Redação Pragmatismo
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Capitalismo 05/Jan/2015 às 16:11
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Quem tem medo de Thomas Piketty?

Não há argumentos, só silêncio e preconceitos, em resposta ao “Capital no Século XXI”, novo livro de Thomas Piketty. Partidários da desigualdade foram pegos no contrapé

Thomas Piketty capitalismo marx
Thomas Piketty (divulgação)

O novo livro do economista francês Thomas Piketty, “O capital no século XXI”, é um prodígio de honestidade. Outros livros de economia foram um sucesso nas vendas, mas diferentemente da maioria deles, a contribuição de Piketty tem uma séria erudição, capaz de mudar a retórica. E os conservadores estão aterrorizados.

Por isso, James Pethokoukis, do American Interprise Institute, adverte na revista “National Review” que o trabalho de Piketty precisa ser refutado porque, do contrário, “se propagará entre a clerezia e dará nova forma ao cenário da economia política em que serão travadas todas as futuras batalhas sobre política”.

Pois bem, lhes desejo boa sorte nesta empreitada. Por enquanto, o que de fato surpreende no debate é a direita parecer incapaz de organizar qualquer tipo de contra-ataque significativo à tese de Piketty. Em vez disso, sua reação consistiu exclusivamente em desqualificá-lo. Concretamente, em alegar que Piketty é um marxista e, portanto, alguém que considera a desigualdade de renda e de riqueza uma questão importante. Em breve voltarei à questão da desqualificação. Antes, vejamos por que o livro está tendo tanta repercussão.

Piketty não é o primeiro economista a ressaltar que estamos experimentando um forte aumento da desigualdade, ou até mesmo a enfatizar o contraste entre o lento crescimento da renda para a maioria da população e os rendimentos altíssimos no topo. É verdade que Piketty e seus colegas agregaram uma profundidade histórica ao nosso conhecimento, demonstrando que realmente estamos vivendo em uma nova Era Dourada. Mas nós sabemos disso faz tempo.

Não. O que é realmente novo sobre o “Capital” é o modo como destrói o mais amado mito dos conservadores, a insistência de que estamos vivendo em uma meritocracia, em que grandes fortunas são conquistadas e merecidas.

Nas duas últimas décadas, a resposta conservadora às tentativas de tratar de forma política a questão do aumento da renda das classes altas envolveu duas linhas de defesa: em primeiro lugar, a negação de que os ricos estão realmente se dando tão bem e o resto está mal. E quando tal negação falha, eles alegam que essas rendas elevadas são uma recompensa justificada por serviços prestados. Não se deve chamá-los de 1% ou de ricos, mas sim de “geradores de emprego”.

Mas como fazer essa defesa, se os ricos derivam grande parte de sua renda não do trabalho que eles fazem, mas dos ativos que possuem? E se as grandes fortunas, cada vez mais, que não vêm de empreendimentos, mas sim de heranças?

O que Piketty mostra é que estas não são questões menores. As sociedades ocidentais, antes da Primeira Guerra Mundial, eram dominadas, de fato, por uma oligarquia de riqueza herdada -e seu livro argumenta convincentemente de que estamos voltando para esse cenário.

Portanto, o que os conversadores podem fazer, diante do medo que esse diagnóstico possa ser usado para justificar o aumento de impostos sobre os ricos? Podem tentar rebater Piketty de forma substancial mas, até agora, não vi nenhum sinal disso. Em seu lugar, como eu disse, há apenas desqualificações.

Isso não deveria ser surpreendente. Participei de debates sobre a desigualdade de renda por mais de duas décadas e nunca vi os “especialistas” conservadores conseguirem negar os números sem tropeçarem em seus próprios cadarços intelectuais. Ora, é quase como se os fatos fundamentalmente não estivessem do lado deles. Ao mesmo tempo, xingar de vermelho todos os que questionam qualquer aspecto da teoria de livre mercado tem sido um procedimento padrão da direita, desde que pessoas como William F. Buckley tentaram impedir o ensino da economia keynesiana, não por prová-la errada, mas denunciando-a como “coletivista”.

Ainda assim, tem sido incrível assistir aos conservadores, um após o outro, denunciarem Piketty como marxista. Até mesmo Pethokoukis, que é mais sofisticado do que o resto, chama o livro de uma obra de “marxismo leve”, o que só faz sentido se a mera menção à desigualdade de riqueza faça de você um marxista. (Talvez esta a visão deles. Recentemente, o ex-senador Rick Santorum denunciou o termo “classe média” como “conversa marxista”, porque, veja bem, não temos classes nos Estados Unidos.)

VEJA TAMBÉM: Economista francês diz que “Marx é possivelmente mais importante que Jesus”

E o “Wall Street Journal”, em sua crítica ao livro, de forma muito previsível, percorre todo o percurso. De alguma forma, consegue comparar a defesa de Piketty da tributação progressiva como forma de limitar a concentração de riqueza -um remédio tão americano quanto a torta de maçã, defendido não apenas por economistas, mas também por políticos, inclusive por Teddy Roosevelt- aos males do stalinismo. Isso é realmente o melhor que o “Wall Street Journal” consegue fazer? Aparentemente, a resposta é sim.

Agora, o fato de os defensores dos oligarcas norte-americanos estarem evidentemente em falta de argumentos coerentes não significa que eles estejam politicamente em fuga. O dinheiro ainda fala -na verdade, em parte graças ao Supremo Tribunal de Roberts, fala mais alto do que nunca. Ainda assim, as ideias também importam, moldando a forma como falamos sobre a sociedade e, eventualmente, a forma como agimos. E o pânico em relação a Piketty mostra que a direita ficou sem ideias.

Paul Krugman. Tradução: Daniella Cambaúva, Carta Maior

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Comentários

  1. ricardo Postado em 05/Jan/2015 às 16:46

    O autor deveria ter visto o comentário de Bill Gates a respeito deste livro. Não pareceu um comentário tão desqualificado. Ele essencialmente alega que a as grandes fortunas deviam ser taxadas de acordo com o bem que o rico faz para a sociedade. Por exemplo um dono de uma empresa que emprega inúmeras pessoas deveria ter uma taxação menor que um outro rico que vive somente de herança e especulação financeira. Até isto pode ser meio instável, já que por exemplo se um rico que vive de herança viaja muito, ele usa a estrutura de turismo (hotel, refeições...), o que emprega pessoas e também gera um bem para a sociedade. Enfim procurem pelo comentário do Bill Gates quem tem interesse por contrapontos e não simplesmente aceitar cegamente o que o novo queridinho da esquerda da vez está dizendo...

    • Luiz Ricardo Postado em 05/Jan/2015 às 17:24

      Chamando ele de "queridinho da esquerda" você o está desqualificando, em vez de atacar as ideias deles. Não acho que alguém tão inteligente quanto o Bill Gates daria uma ideia tão inútil quanto a que você citou de forma sincera. Ele não confia no governo e não quer entregar seu dinheiro em mais impostos, só isso.

      • Lucas A Postado em 05/Jan/2015 às 17:51

        Nao achei que ele usou "queridinho da esquerda" para desqualificar... E quanto ao bill gates: ele tem o direito de nao confiar no seu governo. E alem do mais, é muito raro achar alguem que esta feliz em ter seu patrimonio absorvido pelo estado, nao só os ricos mas os pobres tambem. E é muito instavel esse tipo de taxação, como disse o amigo ali encima, ao ponto que a riqueza da pessoa pode ter uma grande contribuiçao social, e a "penalizaçao" do estado nao vai so prejudicar ele, mas tambem prejudicar todos os que estao na mesma teia.

    • Nikolas Postado em 05/Jan/2015 às 17:44

      Você leu o artigo?! Ele tem uma leve crítica aos chamados "geradores de emprego".

    • luis Postado em 05/Jan/2015 às 18:35

      No final das contas, é sempre aquela conversinha do governo metendo a mão no dinheiro alheio. É só parar de roubar tanto que não precisa taxar mais ninguém.

    • Ivan Doro Postado em 05/Jan/2015 às 19:40

      Não foi exatamente isso o que o Bill Gates apontou (Em: http://www.gatesnotes.com/Books/Why-Inequality-Matters-Capital-in-21st-Century-Review). Ainda assim, vale a pena analisar os argumentos que ele apresenta. Sobre o exemplo dado pelo Gates, ele realmente é simplista. E isso porque ele supõe que riqueza, ou recursos econômicos, é um sinônimo de capital. No exemplo que ele dá, ele compara 3 "tipos de pessoas ricas": 1. Um homem que investe seus recursos na construção do seu negócio. 2. Uma mulher que direciona boa parte de sua riqueza para filantropia/caridade. 3. Um homem que está apenas consumindo, e gastando boa parte de seu dinheiro, p. ex., comprando coisas como um iate e um avião. Gates usa esse exemplo para criticar a forma como Piketty não diferencia adequadamente os diferentes tipos de capital com diferentes utilidades sociais ("doesn’t adequately differentiate among different kinds of capital with different social utility"). O que esse exemplo aí de cima ignora é, novamente, a diferença entre riqueza (wealth) - recursos disponíveis, acumulados e patrimonializados -, e capital - recursos ativos em investimentos, sejam eles produtivos, especulativos, financeiros etc. Isso é uma lição básica de economia política, mas que o exemplo do Bill Gates preferiu ignorar (seja por falta de contato dele com esse campo, seja por má fé - não há como saber). No exemplo dado, apenas o primeiro sujeito está de fato lidando com algum tipo de capital. Os outros dois, considerando apenas a situação abstrata colocada no exemplo, estão simplesmente evadindo seus recursos (seja com caridade, seja com consumo de luxo), sem nenhum tipo de investimento de retorno. Eles não estão usando recursos como capital. Esse é o primeiro ponto falho do exemplo e da argumentação do Bill Gates. Ele retoma esse exemplo, depois, para criticar a ideia de taxação progressiva sobre riquezas (ou capitais, já que ele os trata como sinônimos). Apela novamente para a questão de que os capitais/riquezas possuem diferentes utilidades sociais, e que não seria justo taxar alguém que capitaliza sua riqueza através de produção e gera muitos empregos da mesma maneira que se taxa a fortuna de um herdeiro playboy hedonista e esbanjador que não investe em porra nenhuma (de uma maneira rebuscada, foi isso o que ele quis dizer - e isso não é desinteressado, já que ele se encaixa em uma destas duas posições, no universo social dos bilionários). Este é um tipo de argumento muito atraente, e por um motivo simples: trata-se basicamente de um argumento moral, e não de um argumento econômico. Em termos morais, a problemática do retorno ou da utilidade social de investimentos de capital é obviamente relevante. Em termos de um debate econômico centrado na questão da ampliação da desigualdade de renda (ou seja, a questão trabalhada pelo Piketty), não o é. O próprio Bill Gates reconhece isso, quando fala que "it’s true that the wealth of all three people is contributing to inequality". Ou seja, com ou sem utilidade social, a acumulação de riqueza e de capital é o fator central da desigualdade entre o crescimento econômico, de um lado, e a taxa de retorno dos investimentos de capitais, de outro (e é bom frisar estes termos, pois é neles que o Piketty descute, e não meramente uma questão de "desigualdade social"). Sugerir que seja taxado progressivamente, sim, o capital acumulado ou gasto sem "utilidade social", mas não aquele que "gera empregos" - isso se resume a um mecanismo de legitimação. O Bill Gates poderia ter poupado linhas, dizendo mais claramente: "eu sou filantropo, eu gero emprego pra caralho, eu invisto maciçamente em P&D, eu produzo tecnologia fundamental pros processos sociais contemporâneos, e vocês ainda querem taxar progressivamente os meus ativos e passivos?? Vão taxar a riqueza do John McAfee, que já estorou duas vezes a grana toda que ele fez, só com puta, cocaína e montando uma milícia no Belize!". Em suma, essa alternativa do Bill Gates é uma resposta moral - muito rebuscada, mas ainda assim moral - para um problema de economia política. Em se tratando dos diferentes tipos de "utilidade social" da aplicação de riquezas e capitais, nem a chave da geração de empregos, nem a da filantropia, se sustentam como argumentação contrária à taxação progressiva. A da geração de empregos, por lidar com um pressuposto básico do capital: gerar postos de trabalho não é um favor ou uma contribuição social de um investidor, e sim uma condição pra transformar recursos/riquezas em capital, e pra fazer o capital render, através do trabalho contratado e empregado em uma atividade onde se investe - ao menos no sistema produtivo. No sistema financeiro e no mercado de ações, isso não se aplica da mesma forma: basicamente, pela inexpressiva geração de empregos diretos. Mas o centro da argumentação e dos exemplos do Bill Gates é justamente a dimensão produtiva de fato, já que estamos falando da relação entre capital e trabalho. Já o ponto da filantropia é talvez o que há de pior nessa argumentação. Eu não tenho nada contra a filantropia, pelo contrário: acho que tem que ser incentivada e concordo com o Bill Gates que, quando bem aplicada, gera resultados interessantes. O problema é valorizar demais a capacidade filantrópica de resolver problemas econômicos e políticos. Levada ao extremo, a filantropia pode ser usada como "a solução humanitária" pro problema da concentração de capital e de renda. Se o mercado não resolve os problemas que gera nem se auto-regula por conta própria (coisa que o próprio Bill Gates reconhece em sua argumentação), então a boa vontade dos investidores e empresários é que deve regulá-lo, via ações filantrópicas? Isso é uma despolitização inútil, e que acaba flertando com certas ideias neoliberais de auto-regulação: a filantropia poderia substituir o Estado e suas políticas de bem estar social, taxação e redistribuição de renda? Não é isso que o Bill Gates diz, mas a ênfase dele na dimensão filantrópica - veja bem, ele encerra o texto falando da atuação dele e da mulher dele nesse campo - contribui pra esse tipo de despolitização das formas de se problematizar a questão em jogo (até porque não há nenhum instrumento de influência e controle social sobre o planejamento de iniciativas, nem dos critérios de aplicação, tomada de decisões etc.). Por fim, a crítica se estende à própria metodologia do trabalho do Pikett. Pela ênfase nas dimensões de capital e renda, e um abandono da abordagem sobre o consumo. Isso, novamente, não é um argumento desinteressado: de questão metodológica, extravasa para alternativa de intervenção, quando ao invés de taxação progresssiva sobre o capital e fortunas, ele sugere uma taxação progressiva sobre o consumo. A questão que ele não responde é: como taxar progressivamente o consumo? O capital, o patrimônio, a riqueza acumulada e os recursos disponíveis são dados objetivos, ao menos dentro de contextos nacionais. Existe escape de divisas, existe empresa-fantasma, existe conta anônima no Panamá ou na Suíça, mas para além disso o patrimônio pessoal e empresarial deixados "limpos" ainda são objeto de informações disponíveis e quantificáveis às administrações nacionais. Mas e o consumo? Sim, pode-se taxar com maior ênfase o que se defina como "consumo de luxo" - iates, jatinhos, mansões, lamborghinis etc. Mas há como estender isso a certas marcas de roupa, restaurantes, spas, festas, clubes etc.? E o pior dessa proposta: a taxação progressiva sobre o consumo, feita deste modo, restringe o acesso de grupos emergentes a certos bens, produtos e serviços ("de luxo"). Ok, alguém que acaba de chegar na classe média não vai comprar uma lamborghini. Mas se a taxação progressiva assumir uma camisa da Polo como objeto de taxação, a classe média vai dar conta de pagar R$600 nela, ao invés de R$150? Em suma, o Bill Gates concordou com certa parte da análise do Piketty, e do problema da progressiva concentração de riqueza, mas colocou duas questões para contrapor a proposta de taxação progressiva de fortunas. A primeira: a da função ou utilidade social do capital - sobretudo via geração de empregos e filantropia. A segunda: a taxação sobre o consumo, ao invés de se dar sobre riquezas acumuladas e capitais. A questão que fica é: estas alternativas têm mais potencial para lidar com o problema do que a proposta de taxação progressiva sobre o capital? Ou são apenas formas de se desviar o foco da intervenção mais coerente sobre o problema, quando ela atinge diretamente o interesse de quem é parte ativa do problema?

      • Adriano Postado em 06/Jan/2015 às 09:01

        Parabéns pelo texto, amigo!

      • Gabriel Postado em 06/Jan/2015 às 09:13

        Isso é um comentário de verdade. Texto bem estruturado com conteúdo rico de quem realmente estudou economia política e sabe distinguir conceitos básicos para argumentar sobre um ponto de vista. Parabéns. Ta cada vez mais raro ver isso por aqui

      • Vinicius Brown Postado em 06/Jan/2015 às 10:02

        Gostei da citação "como regular o consumo" , exemplo P12 Jurerê internacional , Florianópolis ilha de SC , Brasil ... Madrugada de 2014/2015 um suposto milionário anônimo manda vir 200 garrafas de champagne para seus conhecido custo mais de 1 milhão de reais ... Quem faz isso ? De onde vem esse dinheiro ? Quantas vezes no ano se repete ações com essa no mundo ? E o BG vem encher linguiça com filantropia para né ?

      • alcemir teixeira Postado em 06/Jan/2015 às 10:55

        Do caralho a análise do discurso do Bill Gattes. O desfecho do texto é uma aula aos coxinhas de cima que acreditam em auto regulação do mercado.

      • ana Elisa Postado em 06/Jan/2015 às 11:10

        Belo texto.

      • Fernando Roberto Postado em 06/Jan/2015 às 14:45

        Parabéns pelo texto, Ivan Doro.

      • Daniel Postado em 06/Jan/2015 às 14:58

        Belíssimo comentário, amigo!

      • Cleber Postado em 14/Apr/2015 às 18:44

        Muito bom o texto! Uma crítica ao site: O PP precisa liberar o uso de parágrafos e espaçamentos no seu campo de comentários. Torna a leitura mais "gostosa".

    • Matheus Magalhães Postado em 05/Jan/2015 às 19:44

      Não. O imposto deve ser progressivo para todos. Fazer isso seria incorrer em um sistema que já nasceria viciado (como mensurar "Bem" em dinheiro?) e seria facilmente corruptível, aberto a todos tipo de fraude - isto se conseguissem traduzir caridade sazonal em benefício tributário. Um comentário dessa natureza demonstra bem o tipo de altruísmo que os filantropos bilionários pregam: ninguém toca na minha fortuna, eu escolho o quanto de migalhas quero jogar.

      • Jacyra Postado em 05/Jan/2015 às 20:51

        Depois do seu comentário, fica estabelecido que ler o livro é fundamental para que se discuta o livro. Obrigada por nos lembrar desta regra básica.

      • Famitaf Postado em 06/Jan/2015 às 10:13

        Aplausos, Matheus!

    • leonan Postado em 06/Jan/2015 às 02:13

      Veja só, ele usa hotel de luxo e é muito bonzinho pq dá emprego a alguém... A camareira, o chapeiro e o porteiro devem agradecer-lhe pq usufrui de seus serviços. Como ele é um bom rico, ele dá oportunidade aos outros de servi-lo!

    • Paulo Postado em 15/Apr/2015 às 08:28

      Não inventa mentiras. Eu assisti um documentário sobre grandes fortunas do Discovery e lá, em entrevista, Bill Gates próprio disse que ele nai paga imposto sr comparado a uma pessoa normal e que ele próprio é a favor do imposto sobre grandes fortunas.

  2. auberon pereira Postado em 05/Jan/2015 às 18:35

    O que precisa ser dito e também entendido é que nem o marxismo tampouco o liberalismo podem resolver nada, pois na escala global da sobrevivência, apesar de sermos contemplados com os recursos naturais abundantes ou não - creio que nunca haverá essa tal igualdade capital entre pessoas e nações - o que sempre haverá e disso tenho certeza é a submissão de uns aos mandos de outros, pois sempre haverá hierarquia, autoridade e, em sendo assim - o capitalismo inocente ou promíscuo é fruto da construção social humana de todos os tempos. Se a desigualdade não tivesse no dinheiro um de seus troncos, outra atividade desencadearia-a. Portanto, é importante que pesquisadores, estudiosos e outros tracem o caminho e tentem explicar as discrepâncias sociais. Quem ler e entender poderá se informar, construir pensamentos, análises, mas não resolverá. Nunca, infelizmente!

  3. Luna Postado em 05/Jan/2015 às 19:03

    É bom que se saiba, que a fonte é limitada o montante de riqueza de uma nação não pode ficar nas mãos de uma minoria. Pensemos, para que haja milionários, é necessário que tenha um exército de mão de obra barata para que possa mantê-lo. E não digam que isso é coisa de comunista, isso é a base do capitalismo. Ninguém fica rico pagando altos salários a seus empregados, mas com certeza alguns vão dizer que isso não ocorre com Bill Gates, porque ele paga muito bem para quem trabalha pra ele. Conversa, ele paga bem para uma meia dúzia, para aqueles que ele realmente precisa para manter a sua máquina de faturar funcionando. Concluindo, se o mundo tivesse 1 milhão de milionários é sinal que teria também 8 bilhões de morta fomes. E digo mais, para mim o milionário e o mendigo, são duas anomalias sociais, em uma sociedade justa estas duas figuras não existiriam.

  4. marta Postado em 05/Jan/2015 às 19:13

    Que a sociedade (de pobres...) comece logo a enxergar.

    • weberlon Postado em 05/Jan/2015 às 22:16

      Será que tem alguém aqui da classe dos 1% mais ricos? será que eles precisam se dar ao trabalho de fazer alguma defesa de suas posições em relação a este artigo ou ao livro mencionado? Acho que a riqueza vai além da propriedade... Gostaria de ter pessoas para defender minha ideologia, mesmo quando esta não lhe beneficia...

  5. poliana Postado em 05/Jan/2015 às 19:51

    Direita sem ideias? Jura?

    • Thiago Teixeira Postado em 06/Jan/2015 às 08:34

      kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  6. Andre Postado em 05/Jan/2015 às 20:12

    Mesmo que o dinheiro seja banido, e a liberdade comercial suprimida haverá aquelas pessoas que tem autoridade para mandar fazer (poder), capacidade de fazer (talento), necessidade de fazer (trabalho) e por último não podemos esquecer daqueles que se apropriam do fazer (larápios). O que esse Piketty vai conseguir aumetando os tributos será reduzir a quantidade das duas primeiras categorias, visto que as outras duas não tem capacidade de fugir.

  7. Franklin Lacerda Postado em 06/Jan/2015 às 12:34

    Talvez valha a pena dar uma olhada no debate com o Prof. Piketty que ocorreu no final de novembro de 2014, na USP. https://analiseeconomica.wordpress.com/2014/12/12/o-capital-no-seculo-xxi-debate-na-usp/ Piketty cita o caso relatado acima pelos demais colegas (a fala de Bill Gates) e completa que certamente Gates é mais eficiente que muitos governos em relação aos seus gastos, entretanto, nada garante que ele trabalhará em benefício do todo, da sociedade de modo geral. Por esta razão (bastante óbvia, por sinal), vale lembrar para que temos um Estado. Ou seja, para, grosso modo, cuidar das questões que ninguém da iniciativa privada (seja empresa ou terceiro setor) quer cuidar.

  8. soda cáustica Postado em 06/Jan/2015 às 12:48

    "A direita ficou sem idéias"... Que novidade...

  9. Roberto Pedroso Postado em 21/Jan/2015 às 09:45

    A critica objetiva de Piketty demonstra que a analise sócio econômica iniciada por Marx estava certa e que ao contrario dos pensamentos do neoliberais a economia não pode ser regulada ao sabor dos humores do mercado,não se trata de quem ganha o que, mas sim de analise, estudo das estruturas politico social que interferem diretamente na economia,uma das analises corretíssimas de Thomas trata-se por exemplo da mentira socialmente necessária quando ele aponta que é mais eficiente no atual modelo de "capitalismo"que o individuo tenha sorte na loteria genética nascendo em uma família que poderá lhe deixar como herança uma grande riqueza do que procurar a ascensão social pela via do trabalho e esforço,pois a sociedade capitalista não é meritocrática em sua essência ela é sim parasitaria.

  10. Roberto Pedroso Postado em 21/Jan/2015 às 10:00

    Corrigindo mais uma vez o pensamento dos neoliberais Piketty aponta para a necessidade de realização de uma analise histórica do capitalismo e as circunstancias que permitiram o acumulo de capital por poucos,gerando enormes desigualdades e incongruências no cerne do próprio sistema.