado à cruel realidade do capital, enfiada goela’dentro deste país no decorrer dos anos de sua história, a importância em que se traduziu a vitória da atual presidenta, ou a derrota do candidato da oposição, o pior em muitos anos. Explico meu singelo pensar, ainda que sucintamente, como sói o permite o diminuto espaço.

Ora, não se discute a dureza de algumas medidas adotadas, mas tampouco é de se espantar o tenham sido, afinal produzidas no centro de uma política monetarista erigida para fazer frente à parte mais fragilizada da política econômica anterior, naturalmente imperfeita como o é a de hoje, uma vez nascida e desenvolvida dentro de um mundo capitalista cujos fracassos se mostram evidentes a quem tem olhos para ver, e que vive sua maior crise desde a de 1929. Ao eleitor vencedor, petista ou pessedebista ou apenas simpatizante a um desses partidos ou aos governos de Lula e Dilma, cumpre deixar a inocência de lado, apoiar o que deve mereça sê-lo (inclusive o avanço em que continua a se traduzir o governo eleito), sem embargo de criticar e opor-se ao que assim o mereça, obstaculizando o retrocesso ou reduzindo-o, especialmente no campo dos direitos sociais e trabalhistas.

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Particularmente, não guardo expectativas positivas de uma política econômica conduzida nos moldes já anunciados. A indústria, talvez o setor mais ressentido pela política do primeiro mandato, deverá mesmo, arvoro-me o direito de acreditar com base na prática do passado, enfronhar-se com sua fome voraz no exercício do lucro pela especulação do capital, e não da produção. Mas o tempo dirá por quanto tempo viveremos a experiência ditada pela nova equipe econômica.

De qualquer sorte, essas medidas ditas impopulares tão exploradas pela “grande imprensa” economicamente desregulada e irresponsável por seus atos (ela ainda o maior “partido” de oposição), patética e pretensamente transformadas em “discurso de vingança” pelos derrotados de plantão, além de reiterar a falta de substância do discurso adversário, vem a corroborar, no íntimo de cada eleitor vencedor, o desastre de que este país escapou fosse eleito o sofrível candidato dos tucanos. Se é que a vaca tossiu, regozije-se: ao menos está viva.

*André Falcão é advogado e autor do Blog do André Falcão. Escreve semanalmente para Pragmatismo Político

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Comentários

  1. Jorge Postado em 28/Jan/2015 às 11:02

    A vaca tossiu. Se o Aécio fosse o eleito ela teria miado, latido, relinchado, etc. E o vaqueiro Armínio Fraga estaria sendo aplaudido pela Leitão e espécies afins.

  2. Gabriel Gabo Postado em 28/Jan/2015 às 11:18

    É contra bolsa-família mas é a favor do seguro desemprego. Parabéns, meritocrata do mundo novo.

  3. Gabriel Gabo Postado em 28/Jan/2015 às 11:25

    André, você realmente escreve muito bonito. Mas não consegui entender o objetivo do texto.

    • Weslei Prado Postado em 28/Jan/2015 às 11:35

      Vou confessar que também não.

    • Salomon Postado em 28/Jan/2015 às 13:14

      O André sofre do vício comum a todo advogado que é o de usar expressões e palavras técnicas ou jurídicas. A linguagem forense deveria ser deixada de lado em nome da clareza e da objetividade.

  4. Rodrigo Postado em 28/Jan/2015 às 12:00

    (Outro Rodrigo) Olha só, mais de um mês depois e a vaquinha recebe os primeiros cuidados. Em São Paulo a vaquinha de Alckmin vinha tendo atenção, pois a tosse "seca" da mesma não tinha como ser negada e mesmo a tosse "seca" na Bahia e no Rio de Janeiro vinham sendo confirmadas (crises hídricas, para quem não entendeu). Mas ainda se teimava a ouvir a tosse em nível Federal. Não se falou, pois, em vaca morta, nem em vaca louca, mas que ela não iria tossir - e, negando-se a realidade ela tossiu e muito, eu torcendo para que ela receba cuidados, não tenha diagnóstico de coqueluche e nem mesmo morra. Sakamoto, quiçá limpando as orelhas, ouviu a tosse e esta semana bradou: "Seguro-desemprego já foi. Qual a próxima mudança? A carteira assinada?" (26/01/2015 09:07). Hoje até mesmo Dilmãe reconhece que a vaca tem de ser cuidada, não mais pode ser deixada ao léu, ser explorada com tanto "leite" que lhe é retirado à força, concluindo: "O Brasil não tem mais dinheiro para jogar pela janela". Então, prezados, se com Aécio ia ser pior ou melhor, pouco me interessa, pois quero saber como irá ficar melhor com Dilma. Ela é a realidade no Executivo Federal (assim como Alckmin, Rui e Pezão nos Executivos estaduais citados), de modo que temos de cobrar de modo lógico-racional as medidas para um retorno aos trilhos. Que paremos, pois, de tanta picuinha (seja de quem teima em negar a realidade, seja de quem teima em torcer contra), pois o caminho é o da cobrança quanto ao quê não está bom e, quanto ao quê estiver bom, que haja o reconhecimento. Paremos de picuinha, de nos portarmos como cegos e apaixonados torcedores organizados pois já vimos que isso não deu certo. Mudança de postura, em um novo ano, é do que precisamos. P.S.: cobrar quando necessário, reconhecer quando devido, bem como reconhecer os "estelionatos eleitorais" de Alckmin e Dilma, pois nem havia tranquilidade na questão hídrica, nem o Brasil estava bem e não se mexeria em direitos.

  5. ademar Postado em 31/Jan/2015 às 21:39

    Já faz tempo que o André Falcão perdeu o rumo, perdeu a argumentação, comprovação explícita da falta de coerência e de sua tese insólita, será que ainda lhe resta o juízo?

  6. Pereira Postado em 03/Feb/2015 às 14:07

    Pô ! vocês não entenderam o texto ? Está claro. O de sempre, ele põe a culpa nas medidas impopulares da Dilma no capitalismo e na imprensa. Medidas que a Dilma acusou o Aécio de fazer caso eleito. Mais claro que isso só se esse falcão desenhasse.