Redação Pragmatismo
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Exploração Trabalhador 27/Jan/2015 às 16:56
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Programa leva blogueiras de moda para trabalhar em fábricas de roupa no Camboja

Programa encontrou uma maneira de denunciar as péssimas condições de trabalho às quais são submetidos trabalhadores que criam as peças de roupas que nós usamos. Confira o que acontece quando blogueiras de moda conhecem a trágica realidade dos cambojanos da indústria têxtil

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Anniken Jorgensen, uma das blogueiras de moda enviadas ao Camboja pelo programa SweatShop: Dead Cheap Fashion. Ela se emociona ao se deparar com a realidade das trabalhadoras da indústria têxtil (reprodução)

O programa norueguês Sweatshop – Dead Cheap Fashion encontrou uma maneira interessante de denunciar as péssimas condições de trabalho às quais são submetidos alguns dos trabalhadores que criam as peças de roupas que nós usamos. Para isso, três blogueiros de moda do país foram convidados a passar um mês trabalhando em uma fábrica têxtil no Camboja, para conhecer a realidade dos trabalhadores locais, vivendo uma vida nas mesmas condições que eles vivem.

“Logo que chegamos, os empregados começaram a nos contar sobre o trabalho que eles faziam na fábrica de roupas. Então uma mulher nos disse que costurava suéteres, da mesma forma, há 14 anos. Que tipo de trabalho é esse? Ninguém deveria ficar tanto tempo fazendo a mesma coisa. Quando penso nisso, começo a chorar. Que tipo de vida é essa?” É assim que a blogueira de moda norueguesa Anniken Jørgensen descreve um dos relatos que ouviu durante o confronto com a realidade que viveu no Camboja.

Anniken é uma das protagonistas do reality show online. Os outros participantes são Frida Ottesen e Ludvig Hambro. Dividido em 5 episódios, o programa é produzido pelo site do maior jornal da Noruega, o Aftenposten, que levou os 3 jovens (fashionistas e ricos) para ver de perto o que acontece na capital Phnom Penh.

Lá, durante um mês, eles sentiram na pele como é a rotina dos empregos das chamadas “sweatshops”, fábricas têxteis que oferecem baixos salários e péssimas condições de trabalho.

Cada cena mostra o choque de realidade entre os dois mundos. No primeiro episódio, os blogueiros mostram seu guarda-roupa e se revelam animados e curiosos com a experiência.

Anniken, que costumava gastar cerca de U$ 600 mensais, a partir do 4º episódio do reality show passou a ter apenas o equivalente a U$ 6 para investir em comida. Situações como essa fizeram com que os blogueiros rapidamente mudassem suas visões de mundo, o que é perceptível já nos primeiros episódios.

Na casa de Sokty, uma trabalhadora cambojana de 25 anos, eles descobrem como vivem as pessoas que costuram as roupas que eles tanto gostam de esbanjar. Sokty ganha 130 dólares por mês e gasta 50 dólares com as despesas domésticas, aluguel, luz e água. Trabalha 7 dias por semana, 12 horas por dia. ‘Aos domingos, são 8 horas de trabalho. Trabalhamos sem descanso’, completa.

Veja abaixo o trailer do reality show e assista os episódios online em inglês e espanhol nos links a seguir: (link 1 / link 2)

com Hypeness e Agência Estado

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Comentários

  1. Eduardo Postado em 27/Jan/2015 às 17:28

    e tem gente no Brasil se deixarmos querem fazer o mesmo com a nossa gente.... é por isto que temos que estarmos sempre atentos aos nossos direitos, como Lula disse recentemente, "Jovem lute por seu futuro, pois depois de velho você não vai lutar."

    • silvia Postado em 27/Jan/2015 às 18:02

      sempre tem os idiotas liberais que acreditam na "bondade" dessas empresas

    • cassia pereira Postado em 28/Jan/2015 às 03:57

      Depois d velho, vc nao tem voz! Lula falou?!?! Lula hj eh elite, tem filhos empresários, e td q ele fala eh oensando nos votos que o PT vai ganhar com o seu bla bla bla inteligente. Ha um ano e 4 meses o governo federal cortou a minha pensão em aproximadamente 40% , sem nenhuma explicação, o q ja era pouco, agora virou qse nada. Deixei de comprar um remédio que eu preciso tomar todo mês pq senão não consigo pagar as minhas despesas básicas.

  2. Rodrigo Postado em 27/Jan/2015 às 18:02

    (Outro Rodrigo) É válido, não tenha dúvida, especialmente tratando-se de trabalho em condições degradantes. Só não nos esqueçamos de que não apenas "moças fúteis" (se alguém eventualmente as compreender assim) podem ter o mesmo susto, como todos nós, ao visitarmos qualquer fábrica de produção de tênis, celulares, notebooks e afins. Nenhum de nós escapará do susto. Pensemos, pois, na dimensão exata da questão.

  3. Giselle Miranda Postado em 27/Jan/2015 às 18:47

    E a decisão a ser tomada a partir dessa informação vai muito além de deixar de comprar a peça. O que queremos é melhores condições de trabalho para essas pessoas. Se todos deixarem de comprar ... essas pessoas não terão nem o que comer. Trata-se de uma problema macro. Investigar a cadeia produtiva daquilo que consumimos para investir naquilo que acreditamos é um passo interessante, mas deixar de comprar, por exemplo, só traria mais desespero para essas pessoas.

  4. Kamille Postado em 27/Jan/2015 às 18:52

    Eu trabalho numa empresa que produz notebooks e tablets, que prefiro não revelar, que trata os funcionários como lixo. Não se equipara à indústria têxtil aqui relatada, mas ainda assim, não respeita xs trabalhadorxs. Posso seguramente dizer que, no Brasil, estamos bem melhor. E boa parcela, por conta do Sindicato... Se não, estaríamos perdidxs!!

    • Terra Postado em 28/Jan/2015 às 19:45

      mas assim nao da, como nao vai denunciar essa fabrica

  5. Matheus Ferreira Postado em 27/Jan/2015 às 19:17

    Culpa máxima do capitalismo selvagem neoliberal que impõem ao seres humanos tamanha carga alienante. Enquanto esse modo de produção existir cenas como essas serão vistas. Para cada país rico do mundo existem outros três pobres que devem permanecer pobres para bancar a riqueza do primeiro.

  6. Luis Henrique Postado em 27/Jan/2015 às 19:32

    não vejo diferença na realidade brasileira ou em outros países '-' claro salário menor e carga horária maior ... mas vejo " escravos " de um sistema, que não buscam valorizar suas próprias vidas e se tornarem algo na vida e com esse " poder " ter a capacidade de ajudar " de fato " afinal , para ajudar de alguma forma é preciso " R$ ou U$ " para alimentar e proporcionar uma forma de vida digna para os que precisam ... Em vez disso, vamos compartilhar e curtir apenas na esperança que alguem faça.... isso me da agoniazinha... Nós tendo " conhecimento, poder, dinheiro, bom caráter e solidariedade " podemos ajudar ao redor do mundo como ajudar pessoas, então nós com tempo e nossa juventude e mesmo velhos, se usarmos das ferramentas corretas podemos fazer BEM ao mundo tão envenenado !!! Aos que tiverem interesse, vontade e DETERMINAÇÃO de fazer o bem, me procurem no facebook Luís Leimig e vamos semear boas coisas ao mundo !!

  7. Adilson Postado em 27/Jan/2015 às 23:47

    Agora os liberais defensores do livre mercado podem pegar esse discursinho que vivem pregando nas redes sociais e colocar sabem onde. Esse programa deveria ser estendido para todos aqueles que vivem defendendo o capitalismo. Deveria mandar todos eles pra lá pra viver isso na pele.

    • Rodrigo Postado em 28/Jan/2015 às 17:13

      (Outro Rodrigo) E muitas dessas fábricas violadoras de direitos humanos são instaladas em que países mesmo? Na China comunista, por exemplo? Seria, pois, melhor buscar a correção da atuação humana, em vez de ficarmos apenas a sempre apontar o dedo para este ou aquele norte político (o decurso do tempo já nos mostrou que apenas muda o nome, pois a exploração, a ganância dos líderes, é a mesma).

      • Daniel Postado em 28/Jan/2015 às 19:57

        É a China comunista mesmo, deve ser, deve ser 10 vezes comunista. É tão comunista que teve 10 revoluções lá, só pra terem certeza que eram comunistas. E se alguém duvidar eles ainda fazem mais uma revolução comunista só pra mostrar. É tão comunista que faz negócios com países capitalistas. É tão comunista que a fábrica da Apple fica em seu território. É um sistema de uma esquerda tão extrema que deu a volta em seu próprio eixo e chegou na direita. Não sei por que ainda insistem em dizer que a China é comunista, achei que esse pensamento já tinha se extinguido na década passada. Acho que toda idéia, mesmo quando provada errada, ainda mantém uma certa aceitação por um tempo. Estranho.

  8. dinah caixeta Postado em 28/Jan/2015 às 09:00

    Eu no curso de molagem no Senai meu professor paraguaio toruxe um video de como e a producao de roupas na China,na fabricas de calcas jeans,eu disse que nao concordava que era um trabalho degradante e escravo ,tds os alunos e alunas foram contra ,fiquei so eu defendendo mehores condicoes de trabalho,etc,etc.Um aluno que faz coletes de couro e cobra 300,00 cada disse que isso e assim mesmo.Entao quer dizer que voce cobra uma peca 300,00 e acha justo uma familia trabalhar o mes inteiro por miseros 300,00 ?Ele simplesmente ficou calado,nao tinha argumentos.Quem apoia esse tipo de mercado saiba que esses milhares de trabalhadores estaro doentes,desamparados e serao descartados quando nao pudrem mais produzir nessas fabricas.

  9. Marcel Postado em 28/Jan/2015 às 09:36

    Mas compramos roupas de marca, é assim em certas confecções em Sampa, com os trabalhadores bolivianos.

    • Daniel Postado em 28/Jan/2015 às 20:02

      Yup. Fiz um trabalho de escola sobre moradia e trabalhos degradantes e eu e meu grupo fomos a algumas confecções em sp. É realmente desse mesmo jeito, a diferença é que ao invés de cambojanos são bolivianos aqui. Entrevistamos trabalhadores desses locais há 3 anos, e até hoje continua do mesmo jeito. E eles continuam com medo de falar sobre isso, uma vez que o patrão tem o poder pra denunciá-los como imigrantes ilegais. É uma bosta, pra falar a verdade.

  10. Juliana Postado em 28/Jan/2015 às 10:34

    https://www.youtube.com/watch?v=VVadWk7ufZs

  11. Lázaro Pacheco Postado em 28/Jan/2015 às 11:53

    Duro foi ver que, após dias de convívio, o rapaz da Noruega se limitou a reclamar "o mundo é injusto"... injusto é o capitalismo com seu consumismo e seus fetiches propagados pela mídia burguesa, seu tonto!!! a saída para os cambojanos é organização sindical, cooperativismo onde todos os trabalhadores participem, luta dia-a-dia contra as empresas que lhes exploram e fomentar governos populares... e se continuar a tirania, guerra de guerrilhas neles, ¡hasta la victoria siempre!