Redação Pragmatismo
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Polícia Militar 23/Jan/2015 às 16:20
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Quem mais agride jornalistas no Brasil?

Policiais são os maiores agressores de jornalistas, diz Fenaj. Relatório mostra que, dos 129 jornalistas agredidos no país no ano passado, 62 foram vítimas da violência policial, ou seja, 48,06%

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Jornalista Giuliana Vallone, mais uma vítima do excesso da PM Paulista (Foto: Arquivo Pessoal)

O perfil da agressão a profissionais da imprensa mudou nos últimos anos. O Relatório da Violência contra Jornalistas 2014, divulgado na quinta-feira (22) pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), mostra que os crimes deixaram de ter motivação política e passaram a ser cometidos por policiais, sendo a maioria em manifestações. Dos 129 jornalistas agredidos no país no ano passado, 62 foram vítimas da violência policial, ou seja, 48,06%.

O documento destaca ainda, em 2014, a morte de três profissionais, entre eles, o repórter cinematográfico da TV Band, Santiago Ilídio Andrade, vítima de rojão disparado por manifestantes em protesto no Rio. Embora em percentual menor do que a violência policial, ataques a jornalistas por pessoas em manifestações chegaram a 16 casos e preocupam.

“A maioria [das agressões] partiu de agentes policiais, principalmente das polícias militares, em boa parte, da polícia paulista, onde houve excesso”, diz o presidente da Fenaj, Celso Schröder. “Em segundo lugar, estão os manifestantes, com 12,4% [das agressões] e políticos, também com 12,4%”, completa. No mundo, Schröder explicou que jornalistas mortos ou vítimas de violência atuam na área de polícia ou na cobertura de conflitos de guerra.

Em comum, as agressões por policiais ou manifestantes ocorreram em protestos, com 50,39% dos casos, sendo a maioria no Sudeste. Em geral, as vítimas trabalhavam em veículos impressos, eram repórteres fotográficos ou cinematográficos, diz o presidente da Fenaj, alertando para a consolidação de uma tendência que começou nas manifestações de 2013.

Para enfrentar esse perigo, a Fenaj cobra que os crimes sejam tratados em esfera federal e que seja criado um Observatório Nacional da Violência. A expectativa é que o órgão seja criado este ano, pela Secretaria de Direitos Humanos e pelo Ministério da Justiça, que passariam a fazer também a interlocução com agentes de segurança nos estados.

No Rio, onde o repórter da Band, foi morto, a presidenta do Sindicato dos Jornalistas do município, Paula Máiran, além de cobrar investigação e responsabilização das agressões, acrescenta que as empresas de comunicação precisam garantir treinamento adequado às equipes, equipamentos de proteção para coberturas e respeito à Cláusula de Consciência dos Jornalistas, que permite ao profissional recusar tarefas em desacordo com o Código de Ética.

Embora não seja uma justificativa para os ataques, Paula disse que, na capital fluminense, “jornalistas nas ruas acabam atacados como representantes das empresas onde trabalham, diante da revolta com a linha editorial manipulada e distorcida de veículos”, e lembrou que a prerrogativa de recorrer à Cláusula de Consciência é uma das 16 recomendações feitas às empresas de comunicação pelo Ministério Público do Trabalho e pelo sindicato.

O Relatório da Violência contra Jornalistas, feito com dados contabilizados pela categoria, segundo a Fenaj, registrou agressões, ameaças, assédio, intimidações, injúria racial, censura, impedimento ao trabalho e prisões e detenções. Segundo o relatório, esses são casos de violações do direito humano à comunicação, à liberdade de imprensa e expressão.

Isabela Vieira, Agência Brasil

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Comentários

  1. Jonas Schlesinger Postado em 23/Jan/2015 às 17:11

    E quem matou Santiago Andrade? Manifestantes que se dizem pacíficas. À merda.

    • Jonas Schlesinger Postado em 23/Jan/2015 às 17:13

      #Pacíficos

    • Paulo Rozendo Ferreira Postado em 26/Jan/2015 às 21:32

      O povo deveria agradecer e orar por esses jornalista, pois eles estão sendo os ANJOS DA GUARDA do povo,mais humilde onde poder politico e militares querem oprimir, se não fosse esses reportes as impunidades de políciais séria maiores do que já é , os reporte agredidos deveria fazer uma pagina só com denúncias de policiais, políticos e grevistas, que os agride; seja quem for deve ser denunciado ao ministério público, os SINDICATO DEVE SER MAIS OUSADO, VOCÊS SÃO A VOZ E A DEFESA DO POVO, EU CONTO COM VOCÊS, os outros são tudo farinha do mesmo saco.

  2. Thiago Teixeira Postado em 23/Jan/2015 às 18:28

    As agressões foram da seguinte forma: As Jornalistas estavam de costas fazendo a reportagem, e o policial muito mau, chegou e deu uma cassetada na cabeça delas. Em seguida uma voadora nas costas. Quando as mesmas estavam no chão, foram chutadas, estupradas e ameaçadas. Não ouve desacato, tentativa de furar bloqueio, não enfiaram o microfone ou câmeras na cara deles, nada disso. Desmilitarização ... ou melhor, extinção da polícia já.

    • poliana Postado em 25/Jan/2015 às 14:49

      Thiago, extinção da polícia, jamais...desmilitarização da polícia militar, com certeza. Pra ontem! Com a máxima urgência!

  3. Carlos Postado em 23/Jan/2015 às 22:39

    Texto muito fraco.

  4. gabriel Postado em 24/Jan/2015 às 05:37

    Qual é a surpresa que a polícia, nada mais que as cadelas do governo, são os maiores violentadores dos direitos... A polícia deixou de proteger a população, atualmente eles são os poodles adestrados dos governos de estado, sendo a censura daqueles que discordam do governo, silenciando aqueles que precisam de uma voz, eliminando sonhos de adolescentes, como aquele caso do jovem que queria virar policial, o sistema de segurança em outrora pode ter sido algo altruísta, honroso, tão belo que comovente, cavaleiros em suas armaduras prontos para tomar a frente e a dor do mundo, para que os outros não sintam, hoje a polícia é sinônimo de dor, sofrimento, morte e injustiça. Nada além do homem mais uma vez corrompendo o que há de mais belo....

    • Carlos Postado em 24/Jan/2015 às 15:13

      Quanto drama kkkkkk, sem a polícia o Brasil acaba em 1 dia.

      • gabriel Postado em 24/Jan/2015 às 17:56

        Carlos, é claro que um ser sem argumentos só poderia responder meu texto com "quanto drama". Vou te mostrar melhor o drama, nos últimos 5 anos a polícia do brasil matou mais que a dos eua em 30 anos, em 2013 foram mais de 2 mil assassinados, isso sem contar os corpos escondidos, indigentes ignorados, um drama real para 2 mil famílias brasileiras, a policia reclama da falta de investimento, mas foram dados a organização (criminosa) 6% do PIB, um total de 258 bilhões de reais. Sem a polícia o brasil teria muito mais investimento em outras áreas de mais necessidade. Como saúde e educação. Porque sejamos sinceros estaríamos mais seguros sem a polícia. Temos policias coletivas e voluntária em outros países como nova zelândia, que funcionam bem melhor.

      • Carlos Postado em 25/Jan/2015 às 17:13

        O Brasil vive em guerra civil em boa parte do seu território, menos de 1% dos homicídios brasileiros tem relação com a polícia e mais de 80% tem relação indireta com trafico de drogas.

      • gabriel Postado em 26/Jan/2015 às 10:03

        Exatamente Carlos, esses 80% relacionado a drogas na verdade estão relacionados a polícia, e claro ao governo, num país onde o mínima para homicídio e trafico de drogas é tão próxima (6 e 5 anos), não se percebe que drogas é caso de saúde ou entretenimento (como bebida, tem casos que são questão de saúde, ou casos que são apenas diversão, depende da consciência do uso), mas nunca uma questão de segurança, sua ilegalidade causa todas essas mortes, é sim culpa da polícia, e principalmente dos políticos que mantém essa lei. E a polícia é o grande estopim dos traficantes revoltados e sem valor a vida, eles criam o ódio na favela, pois foram eles que invadiram a favela desse cara, e tocaram o terror durante toda a sua infância. Volto a repetir nossa policia já era, precisamos de uma nova organização, para mim voluntária como a da Nova Zelândia...

    • Thiago Teixeira Postado em 26/Jan/2015 às 09:39

      Pare de assistir Datena e dê um volta com o Denarc uma vez na sua vida. Observará que todos na rua olham com desprezo e raiva de você. Agora coloque uma corrente de outro, um som de funk, roube um carrão importado de uma voltinha sem camisa de óculos escuro no bairro as 10 horas da manhã numa terça-feira, me conta qual foi a recepção.

      • Carlos Postado em 26/Jan/2015 às 21:00

        Perfeito Thiago Teixeira a sociedade brasileira principalmente boa parte da juventude é moralmente falida e criminosa, aqui os valores são inversos a sociedade é podre o que salva de valor ainda está na polícia.

      • gabriel Postado em 26/Jan/2015 às 23:30

        Cara, vc jogou dois esteriótipos. O problema de fazer isso é que cada um tem sua história, tem traficante que se importa com pessoas da sua favela e até paga hospital para comunidade, e tem traficante que estupra mulheres no morro que mora, tem policial que invade favela e estupra, tbm tem o policial que luta contra o crime de verdade e não é corruptível. Cada pessoa tem sua história, um trabalho, um distintivo, nada disso tornar muleque em homem, tbm não torna sociopatas e altruístas. Agora vc deveria parar de assistir polícia 24hrs e conhecer pessoas q passaram por abuso da policia, histórias de mulheres que foram violentadas por esse marginais de farda...

  5. José Postado em 24/Jan/2015 às 18:12

    Enquanto isso os políticos, que são de onde partem as ordens dos policiais, ficam com sua imagem limpa e a culpa recai só nos policiais.

    • poliana Postado em 25/Jan/2015 às 14:46

      Políticos com imagem limpa? No brasil??? Aonde? Qdo????

      • José Postado em 26/Jan/2015 às 13:35

        Só você olhar esse caso como exemplo, a culpa fica com a polícia enquanto que quem parte a ordem, que são os políticos, ficam com a imagem limpa, isso quando não aparecem para também culpar a polícia por seus 'excessos", entre aspas pois o chamado "excesso" é um procedimento padrão.

  6. Thiago Teixeira Postado em 26/Jan/2015 às 09:42

    Que fique claro que essa guarnição levará um coça do capitão por ter machucado a repórter. E devido a repercussão, o Secretário de Segurança Pública pedirá a cabeça dos envolvidos. Na frente das câmeras o sargento defende o batalhão, mas quanto chega no distrito e dá de encontro com o soldado ...

    • Priscila Postado em 26/Jan/2015 às 13:12

      Pois é, porém a guarnição só leva "coça" quando o caso é repercutido na mídia... Os demais, nada é feito! Complicado... Também concordo que é preciso mudar a forma de organização na segurança pública e mais investimentos em educação, pois a mesma é responsável pela evolução do homem em vários sentidos e seu efeito pode influenciar na diminuição de crimes, inclusive os praticados pelo tráficos de drogas... Legalizar, seria, ao meu ver, o melhor caminho...

  7. Luiz Alberto Pires Postado em 12/Feb/2015 às 12:16

    Penso claramente que o vírus que infecta a sociedade parte das edições de jornalismo, cartunistas fazem chacota de credos, países, culturas, governos e religiões, jornalistas da mídia escrita e televisiva, reclamam da segurança do Brasil, mas quando os policiais baixam o cassete, são os primeiros a criticares a violência imposta para que impere a ordem. Acho que umas balas de borracha nas pessoas das letras não fazem mau a ninguém....muitos acham até bom....b