Redação Pragmatismo
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São Paulo 27/Jan/2015 às 08:02
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“Torneiras Secas”

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Lucas Mendes*

Canícula: calor do cão, calor do inferno, etc. Expressões que, entre outras, se tornaram corriqueiras no vocabulário da população paulistana. Feliz é aquele que possui ar condicionado, diz um paulistano. São Paulo está passando por um clima acima da média conforme registram os termômetros, como no penúltimo final de semana em que a temperatura atingiu 36.2°C recorde da estação na capital.

Entretanto, há um agravante, a falta de chuva, que chuvisca esporadicamente em pontos isolados, consequentemente as porcentagens dos reservatórios diminuem, ocasionando a pior crise hídrica dos últimos 80 anos. Vejamos o reservatório do Cantareira que está operando apenas com 5,1% da sua capacidade, nesta segunda-feira. A “cidade da garoa” deve se preparar para um possível êxodo urbano, caso as condições não se revertam. E agora quem poderá nos salvar?

Embora os órgãos responsáveis acreditassem numa possível reversão, fazendo um discurso prolixo e apostando para que a chuva viesse, tentativa falha, pois ela não veio. Ações, soluções, investimentos foram colocados em segundo plano.

A imprensa, mídia “tradicional” por sua vez, deveria tratar desta pauta com prioridade, se aprofundando na veracidade dos fatos que cercam este tema, dando mais relevância. Mas, devem estar com outras preocupações. “A Sabesp raciona a água, a imprensa faz o racionamento dos fatos”. (Luciano Martins – Observatório da Imprensa).

Saiba mais: O que fazer quando a água acabar?

Contudo, nós sabemos que a crise hídrica não se resume apenas a aspectos naturais por causa da falta de chuva, pelas mudanças climáticas, como é mostrado nos noticiários. Esse problema está correlacionado com outros fatores. Aliás, o desmatamento desenfreado na floresta amazônica tem afetado São Paulo diretamente, pois parte das nossas chuvas surgem a partir da umidade que vem de lá. Além do aquecimento global.

Diante desta circunstância que São Paulo vive, a  Saneamento Básico do estado de São Paulo (SABESP) tem tomado algumas providências para que haja uma redução no consumo de água, através da cobrança de multas para quem excede no uso, como na Califórnia onde os habitantes também pagam caso ultrapassem suas cotas. Cabe a nós, brasileiros, começarmos a aprender utilizar a água racionalmente. Inclusive a própria SABESP, que desperdiça cerca de 34.3% na distribuição de água no trajeto entre a estação de tratamento até a caixa d`água dos consumidores no último registro feito em 2013. A principal causa deste desperdício é o envelhecimento das tubulações e por fraudes e ligações clandestinas. Está na hora de trocar a “torneirinha”.

Cadê a água?” Manifestação feita para ironizar e cobrar Geraldo Alckmin (PSDB) sobre a falta de água. Não nos esqueçamos de que o governo estadual de São Paulo junto com a SABESP já citado acima é um dos principais responsáveis pela crise hídrica que São Paulo está vivendo, apesar de termos sido previamente avisados que poderia haver uma seca em São Paulo. Através da relatora especial do direito à água e saneamento, a portuguesa Catarina Albuquerque, da Organização das Nações Unidas (ONU), que visitou o Brasil e afirmou que a crise hídrica de São Paulo é culpa do governo de SP e pela falta de investimentos.

Leia também: Paulistas culpam Alckmin pela falta d’água

Enquanto, Geraldo Alckmin, contrariava estas informações dizendo que não haveria necessidade de racionamento pela falta de chuva. Só esquecemos em que era período eleitoral. Além de ter contrariado as conclusões feitas pela relatora, Catarina Albuquerque, enviando para a ONU um relatório que dizia para corrigir as afirmações e alegando que ela fez uso político nas vésperas da eleição estadual, infringindo o código de conduta da ONU. No final do relatório disse que caso as informações dadas por Catarina Albuquerque não fossem corrigidas, ele duvidaria da competência da ONU em organizar um evento que trate de mudanças climáticas, se referindo à cúpula do clima, em Nova York (23 de setembro de 2014).

Vale ressaltar que talvez poderíamos reduzir o impacto que estamos sofrendo pela falta de chuva, “se” parássemos de desmatar a floresta amazônica desenfreadamente, “se” soubéssemos utilizar a água com conscientização, “se” a SABESP reduzisse o desperdício de água e, “se” Geraldo Alckmin levasse em consideração as afirmações feitas por Catarina Albuquerque em 2013. Porém, Geraldo Alckmin, persiste em tapar o sol com a peneira.

*Lucas Mendes é graduando em Jornalismo e colaborou para Pragmatismo Político.

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