Redação Pragmatismo
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Religião 15/Jan/2015 às 15:35
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Papa Francisco repudia terrorismo mas critica insulto à fé

Ao comentar os ataques contra o jornal Charlie Hebdo, Papa Francisco defendeu a liberdade de expressão, mas sugeriu que deve haver um limite para que não se torne abusiva. "Liberdade religiosa e de expressão são fundamentais. Temos o direito de tê-las abertamente, sem ofender. Você não pode insultar e zombar da fé"

papa francisco charlie hebdo
Para o Papa Francisco, liberdade de expressão não dá o direito de ofender o próximo (divulgação)

O papa Francisco, ao falar sobre os ataques letais de militantes islâmicos em Paris na semana passada, defendeu a liberdade de expressão, mas disse ser errado provocar os outros insultando sua religião e que se pode “esperar” uma reação a esse tipo de abuso.

“Você não pode provocar, você não pode insultar a fé dos outros, você não pode zombar da fé”, disse ele a jornalistas nesta quinta-feira, a bordo de um avião que o levava do Sri Lanka para as Filipinas, no início da segunda etapa de sua turnê asiática.

Francisco, que condenou os ataques em Paris, foi questionado sobre a relação entre liberdade de religião e liberdade de expressão.

“Eu acho que a liberdade religiosa e liberdade de expressão são ambos direitos humanos fundamentais”, disse ele, acrescentando que estava falando especificamente sobre os assassinatos de Paris.

“Todo mundo tem não só a liberdade e o direito, mas a obrigação de dizer o que pensa para o bem comum… nós temos o direito de ter essa liberdade abertamente, sem ofender”, disse.

Para ilustrar seu ponto de vista, ele se virou para um assessor e disse: “É verdade que você não deve reagir violentamente, mas apesar de sermos bons amigos, se ele diz um palavrão contra minha mãe, ele pode esperar um soco, é normal”, disse.

“Você não pode fazer das religiões dos outros um brinquedo”, acrescentou. “Essas pessoas provocam e, em seguida, (algo pode acontecer). Liberdade de expressão tem limites.”

Dezessete pessoas, incluindo jornalistas e policiais, foram mortas em três dias de violência iniciada com um ataque a tiros ao semanário humorístico Charlie Hebdo, conhecido por seus ataques satíricos ao islamismo e outras religiões.

Referindo-se a guerras religiosas do passado, como as Cruzadas, sancionadas pela Igreja Católica contra o Islã, o papa disse: “Vamos considerar nossa própria história. Quantas guerras de religião tivemos? Mesmo que fôssemos pecadores, mas você não pode matar em nome de Deus. Isso é uma aberração.”

Perguntaram também ao papa se ele se sentia vulnerável a uma tentativa de assassinato ou a um ataque de extremistas islâmicos.

No início desta semana, o Vaticano negou reportagens de jornais italianos dizendo que os Estados Unidos e as autoridades de inteligência israelenses informaram o Vaticano de que poderia haver um ataque iminente de militantes islâmicos contra o papa.

Francisco disse que estava mais preocupado com que outros – em vez de si mesmo – sejam feridos em um eventual ataque e que se sente confiante quanto às medidas de segurança no Vaticano e durante suas viagens.

“Estou nas mãos de Deus”, disse, brincando sobre ter pedido a Deus para poupá-lo de uma morte dolorosa.

“Estou com medo? Você sabe que eu tenho um defeito, uma boa dose de descuido. Se alguma coisa acontecer comigo, eu disse ao Senhor, peço apenas que me dê a graça de não sentir dor, porque eu não sou corajoso quando confrontado com a dor. Eu sou muito medroso”, disse.

VEJA TAMBÉM: Para além de “Je suis Charlie” e do “Je ne suis pas Charlie”

Reuters

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Comentários

  1. Sandra Postado em 15/Jan/2015 às 15:53

    Sábias palavras. Respeito é tudo se quisermos harmonia no mundo.

    • Eduardo Postado em 16/Jan/2015 às 09:35

      as palavras do Papa Francisco nada mais são que o que deve ser feito... LIBERDADE NÃO PODE SER CONFUNDIDA COM LIBERALIDADE.... E fé é coisa sagrada e cada um a professa e defende a sua maneira.... os atos estão mais para represália vingança que terror.... e parece que a provocação continua em nome da LIBERDADE DE EXPRESSÃO.....será que precisa ser desta forma....

      • GabrielG Postado em 16/Jan/2015 às 13:25

        Pouco importa se crianças de 9 e 10 anos são obrigadas a se casar e manter relações sexuais com adultos... Quando se trata de FÉ, a religião passa a ser intocável.

      • eu daqui Postado em 19/Jan/2015 às 11:48

        É isso aí GabrielG: quando a fé desrespeita limites, não tem direito a respeito.

  2. Luciana Postado em 15/Jan/2015 às 16:23

    Exercendo minha liberdade e direito de expressão: As religiões (todas) com seus fanáticos e a ideia de existencia de deus são a desgraça e o atraso desse nosso mundo.

    • Rodrigo Postado em 15/Jan/2015 às 18:23

      (Outro Rodrigo) Como o Papa disse, há uma substancial diferença entre exercício de direito e ofensa. Dentre, pois, a liberdade de crença (que inclui o direito a não ter nenhuma) e a liberdade de expressão há uma separação, de modo que nenhum direito pode sobrepujar o outro, mas devem encontrar seu necessário equilíbrio. Direitos não colidem, mas devem ser harmonizados, de modo a prevalecer tanto o direito à expressão livre do pensamento, quanto à liberdade de credo - o ponto nevrálgico, pois, é o do abuso de direito, nem a liberdade de expressão devendo servir para agredir, nem a liberdade de credo devendo servir para o mesmo fim. Assim, prezada, não confunda a parte com o todo, não se guiando, assim, pela hipérbole, pois, claro, em qualquer instituição em que o homem faz-se presente há algum extremismo, fanatismo (por exemplo, nos partidos políticos, assim como nos mais diversos credos). Então e sempre, que livremente você exerça seu direito de liberdade de expressão, sem confundir o exercício do mesmo com abuso de direito. Ao revés, expresse respeito e tolerância, os mesmo que são devidos a você.

      • Rodrigo Postado em 16/Jan/2015 às 09:25

        (Outro Rodrigo) Diba, para quê serve você? A resposta a uma questão inicial tal servirá para, conhecendo-te a ti mesmo (ao que Sócrates já nos instigava), entendendo sua função em família, em sociedade, nas organizações em que você, porventura, encontre-se inserido, você perceba que os demais seres humanos estão sujeitos ao mesmo, a menos que se escolha o total isolamento. Cada um dos seres humanos, pois, todos seus iguais, também exerce uma função familiar, em sociedade, nas organizações em que esteja inserido. E, então, sua reveladora questão, encontrará resposta, você compreendendo que, em cada uma dessas organizações/entidades em que estejamos inserimos, há uma estrutura que, em seu topo, tem a figura de liderança. Eis, pois, o princípio. Boa reflexão!

      • Rodrigo Postado em 16/Jan/2015 às 16:10

        (Outro Rodrigo) Diba, quanto ao ouro da Igreja, realmente alimentaria a muitos, a exemplo do patrimônio histórico de qualquer país. Assim, questiono a você: Para quê serve o tratado de Latrão? Para quê servem tombamentos? Prossigo e questiono para quê servem todos os hospitais e escolas mantidos por entidades religiosas em geral (mas não apenas pela Igreja Católica). Para quê servem obras de caridade mantidas por entidades religiosas e seus missionários? Em seguimento, vendo que você não se propõe ao autoconhecimento (ao menos neste momento), preferindo a verborragia, a ofensa generalizada, o desprezo indiscriminado, novamente conclamo-te à reflexão, especialmente quando o Papa que, na mesma entrevista, diz: "— Consideremos nossa própria história. De quantas guerras religiosas a Igreja Católica participou? Até nós fomos pecadores — avaliou." (em momentos, pois, em que nos furtamos à autocrítica, preferindo apenas justificar nossos erros mediante a exposição do erro alheio, o líder da Igreja Católica dá importante lição). Quando você refletir sobre tudo isso, sobre autocrítica, educação, polidez, urbanidade, respeito e tolerância (inicialmente para consigo próprio, para conhecer o significado, evitando expor-se tão embaraçosa e vergonhosamente em uma discussão, e, após, para com os demais), quando passar a exercer a auto e a mútua aceitação, você compreenderá sua própria importância no seio familiar, social, político, profissional etc. e a de todos os demais seres humanos, seus iguais que são. Compreenderá, pois, para quê você e cada um de seus irmãos servem, ainda que um ou outro, livre e conscientemente, opte por não servir para coisa alguma, senão a ofender de modo generalizado. Abraço fraternal. P.S.: desejo, profundamente, que você não tome em lugar nenhum, ao revés desejando que você encontre sempre muita iluminação, muita harmoniza, saúde e tudo de melhor para tua caminhada.

      • Rodrigo Postado em 16/Jan/2015 às 16:13

        (Outro Rodrigo) *muita harmonia.

      • Luciana Postado em 17/Jan/2015 às 00:30

        Isto é censura. Ou existe, ou não existe a liberdade de expressão. Que senão será sempre o direito da liberdade de expressão atacando o direito à liberdade de expressão. O jeito é respeitar e tolerar mesmo, não tem outro caminho... Afinal, existe mesmo o direito da liberdade de expressão?

    • Rodrigo Postado em 15/Jan/2015 às 18:28

      (Outro Rodrigo) Prezada redação, creio que houve equívoco (para não tratarmos de má-fé) ao usar a conjunção adversativa "mas", em vez da aditiva "e", no título. Pode ser que passe despercebido ao incauto, que fale somente ao inconsciente dele, mas a diferença final é gritante. O Papa, pois, afirma a necessidade de respeito à liberdade de expressão "E" à liberdade de crença, remetendo à coexistência de direitos, sendo claramente rechaçada a hipótese de abuso de direito (quanto à liberdade de expressão, assim como não deve ter lugar também quanto à liberdade de crença). Contudo, o equivocado título impõe uma adversidade aonde ela não existe, pois a fala do Papa não foi no sentido de que ele elogia a liberdade de expressão ", MAS" critica insulto, não havendo lugar para distorção das palavras alheias, ainda que involuntária. Tenhamos mais atenção, a mesma que sempre aqui é requerida, quando a fala distorcida é de um representante de ideais aqui elogiados.

      • Rodrigo Postado em 16/Jan/2015 às 16:19

        (Outro Rodrigo) Mais uma vez, lamento sua postura, sua conduta livre e consciente de expor-se de modo tão vergonhoso, embaraçoso, em uma discussão. Lamento, pois, que você, livre e conscientemente, valore a renúncia à sua capacidade argumentativa, à construção e exposição de um raciocínio lógico, optando pela agressividade. Repense se é alguma frustração pessoal que te traz tanto rancor. Em sendo, exerça o perdão para consigo mesmo e para com os demais; ame-se e ame aos seus irmãos. Ao fim, certo é que ofensas tem apenas 3 efeitos: 1- exposição pública vergonhosa de quem as profere; 2- expressa ausência de argumentos; 3- os argumentos lançados pelo interlocutor permanecem sem contestação. Grande e fraternal abraço, agora na torcida para você compreender e exercer sua utilidade, após o quê estará apto a identificar o mesmo nos demais seres humanos.

    • Rodrigo Postado em 17/Jan/2015 às 04:14

      (Outro Rodrigo) Prezada Luciana, nenhum direito é absoluto, ou seja, nenhum direito admite o seu exercício abusivo. Simples assim.

    • Rodrigo Postado em 17/Jan/2015 às 20:21

      (Outro Rodrigo) Luciana, exemplificando com um caso concreto, no sentido de que todo direito tem limite, nenhum sendo absoluto: caso alguém tente te matar, em legítima defesa você pode matar o assassino. Assim, como resolver a questão, se o direto à vida fosse absoluto? A vida do assassino também seria direito absoluto, então você morreria? E, mais, sua legítima defesa também não é direito absoluto, não podendo ter lugar reação executiva, pela qual a pessoa pode responder criminalmente. Por isso que atento para a harmonização, coexistência de direitos, sem exercício abusivo.

      • Rodrigo Postado em 19/Jan/2015 às 17:02

        (Outro Rodrigo) * reação excessiva

    • eu daqui Postado em 19/Jan/2015 às 11:49

      Religião, qualquer uma, é usada como arma política. Aperfeiçoamento espiritual mesmo é o exercício da independencia.

  3. Olga Postado em 15/Jan/2015 às 16:33

    Todo tem limite, um limite não imposto de fora, mas de dentro, próprio da pessoa e sua formação como ser humano: o respeito para si mesmo e para com o próximo, e, o senso comum, o sentido que nos da a orientação do que pode o não pode ser feito. Quando a liberdade de expressão invade a liberdade de religião deixa de ser liberdade para ser ofensa; quando a ofensa é reiterada e com notações burlescas é ofensa grave. Não concordo com ataques que acabem com vidas humanas seja pelo motivo que for, religião, recursos, ideias, política, deportes, ataques preconceituosos, racistas, etc. A vida humana é sagrada, mas pelo que vemos hoje, o homem ainda não aprendeu a conviver com tolerância, respeito, compreensão e solidariedade. Fomos criados no individualismo para ser melhor manipulados pelos grupos de poder, que ainda nos imponem fatos e conceitos disfarçados, dirigidos, e irreais, para nós pensar, agirmos e reagir do jeito que eles desejam. Na idade meia era o "diabo"o inimigo a combater, depois o "comunisimo" agora é hora do "terrorismo". Sempre o medo, o medo conduzindo e justificando fatos. O ser humano ficou desequilibrado, cresceu tecnologicamente, mas como ser pensante, como ser espiritual, como ser humano ficou sem dúvidas lá atras, na idade das trevas. Eu não sou Charlie, porque me ensinaram a respeitar e que, o meu direito acaba quando começa o direito do outro. Muito bom Francisco.

    • mani Postado em 15/Jan/2015 às 22:15

      Excelente comentário, muito esclarecedor.

    • Eduardo Postado em 16/Jan/2015 às 09:42

      concordo com você... eu não sou nem charlie nem imprensa nenhuma que não respeita os limites do respeito... esse jornaleco está semeando discórdia e distensão religiosa num continente com problemas de emprego e com economias em ruínas....

  4. jessica Postado em 15/Jan/2015 às 16:56

    Cada vez mais contente com esse papa, tem todo meu respeito!

  5. Priscila Postado em 15/Jan/2015 às 17:28

    Sábias palavras, do Papa e da Olga! Há muito tempo não vejo um religioso com tanta virtude!

  6. Thiago Teixeira Postado em 15/Jan/2015 às 19:03

    Grande Velho!!!!!!!!!!!!!! O Papa está certíssimo, respeito é bom e todo mundo gosta.

  7. Marcelo Postado em 16/Jan/2015 às 08:01

    O Papa Francisco tem meu respeito. Ao falar das guerras religiosas, não poupou sua própria instituição das barbáries já cometidas. Este é o fato, ao meu ver, mais importante da declaração. Quanto ao fundo do comentário, concordo plenamente. Respeito à diversidade é fundamental para a própria sobrevivência da diversidade.

  8. Roberto Pedroso Postado em 16/Jan/2015 às 09:27

    Recomendo o texto de Arlene Clemesha escrito hoje(16 de janeiro) na Folha de São Paulo,na coluna Opinião,texto excelente da professora de História Árabe da Usp sobre a opção pela convivência.

  9. Felipe Peters Berchielli Postado em 16/Jan/2015 às 09:29

    Discordo do Papa,pessoas merecem respeito,idéias não,se alguém atacar oque considero de mais sagrado nesse mundo com ofensas não me da o direito de usar violencia e justificar meu ato. Até porque colocar idéias(religião é uma idéia) nesse patamar é perigoso,vamos começar a falar que ideologias jamais devem ser atacadas também.

    • Eduardo Postado em 16/Jan/2015 às 09:49

      concordo com você no que tange a linha de raciocínio reta, mas na realidade não funciona assim... o equilíbrio de senso lógico é frágil, vimos diariamente crimes hediondos sendo cometidos por motivos para quem tem a cabeça no lugar, fúteis.... mas ninguém está na cabeça de ninguém, ninguém sabe o quanto é valoroso um pensamento para outro.... pra você amigo nada justifica usar de violência, mas para outro a violência é a única forma de fazer com que pare uma ofensa continuada, mesmo que esta ofensa seja a uma crença individual.... um amor a uma camisa de time de futebol.... uma paixão por algo qualquer.... uma mãe... A verdade é que temos que compreender, não aceitar, ninguém tem sangue de barata.... e como já lemos aqui meu direito vai até onde começa o teu.

    • Rodrigo Postado em 16/Jan/2015 às 10:57

      (Outro Rodrigo) Você não entendeu o que o Papa disse. Ele fala sobre coexistência de direitos, harmonia, tolerância e, enfim, exercício legítimo do direito, afastando o exercício abusivo. Liberdade, pois, em muito dista de libertinagem, seja a liberdade de expressão, seja a de crença (direito este que abriga ainda a liberdade de não ter credo algum).

  10. Wanderson Postado em 16/Jan/2015 às 10:24

    "A zueira não tem limites,assim como a tosqueira". Essa frase é muito comum de se ler pelos becos virtuais da grande rede,significando que na internet,a anarquia e a galhofa indiscriminada existe pra valer,ninguém está a salvo.Em princípio,o humor inteligente deveria fazer com que o ser humano pensasse em sua própria condição e risse,penalisado de si mesmo.Seria a essência da sátira e da pantomima.Os grandes humoristas,além de serem palhaços genuínos,no bom sentido,eram pensadores,vede Chaplin e seu imortal "O Grande Ditador".A crítica que ele fez ao seu tempo é genial e até hoje nos faz pensar.Quem dera que a geração de hoje(profícua em misturar axincalhe com humor,confundir liberdade de expressão com "libertinagem de expressão")entendesse isso,mas não é o que acontece.Parece que é uma epidemia generalisada o desrrespeito a tudo e todos em prol do sorriso irresponsável e descompromissado com o que quer que seja. No entanto,há males que vem para o bem. Quem sabe,com esses últimos incidentes absurdos que vimos,possa trazer ao ocidente uma reflexão em relação a nossa conduta e o rerspeito para com todos. Eu não sou católico mas respeito muito a pessoa do pontífice,ele tem uma grande e espinhosa missão pela frente.Que Deus o acompanhe.

  11. Rodrigo Postado em 16/Jan/2015 às 16:25

    (Outro Rodrigo) Pronto, Diba, você apresentou um argumento, em que pese ainda insista em ofensas. Argumento este extremamente válido e de necessária divulgação. Eu desconhecia o caso e, concordo com você, espero profundamente que o Papa toque no assunto - poderia me limitar ao "ah, ele não deve saber", mas a questão é denunciada por alguém que ganhou um Prêmio Nobel, por sua atuação na questão, ou seja, algo de amplo conhecimento. Assim, se o Papa calar-se sobre tal prática abominável, concordarei contigo na crítica, ao que terei o Papa em boa conta por diversas boas passagens outras - não devemos desconstruir uma personalidade inteira em razão de seus defeitos, mesmo porque a perfeição não é atributo humano, mas a crítica positiva nos conclama à contínua evolução. Parabéns, pois, pela divulgação e siga focando nos argumentos. Abraços.

  12. Rodrigo Postado em 16/Jan/2015 às 18:09

    (Outro Rodrigo) Calma, rapaz... Quando dizemos, falamos, especialmente se estamos sob muitos holofotes e lentes, a questão ganha divulgação e conclama muitos à ação - inclusive o Papa. Cada um, pois, tem uma parte a fazer e fico feliz em ver que este Papa vem fazendo boas coisas, a começar pelo Banco do Vaticano, que, sim, merece grande atenção e punição aos responsáveis. Assim, parto do princípio de que somos humanos e temos a livre escolha do bem ou do mal. E, humanos em evolução, em determinados momentos escolheremos bem, em outros nem tanto - cabe o elogio naquele momento e a crítica neste, pois. A conduta deste Papa, expressando simplicidade em suas vestes e objetos que traz consigo (o anel de prata, em vez de ouro, assim como a cruz de ferro e demais momentos do seu dia a dia), conclamando à união (infelizmente a proposta do mesmo não foi acolhida no Sínodo dos Bispos - defendia acolhimento a "mães solteiras", casais divorciados e em união estável, nova união e mesmo homossexuais - pessoas que acabam sendo vistas pelos rótulos, mas não pelos conteúdos), determinando investigação no Banco do Vaticano (ainda há a questão absurda dos milhões gastos em complexo que contém uma sauna gay...), já é um diferencial. Ele continua não sendo perfeito, mas sua postura nos instiga à melhoria, à cobrança que anda tão ausente na política. Assim, acordemos juntos, critiquemos juntos, mas tenhamos cuidado com o excesso, pois o foco da discussão acabará sendo desviado para o mesmo, em vez de acercar-se de argumentos - e vejo que você os tem e não são poucos. Então assim sigamos, argumentando, cobrando. Abraços.

  13. Rodrigo Postado em 16/Jan/2015 às 18:21

    (Outro Rodrigo) Diba, em continuidade, como acima dito, concordo com as denúncias, não valorando o acobertamento de nenhuma delas. Seja quanto a erros/crimes, de quem quer que seja, independentemente da instituição envolvida. Para mim a Fé é uma realidade e te dou testemunho de que, em um ano, sem fanatismos, exageros, sem me afastar de amigos ou da vida social, a reaproximação que tive com a instituição, a mudança de atitudes em meu dia a dia, representaram momentos melhores, pessoal, profissional e familiarmente, oportunizando a mim um enfoque diferenciado das minhas escolhas diárias. Creio porque provei e aprovei. E escolho com meu livre arbítrio, refletindo se minha escolha revela boa opção, se é salutar a mim e aos meus próximos, mas não pura e simplesmente em função do querer de outrem, seja ele quem for - há, claro, fanáticos em igrejas, em partidos, mas não tomemos a parte pelo todo, ao revés direcionando a crítica a quem verdadeiramente se exceda. E, mais, tenho o direito de professar um credo e mereço respeito, assim como merece todo o respeito quem escolhe não professar nenhum (o direito à liberdade de crença protege ambos, tanto o direito de ter, como o de não ter), respeito e tolerância sendo a tônica. Meu comentário, pois, não representa a defesa de uma pessoa e respectivo cargo, como se fossem um fim em si mesmos. Ao contrário, representa a exposição do porque é merecido o elogio e, a partir de tua intervenção, o porque de ser merecida a crítica: se, a priori, o Papa mereceria respeito em função de seu cargo, eu vou mais além e falo de atitudes concretas que o mesmo já teve, ao mesmo tempo em que reconheço a necessidade de crítica, pois tratamos de um ser humano e sempre há espaço para melhoria (nem devemos "endeusar", nem nos limitarmos apenas a uma crítica pejorativa). Reconhecimento e crítica positiva e construtiva andam juntos, não sendo, ao meu ver, momentos dissociados.

  14. Rodrigo Postado em 16/Jan/2015 às 22:30

    (Outro Rodrigo) A evolução natural do Direito aponta outra realidade, a de que liberdades convivem, mas não se anulam, uma não sobrepujando a outra. Não devemos, pois, confundir exercício regular com exercício abusivo de direito.

  15. Rodrigo Postado em 17/Jan/2015 às 20:25

    (Outro Rodrigo) Prezado, exemplificando com um caso concreto, no sentido de que todo direito tem limite, nenhum sendo absoluto: caso alguém tente te matar, em legítima defesa você pode matar o assassino. Assim, como resolver a questão, se o direto à vida fosse absoluto? A vida do assassino também seria direito absoluto, então você morreria? E, mais, sua legítima defesa também não é direito absoluto, não podendo ter lugar reação executiva, pela qual a pessoa pode responder criminalmente. Por isso que atento para a harmonização, coexistência de direitos, sem exercício abusivo.

    • Rodrigo Postado em 18/Jan/2015 às 10:17

      (Outro Rodrigo) *reação excessiva