Redação Pragmatismo
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Europa 27/Jan/2015 às 08:30
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O que significa a histórica vitória da esquerda na Grécia?

O triunfo da esquerda na Grécia é histórico e representa bem mais que a inédita vitória, em solo europeu, da corrente inimiga da estratégia de austeridade.

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Breno Altman, Opera Mundi

O triunfo do Syriza, de Alexis Tsipras, futuro primeiro-ministro da Grécia, representa mais que a inédita vitória, em solo europeu, de corrente inimiga da estratégia de austeridade.

A envergadura histórica dos resultados eleitorais vai além: pela primeira vez desde o final da União Soviética, um partido de esquerda, anticapitalista, conquista o governo de uma nação do velho continente.

A vida política da região esteve marcada, desde os anos noventa, pela dança de cadeiras entre duas variáveis do neoliberalismo: a conservadora e a social-democrata.

A exceção é o nacionalismo russo de Putin e outros Estados menores, ex-integrantes do antigo espaço soviético, mas cuja identidade não está marcada por paradigmas socialistas.

As agremiações sociais-democratas, contudo, foram paulatinamente deixando de ser expressões reformistas do campo progressista para se converterem em opção mais branda da hegemonia do capital financeiro.

Suas gestões pouco ou nada se diferenciam, no fundamental, do que é defendido e praticado por legendas propriamente de direita. Chegam mesmo a compor governos de unidade nacional, como é caso alemão e o da própria Grécia até este domingo (25/01).

O Pasok, aliás, virou pó, com menos de 5% dos votos, com os eleitores esculachando a aliança de governo dos sociais-democratas com a principal legenda da direita, a Nova Democracia.

O fato é que a esquerda europeia esteve circunscrita, antes da ascensão do Syriza, a papel secundário, desempenhado por partidos comunistas e outros grupos com sérias dificuldades para se viabilizarem como alternativa de poder.

O jogo, agora, mudou.

O Syriza (em grego, abreviatura para Coligação da Esquerda Radical) tem fisionomia semelhante ao PT brasileiro.

Mais do que partido clássico, trata-se de frente orgânica. Aglutina inúmeras correntes, em espectro que vai do trotsquismo à social-democracia, ao redor de um programa de caráter socialista.

Sua principal força propulsora são os movimentos sociais e populares que se rebelaram contra o garrote financeiro imposto sobre a Grécia desde a crise de 2010.

Mas o cenário com o qual Tsipras e seus correligionários irão lidar é oposto ao percurso petista após a conquista eleitoral de 2002.

O ex-presidente Lula pode implementar políticas públicas de natureza distributiva a partir do reordenamento orçamentário, sem graves choques com o sistema financeiro mundial e sem a obrigatoriedade de reformas estruturais.

Ainda que esta orientação viesse a entrar em fadiga, como vem ocorrendo nos últimos quatros anos, a verdade é que o petismo pode promover a expansão de emprego, renda e direitos, durante longo período, sem confrontar o modelo rentista e as forças que o sustentam.

O Syriza, no entanto, somente será capaz de enfrentar a calamitosa herança social e econômica deixada por seus antecessores se fizer mudanças profundas e enfrentar o centro dirigente do imperialismo europeu.

O nó górdio é a dívida pública.

Sem estancar esta sangria, o Estado grego continuará insolvente para atender as reivindicações das ruas e retomar o crescimento.

Tsipras sinalizou, nas semanas derradeiras de campanha, disposição para negociar, evitando a ruptura com a União Européia e o euro.

Mas seus interlocutores, particularmente França e Alemanha, estão em sinuca de bico.

Se aceitam um pacto que alivie a vida helênica, outros países engastalhados — como Portugal, Espanha, Itália e Irlanda — podem pedir as mesmas facilidades. Os grandes bancos e fundos não admitem concessões dessa magnitude.

Caso a opção da chamada troika (formada pela Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional) seja bater o pé em defesa dos acordos firmados pelo governo de centro-direita que foi derrotado nas urnas, o Syriza viverá sua hora da verdade.

Teria, grosso modo, em circunstâncias de intolerância das instituições financeiras, dois caminhos pela frente.

O primeiro seria o da ruptura unilateral dos compromissos de ajuste fiscal e pagamento da dívida, além do vínculo com a moeda única, colocando em xeque todo o sistema europeu.

As consequências iniciais poderiam ser dramáticas para o povo grego, até que a retomada da soberania nacional pudesse fazer a economia respirar, liberta das sondas predadoras de seus credores.

Além da maioria parlamentar que formou graças à composição com um pequeno partido nacionalista de direita, o Gregos Independentes, Tsipras eventualmente contrabalancearia dificuldades materiais com a mobilização dos trabalhadores gregos e o alastramento desse estado de ânimo por outras nações do sul europeu.

Outro caminho seria o da submissão, acatando ditames da troika e aceitando, como compensação, algumas alterações cosméticas. Mas pagaria elevadíssimo preço político por tamanho recuo.

O Partido Comunista, por exemplo, com 15 deputados eleitos, hipotético aliado, anunciou que se recusa a compor o novo gabinete porque sua direção está convencida sobre a tendência de Tsipras à capitulação, além de criticar sua disposição de continuar na União Europeia e na Otan.

Quem viver, verá.

Aconteça o que acontecer, porém, a Grécia se transformou no epicentro dos principais lances políticos dos próximos tempos.

A Europa está aturdida por um fenômeno que talvez abra novo ciclo político, no qual se viabilize uma esquerda antagonista vocacionada para conduzir o continente a outro modelo de desenvolvimento.

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Comentários

  1. Pedro Postado em 27/Jan/2015 às 08:47

    Vão dar o calote nos bancos europeus, isso sim

    • Vinícius Postado em 27/Jan/2015 às 11:04

      ótimo, ao invés de o povo pagar, pagam os bancos. ao invés do povo perder casa e alimento, perdem os ricassos 1 ou 2 jatinhos, algumas casas na praia...

      • Marcio Postado em 27/Jan/2015 às 16:16

        Limitada a tua visão de como funciona a economia no mundo. Os ricaços não vão perder os jatos, e ainda assim as familias gregas vão perder a casa e o alimento se esse for o caminho seguido. Insistem em esquecer o porque a união soviética ruiu...

  2. Pereira Postado em 27/Jan/2015 às 09:49

    Talvez seja até bom, para mostrar ao mundo o quão ruim é o socialismo.

    • eu daqui Postado em 27/Jan/2015 às 10:12

      Nenhum socialismo e nenhum capitalismo arrombou a Grécia e sim a concorrencia de economias mais fortes como Alemanha e França sem a proteção das barreiras aduaneiras que a UE havia extinguido. Vai estudar, cotista. Ou vai viajar, pobretão, pra saber do que fala.

      • assalariado. Postado em 27/Jan/2015 às 14:36

        eudaqui, pelo jeito vc nunca ouviu falar de colonizador x colonizado. Também, nunca leu uma linha sequer sobre Socialismo e/ ou, Capitalismo. Isto é, luta de classes. Abraços Fraternos.

    • Wander Postado em 27/Jan/2015 às 17:29

      Engraçado, precisou o Obama implantar ações socialistas para limpar as cagadas neoliberais do Bush. Antes de falar o "quão ruim é o socialismo" procure entender melhor como funciona e porque é uma tendência mundial.

  3. Silva Postado em 27/Jan/2015 às 10:26

    Significa que as chances da Grécia declarar moratória acabam de aumentar.

  4. C.Paoliello Postado em 27/Jan/2015 às 11:37

    Espero que façam uma auditoria na "dívida" e jamais a pagam. Bancos não deveriam sequer existir. Paul Craig Roberts: Já é tempo do Irã dizer "adeus" ao ocidente http://www.paulcraigroberts.org/2015/01/26/time-iran-tell-west-goodbye-paul-craig-roberts/

  5. aquino Postado em 27/Jan/2015 às 11:48

    Parabéns ao povo grego, como sempre ensinando ao mundo , o verdadeiro sabor de ser uma democracia. sorte ao TSIPRAS, contra esse neoliberalismo predador, que só sabem ditar regras de austeridade, deixando os povos mais pobres e sem condições de serem verdadeiros cidadãos. lembramos que ele é discípulo do nosso grande e futuro presidente lula.

    • eu daqui Postado em 27/Jan/2015 às 12:01

      Conheço aquilo ali e sei que eles vão sair dessa: o povo grego merece !!!!!!!!!!! Assim como eu mereço continuar gastando ali o dinheiro de minhas férias.

  6. eu daqui Postado em 27/Jan/2015 às 12:00

    Grego e europeu em geral valoriza muito história e arqueologia. Não jugue a civilização dos outros pela sua. Vá estudar cotista e vá viajar, pobretão.

  7. Marlon Bravo Postado em 27/Jan/2015 às 12:43

    A Grécia historicamente sinaliza novos rumos para o mundo !

  8. aquino Postado em 27/Jan/2015 às 13:48

    Não podemos esquecer que a Grécia já foi um grande império, e sabe se sair de turbulências como estas. concordo com você , eu daqui

  9. Pereira Postado em 27/Jan/2015 às 17:25

    Pobre Grécia. Calote na U.E ! Talvez dará crise no setor de turismo do país. Nem as ilhas salvarão.

  10. Pereira Postado em 27/Jan/2015 às 17:27

    "Nenhum socialismo e nenhum capitalismo arrombou a Grécia e sim a concorrencia de economias mais fortes como Alemanha e França sem a proteção das barreiras aduaneiras que a UE havia extinguido. Vai estudar, cotista. Ou vai viajar, pobretão, pra saber do que fala." E quem disse que eu estou falando de economia ? Eu estou falando de ideologia.

  11. Pereira Postado em 27/Jan/2015 às 17:29

    Eu sou pobre ! Classe média. Mas sustento a máquina de roubalheira do PT. Dinheiro não passa de fetiche de pobre que quer ser Classe média. O poder está na mão de quem manda na política e não dos endinheirados. Desde quando o PT quer dinheiro para si ? No máximo para comprar os outros como o mensalão e petrolão.

  12. Pereira Postado em 27/Jan/2015 às 17:35

    "ótimo, ao invés de o povo pagar, pagam os bancos. ao invés do povo perder casa e alimento, perdem os ricassos 1 ou 2 jatinhos, algumas casas na praia..." Na venezuela socialista deve ser os pobres que ganahram com essa ideologia porca. Por isso que falta produtos básicos como papel higiêncio. Agora tu acha que falta queijo suíço na mesa do Maduro ? No socialismo é sempre os pobres que perdem e passam trabalho.

  13. Nicolau Postado em 27/Jan/2015 às 22:41

    Grécia antiga era um país de cultura, era, porque hoje é um país de analfabetos comunistas!

  14. fabricio Moraes Postado em 28/Jan/2015 às 03:42

    O problema da Grécia é o euro , país pobre não pode ter moeda forte

  15. Sergio Carneiro Postado em 28/Jan/2015 às 07:07

    Quem te viu, quem te vê?. A Grécia berço da cultural ocidental, nascedouro da democracia, sementeira da justiça e hoje é reduzida a isso. E quando os 220 bilhões de euros acabarem, vão fazer o quê? Se existe um Deus que ele olhe pelos povo grego.

  16. Thales Postado em 28/Jan/2015 às 12:17

    Só para avisar aos desavisados que esse partido apesar de ser de extrema direita não é comunista, inclusive um dos principais rivais dele é o partido comunista grego, chega ao ponto de terem melhor relação com partidos de direita do que com o partido comunista

    • Thales Postado em 28/Jan/2015 às 12:23

      na primeira linha eu quis dizer extrema esquerda e não direita. Erro de atenção meu!!